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Bolsa de NY reabre sustentada por chuva no Brasil, mas pode corrigir

A chegada de uma frente fria a áreas produtoras do Centro-Sul do Brasil deve dar suporte aos futuros de açúcar demerara nesta terça-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que reabre após o feriado de Memorial Day nos Estados Unidos. Mesmo assim, uma devolução dos ganhos recentes não está descartada em razão do mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

De acordo com o commitments divulgado sexta-feira (27), fundos e especuladores detinham um saldo comprado recorde de 284.210 lotes em 24 de maio, 5.165 lotes a mais na comparação com a semana imediatamente anterior. O balanço, porém, mostrou especuladores reduzindo sua exposição (de 54.661 para 51.111 lotes), indicando enfraquecimento do movimento iniciado na virada de fevereiro para março.

Uma eventual correção nesta terça-feira, porém, não tende a alterar a trajetória de alta para a commodity. Além das chuvas em regiões produtoras do País nesta semana, com relatos já confirmados de colheita paralisada, há problemas logísticos no embarque do açúcar pelos portos de Santos e Paranaguá, "atolados" com o escoamento de soja. Segundo Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, "hoje existe uma fila equivalente a quase 2 milhões de toneladas de açúcar a serem embarcadas, volume que é o dobro do ano passado neste mesmo período". "Com isso, embora ainda de maneira tímida, o basis apreciou", acrescentou.

Na avaliação de Corrêa, o mercado deve corrigir antes de continuar a subir, mas deve chegar a 20 cents a 21 cents por libra-peso no vencimento março/2017 no último trimestre deste ano. Por ora, os futuros trabalham com suporte inicial nos 17,50 cents/lb e resistência nos 17,59 cents/lb, máxima da semana passada.

Na sexta-feira, julho subiu 10 pontos (0,57%) e encerrou em 17,52 cents/lb. Outubro ganhou 5 pontos (0,28%) e terminou em 17,68 cents/lb. O spread julho/outubro está em 16 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 76,95/saca (+0,76%). Em dólar, ficou em US$ 21,52/saca (+1,61%). A moeda norte-americana ficou em R$ 3,5783 (-0,89%).

Conforme o centro de estudos, a alta registrada pelos futuros em Nova York na última semana fez com que as exportações da commodity pelos produtores brasileiros voltassem a remunerar mais que as vendas internas após quase sete meses. Entre 23 e 27 de maio a remuneração no exterior foi 1,95% maior que as negociações no spot paulista, algo que não ocorria desde a segunda quinzena de outubro. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 76,22/saca, as cotações do contrato para julho na Bolsa de Nova York equivaleriam a um preço médio de R$ 77,71/saca. (Agência Estado 31/05/2016)

 

Brasil agenda volume de exportação de açúcar 170% maior no 1º bimestre de 2016/17

O volume de açúcar agendado para exportação nos dois primeiros meses da safra 2016/17 no Centro-Sul (abril e maio) indica que o Brasil ocupará espaço da Tailândia e da Índia nas exportações mundiais da commodity neste ano. Consideradas as oito semanas, o volume semanal agendado foi, em média, 170% superior ao de igual período do ano passado, conforme dados da agência marítima Williams Brazil compilados pelo Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A média semanal de navios agendados para carregar açúcar foi de 35 embarcações, acima das 32 de período similar de 2015. Essa fila refere-se aos navios já ancorados, aqueles que estão ao largo esperando atracação e também os que ainda vão chegar. Quanto ao volume da commodity, o agendamento variou de 506 mil para 1,36 milhão de toneladas de um ano para o outro.

O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, diz que o mercado "está ávido por açúcar de origem do Brasil" após quebras de produção na Tailândia e na Índia. Segundo ele, chuvas em excesso, manutenção dos terminais e a própria concorrência com o escoamento da safra de grãos também respondem por esse line-up maior. Com base em levantamento feito pela consultoria, ele destacou que há a expectativa de reação dos preços do açúcar VHP (bruto) para pronto embarque no mercado físico.

Atualmente, o VHP para pronta entrega tem sido negociado com descontos que variam de 15 a 20 pontos sobre a tela de julho na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), esta entre 16,50 e 17,50 centavos de dólar por libra-peso nos últimos pregões. (Agência Estado 31/05/2016)

 

Commodities exportadas pelo Brasil têm alta

Sustentadas por problemas ou incertezas no campo das ofertas, as cotações das seis principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil encerraram maio em patamares mais elevados que em abril nas bolsas de Chicago (soja e milho) e Nova York (açúcar, café, suco de laranja e algodão). Na contramão, trigo e cacau, o primeiro referenciado em Chicago e o segundo em Nova York, matérias-primas importadas pelo país, fecharam o mês passado em queda.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) mostram que a maior valorização foi a do açúcar (11,47%), seguida por soja (9,21%), suco (5,89%), milho (4,27%), algodão (1,5%) e café (1%). Já as quedas de trigo e cacau foram bem modestas ­ 0,64% e 0,22%, respectivamente. Em relação às médias de maio de 2015, apresentam ganhos açúcar (29,90%), suco de laranja (22,96%), soja (11,83%) e milho (7,6%), e há retrações nos casos do café (5,96%), do algodão (5,24%), do trigo (4,07%) e do cacau (0,69%).

No que depender dos mais recentes movimentos dos fundos especulativos que atuam nas duas bolsas, a tendência de alta pode até ganhar impulso nos casos de soja, milho, algodão e suco. Para açúcar, café e cacau, as apostas são de valorização, mas o ímpeto diminuiu, enquanto no de trigo os sinais de que haverá novas quedas se aprofundaram.

Segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), na semana terminada no dia 24 de maio, os gestores de recursos ("managed money") aumentaram em 32% o saldo líquido comprado no mercado de milho em Chicago, por conta de perspectivas mais pessimistas para a oferta da América do Sul neste ciclo 2015/16 e das incertezas que rondam o plantio da safra 2016/17 nos EUA, onde há indícios de migração de áreas para a soja.

Mesmo assim, o saldo líquido comprado da oleaginosa também registrou leve aumento no período, 1,4%, sobretudo em decorrência da quebra da produção da Argentina na atual temporada por causa das chuvas e do comportamento da demanda aquecida no exterior, puxada pela China. Como informou na segunda-feira o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, a escalada em Chicago tem colaborado para que os preços da soja alcancem novos recordes no mercado brasileiro.

Ainda em Chicago, o cenário para os preços do trigo continua a ser negativo, em virtude das boas perspectivas para a colheita de inverno nos EUA e para a produção de países como Rússia, Ucrânia e Canadá. Na semana encerrada no dia 24, os gestores de recursos aumentaram seu saldo líquido vendido nos contratos de trigo brando em 23% ante a semana anterior, enquanto no trigo duro o incremento foi de 24%.

Na bolsa de Nova York, o grande destaque apontado pela CFTC no período em questão foi o aumento de 41% do saldo líquido comprado no mercado de suco de laranja, influenciado pelas projeções de queda da oferta brasileira. Isso porque as estimativas indicam forte queda da produção de laranja na safra 2016/17 em São Paulo e Minas, que formam o maior parque citrícola do mundo. Mas também houve incremento de 21% no saldo líquido comprado de algodão, por causa de atrasos no plantio nos Estados Unidos, na Índia e no Paquistão.

No mercado de café, os fundos especulativos reduziram de forma considerável suas apostas de que a alta de preços em Nova York terá prosseguimento, em razão do avanço da colheita no Brasil, acelerada em virtude do clima favorável. Na semana até o dia 24, o saldo líquido comprado caiu 68%. Também houve uma diminuição de 38% no saldo líquido comprado no mercado de cacau, basicamente em função do retorno das chuvas no oeste da África, que favorecem a safra intermediária da região.

E os fundos também reduziram, ainda que pouco (1,7%), seu saldo líquido comprado no mercado de açúcar. Mas, apesar do recuo, o saldo ainda é historicamente elevado, reflexo do apetite dos fundos por commodities em geral e pelo adoçante em particular, ainda em decorrência das previsões de déficit global no ciclo 2015/16 e da crescente expectativa de que a situação se repita na temporada 2016/17. (Valor Econômico 01/06/2016)

 

Indonésia vai importar volumes adicionais de açúcar

A Indonésia vai importar volumes adicionais de açúcar bruto para atender a demanda interna visando estabilizar os preços durante o final das celebrações do período sagrado muçulmano do Ramadã, em julho, afirmaram autoridades esta terça-feira.

O país, que tem a maior população muçulmana do mundo, trará em 381 mil toneladas de açúcar bruto, afirmou o ministro do Comércio, Thomas Lembong, em uma entrevista conjunta com outros ministros.

O açúcar bruto deverá chegar à Indonésia entre o início de julho e agosto.

As autoridades não indicaram as origens das importações. (Reuters 31/05/2016)

 

Em maio, etanol hidratado avança 9,8% e anidro, 4,6%

O mês de maio foi marcado por altas nos preços dos etanóis anidro e hidratado no estado de São Paulo. A ocorrência de chuvas em diversas regiões produtoras paralisou a colheita da cana-de-açúcar, reduzindo o processamento e a oferta de etanol em muitas usinas paulistas.

Entre 23 e 27 de maio, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado fechou a R$ 1,4773/litro (sem impostos, a retirar), alta de 4,6% frente ao da semana anterior e de expressivos 9,8% em relação à última semana de abril, quando foi de R$ 1,3369/l. O Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível fechou a R$ 1,6183/litro (sem impostos, a retirar), elevação de 3,1% em relação ao da semana anterior e de 4,6% no acumulado do mês.

Na última semana, o ritmo de negócios esteve mais lento, devido às chuvas em muitas regiões paulistas e também ao feriado da quinta-feira, 26 (Corpus Christi) – na sexta-feira, 27, especificamente, o volume de negócios no spot paulista foi bem baixo. Distribuidoras realizaram suas compras antes do feriado ou nas semanas anteriores. Algumas usinas, por sua vez, estiveram fora do mercado spot na maior parte da semana.

Tomando-se como base as quatro semanas cheias de maio, o valor médio do hidratado foi de R$ 1,4002/litro, superando em 1,52% o de abril (de R$ 1,3792/l). Já para o anidro, a média de maio, de R$ 1,5617/l, esteve 1,4% inferior à de abril (R$ 1,5837/l).

O indicador diário do hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia fechou a R$ 1.424,00/m3 na sexta-feira, 27, aumento de 5,09% na comparação com a sexta anterior e de 10,8% no acumulado parcial do mês (de 29 de abril a 27 de maio).

Segundo cálculos do Cepea, o açúcar cristal remunerou 56% a mais que o anidro e 61% a mais que o hidratado no estado de São Paulo na última semana. Entre os etanóis, o anidro remunerou 3% a mais que o hidratado. O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,5227/litro (sem impostos). Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,3722/litro (sem impostos). O preço do etanol hidratado, que seria equivalente ao do anidro, teria que ser de R$ 1,5214/litro (sem impostos).

Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Junho/16) subiu 3,18% entre as duas últimas sextas-feiras, com média semanal de US$ 1,6350/galão (US$ 431,97/m³). Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Julho/16 teve média de US$ 49,01/barril na semana, alta de 1,9% na comparação entre as duas últimas sextas-feiras. (Cepea / ESALQ 31/05/2016)