Setor sucroenergético

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Açúcar: Atraso real

O clima chuvoso no Sudeste do Brasil já causa atraso nos embarques de açúcar nos portos brasileiros, agravando o cenário de déficit na oferta mundial do produto.

De acordo com a agência marítima Williams Brazil, 47 navios estavam à espera de açúcar nos portos brasileiros até o último dia 2 de junho.

Nesse ambiente, os contratos com vencimento em outubro tiveram alta de 68 pontos na sexta-feira na bolsa de Nova York e fecharam a 18,78 centavos de dólar a libra-peso.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e passou a ter ainda mais peso na determinação dos preços na bolsa desde que seus concorrentes na Ásia sofreram uma quebra de safra por conta do El Niño.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 79,25 a saca de 50 quilos, alta de 0,92%. (Valor Econômico 06/06/2016)

 

Cana-de-Açúcar: Globo Rural faz balanço da crise do setor

Setor canavieiro está em crise há, pelo menos, oito anos. As dívidas são de grandes proporções e o mercado bastante instável.

A atividade canavieira é um setor da agricultura que está em crise há, pelo menos, oito anos. Depois da grande euforia que tomou conta do setor, muita gente ainda não se recuperou do tombo que veio logo em seguida. As dívidas são de grandes proporções, o mercado bastante instável e o produtor fica no meio de tudo isso.

Depois de viver um dos melhores momentos da sua história, o setor da cana-de-açúcar entrou em uma crise profunda e não se recuperou até agora. Ninguém sabe ao certo de quanto foi o rombo sofrido pelo setor no Brasil. Dívidas no campo e na indústria, milhares de empregos perdidos e, pelo menos, 60 usinas fechadas. A quebradeira foi tão grande que seus efeitos extrapolaram os valores financeiros e abalaram o que de mais precioso se tem na roça: a confiança do agricultor com a sua própria atividade.

O boom da expansão do setor canavieiro ocorreu de 2002 a 2007, quando pelo menos 120 novas usinas foram instaladas nos estados do centro-sul do Brasil. Foram vários os fatores que contribuíram para esse avanço: o surgimento do carro flex, a projeção do etanol para o mundo, com o apelo de ser um combustível menos poluidor que a gasolina, e a fartura de recursos do BNDES para as usinas ampliarem seus parques industriais. Em cerca de cinco anos o país dobrou a produção de cana-de-açúcar, rompendo a marca dos 600 milhões de toneladas.

Maurício Pinatti foi um dos agricultores que aumentaram o plantio no município de Monte Aprazível, em São Paulo, estimulado por esse cenário promissor. Passou de 600 para 2,3 mil hectares e a aposta que seria um porto seguro virou incerteza: “Hoje o produtor de cana-de-açúcar tem medo de entregar sua produção e ele não sabe quando vai receber. Muitas vezes, ele vende a produção, mas não tem a garantia da data de pagamento. Temos para receber da safra de 2015 aproximadamente R$ 1 milhão, na qual vamos receber parcelado. Não tem outro jeito”.

Essa frustração de Maurício está relacionada ao fechamento de uma usina que fica do lado de sua lavoura. “Essa unidade moeu de 1979 até 2012 e por ser uma unidade pequena, as usinas que tinham na região absorveram essa matéria-prima, de forma que não ficou cana no campo”, conta o agricultor.

Em outras regiões, muita cana estragou no campo e vários agricultores ficaram no prejuízo. Em Monte Aprazível teve gente que perdeu tudo que tinha. Em 2005, o ex-agricultor Marcelo Gouveia, que hoje trabalha como gerente de recursos humanos, deixou de produzir leite para investir na cana-de-açúcar. Chegou a ter 480 hectares da lavoura, com uma produção de 15 mil toneladas por ano.

