Setor sucroenergético

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Monsanto quer solucionar o que restou da Canavialis

O presidente da Monsanto no Brasil, Rodrigo Santos, recebeu a missão de solucionar o que restou da Canavialis, divisão de negócios de cana-de-açúcar desativada no ano passado.

A companhia tem três variedades geneticamente modificadas da planta que estão mofando na gaveta. A medida faz parte do plano de recuperação financeira da Monsanto, com cortes de US$ 300 milhões na sua operação mundial. (Jornal Relatório Reservado 10/06/2016)

 

Copersucar é envolvida no mar de lama e denúncias da Lava Jato

A notícia produzida e distribuída nesta última terça-feira pela Agência Estado, dando conta do relato do ex-diretor Internacional da Petrobras e da BR Distribuidora, Nestor Ceveró, em sua delação premiada da Lava Jato e envolvendo a Copersucar se constitui em novo escândalo envolvendo usinas e usineiros.

Primeiro, foi Marcelo Odebrecht, que atua no setor sucroenergético através da Odebrecht Agroindustrial, um dos mais importantes grupos de usinas de produção de açúcar e etanol do país. Considerado o ‘capo’ do grupo que produziu o maior escândalo de corrupção do mundo, Marcelo Odebrecht está preso há um ano em Curitiba e já iniciou sua delação premiada ao juiz Sérgio Moro.

Depois, foi a vez da prisão de José Carlos Bumlai, proprietário da Usina São Fernando, de Dourados (MS), também envolvido nas denúncias da Lava Jato. Na sequência, foi denunciado o empresário alagoano João Lyra que usou o senador Fernando Collor para tentar vantagens em negócios com a Petrobras.

Agora é a vez da Copersucar que, segundo consta na delação premiada de Nestor Ceveró, usou o ex-ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, Trabalho e Previdência e ex-presidente da Petrobras Biocombustíveis, para tentar se colocar como única fornecedora de etanol da estatal.

Partindo da premissa que nenhum réu pode mentir em sua delação premiada, o que a invalidaria, o envolvimento da Copersucar nesta denúncia é extremamente grave e põe em risco não apenas a governança corporativa desta que é uma das maiores empresas de comércio de açúcar e etanol do mundo, como também a coloca numa posição de extrema fragilidade e sob suspeição na cadeia produtiva sucroenergética brasileira.

Certamente a estratégia da Copersucar não deve ter sido levada ao conhecimento e/ou aprovada pelas usinas cooperadas ou o seu conselho, formado por empresários idôneos e que gozam do maior respeito por parte do mercado. O malogro deve ser obra de algum funcionário e/ou consultor graduado que deve ter se achado acima de tudo e de todos e deu no que está dando.

Ou seja, o bom nome da Copersucar está enlameado e a empresa está sendo responsabilizada por uma jogada criminosa e que prejudicaria todas as outras que produzem etanol no país. O petista ex-ministro de Lula e Dilma e também ex-presidente da BR Biocombustíveis Miguel Rossetto se defende publicamente dizendo que o negócio não chegou a ser implementado.

Mas admite que poderia ter lá suas vantagens que defendeu ao levar a proposta à Miguel Ceveró, então diretor da BR Biocombustíveis. Ou seja, não deu liga mas a pilantragem era do seu interesse porque certamente levaria alguma vantagem.

O silêncio da Copersucar é no mínimo preocupante. A empresa sempre investiu recursos em sua estratégia de comunicação e marketing e, pelo menos até o momento, não veio a público para se defender da acusação que é grave, extremamente grave.

Este assunto não se esgota aqui, pois certamente terá novos desdobramentos. Mas, pela sua repercussão e mal estar causados no mercado, merece ser ampliado para que culpados sejam apontados e também para que a imagem dos usineiros não seja mais uma vez arranhada pela irresponsabilidade de uns poucos.

Ouça no link abaixo a denúncia de Nestor Ceveró envolvendo a Copersucar e leia a íntegra da matéria produzida e distribuída na última terça-feira (7) pela Agência Estado:

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/cervero-aponta-rossetto-em-tentativa-de-beneficiar-copersucar-na-br-distribuidora/

(Ronaldo Knack é Jornalista e Bacharel em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Ipiranga, da Ultrapar, compra 100% da Ale por R$ 2,17 bilhões

Quarta maior empresa de distribuição de combustíveis, a Ale unirá sua operação à da vice-líder Ipiranga.

