Setor sucroenergético

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Açúcar: Efeito Unica

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda ontem na bolsa de Nova York mesmo com a perspectiva de déficit na oferta global.

Segundo analistas, a divulgação do relatório de moagem da União das Indústrias de Cana de Açúcar (Unica) pressionou o mercado.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 17,60 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 6 pontos (0,34%).

Conforme a Unica, houve aumento de 68,4% na produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de maio na comparação com o mesmo período de 2015, totalizando 2,1 milhões de toneladas.

O país é hoje o maior produtor e exportador mundial da commodity.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,47 por saca de 50 quilos, alta de 0,26%. (Valor Econômico 02/06/2016)

 

Biosev lucrou R$ 49,7 milhões no 4º trimestre

Pelo segundo trimestre consecutivo, a sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, obteve resultado líquido positivo, na esteira da recuperação dos preços de açúcar e etanol. No quarto trimestre da safra 2015/16, entre janeiro e março, a companhia teve lucro líquido de R$ 49,7 milhões, um cenário bem diferente do mesmo período da safra anterior, quando amargou um prejuízo líquido superior a R$ 200 milhões.

O resultado do quarto trimestre amenizou as perdas do início da safra, e assim, a empresa terminou o ciclo 2015/16 com um prejuízo líquido de R$ 272,7 milhões, 45% menor que a perda de da temporada anterior.

O presidente da companhia, Rui Chammas, destacou, ao Valor, que um conjunto de melhorias operacionais, desde o avanço da produtividade dos canaviais até o aumento do uso da capacidade instalada, além da estratégia de carregar mais estoques de etanol para a entressafra, contribuíram para o resultado do ciclo.

Não que a recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional e do etanol no país não tenham tido influência. Mas a venda de quantidades maiores dos dois produtos ao longo da safra também foi relevante no faturamento. De fato, a receita com as vendas de açúcar subiram tanto no último trimestre da safra (18%) como no ciclo todo (12%), quando totalizou R$ 2,3 bilhões. As vendas de etanol, por sua vez, caíram 6% no trimestre, mas subiram 22% em toda a safra, para R$ 2,1 bilhões.

No entanto, a receita com cogeração foi afetada pela brusca queda dos preços da energia no mercado livre em 2015. Embora 80% da energia vendida pela Biosev seja acertada em contratos de longo prazo, a desvalorização no mercado spot fez com que a receita do segmento caísse 18% no ciclo, chegando em R$ 233,2 milhões. O executivo disse que a Biosev aumentou o volume de energia negociado e considerou que a companhia "sofreu relativamente pouco com a redução do preço".

A receita líquida do trimestre registrou uma queda de 6%, somando R$ 1,366 bilhões, mas a receita da safra exibiu um ganho expressivo, de 36%, para R$ 6,162 bilhões. A melhora operacional se refletiu no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da safra, que bateu o recorde para uma temporada e ficou em R$ 1,4 bilhão, uma alta de 8%.

No lado financeiro, o resultado foi impactado pelo enfraquecimento do real ante o dólar registrado ao longo do ano passado, mas foi parcialmente revertido no último trimestre, com a recuperação da moeda brasileira. A desvalorização do real também elevou o endividamento da Biosev, que encerrou a safra em 31 de março com uma dívida líquida de R$ 4,2 bilhões, alta de 2,6%. "Estamos buscando o alongamento da dívida e a redução ao longo do tempo", ressaltou Chammas, destacando que a companhia começou a nova safra com R$ 2,2 bilhões em caixa, "o que seria suficiente para pagar toda a amortização de 2016/17 se não renovássemos os prazos". (Valor Econômico 02/06/2016)

 

Prejuízo líquido da Tereos caiu 17,9% na safra 2015/16

A recuperação dos preços do açúcar e do etanol a partir de meados do ano passado permitiu apenas uma redução do prejuízo da sucroalcooleira francesa Tereos Internacional, dona da marca Guarani no Brasil. A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 127 milhões na safra 2015/16, 17,9% a menos do que na temporada anterior (2014/15). Em comunicado, a empresa informou que o resultado foi influenciado principalmente pela desvalorização do real ante o dólar no período.

A companhia, que detém participação em operações de açúcar e etanol no Brasil, na Europa, na África e no Oceano Índico, obteve uma receita líquida de R$ 10,2 bilhões, um aumento de 27% em comparação ao faturamento da safra anterior. O crescimento refletiu a melhora das receitas em todos os segmentos.

No Brasil, a receita cresceu 19% na comparação com o ciclo precedente, para R$ 2,781 bilhões. As usinas controladas pela Tereos no país reduziram o volume de cana processada, para 19,64 milhões de toneladas, por conta das chuvas elevadas no fim da safra. Mesmo assim, a empresa aumentou sua produção de açúcar em solo nacional, que somou 1,444 milhão de toneladas, e principalmente sua fabricação de etanol, que alcançou 678 milhões de litros.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 51%, para R$ 1,169 bilhão, enquanto a margem Ebitda cresceu 1,9 ponto percentual, para 11,5%.

