Setor sucroenergético

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Uso de helicópteros deve inovar o controle de plantas daninhas nos canaviais

Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) aprovou a primeira certificação de helicópteros para a aplicação de defensivos agrícolas no Brasil.

A modalidade, amplamente utilizada em outros países, como Estados Unidos e Austrália, chega ao país prometendo alto rendimento operacional no manejo integrado de plantas daninhas.

O projeto, idealizado pela Syngenta, juntamente com a ClimbAircraftDivision e com a Baldan Soluções Agrícolas, visa o tratamento de reboleiras com o auxílio de helicópteros, que poderão realizar um controle muito mais eficiente, econômico, ágil e seguro.

O consultor e proprietário da Baldan Soluções Integradas, Edson Baldan Júnior, afirma que essa é mais uma ferramenta que contribuirá para manter a eficiência da colheita mecanizada em áreas onde a presença de plantas daninhas diminuiria o rendimento operacional do processo.

"Uma área com 10% de reboleiras diminui cerca de 11% o rendimento da colhedora, número extremamente alto se levarmos em consideração o fato de que a colheita representa 60% do custo de produção da agroindústria."

Baldan salienta que uma das principais vantagens dessa tecnologia, quando comparada aos já tradicionais aviões agrícolas, é sua capacidade de aplicação localizada.

"Com o helicóptero, é possível aplicar o herbicida apenas onde há necessidade, ao invés de em área total, o que resulta em economia de produto, que pode chegar a mais de 50%". (Cana Online 09/08/2016)

 

 

Assembléia de credores da Renuka do Brasil é suspensa

A assembléia geral de credores da Renuka do Brasil, controlada pela sucroalcooleira indiana Shree Renuka Sugars, foi suspensa agora há pouco e remarcada para 14 de julho. A empresa, dona de duas usinas em São Paulo, tenta negociar com seus credores uma dívida de R$ 2,3 bilhões.

A assembléia já havia sido instalada em 10 de maio, com quórum suficiente entre todas as categorias de credores, mas havia sido suspensa a pedido dos bancos na ocasião.

Entre os bancos credores estão BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Rabobank, Santander, Votorantim, Itaú Unibanco, Novo Banco, Bilbao Viscaya, Banco Pan, HSBC, Fibra e ABC Brasil. (Valor Econômico 09/06/2016)

 

Usinas a biomassa terão ganho de R$ 400 milhões

As termelétricas movidas a biomassa, principalmente de cana-de-açúcar, calculam um salto potencial de receita de R$ 400 milhões por ano com uma mudança na legislação do setor elétrico, a partir de uma emenda incluída na Medida Provisória (MP) 706/2015, que deve ser sancionada nos próximos dias pelo presidente interino Michel Temer. O acréscimo na receita pode ser obtido com a venda de um volume de energia adicional de 500 megawatts (MW) médios que essas usinas podem gerar de imediato no sistema, a partir da alteração nas regras do setor.

A MP tratou principalmente da prorrogação do prazo de assinatura da renovação da concessão de distribuidoras da Eletrobras e da destinação de recursos do Tesouro e do consumidor para cobrir ineficiências dessas empresas. Mas emenda, da deputada Tereza Cristina (PSB/MS), incluída no texto também alterou a forma de cobrança de encargos para o setor de geração de energia a biomassa.

Pela regra atual, as usinas que produzem até 30 megawatts (MW) têm direito a descontos de, no mínimo, 50% nas tarifas de uso dos sistemas de distribuição e transmissão (Tusd e Tust), que na prática são o "aluguel" da rede elétrica. Quando a produção supera os 30 MW, a térmica perde o direito a esse desconto.

Com a mudança, a cobrança do encargo "cheio" será feita apenas para a parcela de energia que superar os 30 MW. De acordo com a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), essa mudança torna viável economicamente a utilização de capacidade ociosa de 1 gigawatt (GW) disponível por essas usinas, o equivalente a cerca de 500 MW médios de energia, suficiente para atender 1,2 milhão de pessoas. "É uma capacidade fantástica [de energia] que vamos propiciar ao sistema elétrico", afirmou Newton Duarte, presidente da Cogen.

