Setor sucroenergético

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Justiça autoriza leilão de duas usinas do Grupo Infinity

A Justiça autorizou o início do leilão de duas usinas do Grupo Infinity como parte do processo de recuperação judicial da companhia. O despacho foi publicado ontem pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

Serão leiloadas a Usina Usinavi, localizada em Mato Grosso do Sul, com capacidade de processamento de 3,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, e a Usina Ibirálcool, na Bahia, com capacidade de moagem de 1 milhão de toneladas. A Usina Ibirálcool deverá ser leiloada com lance mínimo de R$ 30 milhões.

A Infinity Bioenergia possui seis unidades produtoras e está em recuperação judicial desde 2009. (Valor Econômico 25/05/2016)

 

Açúcar: Instável como o Brasil

Após um pregão de intensa volatilidade, os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York encerraram o dia em queda ontem.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 16,96 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 13 pontos (0,76%). Em nota, a trading Sucden Financial destacou que as expectativas com o anúncio de políticas para sanar as contas públicas no Brasil foram fatores de instabilidade para o mercado.

As medidas divulgadas foram bem recebidas, causando queda do dólar e alta das cotações pouco antes de o pregão fechar.

As vendas técnicas realizadas por fundos, no entanto, ditaram os preços finais.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76 a saca de 50 quilos, queda de 0,41%. (Valor Econômico 25/05/2016)

 

Índia passa de exportador a importador de açúcar após El Niño

Pouco mais de um ano depois de ordenar às usinas de açúcar a exportação compulsória da commodity que havia em estoque, a Índia lida com dificuldades com a espiral dos preços e com uma possível escassez

Depois que o El Niño mais forte em duas décadas prejudicou as colheitas, a produção da Índia deverá cair pelo segundo ano seguido ao menor nível em sete anos. A situação colocou o governo federal em alerta. O ministro de Alimentos, Ram Vilas Paswan, disse na semana passada que o imposto sobre as importações poderia ser reduzido e que as exportações foram descartadas para evitar um salto maior dos preços.

A provável transição da Índia de exportadora para importadora ocorre em meio à alta dos preços internacionais ao maior nível em 20 meses, impulsionada pelas perspectivas do primeiro déficit mundial de açúcar em cinco anos. Com a redução da produção e dos estoques, o maior consumidor mundial de açúcar poderá precisar comprar em outras partes entre 2 milhões e 6 milhões de toneladas em 2016-2017, segundo a RCMA Commodities Asia Pte.

"Deveremos ter importações por interesse dos consumidores e para evitar um possível aumento dos preços em caso de qualquer situação inevitável, como um atraso na produção da safra 2017-2018", disse Mukesh Kuvadia, secretário-geral da Associação de Comerciantes de Açúcar de Mumbai, por telefone, na segunda-feira. A Índia poderá importar 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2016-2017 para controlar os preços mesmo que não haja escassez, disse ele.

Estoques menores

A produção da Índia provavelmente cairá para 23,5 milhões de toneladas no ano que começa em 1º de outubro, segundo uma pesquisa da Bloomberg realizada no mês passado. Seria a menor desde a safra de 2009-2010, de 18,9 milhões de toneladas, mostram dados da Associação Indiana das Usinas de Açúcar. Com a demanda doméstica prestes a superar 26 milhões de toneladas, o estoque de cerca de 7 milhões de toneladas será praticamente consumido, abrindo as portas para as importações.

A Índia deverá ter um estoque suficiente para atender a necessidade do país por pelo menos três meses, disse Kuvadia, que negocia açúcar há três décadas. O governo estudará a redução do imposto sobre a importação de açúcar e proibirá as exportações se os preços subirem ainda mais, disse Paswan, no Twitter, no sábado.

Limites para estocagem

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi já entrou em ação para frear os preços e garantir o abastecimento do mercado. Na semana passada, o Ministério de Alimentos retirou um subsídio à produção que era pago diretamente aos produtores rurais que forneciam cana-de-açúcar às usinas que exportam açúcar e produzem etanol. A pasta também impôs limites à quantidade de açúcar que as traders podem estocar para evitar o acúmulo.