“A gente teve que vender uma propriedade da família para pagar dívida de banco, que não conseguiu renovar mais custeio. Acerto com funcionário, na época a gente chegou a ter 250 funcionários. Ainda não paguei todo mundo, ainda tem dívida. Achei que seria fácil. Eu acreditei e eu tentava trazer minha família a acreditar nisso. A cana um ano ela dá, outro ano ela tira. Um ano ela tem preço, no outro ano ela não tem preço”, lamenta Marcelo.

A derrocada do setor começou em 2008, puxada pela forte recessão na economia dos Estados Unidos, que afetou o mundo todo. Na mesma época, houve excesso de açúcar no mercado internacional e o congelamento no preço do etanol, por causa do controle que o governo exerceu sobre o valor da gasolina. Houve, ainda, as expectativas com o petróleo do pré-sal e, por fim, a escassez do crédito bancário.

“Esse período de crise representou para os empresários do setor a perda de patrimônio pessoal, de patrimônio das famílias. O que houve foi uma euforia exagerada. O pessoal acreditou em muito do que estava sendo falado, correu para investir e isso gerou um problema porque nós colhemos um monte de ineficiências por conta desse excesso de investimentos que aconteceram num curto espaço de tempo”, explica Marcos Fava Neves, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP de Ribeirão Preto.

A crise ainda não terminou. Há quem diga que 2016 pode ser um ano de retomada, mas o abandono que se vê em muitas usinas é o retrato de que o desafio tem proporções gigantescas. “Hoje o endividamento do setor para sobreviver supera, no mínimo, 1,2 vezes o seu faturamento. O setor fatura R$ 90 bilhões e deve R$ 130 bilhões. Existe a culpa da falta de uma política pública, existe a culpa daqueles empresários que não tiveram uma boa gestão. A crise afetou toda uma cadeia, o fornecedor, as usinas, os trabalhadores, afetou a indústria de bens de capital e afetou todos os municípios que são dependentes da cana-de-açúcar”, diz Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), entidade que agrega as usinas do centro-sul do Brasil.

Para cada usina fechada, estima-se que, pelo menos, 500 famílias sejam atingidas diretamente. Essa relação pode ser ainda maior, se considerada a cadeia como um todo. O município de Sertãozinho, em São Paulo, por exemplo, é conhecido por ter muitas empresas prestadoras de serviços para a atividade canavieira e, também, por ser um reduto de indústrias voltadas para atender o setor.

O abalo foi enorme na cidade. “Foi um baque muito forte. Nós tivemos uma queda da atividade industrial aqui em Sertãozinho da ordem de 80%”, afirma Paulo Gallo (Foto), presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (CEISI Br).

De acordo com o CEISI Br, a instituição que representa os fabricantes de equipamentos para a área sucroenergética, Sertãozinho tem, pelo menos, 500 indústrias dependentes da cana-de-açúcar. “Mais de 90% desses estabelecimentos foram afetados pesadamente pela crise. Nós tivemos o fechamento de 15 empresas de grande porte, dez mil empregos perdidos nos últimos cinco anos, isso em uma cidade de 105 mil habitantes. Cada emprego afeta três, quatro pessoas, afetam as famílias. Então nós temos quase metade da cidade afetada pelo desemprego. Dessas empresas que não fecharam, você tem hoje em Sertãozinho umas 30 ou 40 empresas que estão desempregando sistematicamente”, diz Paulo.

Readaptação

Até 2010, quase 100% dos contratos da fábrica de caldeiras Caldema dependiam exclusivamente das usinas de açúcar e álcool. De lá para cá, para se manter viva no mercado, a empresa teve que adaptar suas estruturas e ir atrás de novas oportunidades de negócio. “O que nós fizemos foi migrar a nossa capacidade disponível para outros segmentos, como óleo e gás, papel e celulose, siderurgia, que demandam recursos diferentes daqueles que demandado pelo sucroenergético. Tecnologias diferenciadas, recursos humanos mais atualizados, com maior conhecimento. E isso não se faz do dia para a noite”, relata Mauricio Moiséis, diretor de negócios da Caldema.

