Setor sucroenergético

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Açúcar: Disparada

Os preços do açúcar atingiram a maior cotação desde 3 de setembro de 2014 na última sexta-feira após mais uma sessão com forte atuação dos fundos.

Os contratos com vencimento em outubro encerraram o pregão na bolsa de Nova York cotados a 17,33 centavos de dólar a libra-peso, alta de 2%, ou 34 pontos.

De acordo com Gabriel Elias, trader da Olam International, o preço dos ativos está suscetível a fortes flutuações após as usinas terem fixado o preço de boa parte da produção das safras 2015/16 e 2016/17.

Corrobora ainda para a alta a estimativa de déficit de 5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2016/17 divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 76,02, alta de 0,38%. (Valor Econômico 23/05/2016)

 

ATR SP inicia safra 2016/17 cotado a R$ 0,5881

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP), divulgou hoje (20) os dados referentes ao Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) para início da safra 2016/17, sendo o valor inicial de R$ 0,5881.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo iniciam a safra cotados em R$ 64,21 a tonelada. Já a canaesteira inicia em R$ 71,73 a tonelada. (Udop 20/05/2016)

 

Preço do etanol ao consumidor caiu em 22 Estados e no DF nesta semana

Os preços do etanol hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, voltaram a recuar na maior parte do país nesta semana, mas só está mais competitivo que a gasolina em quatro Estados. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou balanço hoje indicando que os preços do biocombustível caíram em 22 Estados e no Distrito Federal na semana até o dia 21.

A queda mais expressiva ocorreu no Distrito Federal, onde o preço de etanol recuou 6,7% na comparação com a semana anterior, para um valor médio de R$ 3,061 o litro. Esse patamar, porém, ainda está acima dos 70% do preço da gasolina, relação equivalente à eficiência energética do biocombustível ante seu concorrente fóssil.

No principal Estado consumidor do país, São Paulo, o preço do etanol caiu 2,36% na semana, para R$ 2,232 o litro. Esse valor corresponde a 64% do preço médio da gasolina na semana, o que mostra que o biocombustível no Estado está mais competitivo.

A relação entre os preços também ficou mais favorável ao consumo de etanol em Minas Gerais (67%), Mato Grosso (68%) e Goiás (69%). Nos outros 18 Estados, apesar da queda das cotações do etanol, a gasolina continua mais competitiva.

O etanol se valorizou em apenas quatro Estados nesta semana: Amapá (1,81%), Maranhão (0,55%), Rio de Janeiro (0,42%) e Sergipe (0,03%). (Valor Econômico 20/05/2016)

 

Pádua Rodrigues: A esperança de um cenário promissor

Para muitos, 2015 foi uma transição para o setor sucroenergético brasileiro. De fato, observaram-se alterações nos mercados de açúcar e de etanol. Isso trouxe alento para esta indústria após um longo período de margens negativas.

No caso do etanol, tivemos três medidas: (i) restabelecimento parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); (ii) correção da alíquota do PIS (Programa de Integração Social) e da COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); e (iii) reajustes no preço praticado pela Petrobras. Todas elas, que visavam ao crescimento da arrecadação federal e à melhoria no fluxo de caixa das refinarias, ampliaram a competitividade do etanol hidratado - o seu preço-teto subiu em cerca de R$ 0,30 por litro.

Assistimos, também, a dez estados alterarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas alíquotas aplicadas nos preços dos combustíveis. Essas mudanças elevaram o diferencial tributário a favor do etanol hidratado, em comparação com a gasolina.

O estado de Minas Gerais, enquanto elevou a alíquota do ICMS da gasolina de 27% para 29%, reduziu, no etanol hidratado, de 19% para 14%. Resultado: o consumo médio mensal de etanol hidratado do estado saltou de 60 milhões de litros para 150 milhões de 2014 para 2015.

No mercado de açúcar, o quadro superavitário global começou a se inverter, com viés de alta das cotações. Essa tendência, somada à desvalorização do real frente ao dólar, melhorou a remuneração dos produtores brasileiros.

Essas mudanças sugerem uma condição melhor em termos de expectativa de ampliação da receita de produtores, fornecedores de cana-de-açúcar e demais agentes dessa cadeia.

Os riscos existem. A safra 2016/17 (abril a março) iniciou na região Centro-Sul. As discussões cercam a política de precificação da gasolina, a retração econômica do País e o menor consumo de combustíveis e açúcar. A ocorrência de intempéries climáticas pesará bastante.

Muitas empresas diminuíram os investimentos na lavoura para manter a atividade e o emprego. Em alguns casos, as despesas financeiras comprometem mais de 20% das suas receitas. Para estas unidades, ficou difícil restabelecer um desempenho econômico razoável no curto prazo.

Vôo de galinha

A conversão das recentes alterações em um ciclo sustentado de crescimento setorial exigirá mudanças estruturais e o empenho dos setores público e privado. Temos desafios internos e externos.

No caso do açúcar, há a necessidade de contestação das medidas protecionistas praticadas em países produtores e de eliminação dos falsos mitos sobre o consumo do produto. No etanol, por sua vez, faz-se necessária a definição de uma diretriz objetiva e duradoura para a matriz energética brasileira, com reconhecimento dos seus benefícios ambientais, sociais e de saúde pública.

O recente compromisso assumido pelo Brasil na 21ª Conferência Mundial do Clima (COP-21) da ONU (Organização das Nações Unidas) pode ser um pontapé nesse sentido - embora ainda faltem maior detalhamento e identificação dos mecanismos a serem utilizados para cumprimento das metas propostas.

