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Plano da Renuka Vale do Ivaí não atinge consenso; recuperação judicial pode ser homologada

A votação do novo plano de recuperação judicial do grupo sucroenergético Renuka Vale do Ivaí, ocorrido em assembléia na última segunda-feira, 6, não atingiu consenso. Das quatro classes de credores, uma não concordou com as condições apresentadas pela empresa, que administra as unidades São Pedro e Cambuí, ambas no Estado do Paraná. Mesmo assim, dada a aceitação de 75% e normas internas, o juiz responsável pode deferir e homologar o processo, segundo informou ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado) uma fonte com conhecimento do assunto.

Protocolado na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo na semana passada, o novo plano de recuperação judicial da Renuka prevê a provisão de recursos para amortizar uma dívida de mais de R$ 700 milhões. O objetivo é amortizar o máximo possível do passivo em 12 meses. As propostas apresentadas no plano incluem desde mudanças no desconto sobre o valor de cada dívida até alongamento do prazo para pagamento das parcelas.

"Diante da existência de dificuldades das recuperandas em cumprir com suas atuais obrigações financeiras, o presente plano de recuperação judicial prevê a realização de medidas que objetivam a geração de fluxo de caixa operacional necessário ao pagamento da dívida reestruturada e à geração de capital de giro e de recursos necessários para a continuidade das atividades", resume o pedido da empresa.

A Renuka Vale do Ivaí é controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, que também comanda a Renuka do Brasil, esta com duas unidades no interior de São Paulo: Madhu, em Promissão, e Revati, em Brejo Alegre. A assembléia de credores da Renuka do Brasil deverá ocorrer amanhã.

No ano-safra 2015/16, encerrado em março, a Shree Renuka Sugars registrou prejuízo líquido de US$ 42,85 milhões (2,85 bilhões de rupias), montante 3,3% menor ante 2014/15. Com capital aberto na Bolsa de Mumbai, a empresa teve uma receita líquida de US$ 880,84 milhões (58,62 bilhões de rupias) no ciclo (+2%). (Agência Estado 09/06/2016)

 

Shree Renuka tem lucro 4.556% maior no 4º tri de 2015/16, de US$ 33 milhões

A indiana Shree Renuka Sugars, companhia produtora de açúcar e etanol com usinas na Índia e no Brasil, registrou lucro líquido de US$ 33,07 milhões (2,20 bilhões de rupias) no trimestre encerrado em 31 de março de 2016, equivalente ao 4º da safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil. O montante representa forte incremento de 4.556% ante igual período do ano anterior, quando a empresa havia reportado lucro líquido de US$ 646,42 mil (43 milhões de rupias).

No fechado da temporada, a Renuka viu seu prejuízo líquido diminuir 3,32%, para US$ 42,85 milhões (2,85 bilhões de rupias). Em termos consolidados, ou seja, incluindo-se as empresas vinculadas, a queda foi de 0,60%, para US$ 270,93 milhões (18,02 bilhões de rupias).

Com capital aberto na Bolsa de Mumbai, a companhia teve uma receita líquida de US$ 273,18 milhões (18,17 bilhões de rupias) no trimestre, aumento de 8% na comparação anual, e de US$ 880,84 milhões (58,62 bilhões de rupias) no ciclo (+2%).

O Ebit (lucro antes de juros e impostos) ficou positivo em US$ 10,49 milhões (698 milhões de rupias) de janeiro a março, avanço de 806% frente o de US$ 1,15 milhão (77 milhões de rupias) em igual intervalo de 2015.

A receita com açúcar aumentou 8% no trimestre, para US$ 219,81 milhões (14,62 bilhões de rupias), mas caiu 5% na safra, para US$ 632,08 milhões (42,04 bilhões de rupias). No caso do etanol, a receita no trimestre diminuiu 1,44%, para US$ 17,44 milhões (1,16 bilhão de rupias), mas avançou 47,5% no ano, para US$ 75,62 milhões (5,03 bilhões de rupias).