A Índia, maior produtora mundial depois do Brasil, deverá exportar 2,9 milhões de toneladas em 2015-16, o que transforma o país no quarto maior exportador em 2015-2016, segundo dados do Departamento da Agricultura dos EUA. (Bloomberg 24/05/2016)

 

Açúcar: Chuva reduz moagem e preço se sustenta no spot paulista, indica Cepea

Os valores do açúcar cristal estão firmes no mercado spot paulista. Na segunda-feira, 23, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 76,31/saca de 50 kg, aumento de 1,15% em relação à segunda anterior.

Pesquisadores do Cepea indicam que as chuvas em boa parte do estado de São Paulo na semana passada interromperam a produção por alguns dias. Na retomada das atividades, o açúcar produzido teve qualidade inferior. Assim, usinas optaram por atender aos contratos e estiveram retraídas do spot, cenário que sustentou as cotações. (Cepea / ESALQ 24/05/2016)

 

Etanol hidratado se valoriza em SP pela 2ª semana seguida

Os preços do etanol hidratado subiram no estado de São Paulo pela segunda semana seguida. Entre 16 e 20 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado foi de R$ 1,4120/litro (sem impostos, a retirar), alta de 2,72% frente à semana anterior.

Segundo pesquisadores do Cepea, as chuvas em diversas regiões do estado paralisaram a colheita da cana-de-açúcar por alguns dias e, consequentemente, reduziram a oferta de etanol. Além disso, algumas unidades produtoras estiveram retraídas no spot, à espera de valores maiores. Parte das distribuidoras, por sua vez, adquiriu somente o volume necessário, enquanto outras, de olho no feriado da próxima quinta-feira, 26 (Corpus Christi), abasteceram seus estoques. (Cepea / ESALQ 24/05/2016)

 

Adriano Pires: Oportunidade para o nosso etanol

A indústria automobilística passa por uma crise em que fabricantes vêm perdendo milhares de dólares no valor de suas empresas em razão do escândalo de terem enganado governos e consumidores mundo afora sobre as reais emissões de CO2 dos automóveis. Se há um ponto em comum em todas as agendas dos diferentes países é o que inclui a redução das emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Mesmo as grandes empresas petrolíferas, como as tradicionais ExxonMobill e Shell, têm declarado que seus planos de negócio cada vez mais refletem as preocupações com a política do clima.

Em 2015, veio à tona o caso da alemã Volkswagen, denunciada por ter instalado um software para manipular os resultados de emissões em milhões de veículos a diesel em todo o mundo, para que dessem a impressão de ser menos poluentes. O que parecia ser um problema restrito à Volkswagen logo atingiu outros fabricantes. A montadora japonesa Mitsubishi Motors admitiu ter exagerado sobre a eficiência do consumo de combustível de mais de 620 mil carros, alguns destes também construídos pela nipônica Nissan, e ainda se averigua a possibilidade de essas manipulações de resultados estarem ocorrendo desde 1991.

Estes casos de fraudes no consumo de combustíveis e reais emissões de poluentes por veículos automotivos, somados à maior importância da agenda ambiental, obrigarão as empresas a mudanças em suas tecnologias de motor e a uma maior utilização de combustíveis limpos. Não é à toa que o mundo já vive uma febre quanto aos carros elétricos e o fabricante Tesla e o seu fundador, Ellon Musk, são considerados uma espécie de nova Apple e ele, um novo Steve Jobs.

No Brasil há combustíveis que podem surfar nesta onda: o etanol e, até mesmo, o biodiesel. Para tanto, é preciso criar políticas públicas que incentivem a produção de biocombustíveis, em vez de ficar achando que o carro elétrico é uma grande solução para o Brasil. É a chance de o etanol brasileiro ocupar uma posição de destaque na matriz de combustível mundial.

Os veículos híbridos, como os flexfuel, e os puramente movidos a etanol são vantajosos por usarem um combustível renovável, limpo e autossustentável. O uso do etanol hidratado reduz a emissão de poluentes na atmosfera e é isento do nocivo material particulado fino causador de doenças respiratórias e de câncer.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol (o País ocupa a 2ª posição do ranking liderado pelos EUA) e tem as vantagens comparativas de ter tecnologia, terra fértil, sol e água. O País, que já foi considerado a Arábia Saudita Verde, perdeu posição por causa de uma política errática de stop and go que só trouxe instabilidade regulatória e insegurança jurídica.