Essa readaptação demorou três anos e durante esse período cerca de cem pessoas foram demitidas até que a empresa voltasse a contratar para atender seus novos clientes. Isso porque sem dinheiro, as usinas estancaram as compras de novos equipamentos e optaram por prolongar a vida útil do maquinário.

“A gente investia de 5% a 10% do nosso faturamento no melhoramento genético, novas variedades. Isso foi deixado de lado, onde a gente teve que usar os nossos recursos de investimentos para honrar os nossos compromissos. E mesmo assim não deu. Nos últimos três anos, a gente dobrou nosso passivo financeiro. Nós estamos com medo de investir, mesmo depois que voltar a ter condições de investir”, afirma Antônio Eduardo Tonielo Filho, diretor industrial da Usina Santa Inês.

Na lavoura, a falta de dinheiro represou a renovação do canavial e limitou os tratos culturais. Como resultado, a produtividade despencou. Foi o que aconteceu nas terras dos agricultores da Associação dos Plantadores de Cana de Monte Aprazível (Aplacana). “Infelizmente, não conseguimos tratar dos canaviais como deveria ter sido e automaticamente a tonelada por hectare cai. Chegamos na média de 101 toneladas por hectare e caímos para 70 toneladas por hectare. Para recuperar uma produtividade dessa vai no mínimo de cinco a dez anos”, estima Márcio Miguel, presidente da Aplacana.

O corte manual da cana-de-açúcar é um dos trabalhos mais polêmicos da agricultura, seja pela queima do dia anterior, que prejudica o meio ambiente, seja pelas condições extremas impostas ao cortador. A crise bagunçou o calendário de quem queria já ter eliminado essa cena da sua lavoura. “Eu ganho por mês em torno de R$ 2 mi, depende da produtividade. Quanto mais trabalha, mais ganha”, conta Romário do Vale, cortador de cana.

Os dias contados do corte manual da cana no estado de São Paulo tem a ver um protocolo agroambiental, assinado em 2007. Pelo acordo, esse tipo de trabalho deve deixar de existir no próximo ano. Não fosse a crise, o agricultor Maurício Pinatti, já teria comprado duas colheitadeiras para fazer o serviço na sua área: “O aspecto financeiro fez com que nós retardássemos esse processo de transição, de manual para mecanizada”.

Em meio a tanta dificuldade, algumas usinas estão passando pela crise com menos turbulência, seja porque contam com acionistas estrangeiros, seja porque conseguiram fortes investidores internos. Algumas delas ganharam fôlego até para ajudar o produtor quando faltou dinheiro para financiar as lavouras.

No município de Olímpia, a Usina Guarani entrou como fiadora de vários agricultores. “Ela foi a garantidora desses recursos para que ele sobrevivesse na atividade. É um risco, mas vale a pena”, garante Jaime Stupiello, diretor agrícola da usina.

Mesmo na crise, a empresa firmou uma parceria com um instituto do sul da África e começou a testar novas variedades de cana. Dos 60 materiais importados, pelo menos, seis apresentaram bons resultados nos testes que foram feitos até agora. “Aqui já apresentaram 20% a mais de açúcar com relação as variedades tradicionais. Já é um veículo para uma próxima crise, que espero que demore bastante, elas estejam sendo um amortecedor dessa crise. A gente não controla mercado, nem o clima, mas se a gente tiver trabalhando para sempre estar inserindo novas tecnologias, sem dúvida, é o veículo para você passar pelas crises", diz Jaime.

Na safra que está sendo colhida, o preço da cana até melhorou um pouco em relação a anos anteriores, mas não há nada até agora para servir de comemoração. (Globo Rural 05/06/2016)

 

Trabalhadores das usinas de açúcar do País querem aumento real

em avanço nas negociações coletivas, categoria com 284 mil trabalhadores decide resistir à pressão das empresas e dão prazo de até 13 de junho para atendimento das reivindicações.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) realizou na última semana (24/05), o Encontro Nacional dos Trabalhadores do Setor de Usinas de Açúcar, em São Paulo (SP). Na ocasião, a categoria, que conta com 284 mil trabalhadores no País, discutiu as principais dificuldades nas negociações coletivas e aprovou resolução que propõe a imediata correção inflacionária nas datas bases dos trabalhadores. Com apoio da União Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (UITA), os participantes também aprovaram uma nota de repúdio contra o procedimento rígido das empresas com sindicatos e federações. Categoria profissional não descarta a possibilidade de manifestações e paralisações no setor.