A Tereos atribuiu sua melhora operacional não somente à recuperação dos preços do açúcar e do etanol no Brasil, como também à consolidação integral da usina Vertente, no município paulista de Guaraci, na qual detém agora participação de 50%.

Por outro lado, houve um aumento das despesas financeiras líquidas, que cresceram 22%, para R$ 288 milhões, impactadas pela variação cambial.

A sucroalcooleira reportou ainda que seu endividamento líquido cresceu na safra passada, encerrando o ciclo em R$ 5 bilhões, contra R$ 4,3 bilhões no fim da temporada anterior. Em comunicado, a empresa explicou que esse aumento foi reflexo da incorporação da usina Vertente e da depreciação da moeda brasileira. Do total da dívida, 60% é denominada em dólar americano e 24% em euro.

Ainda assim, houve melhora na alavancagem (relação entre Ebitda e dívida líquida), que passou para 4,3 vezes em 31 de março de 2016, ante 7,2 vezes no fim da safra passada. (Valor Econômico 01/06/2016 às 20h: 40m)

 

Chuva reduz ritmo de moagem de cana no Centro-Sul

A moagem e cana-de-açúcar perdeu ritmo na primeira quinzena de maio no Centro­Sul do país em virtude das chuvas, mas os volumes registrados nesta safra 2016/17 continuam bem superiores aos do mesmo período da temporada passada.

Conforme dados divulgados ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na primeira metade de maio foram processadas 39,5 milhões de toneladas da matéria-prima, 37,7% mais que em igual intervalo do ciclo 2015/16.

Na comparação, a produção de açúcar cresceu 68,4%, para 2,1 milhões de toneladas, e a de etanol somou 1,6 bilhão de litros, com alta de 29,9%. No caso do biocombustível, o avanço foi puxado pelo anidro, cuja produção subiu 65%, para 652 milhões de litros. A produção de hidratado teve alta de 13,6%, para 965 milhões de litros.

"Para um contingente considerável de unidades, observou-se significativa retração da moagem na primeira metade de maio em relação ao resultado da quinzena anterior, devido às chuvas que prejudicaram a operacionalização da colheita. Mato Grosso do Sul, Paraná e a região de Araçatuba [SP] foram as localidades mais afetadas. Essa queda na quantidade moída foi, no entanto, compensada pelo aumento no processamento pelas usinas e destilarias que iniciaram a safra 2016/17 nos últimos 15 dias de abril", informou a Unica.

Conforme a entidade, até o dia 15 de maio 257 usinas do Centro-Sul haviam estreado no ciclo 2016/17, 18 das quais iniciaram as atividades na primeira metade de maio. Da cana processada no período, uma fatia de 56% foi direcionada à produção de etanol. Desde o início da safra, o percentual chegou a 57,2%.

Desde o início da safra, segundo a Unica, o processamento de cana no Centro-Sul alcançou 108,5 milhões de toneladas na temporada 2016/17, uma alta de 57,7% sobre o mesmo período de 2015/16. A produção de açúcar cresceu 98,5%, para 5,3 milhões de toneladas, e a de etanol totalizou 4,4 bilhões de litros, com alta de 48,7%. Apenas a produção do hidratado aumentou 30,7%, para 2,8 bilhões de litros. (Valor Econômico 02/06/2016)

 

Volume exportado de etanol e açúcar cresce em abril

O Brasil exportou em maio 2,011 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, aumento de 9,7% ante as 1,834 milhão de t embarcadas no mesmo mês de 2015. Em relação a abril deste ano, primeiro mês da safra 2016/17 de cana-de-açúcar no Brasil, o volume é 31,7% superior.

Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e foram divulgados nesta quarta-feira, 1º de junho. Em açúcar bruto foram exportadas 1,665 milhão de toneladas e, em refinado, 346,1 mil t.

A receita obtida com a exportação total de açúcar no mês passado foi de US$ 670,9 milhões, 8,7% superior à registrada em maio de 2015, de US$ 617,3 milhões. Já em relação a abril deste ano, quando as vendas somaram US$ 486,4 milhões, o incremento é de 37,9%.

No caso do açúcar refinado, que registrou receita de US$ 132,1 milhões no último mês (-26,4% menor que em maio/15), o desempenho foi compensado pela alta do preço médio do produto embarcado. O valor médio em maio foi de US$ 381,8 a tonelada, contra US$ 356,5/t no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2016, foram exportadas 9,818 milhões de toneladas de açúcar (+17,9%), com receita de US$ 3,018 bilhões (+3,8%).

As tabelas e gráficos avançados sobre a exportação de açúcar estão disponíveis no novaCanaDATA (exclusivo assinantes).

