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Cerveró aponta Rossetto em tentativa de beneficiar Copersucar na BR Distribuidora

Acesse para ler os ternos e o vídeo:

https://www.novacana.com/n/etanol/mercado/abastecimento/cervero-miguel-rossetto-tentativa-beneficiar-copersucar-br-distribuidora-070616/

Ex-ministro, ligado à presidente afastada Dilma Rousseff, teria proposto, em 2013, exclusividade de vendas de álcool para subsidiária da Petrobrás; 'propinas passariam todas a ser controladas pela Copersucar', afirmou delator.

O ex-diretor de Internacional da Petrobrás e da BR Distribuidora Nestor Cerveró afirmou em sua delação premiada que o ex-ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário, Trabalho e Previdência/governos Lula e Dilma) fez lobby para que a Copersucar S.A. se tornasse a única vendedora de álcool para a estatal.

“As propinas passariam todas a ser controladas pela Copersucar”, afirmou Cerveró no termo de delação 19, prestado em dezembro e tornado público na semana passada. “A compra de álcool é um dos principais itens de arrecadação de propina na BR Distribuidora.”

Os depoimentos de Cerveró foram gravados em áudio e vídeo pela força-tarefa da Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República, a quem compete investigar políticos detentores de foro privilegiado, como deputados e senadores.

O ex-diretor da Petrobrás disse que em 2013, o então presidente da BR Distribuidora José de Lima Andrade Neto o chamou para uma reunião informal para comunicá-lo que Rossetto, que era presidente da Petrobrás Biocombustíveis, responsável por álcool e biocombustíveis da estatal, propôs que a Copersucar tivesse um contrato de exclusividade.

“No sentido de que a empresa fosse a única compradora de álcool para a BR, ou seja, a Copersucar seria uma intermediária, comprando o álcool (das usinas) para a BR, que depois faria o trabalho normal dela de distribuição”, afirma Cerveró.

A Copersucar S.A. é a maior comercializadora global de açúcar e etanol integrada à produção e a maior exportadora brasileira desses produtos, com atuação nos principais mercados mundiais. A Copersucar atende a 12% da demanda mundial de etanol, segundo informações no site da companhia. No mercado de açúcar, responde por 12% do mercado livre da commodity. Sua plataforma logística tem abrangência global e entre seus clientes estão as principais companhias de petróleo, refinarias de açúcar e indústrias de alimentos do mundo.

Alerta

O delator disse que os integrantes da diretoria fizeram objeções e afirmaram que a ideia era ‘muito ruim, porque o negócio não seria bom para a BR e não faria sentido’. Ele relatou que Lima defendeu a empreitada com ‘entusiasmo’.

“Quem surgiu com essa ideia foi Miguel Rossetto, e Lima levou-a adiante. Alguém da Copersucar levou essa ideia para Miguel Rossetto.Se a ideia fosse implementada, as propinas relativas à compra de álcool seriam pagas pela Copersucar, não mais pela BR”, afirmou Cerveró aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Acredito que haveria um negócio que o Rossetto participaria porque quem trouxe o negócios para o Lima foi ele e pelo entusiasmo que o Lima defendeu havia um interesse dos dois em fechar esse acordo com a Copersucar”, respondeu, ao ser perguntado se acredita que o episódio envolveria propina.

“Para a BR não trazia beneficio nenhum, isso só beneficiava a Copersucar que ganhava um poder de compra e de negociações, porque a transformava na maior compradora de álcool do Brasil. Esse tipo de coisa não acontece de graça.”

O delator afirmou que os dois “grandes beneficiários da propina na BR” seriam Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP, ex-ministro e operador de do senador e ex-presidente Feranndo Collor de Mello, e o então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS). “PP e Delcídio ficaram muito irritados com essa ideia.”

O delator diz que a subsidiária da Petrobrás era dividida pelo PT, PMDB e PTB (na época, cota do senador Fernando Collor de Mello).

Rossetto não foi localizado para comentar o assunto.

COM A PALAVRA, A COPERSUCAR

A Copersucar, líder na comercialização de etanol, mantém relacionamento comercial com diversas distribuidoras no Brasil, dentre elas a BR Distribuidora, sempre na mais estrita observância da legislação brasileira. (O Estado de São Paulo 07/06/2016)

 

Rosseto rebate Cerveró: não atuei para beneficiar Copersucar

O ex-ministro Miguel Rosseto contestou em nota, nesta terça-feira (7), acusação do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró. Matéria do Estadão informa que Cerveró apontou Rosseto em tentativa de beneficiar a empresa Copersucar S.A., para que se tornasse a única vendedora de álcool para a BR Distribuidora.