Durante o encontro, que reuniu representantes de 22 entidades sindicais, os trabalhadores reconheceram como principal dificuldade enfrentada nas negociações a valorização dos salários dos trabalhadores, com remuneração média atual de R$ 2.118,46 no setor, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) de 2014 (última divulgada). De acordo com a categoria, as empresas têm se utilizado da crise econômica e política do País para não reajustar salários. Segundo a CNTA Afins, a maioria tem se negado a repor até mesmo a inflação dos últimos doze meses das datas bases.

"Nós repudiamos esse procedimento e exigimos a aplicação imediata da correção inflacionária em todos os acordos e convenções coletivas de 2016/2017. O argumento de crise utilizado para não aplicar sequer a inflação no salário do trabalhador, para nós, não se justifica. Primeiro porque o trabalhador não pode pagar por uma crise que ele não contribuiu para gerá-la. Segundo, porque reduzir o poder aquisitivo do trabalhador é contribuir para o aumento da crise, e terceiro porque os dados estatísticos não comprovam que o setor esteja em crise.", afirma Artur Bueno de Camargo, presidente da CNTA Afins.

Em documento oficiado recentemente às principais indústrias do setor, a categoria exige a correção imediata da inflação e, posteriormente, a retomada das negociações dos demais itens (cláusulas sociais, benefícios, etc.) em um prazo máximo até o dia 13 de junho.

"Quem sabe a partir desse prazo possamos evitar outras iniciativas que a situação nos obrigue a tomar, como manifestações e paralisações. Colocamo-nos sempre à disposição para, juntos, discutirmos e buscarmos um entendimento capaz de proporcionar o crescimento do setor produtivo com sustentabilidade e gerar empregos com qualidade e salários justos aos trabalhadores.", conclui Bueno.

A categoria voltará a se reunir no dia 14 de junho, às 14h, na sede da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo (FETIASP), localizada na Rua Conselheiro Furtado no 987, Aclimação, São Paulo (SP).

Setor em Números

De acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a pedido da CNTA Afins, o Brasil fechou o ano de 2015 contabilizando 284.261 trabalhadores na indústria do Açúcar (CAGED/MTE). Em 2014, o total de trabalhadores do setor era de 303.555. Logo, houve um decréscimo de 19.294 vagas

(-6,3%) entre 2014 e 2015. Este é o quarto recuo consecutivo dos números anuais do setor. O nível de emprego atual é o mais baixo observado desde 2006. Entre 2011 e 2015 foram cortadas 57.793 vagas. No entanto, os preços do açúcar e do etanol têm sido elevados, chegando a atingir, por exemplo, R$ 86,60 a saca do açúcar em março desse ano, contra R$ 50,66 no mesmo período do ano anterior.

Ainda segundo os dados de 2015, o Estado onde há maior número de trabalhadores é São Paulo, com 114.264 trabalhadores (40,2% do total de trabalhadores no Brasil). Em seguida, dentre os Estados que mais empregam, estão: Alagoas, com 55.084 trabalhadores (19,4% do total); e Pernambuco, com 33.817 trabalhadores (11,9% do total). Juntos, os três Estados concentram mais de 71% dos trabalhadores do setor. Sergipe foi o Estado que registrou o maior avanço no número de vagas criadas em 2015: foram 861. Na outra ponta, Pernambuco foi o Estado que mais demitiu: com 7.064 vagas fechadas.

