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Renuka Vale do Ivaí protocola novo plano de recuperação judicial

Controlada pela sucroalcooleira indiana Shree Renuka Sugars, a companhia Renuka Vale do Ivaí, que administra as usinas São Pedro e Cambuí, ambas no Paraná, protocolou ontem um novo plano de recuperação judicial, com ajustes em relação ao plano original após negociações com credores. A companhia incluiu a provisão de recursos para amortização da dívida e alterou algumas propostas de condições de pagamento.

O plano prevê a reestruturação de uma dívida de R$ 709,4 milhões e será apresentado para votação em assembléia de credores na próxima segunda-feira.

No documento, protocolado na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a companhia prevê um caixa excedente de no mínimo R$ 20 milhões e positivo ao longo de 12 meses para acelerar a amortização da dívida reestruturada pelo plano. Do total a ser amortizado, a Renuka Vale do Ivaí prevê amortizar 80% dos créditos aderentes e 20% dos créditos concursais.

De acordo com a nova proposta, se houver algum tipo de venda ou transferência de ativos antes da liquidação total da dívida que for reestruturada, os valores líquidos de impostos serão distribuídos pelos vendedores na proporção de 56% para o pagamento de créditos extra-concursais aderentes, 14% para pagar créditos concursais e 30% irão para os próprios vendedores.

Com relação às mudanças nas condições de pagamento aos credores, a Renuka excluiu a proposta de pagar a dívida referente ao FGTS em até 180 meses após a homologação do plano, como constava no plano anterior.

Para os credores “classe 2”, a companhia elevou a proposta de desconto sobre o valor de cada dívida de 18% para 20%. A nova proposta também prevê que o pagamento da remuneração sobre a parcela será de periodicidade mensal e em 180 vezes, e não mais apenas nos períodos em que ocorrer amortização do principal.

Já para os credores sem garantias (quirografários), pertencentes à “classe 3”, a Renuka reduziu a proposta de desconto de 28% para 25% sobre o valor de cada crédito.

Para às micro e pequenas empresas que compõem a “classe 4” de credores, a empresa incluiu a proposta de carência de pagamento da dívida e da remuneração sobre as parcelas até novembro deste ano. A nova proposta também alongou o prazo de pagamento a esses credores de 12 para 15 parcelas, que deverá ser feito quando houver pagamento do crédito, e não mais quando ocorrer amortização do principal. (Valor Econômico 02/06/2016 às 19h: 16m)

 

Açúcar: Previsão de déficit

Os contratos futuros de açúcar demerara romperam a barreira dos 18 centavos de dólar por libra-peso ontem na bolsa de Nova York, refletindo a perspectiva de déficit na oferta mundial da commodity e problemas nos embarques nos portos brasileiros.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 18,10 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 50 pontos.

As chuvas na região Centro-Sul do Brasil têm atrasado os embarques do produto, agravando ainda mais a escassez no mercado internacional.

Segundo estimativa do Commerzbank, a safra global 2016/17 deve ser 11 milhões de toneladas inferior à demanda.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,47 a saca de 50 quilos, alta de 0,26%. (Valor Econômico 03/06/2016)

 

Relação entre estoque e consumo de açúcar deve cair para 37% em 2016/2017

A Biosev projeta preços sustentados para o açúcar tanto nesta safra quanto na próxima safra global.

O diretor-presidente da Biosev, Rui Chammas, projeta preços sustentados para o açúcar tanto nesta safra quanto na próxima safra global. De acordo com ele, a relação entre estoques e consumo cairá pelo quarto ano consecutivo e atingirá 37% no ciclo 2016/2017, que começa em outubro.

Para o atual ciclo, que se encerra em setembro, o porcentual deve ser de 41%, o que significa dizer que 41% de toda a demanda mundial pode ser atendida somente com as reservas do alimento, desconsiderando-se a produção. Historicamente, as cotações do açúcar reagem quando esse número se aproxima de 30%.

"Essa redução segue acompanhada por uma alta nos preços do açúcar, que se materializou em 2015/2016", afirmou durante teleconferência com analistas e investidores. Conforme Chammas, o preço médio para a safra global 2015/2016 deverá ser de 14,9 centavos de dólar por libra-peso, acima do de 13,9 centavos de dólar de 2014/2015. O valor segue bem abaixo do de 28,1 centavos de dólar alcançado em 2010/2011.

A avaliação feita por Chammas é de que o déficit de açúcar em 2015/2016 alcançará 5,5 milhões de toneladas, revertendo cinco anos consecutivos de superávit. Para 2016/2017, o déficit deve ser de 7,3 milhões de toneladas. (Agência Estado 02/06/2016)

 

Atraso na colheita de cana do Brasil pode fazer déficit de açúcar aparecer

Atrasos na colheita de cana do Brasil devido a chuvas podem significar que um longamente esperado déficit global de oferta do adoçante finalmente irá aparecer.

Apesar de projeções de diversos analistas para um déficit global substancial em 2015/16, a oferta imediata tem sido abundante devido a um rápido início da colheita no centro-sul do Brasil, em meio a um excelente clima.

O economista sênior da Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês), Sergey Gudoshnikov, disse que a produção do centro-sul do Brasil nas seis semanas até 15 de maio foi o dobro da registrada no mesmo período do ano passado.