"Receber e conhecer empresas fazia parte de minha rotina de trabalho. E por isso, receber a Copersucar, maior empresa do país em produção de etanol, deve ser encarado como parte do trabalho do presidente da Petrobrás Biocombustíveis, e, em hipótese alguma, lobby. Como presidente da Petrobras Biocombustíveis trabalhei de forma permanente com a BR Distribuidora no sentido de reduzir custos de logística e comercialização. Repudio com veemência toda e qualquer insinuação sobre minha conduta apontada pelo réu confesso Nestor Cerveró", afirmou.

Abaixo a nota:

A respeito da nota divulgada no jornal Estado de São Paulo on line - Cerveró aponta Rossetto em tentativa de beneficiar Copersucar na BR Distribuidora, informo:

1. Receber e conhecer empresas fazia parte de minha rotina de trabalho. E por isso, receber a Copersucar, maior empresa do país em produção de etanol, deve ser encarado como parte do trabalho do presidente da Petrobrás Biocombustíveis, e, em hipótese alguma, lobby.

2. Como presidente da Petrobras Biocombustíveis trabalhei de forma permanente com a BR Distribuidora no sentido de reduzir custos de logística e comercialização.

3. Pensando nisso, Petrobras Biocombustíveis e BR Distribuidora sempre desenvolveram estudos para buscar eficiência nas operações de produção e venda de etanol e biocombustíveis, incluindo a Copersucar, dentre outras.

4. Repudio com veemência toda e qualquer insinuação sobre minha conduta apontada pelo réu confesso Nestor Cerveró. Miguel Rossetto”. (Brasil 247 07/06/2016)

 

Mais produtividade, menos expansão de terras ocupadas pela cana

Mais produtividade, menos expansão de terras ocupadas pela cana, avalia estudo.

Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) avaliou a eficiência agrícola da cana-de-açúcar no Brasil para determinar o grau de crescimento da produção canavieira sem a necessidade de dispor de mais terras.

Em artigo publicado na revista BioScience, da University of Oxford, os pesquisadores dizem que, se a produtividade atingir 80% do potencial da indústria brasileira, seria possível suprir a demanda de cana em um futuro próximo com redução de até 18% da área de cultivo.

O estudo, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a University of Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos, foi desenvolvido no âmbito da pesquisa “Eficiência da produção da cana-de-açúcar brasileira: cenário atual e projeções futuras baseadas em mudanças de clima, manejo do solo e de água”, realizada com apoio da FAPESP.

“Trata-se de um impasse no setor sucroalcooleiro brasileiro sobre para onde os investimentos devem ser direcionados: se para a ocupação de mais terras para o cultivo da cana-de-açúcar ou para a ampliação da produtividade nas terras já ocupadas, levando-se em conta o crescimento da demanda mundial. Diante disso, o artigo traça cenários para a produção de cana considerando a demanda projetada para 2024”, conta Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq.

O estudo analisa a trajetória de rendimentos do setor nas duas últimas décadas para determinar em que níveis eles devem ser acelerados de modo que se obtenha, em 2024, uma maior produção de cana sem a expansão da área de produção. Considerando essa série histórica de ganho de rendimento, o estudo avalia que o ritmo atual de crescimento não será suficiente para atender a demanda projetada sem uma expansão de área de 5% a 45% para cenários de baixa e alta demanda, respectivamente.

“O desafio é aumentar a produtividade da cana existente, dadas as preocupações sobre a conversão de novas áreas e a crescente demanda mundial por açúcar e etanol de cana. O rendimento médio nacional da produção nessas condições é de 62% do potencial – ou seja, há oportunidades de incremento de 38%”, diz Marin.

Para o pesquisador, “num cenário mais favorável, em que o setor atingisse uma produtividade de 80% do seu potencial, a demanda de cana em um futuro próximo seria plenamente atendida com uma possibilidade de redução de 18% na área de cana para o cenário de baixa demanda ou uma expansão de 13% para o cenário de alta demanda”.

Ainda de acordo com Marin, tal cenário é possível, mas desafiador, exigindo uma grande aceleração na taxa de rendimento em comparação com a tendência histórica, o que seria difícil de ser conseguido sem esforços de financiamento concentrado. Em contrapartida, alerta o pesquisador, “se continuarmos a aumentar os rendimentos seguindo a trajetória histórica das últimas duas décadas, será necessário expandir entre 5% e 45% a área de cana para satisfazer os cenários de baixa e de alta demanda até 2024”.