Remuneração

Com relação à remuneração, tomando por base as informações de dezembro de 2014, a pesquisa aponta que mais de 34,8% dos trabalhadores do setor recebem até dois salários-mínimos por mês. Já os salários mais altos, acima de cinco salários-mínimos, correspondem a apenas 10,3% dos vínculos.

O nível de rotatividade pode ser observado pelo pouco tempo de permanência no emprego. Cerca de 31,7% dos trabalhadores está há menos de um ano em seu emprego atual. Contudo, há 32,9% de trabalhadores com mais de cinco anos de vínculo. Algo raro no contexto das indústrias da Alimentação em geral, segundo o DIEESE.

Paulo Alexandre de Moraes, técnico do DIEESE responsável pelo estudo, avalia que embora a inflação acumulada esteja mais alta em relação ao ano passado (quando era de 8,34% em maio) e o cenário político tenha atingido seu ápice de crise nesse primeiro semestre com o impeachment de Dilma, há possibilidades de recuperação econômica.

"As negociações salariais devem ser pautadas pela expectativa de futuro e não pela conjuntura passada. E o cenário, ao menos hoje, é de reversão das expectativas para um cenário de lenta recuperação. Em outras palavras: já chegamos ao fundo do poço. Daqui em diante, devemos começar a subir novamente.", diz.

De acordo com Paulo, as negociações salariais no setor (para datas bases em maio) deveriam atingir 9,83% somente para repor a inflação do período (INPC acumulado entre Maio de 2015/Abril 2016), o que não vem acontecendo, impossibilitando o aumento real.

"O ganho real nas negociações coletivas tem sido a tônica dos últimos anos. É uma conquista dos trabalhadores. A despeito da crise, que é severa, acho importante que esta pauta permaneça sobre a mesa. Sobretudo, porque trata-se de manter o poder de compra e de consumo do salário dos trabalhadores. O que constitui um elemento chave para uma das saídas possíveis para a própria crise: o aumento do consumo das famílias.", afirma.

Outras informações:

Consulte aqui o Perfil dos Trabalhadores do Setor de Usinas de Açúcar (DIEESE/CNTA)
http://tinyurl.com/jbwmlsu (Assessoria de Comunicação, 3/6/16)

 

Usineiros se reúnem com ministros e defendem maior uso de bioeletricidade

Representantes do Fórum Nacional Sucroenergético estiveram nesta semana em Brasília para apresentar os pleitos do segmento a ministros do governo interino de Michel Temer, conforme havia antecipado o Broadcast Agro. O presidente da entidade, André Rocha (Foto), informou que já foram discutidas formas para impulsionar a cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar no País. "Já começamos a tratar da questão da bioeletricidade. Queremos aumentar a participação, de modo a ajudar o setor a sair da crise e contribuir com uma fonte renovável", comentou. "Hoje, todas as usinas são autossuficientes, mas apenas 40% exportam energia (para a rede)", acrescentou.

De acordo com Rocha, a receptividade por parte dos ministros foi "muito boa". As reuniões se deram com Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), Bruno Araújo (Cidades) e Gilberto Kassab (Comunicações/Ciência, Tecnologia e Inovação). Conforme o presidente do Fórum, a expectativa é de se reunir também com os chefes da Fazenda, Henrique Meirelles, e da Agricultura, Blairo Maggi, assim como senadores e deputados.

Rocha destacou ainda que foram apresentadas demandas em torno da competitividade do etanol ante a gasolina, o que envolve o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o combustível fóssil e a prorrogação do PIS/Cofins, que vence em dezembro. Este último refere-se a um crédito presumido que equivale a zerar a alíquota incidente sobre o etanol. A compensação tributária, com corte de R$ 0,12 por litro de álcool, foi tomada em 2013. (Agência Estado 02/06/2016)

 

Ciência promete combustíveis mais baratos e mais limpos

Uma investigação feita nos Estados Unidos, região dos Grandes Lagos promete revolucionar a produção de álcool etílico e torná-la mais barata que os combustíveis fósseis, mas também menos poluente.