Etanol

O Brasil exportou 119,3 milhões de litros de etanol em maio, volume 31,1% superior aos 91,0 milhões de litros embarcados no mesmo mês de 2015. Na comparação com abril deste ano, primeiro mês da safra 2016/17 de cana-de-açúcar no Brasil, os embarques do produto ao exterior cresceram 66,2%.

A receita cambial com a venda do biocombustível aumentou 18,2% de um ano para outro, de US$ 46,6 milhões para US$ 55,1 milhões. Em relação a abril deste ano, quando as vendas externas renderam US$ 39,0 milhões, o incremento foi de 41,3%. No acumulado de 2016, as exportações alcançam 824,3 milhões de litros (+84,2%), com receita de US$ 407,1 milhões (+63,3%). (Agência Estado 01/06/2016)

 

Crise paralisa produção de etanol de milho em Mato Grosso

Usina do estado que pretendia fabricar o biocombustível o ano todo interrompeu o processamento em janeiro, e só vai retomá- lo quando o preço do cereal cair.

A crise de abastecimento do milho atingiu desta vez empresas que produzem etanol a partir do grão. Em Jaciara, Mato Grosso, a usina Porto Seguro não produz o combustível à base do cereal desde janeiro. Segundo o supervisor jurídico da empresa, Renato de Carvalho, o alto preço do milho inviabilizou a atividade. Atualmente só é produzido na usina etanol de cana-de-açúcar.

Carvalho conta que o preço ideal para se produzir o etanol na região é de R$ 28 a saca, mas atualmente o preço está acima de R$ 42. “A usina tinha a intenção de produzir etanol de milho o ano todo, não apenas na entressafra da cana, como a maioria das usinas flex faz, mas este plano foi adiado até o preço do milho cair.”

O supervisor explica que a empresa deixou de contratar e, inclusive, demitiu alguns funcionários. Ainda assim, a usina estaria realizando investimentos, voltados à construção de novos silos.

Segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool-MT), o estado produz atualmente 1,3 bilhão de litros de etanol por ano, sendo 10% à base de milho. (Canal Rural 01/06/2016 às 16h: 59m)

 

Laginha: Decisão favorável libera R$ 700 milhões para execuções fiscais

Ação de 1990 visa compensar perdas da defasagem dos preços de venda do açúcar.

João Lyra consegue utilização de crédito com a União para pagamento de execuções fiscais da massa falida da Laginha

O juiz Kléber Borba, responsável pelo processo de massa falida da Usina Laginha, concedeu decisão favorável à compensação de créditos relativos a perdas que a usina teve durante a década de 1990. O Grupo João Lyra possui cerca de R$ 2 bilhões de crédito com a União e a decisão, de acordo com contador do Grupo João Lyra, destina R$ 700 milhões para o pagamento de 70% das dívidas da massa falida.

Segundo o contador, doutor Marcolino, a compensação de créditos se baseia na lei 4.870 de 1965 que discorre sobre danos patrimoniais em virtude de comercialização do açúcar e do álcool fora dos parâmetros determinados. “A usina recebe o direito de reparação de créditos pela defasagem de créditos de preços do açúcar. Parte desse crédito vira garantia de execuções fiscais para pagamento das dívidas e recuperação da massa falida”, disse o contador.

O crédito de R$ 700 milhões deve ser utilizado para substituir a dívida com crédito tributário. O pagamento do valor é o primeiro passo para que a massa falida acabe com todas as dívidas em busca da recuperação judicial.

João Lyra, através de seus advogados, entrou com petição para que os créditos fossem utilizados para a quitação das dívidas da Laginha. A execução fiscal dos créditos também pode levar a pagamento de bancos públicos que entraram com ações para recebimento de valores pertinentes à ação da lei 4.870/65.

O pagamento das dívidas trabalhistas só deve ser feito quando ocorrer a venda da Usina Guaxuma, cujo arrendamento já tem audiência marcada para a próxima segunda-feira (6) às 15h quando haverá apresentação de propostas dos interessados com as garantias do negócio.

Um assessor de João Lyra destacou a vontade do gestor em resolver a situação da massa falida. “É uma vitória, ele sempre quis resolver a situação da falência, a questão da dívida”, relatou o assessor à reportagem do Tribuna Hoje.

De acordo com o assessor os R$ 700 milhões de crédito equacionam o Grupo João Lyra que tem vários imóveis dados como garantias, porém em valores subdimensionados. Ele citou o caso de um imóvel com valor de R$ 35 milhões utilizado como garantia em processo de R$ 3 milhões.

Com o crédito, as usinas e propriedades do grupo já não devem mais ser utilizadas como garantia para pagamento de processos trabalhistas referentes à massa falida da Usina Laginha. (Tribuna Hoje 01/06/2016)