A principal área de cana do país produziu 2,06 milhões de toneladas de açúcar na primeira metade de maio, ante 1,81 milhão de toneladas no final de abril, segundo a associação da indústria Unica.

O primeiro contrato do açúcar bruto na bolsa ICE subiu para máximas em 23 meses de 18,02 centavos de dólar por libra-peso nesta quinta-feira, refletindo expectativas do mercado de um déficit global em 2015/16, após diversos anos de sobre oferta.

Mais cedo neste mês, a ISO projetou um déficit global de açúcar de cerca de 3,8 milhões de toneladas em 2016/17, ante déficit de 6,65 milhões de toneladas em 2015/16.

O sentimento de que o déficit é iminente intensificou-se com o aumento de chuvas na segunda metade de maio e previsões de chuva forte na primeira metade de junho, o que deverá atrasar a moagem de cana no centro-sul do Brasil.

Além disso, a forte competição entre carregamentos de açúcar e soja nos portos do Brasil, junto com as chuvas, tem contribuído para longas filas para exportação.

Alguns agentes de mercado estimam que as usinas perderão entre seis e oito dias de moagem na primeira quinzena de junho, ante 3,5 dias de atraso em maio.

"O pessoal está começando a falar sobre um aperto (na oferta) no começo do próximo ano, antes do início da colheita no centro-sul do Brasil", disse o chefe de corretagem de açúcar na ABN AMRO Markets, James Kirkup. (Reuters 02/06/2016)

 

Produtores de São José do Rio Preto só poderão queimar palha de cana com autorização

Os produtores que quiserem fazer a queima da palha de cana-de-açúcar, em São José do Rio Preto, no interior paulista, terão a partir de agora que obter autorizações concedidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Em atendimento à ação do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal cassou a liminar de todas as licenças e autorizações já concedidas sem a obtenção do relatório de impacto ambiental (Eia/Rima).

A queima da folhagem em canaviais no noroeste paulista tem provocado problemas de saúde e danos ambientais de grandes proporções. A prática facilita o corte da planta, mas implica em impactos na atmosfera, na vegetação e na fauna, além de outros transtornos aos moradores da região, diz a nota divulgada pelo MPF.

Segundo o comunicado, no período da colheita, a quantidade de gases tóxicos chega a ser seis vezes maior do que em outras épocas do ano, elevando os registros de doenças respiratórias e cardiovasculares. São atribuídos às emissões casos de câncer e problemas crônicos, detectados principalmente nos trabalhadores dos canaviais. Outro problema apontado é a formação de chuvas ácidas, que danificam o solo e os rios da bacia do Rio Grande.

O MPF destaca também que o fogo nos canaviais causa a morte de animais, muitos deles em extinção, como tamanduás-bandeira e lobos-guará. “A Cetesb negligencia completamente os efeitos das queimadas na fauna local e sequer conhece a lista de espécies ameaçadas no noroeste de São Paulo”, salienta a nota. Diante disso, o MPF justifica a necessidade do Eia/Rima.

O autor da ação, o procurador da República, Svamer Adriano Cordeiro, afirma que, embora o estudo de impactos seja uma exigência constitucional, acaba sendo um procedimento ignorado. Ele também acusa o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de nada fazer para coibir essa prática.

Cetesb nega omissão

A Cetesb alegou que a decisão judicial "não é definitiva", cabendo ainda a interposição de outros recursos, tanto por parte da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, como do Ibama, Estado de São Paulo, Siafesp, Siaesp e Unica, que também figuram "no polo passivo da ação civil pública”.

Na avaliação do órgão, a autorização está baseada na Lei estadual 11.241/2002, regulamentada pelo Decreto 47.700/2003. “Lembramos que essas autorizações estão condicionadas ao cumprimento de uma série de exigências e são emitidas pelo prazo máximo de 72 horas, devendo a queima ser efetivada somente se atendidas as condições de umidade relativa do ar e em horários pré-estabelecidos, condições estas definidas anualmente por resolução específica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente”, diz a companhia.

A empresa rebate que tenha ocorrido omissão, argumentando que segue o determinado em lei e observa que, em 2007 assinou, em conjunto com representantes de usineiros e de fornecedores de cana, um inédito protocolo agroambiental. Por meio desse acordo, esclarece em nota, que foram estabelecidas medidas para a extinção total da queima da palha, o que deve ocorrer de forma gradativa.

Nas áreas mecanizáveis foi definido o fim da queima em 2014, e para as não mecanizáveis, 2017. A Cetesb disse que esses prazos são muito menores se comparados aos previstos na legislação estadual que regulamenta a atividade no Estado, respectivamente, 2021 e 2031.Segundo a companhia, entre 2010 e 105, houve redução de 88% nessas práticas. (Canal Rural 02/06/2016)

 

Produção de etanol nos EUA cresce 1,4% na semana, para 960 mil barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 960 mil barris por dia na semana passada, volume 1,4% maior do que o registrado na semana anterior, de 946 mil barris por dia. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível permaneceram estáveis na semana encerrada no dia 27 de maio, em 20,8 milhões de barris. Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 02/06/2016)