Na contramão do mundo, o governo brasileiro, após o anúncio das grandes reservas do pré-sal, passou a achar que a solução energética para o País estava exclusivamente ligada ao aumento da produção de uma energia poluente, velha e dinossáurica, o petróleo. Essa opção fez com que o governo implantasse no País uma desastrada política de subsídio aos preços da gasolina, que provocou a quebra de dois ícones brasileiros: a Petrobrás e o etanol.

Para que o País se aproveite da mudança que, obrigatoriamente, vai ocorrer na indústria automobilística é preciso estabelecer um planejamento de longo prazo, em que o preço do etanol reflita a sua vantagem ambiental. É preciso desvincular a política de preço da gasolina da do etanol. A política de preço da gasolina deve ser transparente, sem intervenções, de acordo com as tendências do mercado internacional. Do ponto de vista tributário, a gasolina deve ter seu preço acrescido de uma Cide que reflita o fato de ser mais poluente que o etanol e que seja alterada em razão do preço do barril de petróleo. Ou seja, quando o barril estiver baixo, como atualmente, a Cide deve ter um valor maior. Isso manteria a competitividade do etanol e, ao mesmo tempo, criaria um colchão para momentos em que o barril estivesse muito alto. Fica a sugestão para o governo. (O Estado de São Paulo 24/05/2016)

 

Embarques de açúcar do Brasil sobem acentuadamente e testam portos

A escala de navios para carregar açúcar nos portos brasileiros está 40 por cento maior no ano passado, despertando preocupações no mercado sobre a capacidade dos terminais para movimentar grandes volumes em um momento de pico das exportações de soja.

A quantidade de açúcar que será carregada nos portos brasileiros nas próximas semanas deve atingir 1,62 milhão de toneladas, 42 por cento a mais que no mesmo período de 2015, de acordo com a agência marítima Williams.

No porto de Santos, maior polo exportador de açúcar do mundo, os navios devem carregar 1,32 milhão de toneladas de açúcar nos próximos dias, 96 por cento a mais do que o visto neste período no ano passado.

Enquanto isso, as exportações de soja atingiram um recorde mensal histórico de 10 milhões de toneladas em abril, com ritmo semelhante sendo embarcado nas primeiras semanas de maio.

Dados da Williams mostram que seis navios devem carregar soja nos terminais de açúcar da Copersucar e Rumo, nos próximos dias, ante apenas dois navios neste mesmo período do ano passado.

"A limitada capacidade de escoamento da produção via terminais de Santos e Paranaguá, que estão comprometidos com substancial volume para a safra de grãos, pode afetar os prêmios do açúcar para embarque por aqueles portos", disse o analista de açúcar da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa.

Corrêa disse que os contratos futuros podem subir quando os consumidores virem que os portos do Brasil podem ter problemas para embarcar o açúcar, citando a situação vista em 2010, quando os navios tiveram que esperar até 30 dias para serem carregados devido ao congestionamento e chuvas.

"Devemos ter uma exportação maior este ano, dado a expectativa de uma produção 4,5 milhões de toneladas maior para o centro-sul", disse o chefe de açúcar e etanol da INTL FCStone, Bruno Lima.

"Olhando historicamente, este é um volume que já exportamos, ou seja, há capacidade instalada. Porém, ao adicionarmos a safra de grãos na equação, podemos, sim, ver alguns gargalos", ele disse.

A FCStone diz que os diferenciais de exportações de açúcar não mudaram muito ultimamente, sendo cotados a um desconto de cerca de 20 pontos ante os contratos futuros do açúcar bruto em Nova York.

Ele disse, no entanto, que o desconto não aumentou nas últimas sessões, mesmo com a alta dos contratos futuros.

O centro-sul, principal cinturão produtor de açúcar do Brasil, deve produzir cerca de 35 milhões de toneladas de açúcar esse ano, ante 31 milhões de toneladas na temporada passada, com as usinas colhendo uma safra de cana recorde e aumentando a quantidade de cana destinada à produção de açúcar, que está pagando melhor que o etanol. (Reuters 25/05/2016)