O Grupo Ultra, por meio da marca de sua postos de combustíveis Ipiranga, acertou a compra de 100% da rede de postos de combustíveis Ale, a quarta maior do setor no País, por R$ 2,17 bilhões. A empresa, comandada pelo empresário Marcelo Alecrim, detinha pouco mais de 3% do mercado brasileiro e vai ajudar a Ipiranga, a atual vice-líder, a ficar mais próxima da primeira colocada, a BR Distribuidora, da Petrobrás.

Ale é a quarta maior distribuidora do País, atrás da BR Distribuidora, Ipiranga e Cosan, dona da marca Shell

Segundo apurou o Estado, o empresário Marcelo Alecrim deverá permanecer no negócio por pelo menos mais um ano, ajudando na transição da Ale para a Ipiranga. A rede montada por Alecrim e seus sócios contabiliza hoje cerca de 2 mil postos de combustíveis, que agora serão unidos aos mais de 7,2 mil que carregam a marca Ipiranga. Em 2015, a Ale teve eceita de R$ 11,4 bilhões e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 275 milhões.

Bem menor do que as três primeiras colocadas no ranking de distribuição de combustíveis no País (BR Distribuidora, Ipiranga, e Cosan, dona da marca Shell), a Ale era uma "candidata" à incorporação havia anos. A empresa chegou a ser negociada em diversas ocasiões ao longo dos últimos três anos. Antes de ser incorporada, a Ale ganhou musculatura ao adquirir outras pequenas redes de combustível com operação no País, entre elas a Polipetro e a Repsol.

Bem menor do que as três primeiras colocadas no ranking de distribuição de combustíveis no País (BR Distribuidora, Ipiranga, e Cosan, dona da marca Shell), a Ale era uma "candidata" à incorporação havia anos. A empresa chegou a ser negociada em diversas ocasiões ao longo dos últimos três anos. Antes de ser incorporada, a Ale ganhou musculatura ao adquirir outras pequenas redes de combustível com operação no País, entre elas a Polipetro e a Repsol.

Segundo o mais recente ranking de distribuidoras de combustíveis divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o ano de 2015, a BR Distribuidora detinha 27,72% do mercado brasileiro de venda de gasolina, seguida pela Ipiranga (20,8%), Raízen (19,6%) e Ale (5,2%). Com a incorporação da Ale, a fatia da Ipiranga subiria para 26% e ficaria bem mais próxima da apresentada pela controlada da Petrobrás.

Em óleo diesel, segundo apresentação divulgada em março, a BR Distribuidora liderava com 37,2% do total, seguida de Ipiranga (22,9%), Raízen (18,9%) e Ale (2,8%). Em etanol, a participação, as três primeiras colocadas são BR, Raízen e Ipiranga, com as seguintes fatias: 20,4%, 19,5% e 19,3%.

Dívida

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa que o valor a ser pago aos vendedores terá a dedução da dívida líquida da Ale em 31 de dezembro de 2015 (de R$ 737 milhões) e será sujeito a ajustes de capital de giro e endividamento líquido na data do fechamento da transação.

A consumação do negócio está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela assembleia de acionistas da Ultrapar, ainda a ser convocada. Dada a pulverização do setor de combustíveis no País, fontes de mercado afirmaram que o negócio não deve enfrentar barreiras relevantes com o órgão regulador.

Além de as três principais empresas do setor continuarem a apresentar participação bastante semelhante no mercado, mesmo com a incorporação da Ale pela Ipiranga, a maior parte dos postos de combustível no Brasil ainda é de "bandeira branca" (ou seja, sem marca). (O Estado de São Paulo 12/06/2016)

 

 

Etanol hidratado sobe 0,14% e anidro avança 2% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,14% nesta semana, de R$ 1,5334 para R$ 1,5355 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro, misturado em até 27% à gasolina, avançou 2%, de R$ 1,7007 para R$ 1,7348 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 13/06/2016)

 

USDA eleva projeção de estoques finais da safra de açúcar 2016/17

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de estoques domésticos finais de açúcar para o ciclo 2016/17 de 1,657 milhão de toneladas curtas (1,50 milhões de toneladas) estimados em maio, para 1,691 milhão de toneladas curtas (1,69 milhões de toneladas).