Ao setor privado cabe perseverar os esforços para a redução nos custos de produção e o desenvolvimento e a implementação de novas tecnologias. A expansão da produção observada em 2015 pode não passar de um "vôo de galinha" estimulado por uma condição climática favorável, com muito barulho e pouca sustentação. (AgroAnalysis 20/05/2016)

 

Açúcar: Mercado promete mais emoção - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou o pregão da sexta-feira animado com os preços alcançando novas altas no vencimento julho/2016: 17.29 centavos de dólar por libra-peso, o maior nível desde julho de 2014 quando o mercado negociava 17.33 centavos de dólar por libra-peso.

Os fundos não-indexados, principais responsáveis por essa surpreendentemente forte onda altista, estão com posição comprada recorde de todos os tempos, agora na casa dos 270.000 contratos, volume equivalente às exportações brasileiras de açúcar no período de seis meses. O perigo aqui – segundo alguns analistas – é que os fundos possuem quase 40% da posição. O contra-argumento é que em outras commodities como ouro e prata eles possuem um percentual mais alto. O fato é que eles estão ganhando dinheiro com a alta e nesse ambiente normalmente eles deixam os lucros se acumularem.

A tradicional semana do açúcar em NY reunindo os principais executivos do setor, usinas, refinarias, tradings, analistas e formadores de opinião do mercado mundial saíram muito mais construtivos em relação à trajetória de preços do contrato de açúcar em NY. Aquilo que pensávamos que fosse ocorrer ao longo deste ano culminando possivelmente no início do último trimestre com preços mais altos, antecipou-se. Quando dizíamos aqui que os preços iriam chegar a 17-18 centavos de dólar por libra-peso todos acreditavam que era mais um pensamento desejoso deste escriba do que efetivamente uma afirmação fundamentada.

Vários pontos discutidos ao longo dos últimos meses parecem ficar mais claros agora, principalmente depois de vários analistas referendarem e validarem aquelas questões que estavam sobre nossas cabeças. Uma delas é a clara limitação da capacidade de moagem do Brasil e o efeito que isso terá no futuro, sem novos investimentos, sem renovação do canavial na proporção necessária para encarar um consumo mundial que cresce a uma velocidade maior do que o Brasil tem sido capaz de prover. Se compararmos o crescimento médio anual da produção de açúcar do Centro-Sul nos últimos cinco anos com o crescimento médio anual do consumo mundial no mesmo período, veremos que é 0,4% contra 2%. 

No início deste ano, quando o volume de fixação de preços por parte das usinas em NY atingiu volume recorde (desde que o modelo da Archer começou a monitorar) alertamos que um dos fatores que poderia potencializar a subida de preços é que não haveria novas vendas por parte do Brasil devido ao volume antecipadamente fixado. No último número publicado, com base no final de fevereiro, o percentual de fixação das usinas atingia mais de 75%. [Estamos no momento redesenhando nosso modelo para separar as fixações por ano safra, pois pela primeira vez percebemos que nosso número estava acima daquele projetado/esperado pelo mercado e identificamos que isso se deveu ao fato de o modelo atual não fazer distinção entre os citados períodos].

Existem outros fatores que não pesavam sobre o mercado no passado que agora podem influenciar a trajetória de preços do açúcar em NY. O governo Temer está descobrindo o verdadeiro rombo que o governo petista deixou e a sociedade brasileira não vê com bons olhos a criação de novos impostos. Uma saída para o governo seria a volta da CIDE - o imposto sobre os combustíveis - que pode arrecadar R$ 32 bilhões por ano e diminuir o rombo fiscal deixado pela incompetente presidente Dilma de mais de R$ 170 bilhões. Se houver níveis diferentes de imposto para a gasolina e o etanol, o setor pode ser beneficiado trazendo maior competitividade ao etanol e estreitando a arbitragem com o açúcar que nesse momento do mercado negocia com mais de 400 pontos de premio equivalente NY sobre o etanol.

Outro fator exógeno que pode afetar positivamente o setor é a indicação do competente Pedro Parente para a presidência da Petrobrás. Parente conhece bem o setor sucroalcooleiro e tem como missão salvar a estatal do petróleo. Pelo seu profissionalismo e por ser homem de mercado não seria demais supor que podemos ter o preço da gasolina refletindo fielmente o mercado internacional. Esse é um ponto crucial para a volta do investimento estrangeiro no setor sucroalcooleiro. Quem vai investir num segmento em que se desconhece a formação de preço do etanol que responde por mais de 50% da produção de cana? A introdução de mecanismos de transparência na formação de preço do etanol teria um impacto imediato na captação de novos e necessários investimentos. O Brasil vai precisar moer mais 120 milhões de toneladas de cana até 2020/2021 para atender a demanda de combustível interna e manter a atual fatia de mercado que possui como principal fornecedor de açúcar ao mundo.

Podemos ver, com a legitimação do governo Temer, após consolidado o processo de defenestração definitiva da presidente Dilma Rousseff, o estabelecimento de uma politica energética de longo prazo que daria diretrizes e segurança jurídica para os investidores.

Existem outros pontos a serem discutidos que corroboram com um quadro extremamente construtivo para o açúcar, não apenas no preço, mas também no prêmio. A limitada capacidade de escoamento da produção via terminais de Santos e Paranaguá, que estão comprometidos com substancial volume para a safra de grãos, pode afetar os prêmios do açúcar para embarque por aqueles portos. Quando os consumidores finais começarem a perceber as semelhanças desse ambiente atual com o de 2010 podemos ver uma ainda mais acentuada subida de preços em NY. Nossa análise aponta para o março/2017 entre 20-21 centavos de dólar por libra-peso.

E nem precisamos falar sobre a Índia e Tailândia nesse comentário semanal.

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Boa viagem de volta para casa para todos que estiveram em NY (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)