Ele acrescentou que a medida vai estimular novos investimentos no setor. "Se a perspectiva de ganho é maior, há um incentivo para que ele [empreendedor] faça o investimento", completou.

De acordo com a deputada, em sua justificativa para a emenda na MP, o impacto econômico da medida para o consumidor final de energia é praticamente nulo e o efeito final é "termos mais energia renovável e sustentável à disposição do setor elétrico, antes 'represada' por conta de não se romper o limite regulatório dos 30 MW de potência injetada nas redes".

Segundo o ministério de Minas e Energia, o país tem 543 usinas a biomassa, com 13.336 MW, o equivalente a 9,5% do parque gerador brasileiro. Em 2015, as usinas a bagaço de cana produziram 34.163 gigawatts-hora (GWh), 5,8% superior em relação ao ano anterior. (Valor Econômico 10/06/2016)

 

Chuvas atrasam embarque de açúcar em Santos

As chuvas que interromperam a colheita nas lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul também afetaram a logística de escoamento do açúcar. Localizado em uma das áreas mais afetadas pelas precipitações anormais deste fim de outono, o porto de Santos, que concentra entre 70% e 80% das exportações nacionais do produto, registrou atrasos nos carregamentos, aumento de filas de navios e corre o risco de embarcar neste mês menos do que em maio.

A agência Williams Brazil avalia que os embarques nos terminais da Baixada Santista em junho fiquem 200 mil toneladas a 300 mil toneladas abaixo do volume exportado em maio. Pelo levantamento da agência, foram embarcados pelos terminais da Copersucar, da Rumo e pelo Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá (Taeg) 1,658 milhão de toneladas de açúcar no mês passado.

"Os atrasos nas operações estão acontecendo devido ao período chuvoso de junho", disse a agência, em nota ao Valor. A demora fez o número de navios na fila no porto de Santos subir de 32 para 43 na semana encerrada dia 8, o que representa uma média de sete dias de espera para cada embarcação, um dia a mais do que na semana anterior. Houve navios que atracaram apenas 20 dias após se aproximarem da costa, disse Murilo Aguiar, consultor de gerenciamento de risco da FCStone.

O aumento do tempo de embarque é motivo de preocupação para as tradings, já que muitos contratos de exportação prevêm multas diárias de até US$ 12 mil em caso de atraso no embarque.

No entanto, se as previsões climáticas se confirmarem, os atrasos não se prolongarão pelas próximas semanas, dado que o tempo já está voltando a se firmar. "É semelhante a situações anteriores. Com a regularização de chuvas, melhora [o ritmo de embarque]", avaliou Willian Hernandes, sócio da FGAgro.

Para Aguiar, da consultoria FCStone, é difícil prever se o porto será capaz de repetir o desempenho de maio. Além de as chuvas terem ampliado a fila de navios, também interromperam a colheita e a moagem de cana nas usinas, afetando a capacidade de oferta do produto.

Desde o início de junho já foram perdidos 5,5 dias de moagem, segundo Gabriel Elias, trader sênior da trading asiática Olam International. Desde o início da safra, a paralisação das atividades em campo já se estendeu por 15 dias.

A remuneração das exportações, porém, deve favorecer a recuperação do ritmo de embarques. Além de haver aperto na oferta nacional, há uma forte demanda das refinarias estrangeiras, que agora estão contando basicamente com o açúcar brasileiro em quantidade e qualidade. Esses fatores têm impulsionado os preços do açúcar para o mercado externo.

O açúcar de altíssima polarização (VHP), que estava sendo negociado no porto com desconto de 15 pontos em relação ao contrato do açúcar demerara para julho na bolsa de Nova York no início do mês, foi negociado ontem com desconto de 2 pontos, de acordo com acompanhamento realizado pela consultoria FCStone. (Valor Econômico 10/06/2016)