Para a produção dos EUA, a projeção foi mantida em 8,710 milhões de toneladas curtas (7,902 milhões de toneladas). Quanto às importações do país no ciclo, a estimativa agora que sejam adquiridas 3,476 milhões de toneladas curtas (3,153 milhões de toneladas).

Em relação ao ciclo 2015/16, o USDA elevou a projeção de produção doméstica de açúcar em 0,33%, de 8,792 milhões de toneladas curtas (7,97 milhões de toneladas), para 8,940 milhões de toneladas curtas (8,110 milhões de toneladas). Com isto, aumentou em 19,77% sua previsão de estoques finais domésticos de açúcar na temporada 2015/16, para 1,939 milhão de toneladas curtas (1,75 milhão de toneladas), ante o volume de 1,619 milhão de toneladas curtas (1,469 milhão de toneladas) previsto em abril.

O USDA elevou sua estimativa para importação dos EUA em 6,36%, de 3,209 milhões de toneladas curtas (2,911 milhões de toneladas), para 3,413 milhões de toneladas curtas (3,096 milhões de toneladas). (Agência Estado 13/06/2016)

 

Trabalhadores da Usina Vila Boa, em Goiás, reclamam de atraso de até sete meses de salário

Empresa diz que período de produção da cana-de-açúcar vai normalizar a situação, mas trabalhadores afirmam que regularizam-se os pagamentos atrasados e acumulam-se os dos meses mais recentes.

Pedro Ivo Rodrigues* trabalha em uma usina de cana-de-açúcar no município goiano de Formosa. Apesar de empregado há quase seis anos, ele acumula dívidas de cerca de R$ 3,5 mil e teme não conseguir comprar comida para sua família. Pedro Ivo faz parte de um grupo de dezenas de funcionários da Usina Vila Boa que estão sem receber salário há vários meses.

No caso dele, são cinco meses sem salário e cinco férias vencidas. Pedro Ivo, que já ficou até sete meses sem receber salário, afirma que tem muita gente “passando necessidade”. “Teve trabalhador precisando de ajuda de parentes para não ver a família passando fome. Passamos natal e ano novo sem receber nada. Alguns faziam comida em fogão a lenha porque não tinham dinheiro para comprar gás”, lembra.

Pedro Ivo decidiu sair de férias, mesmo sabendo que não receberia os valores garantidos por lei, para fazer pequenos serviços e garantir alguma renda para a família. “Como eles não pagam as férias, tirei sem receber mesmo, porque, se fosse fazer serviço por fora sem ter tirado férias, eles nos prejudicariam com faltas. O jeito é fazer serviço por fora para se manter”. Ele trabalhou na roça e em outros lugares no período que teria para descansar. “Qualquer coisa que aparece tem que encarar. Eu mesmo estou devendo uns R$ 3,4 mil. Descobre de um lado e cobre do outro. Faz compra no cartão e vai acumulando”.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), pouco mais de 100 empregados da usina estão com salários e férias atrasados. Se eles tentam uma alternativa para fazer renda, a empresa ameaça demiti-los por justa causa. “Não pagam e não deixam tirar o banco de horas para arrumar outro trabalho. Ameaçam dizendo que vão colocar falta. E, se tiver muita falta, vão demitir por justa causa”, ressalta Pedro Ivo.

O caso foi parar no Ministério Público do Trabalho (MPT) em Goiás. A Procuradoria do Trabalho em Luziânia marcou uma audiência entre a Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), responsável pela usina, e representantes dos empregados. A Contag foi acionada pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais de Formosa, entidade procurada pelos empregados para ajudá-los. Segundo a Contag, nenhum representante da CBB foi à audiência.

Após a audiência, o procurador do Trabalho responsável pelo caso pediu que a empresa enviasse documentos comprovando o pagamento dos funcionários, mas não foi atendido. Um novo prazo foi dado para a entrega da documentação. O advogado da CBB, Gilson Saad, diz que entregou a documentação pedida pelo Ministério Público. Até o fechamento da matéria, no entanto, o recebimento da documentação solicitada não constava no sistema do MPT.