Por fim, a operação de trading da empresa teve uma receita 8,6% inferior no trimestre, de US$ 43,30 milhões (2,88 bilhões de rupias), mas 20,7% maior no ano, de US$ 187,18 milhões (12,45 bilhões de rupias).

A Shree Renuka Sugars tem quatro usinas no Brasil, duas em São Paulo e duas no Paraná, com capacidade total para moagem de mais de 10 milhões de toneladas de cana por safra. No início do mês, a Renuka - Vale do Ivaí, que administra as usinas São Pedro e Cambuí, ambas no Paraná, protocolou um novo plano de recuperação judicial, incluindo a provisão de recursos para amortizar a dívida de quase R$ 710 milhões. (Reuters 08/06/2016)

 

Usina Coruripe alonga prazo para pagamento de dívidas

A Usina Coruripe, que conta com cinco unidades de processamento de cana distribuídas em Alagoas e Minas Gerais, fechou um acordo com bancos credores para alongar R$ 1,9 bilhão em dívidas, que representam 85% de seu endividamento líquido total. Com o acordo, que será operacionalizado no próximo dia 17, o prazo médio de vencimento de toda a dívida líquida da companhia foi estendido de dois anos e meio para cinco anos e meio.

A negociação foi feita porque essa parte da dívida venceria neste e no próximo ano, o que representava uma dívida “muito elevada com vencimento no curto prazo”, explicou Jucelino Sousa, diretor presidente da Usina Coruripe, ao Valor.

O acordo foi fechado na sexta-feira passada com Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Rabobank, ABN, Citibank, Votorantim, HSBC, Metlife, ABC e Santander.

As dívidas que a usina tem com o BNDES e outros bancos estatais, e que presentam os demais 15% de seu endividamento líquido, não foram renegociadas porque já têm prazo mais longo de vencimento.

A dívida líquida total da companhia, que soma R$ 2,2 bilhões, representa atualmente 2,8 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). Essa relação, segundo Sousa, ainda “é grande, mas administrável”.

O foco desta safra é continuar reduzindo a alavancagem, que deve encerrar a safra atual em 2,5 vezes e se aproximar do “ideal”, 2 vezes, na temporada 2017/18, de acordo com o executivo.

Na safra 2015/16, a Usina Coruripe processou 14,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e registrou um faturamento de R$ 2,04 bilhões, além de um Ebitda de R$ 830 milhões.

Sousa espera que as cinco unidades utilizem o máximo da capacidade instalada na safra atual, moendo 14,5 milhões de toneladas. A expectativa do executivo é de que a receita do grupo suba para R$ 2,34 bilhões, e o Ebitda avance para R$ 950 milhões a R$ 970 milhões. (Valor Econômico 08/06/2016 às 15hs: 00m)

 

Em decisão inédita, produtores paulistas conseguem deferimento de recuperação judicial

Decisão da 2ª Vara Cível do município paulista de Jaboticabal permite que os agricultores reorganizem seus negócios e reestruturem suas dívidas.

Em abril deste ano, um casal de produtores rurais do município de Jaboticabal, interior de São Paulo, conseguiu o deferimento de seu processo de recuperação judicial. Destinado principalmente às empresas que perderam a capacidade de manter seus pagamentos em dia, o acordo com a justiça foi a alternativa encontrada pelo casal para reorganizar os negócios, reestruturar as dívidas e se recuperar da momentânea dificuldade financeira que atravessa.

Assim que a justiça concede a permissão de recuperação judicial, as execuções contra a empresa são suspensas por seis meses e é cedido a possibilidade de negociar condições de pagamento mais vantajosas e que considerem o fluxo de caixa atual. 