Ciência promete combustíveis mais baratos e mais limpos

Ter combustíveis mais baratos e menos poluentes é um sonho antigo. O problema é que, mesmo com o petróleo a custos mais baixos no mercado internacional, os preços pagos nos postos de abastecimento são elevados. Além disso, os derivados do petróleo são altamente poluentes e desde 1826 que se tenta obter uma alternativa à gasolina. A história dos biocombustíveis mostra que até se conseguiu encontrar um produto alternativo, o etanol, produzido a partir de plantas. O problema é que era mais caro que a gasolina.

Uma investigação conduzida pela empresa de investigação norte-americana Xylome e o Great Lakes Bioenergy Research Center, dos EUA, mostra que, afinal, parece ser possível produzir combustíveis mais baratos, revela a revista Business Insider. Os investigadores, liderados por Thomas Jeffries, descobriram uma bactéria - Spathaspora passalidarum - que existe nos intestinos do escaravelho e é supereficiente na transformação de xilose, açúcar vegetal, em energia. E, com um pouco de engenho, conseguiram torná-la ainda mais eficiente.

O etanol como combustível teve um período áureo duranta a II Guerra Mundial, quando os ataques dos submarinos dificultavam o transporte e, naturalmente, o abastecimento de petróleo. Em 1943, chegou mesmo a ser obrigatória a mistura de 50% deste álcool na gasolina. Os alemães também sofreram com as restrições e, já no fim da guerra, quando começaram a produzir as bombas voadoras tiveram de improvisar novos combustíveis. Por isso, os foguetes V2 eram propulsionados por uma mistura de álcool combustível (75% de álcool etílico, produzido a partir de batata, e 25% de água) e oxigénio líquido.

O problema ao longo dos tempos é que a produção de álcool etílico ficou sempre mais cara que os combustíveis fósseis. Além disso as empresas que se comprometeram a desenvolver o etanol como alternativa aos combustíveis tradicionais falharam sempre no cumprimento das promessas e deram origem a um estigma que ficou a pairar sobre a ciência ao redor deste tema. Agora, os cientistas dizem que estão mais perto do que nunca de resolver o problema.

Timothy Donohue, investigador principal do centro de investigação dos Grandes Lagos, e microbiologista, diz que “quanto mais xilose for transformada pelos micróbios, mais combustível será produzido”, ou seja etanol. A empresa Xylome, dedicada à investigação de biocombustíveis de segunda geração, está a utilizar bactérias para optimizar a produção de álcool etílico, procurando obter mais combustível por tonelada de biomassa processada.

O novo método funciona com o milho tradicional, mas também com diferentes tipos de gramíneas, desperdícios de madeira e partes não comestíveis de plantas, o que significa, segundo a Business Insider, que não vai concorrer com a alimentação humana. Uma outra boa notícia é que as fábricas actuais vão poder ser adaptadas para a nova produção de etanol, o que dispensa a construção de novas instalações.

A Business Insider refere que se espera uma mudança radical na produção de etanol e que as novas linhas aberta por esta investigação vão permitir às empresas transformar xilose numa série de novos produtos, a começar pelo etanol. O novo produto, anuncia a revista, será apresentado publicamente no International Fuel Ethanol Workshop & Expo, a realizar em Milwaukee, no Wisconsin, EUA, de 20 a 23 de Junho. (Econômico 04/06/2016)

 

Condenada em R$ 1 milhão, Raízen em Araraquara não pode terceirizar colheita mecanizada

A Raízen Araraquara Açúcar e Álcool Ltda., filial da maior produtora de etanol do mundo, foi condenada em segunda instância por terceirizar a atividade de corte mecanizado de cana-de-açúcar e transbordo, considerada como atividade-fim, sob pena de multa diária de R$ 10 mil por empregado irregularmente contratado. A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve a obrigação imposta à empresa em sentença de pagar R$ 1 milhão a título de dano moral coletivo. As multas e a indenização serão destinadas a projetos, iniciativas e campanhas indicados pelo Ministério Público do Trabalho, autor da ação civil pública. Cabe recurso ao Tribunal Superior do Trabalho.