Caso a comprovação da quitação dos débitos não seja apresentada, a Procuradoria do Trabalho pode ajuizar ação civil pública requerendo o pagamento dos salários atrasados. Na mesma ação, a procuradoria pode solicitar o bloqueio dos bens da empresa.

O Ministério do Trabalho e Previdência Social também foi acionado. Procurado pela reportagem, respondeu que foi feita uma fiscalização na usina no dia 16 de maio e que continuava apurando a situação. A pasta adiantou que não foram constatados indícios de trabalho escravo. “A Auditoria Fiscal do Trabalho está apurando a ocorrência de irregularidades trabalhistas na citada usina, no entanto, informa que não houve caracterização de trabalho análogo à escravidão”.

Saad não sabe especificar as dimensões do atraso nos salários, mas nega que a usina tenha tantos débitos acumulados com os funcionários. Ele explica que empresas do ramo sucroalcooleiro, como a CBB, passam por momentos de baixa no orçamento, mas que são superados com a volta da produção. “Toda empresa que é eminentemente safrista [dependente de safra] não tem produção em certos períodos. Na época de entressafra, há uma redução dos funcionários em até um terço. Existe mesmo uma dificuldade financeira, mas sete meses de atraso de salário, isso não há”.

O advogado diz que a empresa pagou os funcionários na semana passada e prevê antecipar outros pagamentos. “Havia uma combinação desse pagamento com os representantes da empresa. Há previsão de antecipar os pagamentos para as pessoas que passaram dificuldade”.

Pedro Ivo confirmou que a empresa fez o pagamento descrito por Saad, mas disse que débitos anteriores não foram quitados. “Acertaram o mês de abril. Agora estamos com cinco meses e meio [de atraso]”. Ele rebateu a alegação de que o período de produção vai normalizar a situação. “Regularizar [os pagamentos] com a produção, isso não acontece. É conversa. Porque regularizam o atrasado e acumulam-se os meses mais recentes”.

A CBB está passando por um processo de recuperação judicial. Isso ocorre quando a empresa enfrenta uma crise financeira e pede à Justiça a extensão dos prazos de pagamento de dívidas para que possa se recuperar financeiramente. O processo está em andamento na comarca de Flores de Goiás.

Representação sindical

O advogado da empresa diz ainda que a CBB está em constante diálogo com um sindicato de trabalhadores do município de Vila Boa, que reconhece como representante legítimo dos funcionários da usina.

O presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Formosa, João Batista de Freitas, alega, porém, que foi procurado pelos funcionários da usina, que não se sentiam bem representados. “Procuraram a gente, já temos uma estrutura maior, para assisti-los. Aí convocamos a Contag”, disse Freitas.

Pedro Ivo concorda que o sindicato local não tem transmitido confiança aos trabalhadores, nem tem representado seus interesses. Para a CBB, no entanto, apenas o sindicato de Vila Boa “tem portas abertas o tempo inteiro”. Pelos relatos de representantes dos trabalhadores e da empresa, a CBB tem travado negociações com um sindicato que não fala pela maioria dos trabalhadores afetados pelo atraso de salários. (Agência Brasil 13/06/2016)

 

Açúcar: Lá vem o sol – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY testemunhou mais um recorde de preços nesta semana, desta vez a 19.92 centavos de dólar por libra-peso, negociado na quinta-feira, o maior nível desde o incêndio ocorrido no terminal da Copersucar, em Santos, em outubro de 2013. Antes disso, nível semelhante foi negociado em dezembro de 2012. Contudo, os valores observados em reais por tonelada atingiram também o maior nível da história, cravando R$ 1,550 por tonelada nesta sexta-feira.

Nova Iorque fechou a 19.70 centavos de dólar por libra-peso para o vencimento julho/2016 com valorização de mais de 20 dólares por tonelada, que praticamente se repetiu ao longo da curva até o vencimento outubro/2017. Os fundos não-indexados mantem ainda uma posição comprada extremamente alta, acima dos 315,000 contratos, baseada nos negócios efetuados até a última terça-feira. Como o mercado apreciou 70 pontos de terça-feira até o último pregão da semana, é razoável assumir que os fundos estão ainda mais comprados.