O estudo aponta a necessidade de focar os esforços de pesquisa na aceleração do ritmo de ganho de produtividade para minimizar a demanda por terras.

“Os resultados podem ajudar a fomentar as políticas e a priorização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para atender a demanda de cana e, ao mesmo tempo, considerar as preocupações ambientais associadas”, aponta Marin.

Além da FAPESP e da University of Nebraska-Lincoln, por meio do Water for Food Institute, o estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O artigo Prospects for Increasing Sugarcane and Bioethanol Production on Existing Crop Area in Brazil, com os resultados do trabalho, é assinado por Marin, Geraldo B. Martha Jr., da Embrapa, e Kenneth G. Cassman e Patricio Grassini, do Departamento de Agronomia e Horticultura da University of Nebraska-Lincoln. Está disponível para acesso aberto em http://bioscience.oxfordjournals.org/content/66/4/307 (Agência Fapesp 08/06/2016)

 

Etanol: Chuva interrompe moagem e mantém cotações em alta

Os valores dos etanóis seguem em alta no mercado paulista. Para o hidratado, o aumento observado na semana passada foi o quinto consecutivo e para o anidro, o quarto. Entre 30 de maio e 3 de junho, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado fechou a R$ 1,5334/litro (sem impostos, a retirar), elevação de 2,6% frente ao da semana anterior.

O Indicador semanal CEPEA/ESALQ do anidro combustível fechou a R$ 1,7007/litro (sem impostos, a retirar), elevação de 5,1% em relação à semana anterior. Pesquisadores do Cepea indicam que a colheita de cana e as atividades de moagem têm sido interrompidas em diversas regiões do estado de São Paulo, em decorrência das chuvas.

Assim, sem produto para ofertar, parte das usinas não entra no mercado. Já as unidades ativas disponibilizam o volume produzido em semanas anteriores. Do lado da demanda, distribuidoras estão ativas nas compras do etanol, visando abastecer seus estoques e evitar pagar preços ainda maiores nas próximas semanas. (Cepea / ESALQ 07/06/2016)

 

Chuva não teve nenhum impacto na moagem 2016/17, diz São Martinho

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato, afirmou nesta terça-feira, 7, em teleconferência com analistas e investidores, que as fortes chuvas registradas no Centro-Sul do Brasil "não tiveram praticamente nenhum impacto" para a moagem da empresa no atual ciclo 2016/17. "Se olharmos hoje, estamos até acima do que estávamos esperando (em termos de processamento)."

De acordo com o executivo, como o mês de abril foi muito seco, a companhia conseguiu avançar nos trabalhos de campo. Antes das precipitações observadas na virada de maio para junho, a empresa estava com a moagem entre 30% e 35% acima do previsto, afirmou. "Mas as precipitações vieram num bom momento, o canavial precisava desse volume de chuvas (após a estiagem de abril)", destacou.

A empresa tem quatro usinas: São Martinho, em Pradópolis (SP); Iracema, em Iracemápolis (SP); Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP) e Boa Vista, em Quirinópolis (GO), esta última uma joint venture com a Petrobras Biocombustível. Juntas, essas unidades têm capacidade para processar até 22 milhões de toneladas de cana por safra.

Hedge

Vicchiato acrescentou que, por ora, a companhia ainda não fixou nenhum preço do açúcar a ser vendido na safra 2017/18, uma vez que autorização dada pelo conselho para essa operação foi dada somente ontem. "Na data de hoje não fixei nada, mas o preço está em R$ 1.500 a R$ 1.600 por tonelada", informou.

Para a safra 2016/17, já são 767,06 mil toneladas de açúcar com hedge, volume este equivalente a 54% da exposição. A posição refere-se a 31 de março. O preço médio alcançado nessa fixação é de 14,42 centavos de dólar por libra-peso.

São Martinho projeta moagem 2,6% maior em 2016/17, para 20,5 mi de t

O Grupo São Martinho projeta moagem de cana-de-açúcar 2,6% maior na safra 2016/17, iniciada em abril, de 20,55 milhões de toneladas. No caso do açúcar, a companhia prevê crescimento de 10,2% na temporada, para 1,35 milhão de toneladas. Quanto ao etanol anidro e ao hidratado, também são esperados crescimentos, de 2,2% e 11,1%, para 455 milhões e 340 milhões de litros, respectivamente. Os dados constam do balanço divulgado na segunda-feira, 6, à noite pela empresa.

As projeções levam em conta um mix de 51% da oferta de cana para a fabricação de açúcar e 49% para álcool, além de um nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 135,7 kg por tonelada de cana moída. A empresa informou que o guidance para a cogeração de energia elétrica no ciclo é de 753 mil MWh, incremento de 1,6% na comparação anual.