A Raízen foi processada pelo procurador Rafael de Araújo Gomes após inquérito instruído com base no relatório e nos autos de infração encaminhados pelo Ministério do Trabalho. Os fiscais flagraram a terceirização da colheita mecanizada e das operações de transbordo da Raízen, atividades consideradas parte integrante do seu processo produtivo. Os trabalhadores da Transportadora Marca de Ibaté Ltda., contratada como prestadora dos serviços, laboravam lado a lado com os empregados da própria tomadora, sem qualquer distinção das funções exercidas por eles. Diz o relatório: “A atividade desenvolvida pelos trabalhadores terceirizados é atividade permanente da tomadora, que determina o modo, o tempo e forma que o trabalho deve ser realizado”.

Intimada pelo MPT, a empresa negou a irregularidade sob o argumento de que “a atividade-fim do grupo é a fabricação e comercialização de produtos sucroenergéticos”, relegando o plantio e a colheita da cana ao status de meras atividades acessórias, ou atividades-meio. “A argumentação é grosseiramente falsa, eis que o objeto social da empresa inclui a exploração agrícola de terra de propriedade da empresa ou de terceiros”, esclarece Gomes.

Comparando os holerites de funcionários terceirizados e próprios da Raízen, o Ministério Público constatou a precarização nas relações de trabalho, uma vez que os salários dos terceiros correspondiam, em média, a apenas 63% do salário pago àqueles contratados diretamente pela ré. Além disso, foram suprimidos dos terceirizados seguro de vida e adicional de produção, todos concedidos aos operadores de máquina contratados formalmente pela própria usina. O relatório fiscal evidencia a precariedade imposta aos terceirizados: “Referidos trabalhadores não dispunham de sanitário, local para refeição, abrigo contra intempéries, água potável e fresca, materiais de primeiros socorros”.

A ação civil pública foi ajuizada na Justiça do Trabalho, fundamentando o descumprimento, pela ré, da Súmula 331 do TST (que proíbe a terceirização de atividade-fim) e de dispositivos da Constituição Federal, dentre eles, o princípio da dignidade da pessoa humana. A Raízen foi condenada pela 1ª Vara do Trabalho de Araraquara em dezembro de 2012 a não terceirizar atividade-fim e a pagar indenização coletiva de R$ 1 milhão. A Transportadora Marca de Ibaté Ltda., acionada como segunda ré, foi condenada a responder solidariamente pelas obrigações pecuniárias, inclusive honorários e custas processuais. As obrigações foram mantidas pelo TRT. (Ministério Público do Trabalho 03/06/2016)

 

Açúcar: Cautela é sempre bom – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Mais uma semana de preços altos foi vivida pelo mercado futuro de açúcar em NY. Em três meses vimos o preço médio do açúcar (tomando como base o fechamento do primeiro mês de negociação) passar de 13.31 centavos de dólar por libra-peso em fevereiro (máxima de 14.61 e mínima de 12.45) para 15.43 centavos de dólar por libra-peso em março (máxima de 16.75 e mínima de 14.12), numa reação que o mercado - e principalmente as tradings - achava que teria encontrado momentaneamente o patamar de preços. Abril acabou por validar esse sentimento e a média caiu para 15 centavos de dólar por libra-peso depois de ter tocado assustadoramente nos 14 centavos de dólar por libra-peso ao longo daquele mês e experimentado o máximo de 16.23. Em maio, outra estilingada passando a média para 16.68 centavos de dólar por libra-peso (máxima de 17.70 e mínima de 15.55).