De acordo com o escritório Dosso Advogados, de Ribeirão Preto (SP), responsável pela defesa da causa, a decisão  da 2ª Vara Cível do município paulista foi pioneira e demonstra que a situação econômica dos produtores rurais começa a ser compreendida pelos tribunais. (Revista Globo Rural 08/06/2016)

 

Rabobank eleva estimativa de déficit de açúcar na safra global 2015/16

O Rabobank elevou nesta quarta-feira, 8, sua projeção de déficit de açúcar na safra global 2015/16, de 6,8 milhões para 8,5 milhões de toneladas. Trata-se do primeiro déficit após cinco temporadas consecutivas de superávit. De acordo com o relatório trimestral da instituição sobre o mercado, o aumento leva em conta uma produção menor na Ásia e os problemas climáticos com a safra do Centro-Sul do Brasil, onde as chuvas têm prejudicado a moagem de cana e o embarque do alimento. Já para o ciclo 2016/17, que começa em outubro, a expectativa é de outro déficit, de 5,5 milhões de toneladas.

"Naturalmente, isso implica redução significante nos estoques globais e um aperto correspondente na relação entre estoques e consumo", destacou o banco. De acordo com o Rabobank, na safra 2015/16 as reservas de açúcar devem ser suficientes para suprir 35% da demanda global, porcentual que deve cair para perto de 30% no ano seguinte. Na média dos últimos 10 ciclos, a relação se aproxima de 40%.

Por região, o Rabobank manteve sua projeção de produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil em 34,6 milhões de toneladas, mas destacou que o clima poderá influenciar no volume final da temporada. Na Tailândia, onde a safra se aproxima do fim, o Rabobank informou produção de açúcar 1 milhão de toneladas menor em 2015/16, com 10,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 2010/11. A redução deve-se à estiagem provocada pelo El Niño, que diminuiu a moagem em 6,6%, para 94,1 milhões de toneladas. Para 2016/17, o banco estima uma fabricação de açúcar ligeiramente maior, de 10,8 milhões de toneladas.

Quanto à Índia, segundo principal player mundial, o incremento de produção deve ser de apenas 100 mil toneladas em 2015/16, para 26,6 milhões de toneladas. Esse volume, contudo, deve cair com força na temporada 2016/17 em razão da forte seco no país, para algo próximo de 23 milhões de toneladas. Na China, a produção caiu 18% em 2015/16, para 9,2 milhões de toneladas. Para o banco, as importações pelo gigante asiático devem alcançar 4,9 milhões de toneladas na temporada para dar conta da demanda, prevista em 17 milhões de toneladas.

Com relação à União Europeia, o Rabobank projetou produção de 15,1 milhões de toneladas de açúcar em 2015/16, 200 mil toneladas a menos na comparação com a estimativa anterior e 20% abaixo do registrado em 2014/15. As safras de Reino Unido e Alemanha, de 1 milhão e 3,2 milhões de toneladas, respectivamente, ficaram bem abaixo do esperado. Para o ano que vem, a instituição estimou produção entre 16,5 milhões e 17 milhões de toneladas na UE. (Agência Estado 08/06/2016)

 

Canaviais ao sul do país têm risco de geadas, diz Somar; preços sobem

Projeções de geadas isoladas que podem afetar lavouras de café, cana e milho no Sul e Sudeste do Brasil se intensificaram nas últimas 24 horas, disse a Somar Meteorologia, e os preços futuros do açúcar e café subiram no mercado internacional, na esteira das previsões climáticas preocupantes para as lavouras no maior exportador global das duas commodities.

O Paraná, no Sul, já registrou geadas nesta quarta-feira, o que pode afetar a safra de milho do Estado, o segundo produtor brasileiro do cereal. Mas os maiores riscos de danos pelas temperaturas congelantes são esperados para o final de semana, o que poderia dar fôlego aos preços já elevados no mercado interno.

Ao mesmo tempo, baixíssimas temperaturas deverão ocorrer em áreas de café de São Paulo e Minas Gerais, grandes produtores da commodity no país, com maior intensidade na segunda-feira, segundo a Somar.

Os preços futuros do café arábica operavam em alta de mais de 4 por cento nesta quarta-feira, repercutindo a previsão climática no Brasil, o maior produtor e exportador global do grão.

O contrato spot do açúcar bruto em Nova York subiu nesta quarta-feira mais de 2 por cento, para máxima desde outubro de 2013 a 19,45 centavo de dólar por libra-peso por preocupações com clima no Brasil, segundo operadores. (Reuters 08/06/2016)