Na safra 2015/16, encerrada em março, o Grupo São Martinho processou 20,02 milhões de toneladas de matéria-prima (+7%), com produção de 1,23 milhão de toneladas de açúcar (-0,1%), 445 milhões de litros de anidro (+1,5%), 306 milhões de litros de hidratado (-13,3%) e 741 mil MWh de eletricidade (+2,9%). O mix no ano foi de 50% tanto para o alimento quanto para o biocombustível, e o ATR atingido totalizou 128,9 kg/t.

O Grupo São Martinho informou, ainda, estoques de açúcar 402,3% maiores no quarto trimestre da safra 2015/16, correspondente aos meses de janeiro a março, com 33,45 mil toneladas. Já em relação ao etanol hidratado, as reservas diminuíram 40,6%, para 12,73 milhões de litros, ao passo que no caso do anidro, a diminuição foi de 58,5%, para 25,11 milhões de litros.

Em relação ao hedge do adoçante, a companhia revelou que, para a safra 2016/17, já são 767,06 mil toneladas, volume este equivalente a 54% da exposição. A posição refere-se a 31 de março. O preço médio alcançado nessa fixação é de 14,42 centavos de dólar por libra-peso.

Conforme a demonstração de resultados, o Grupo São Martinho registrou lucro líquido de R$ 68,9 milhões no quarto trimestre de 2015/16, aumento de 21,9% na comparação anual. No total do ano safra, o lucro somou R$ 194,331 milhões (-32,07%). O investimento na temporada avançou 3,5%, para R$ 840,81 milhões, enquanto a alavancagem passou de 2,24 para 2,14 vezes entre os ciclos. (Agência Estado 07/06/2016)

 

Em meio à negociação salarial, trabalhadores de usinas canavieiras podem parar em junho

Trabalhadores das usinas de cana-de-açúcar podem cruzar os braços a partir da segunda quinzena deste mês caso as negociações de reajuste salarial não deslanchem.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação (CNTA) pede que a correção inflacionária ocorra até o dia 13 de junho. A entidade, que reúne 284 mil empregados, voltará a se reunir em 14 de junho em São Paulo.

No fim do mês passado, o presidente da CNTA, Artur Bueno de Camargo, já havia afirmado ao Broadcast Agro que as negociações estavam apresentando "dificuldades" neste ano. Enquanto a categoria pede um reajuste de 10%, as empresas têm oferecido apenas 4%. Caso não seja atendida, a entidade não afasta a possibilidade de manifestações e paralisações no setor.

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pelo Dieese e pela própria CNTA, o Brasil encerrou 2015 com 284.261 trabalhadores no setor sucroenergético, 6,3% menos (19.294 pessoas) na comparação com 2014. Além de representar o quarto recuo consecutivo, o total de empregados é o menor desde 2006. Só entre 2011 e 2015 foram cortadas 57.793 vagas. (Agência Estado 07/06/2016)

 

Tailândia pode rever política do açúcar

A Tailândia prometeu ao Brasil discutir propostas para reestruturar seu programa de subsídios a produtores de açúcar, que turbina os embarques do país e gera perdas milionárias a exportadores brasileiros em terceiros mercados. Os dois maiores produtores mundiais da commodity realizaram ontem uma consulta sobre o imbróglio em Genebra, no âmbito do mecanismo de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC), acionado pelo Brasil.

Os tailandeses defenderam seu programa. Consideram que os mecanismos de apoio adotados respeitam as regras comerciais, mas, diante das cobranças brasileiras, sinalizaram que voltarão à OMC com novas propostas, não disseram quando, e ficaram de responder a diversas indagações que ficaram sem resposta.

"Estamos agora na expectativa do que eles vão apresentar para se enquadrar nas regras da OMC para que possamos ter um comércio com regras iguais para todos", disse Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A delegação brasileira reclamou que os sistemas tailandeses de cotas e preços pagos aos produtores inflam a produção e geram excedentes para exportação, que tornam desleal a concorrência em terceiros mercados. Segundo cálculos preliminares da Unica, o Brasil perdeu participação de mercado e deixou de faturar ao menos US$ 1 bilhão por ano por causa da política tailandesa.

Os brasileiros vêem um movimento contínuo de aumento de produção no país asiático. O sistema tailandês de cotas é semelhante ao que a União Européia mantinha e foi derrubado por ação do Brasil na OMC com ajuda da própria Tailândia, em 2005. Um aspecto positivo é que os setores privados do Brasil e da Tailândia também se encontraram em Genebra, na tentativa de facilitar a costura de uma solução negociada.