Dado o comportamento dos spreads durante a última semana estamos assistindo à consolidação do sentimento altista. Dissemos aqui várias vezes que a alta do mercado precisaria ser validada pela combinação de um fortalecimento dos prêmios e dos spreads. Bem, isso está ocorrendo. Os spreads julho/outubro e outubro/março fecharam respectivamente em -3 e zero, comparativamente a -33 e -50 há um mês. Ou seja, o vencimento julho/2016 que negociava a um desconto de 83 pontos há um mês, no fechamento de sexta estava praticamente no mesmo nível de março, com uma apreciação de quase 18 dólares por tonelada. Os prêmios, por sua vez, estão apreciando de forma mais modesta. Saiu negócio para embarque junho/julho com 2 de desconto.

A movimentação do spread mostra preocupação de que não haja a quantidade de açúcar que o mercado esperava para agora, seja em função do atraso nos embarques pelos portos do Centro-Sul, seja pela quantidade de chuva volumosa que se estima para as próximas semanas com reflexo negativo n a moagem, seja pelo rearranjo do livro de futuros das tradings, seja pela compra especulativa dos spreads antecipando toda essa movimentação. Os baixistas estão roendo o que lhe sobrou de unhas.

A sexta-feira encerrou com o vencimento julho/2016 negociando a 18.75 centavos de dólar por libra-peso (o maior preço desde o final de outubro de 2013), um aumento de 123 pontos na semana, ou seja, 27 dólares por tonelada. Todos os spreads ao longo da curva mostram custo de carrego negativo, ou seja, não faz nenhum sentido quem tiver açúcar não se desfazer dele imediatamente. Mas que açúcar? Com as usinas tendo residualmente uns 15% ainda para serem fixados contra o vencimento março/2017, quem precisar de açúcar ou for pego vendido a descoberto corre seriamente o risco de cuspir sangue. Não sei porque me veio à cabeça o filme “O Massacre da Serra Elétrica”.

A curva de preços para o próximo ano, combinando fechamento de NY com a NDF (contrato a termo de dólar liquidado financeiramente) já mostra uma média de 1600 reais por tonelada.

Não podemos esquecer que o mercado está nessa situação também porque as usinas estão bem fixadas. A rolagem dos fundos para o vencimento outubro/2016 está sendo neutralizada pela compra dos spreads por parte das tradings. E se os fundos quiserem continuar adicionando mais compras à sua estratosférica posição que beira os 300.000 lotes, certamente não vão encontrar quem lhes venda (tradings e usinas estão no limite) e o mercado vai dar novos espasmos. Ficar vendido à descoberto neste cenário é pedir para apanhar.

Algumas usinas e mesmo alguns analistas já acham difícil que o volume inicialmente planejado de moagem de cana seja alcançado esse ano. Ouvi de gente muito séria que talvez não cheguemos às 600 milhões de toneladas no Centro-Sul. Ainda é muito prematuro colocar as fichas nessas hipóteses, mas isso demonstra quão sensível e susceptível está o mercado de açúcar com qualquer notícia que possa – mesmo que remotamente – diminuir a disponibilidade de açúcar.

Mas, atenção. O mercado já está devendo uma correção há algum tempo. Nada sobe indefinidamente assim. Vai chegar um momento em que as chuvas vão parar, que a ATR vai melhorar, que o porto vai descongestionar, que o sol vai brilhar e que os fundos vão realizar lucros (US$ 1.4 bilhão). Por isso, como cautela e caldo de galinha não fazem mal para ninguém, convém usar opções para travar um mínimo de rentabilidade em troca de um máximo de retorno. O que não pode é – tendo que fazer alguma coisa nesse momento – não fazer nada.

Segundo o modelo da Archer, até dia 29 de abril de 2016, as usinas estavam fixadas 82,8% das vendas para 2016/2017, ao preço médio de 14,11 centavos de dólar por libra-peso equivalentes a R$ 1.219 por tonelada FOB com prêmio de polarização. O valor médio do dólar obtido pelas usinas foi de R$ 3,7613. Os valores e volumes abaixo estão ajustados pelo novo critério que isola a safra atual das demais, corrigindo a distorção percebida.

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