Quanto maior a altura mais dolorosa pode ser a queda. Os fundos devem estar esfregando as mãos para embolsar os quase 2 bilhões de dólares que estimamos deva ser o lucro não realizado da posição recorde que equivale a 16 milhões de toneladas de açúcar. Se eles resolveram colocar o dinheiro no bolso podemos ver uma enxurrada de 200-300 pontos de correção.

O padrão de alta recente, em que o mercado oscilou quase 600 pontos (130 dólares por tonelada) entre a mínima de 14.00 e a máxima de 19.92 centavos de dólar por libra-peso nos últimos 60 pregões, representando 42% de valorização, repetiu-se em julho/2011 quando o mercado, no mesmo período de tempo compreendido, valorizou-se mais de 55%, ocasião em que negociou a 31.68 centavos de dólar por libra-peso após a mínima de 20.40 centavos de dólar por libra-peso. Depois desse pico, o mercado realizou fortemente.

O mercado vai precisar de novas notícias que validem e consolidem os níveis atuais. Não podemos esquecer que os mercados de commodities estressam em situações ligadas a oferta e demanda e este parece muito bem ser o caso agora. Os níveis de preço atuais eram esperados para o último trimestre deste ano, refletidos no próximo vencimento que é o março/2017. Como sempre ocorre, o mercado antecipou essa valorização alimentado pelas chuvas que interrompem a moagem, pelo temor de. Centro-Sul não moer o volume que mercado espera (a média das consultorias aponta para 622 milhões de toneladas) e, potencializada pela imensa posição comprada pelos fundos não indexados. Ocorre que a previsão é que o sol volte a brilhar nos canaviais retomando com força a moagem.

Tornamo-nos cegos quando estamos apaixonados. Por isso, é bom usar a razão quando analisarmos os números para que não nos apaixonemos pelo mercado. Quando olhamos a curva do dólar futuro para vencimento a partir de maio/2017, ou seja, já pensando em fixação de preços de açúcar para exportação já para a safra 2017/2018 notamos que os valores médios estão próximos a R$ 1,600-1,650 por tonelada. O custo médio de produção do Centro-Sul, de acordo com o modelo da Archer Consulting, é de R$ 46,68 por saca posto usina, ou seja, equivalentes a 15 centavos de dólar por libra-peso FOB sem custo financeiro. Isso equivale a uma margem de mais de 30% sobre o custo FOB. Rentabilidade dessa magnitude em commodities incentivam maior produção.

Um trader comentou que para a Europa, um preço ao redor de 500 dólares por tonelada seria extremamente atrativo. Isso implica em NY ter um teto de 22 centavos de dólar por libra-peso? O mercado pode subir mais? Sem dúvida que pode, principalmente se listarmos os potenciais fatores que podem estimular esse movimento.

Com uma rentabilidade dessa magnitude, uma sugestão interessante é comprar o put spread de 18/15 centavos de dólar por libra-peso e vender call de 22.50. Dessa forma, se o mercado expirar entre 18 e 22, a usina fixa a mercado; se expirar acima de 22, ela está fixada a 22 centavos de dólar por libra-peso; se expirar abaixo de 18, está fixada a 18 até o limite de 15 centavos de dólar por libra-peso. Se o mercado for abaixo desse nível, ela estará fixada a mercado mais um prêmio de 300 pontos.

Nós já vimos esse filme antes e muito embora os altistas estejam – com razão – bastante animados, do ponto de vista de gestão de risco, é muito prudente que a usina olhe qual o nível de EBITDA que ela objetiva para então estabelecer com prioridade os níveis de preço de exercício que melhor se encaixam na persecução dessa meta.

O mercado deve quebrar os 20 centavos de dólar por libra-peso, mas não dá para ficar aguardando o momento de acertar o olho da mosca voando sem buscar se proteger para que um mínimo de rentabilidade seja garantida ao acionista.

A ICE aumentou a margem a ser depositada na bolsa para garantia das operações. Alguns fundos podem ser forçados a liquidar parcialmente suas posições para se enquadrar ao fluxo de caixa.

Reserve na sua agenda: estão abertas as inscrições para o 26° Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos Agrícolas a ser realizado nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2016 das 9 às 17 horas em São Paulo - SP. Para mais informações contate priscilla@archerconsulting.com.br.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)