Na percepção brasileira, a bola está do lado dos tailandeses. "A Tailândia sabe que sua prática está incomodando o Brasil. Sinalizaram com uma revisão, mas não podemos esperar tempo demais", observou um negociador.

Ainda em Genebra, o Brasil também realizou consultas com a Indonésia por conta de restrições à entrada da carne bovina brasileira naquele mercado. Os indonésios impõem todo tipo de pequenas medidas que acabam por impedir o comércio. Exigem até que o importador tenha armazenamento refrigerado próprio, e não alugado, para a carne.

Além disso, a Indonésia não reconhece o princípio de regionalização previsto no Acordo sobre Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (conhecido pela sigla inglesa SPS), o que, na prática, bloqueia a carne bovina brasileira. Ao mesmo tempo, o país dá amplo espaço para que a Austrália amplie suas vendas.

Na consulta bilateral, os indonésios também prometeram revisar seus programas. Na verdade, essas revisões ocorrem com frequência. A questão é saber se desta vez elas serão capazes de reduzir os problemas para os exportadores brasileiros, que querem ampliar as vendas de carne bovina naquele mercado de 240 milhões de habitantes.

O Brasil já mantém uma disputa com a Indonésia por causa de restrições à entrada da carne de frango brasileira. A audiência diante dos juízes está agendada para julho. EUA e Nova Zelândia tambem abriram disputas agrícolas contra os indonésios. (Valor Econômico 08/06/2016)

 

Usina Coruripe renegocia R$ 1,9 bilhão em dívidas

Grupo fechou acordo com 11 bancos credores; crise poderia levar companhia a pedir recuperação judicial.

A Usina Coruripe, dona de cinco unidades produtoras de açúcar e álcool com capacidade para moer 14,2 milhões de toneladas de cana, deve concluir no dia 17 acordo com 11 bancos para reestruturar R$ 1,9 bilhão em dívidas, que representam 85% do total de seus débitos. Um pré-acordo foi fechado na sexta-feira passada, prevendo que o vencimento dessas dívidas datadas para 2016, 2017 e 2018 seja alongado para sete anos, com 30 meses de carência.

Com risco de ter de entrar com pedido de recuperação judicial, o grupo Coruripe, que teve origem em Alagoas e se expandiu para Minas Gerais, onde possui quatro usinas, começou a renegociar suas dívidas em outubro do ano passado. O banco americano Moelis e o escritório Souza Cescon assessoraram a companhia nessa operação.

Entre os bancos que participaram da renegociação estão Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Rabobank, ABN, Citibank, Votorantim, HSBC, Metlife, ABC e Santander. Bradesco e HSBC são os que detêm maior parte do débito, segundo fontes ouvidas pelo Estado. Segundo as mesmas fontes, o grupo deu terras, fazendas e outras propriedades como garantia para fechar essa reestruturação.

Ficaram de fora desse acordo de renegociação o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o BNDES e o Banco do Nordeste, informou ao Estado o presidente do grupo, Jucelino Sousa. O executivo chegou à companhia há três anos para implantar o processo de profissionalização do grupo. “As dívidas foram aumentando com o câmbio e agravadas pela atual situação do País”, disse. As dívidas, segundo ele, foram contraídas nos últimos anos para promover o processo de expansão da companhia.

A companhia encerrou a safra 2015/16 com faturamento bruto de R$ 1,6 bilhão. Segundo Sousa, o grupo deve totalizar 14,5 milhões de toneladas de cana moída no próximo ciclo.

Crise. Desde a safra 2008/09, boa parte das usinas do setor enfrenta sérias dificuldades financeiras. Endividadas, muitas companhias mudaram de mãos e outras em recuperação judicial. Entre as 450 usinas do País, 80 hoje estão paradas. Destas, cerca de 70 em recuperação judicial. O setor, que registrou uma receita de R$ 87 bilhões na safra passada, a 2015/16, soma dívidas financeiras de cerca de R$ 100 bilhões.

A expectativa para o atual ciclo, 2016/17, é de recuperação dos preços internacionais do açúcar. A alta do dólar e a melhor competitividade do etanol em relação à gasolina deverão impulsionar parte do setor.

Fontes do setor de açúcar e álcool estimam que as atuais usinas em operação no País devem processar um total de 650 milhões de toneladas de cana nesta safra, a maior parte na chamada região Centro-Sul (Sudeste e Centro-Oeste do País). (O Estado de São Paulo 08/06/2016)