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Usinas mantêm postura cautelosa em 2016/17

É inegável que, após anos de crise, as usinas sucroalcooleiras estão vivendo um momento privilegiado, sobretudo por conta de uma oferta mais apertada de açúcar no mercado no internacional e seus reflexos positivos sobre as cotações da commodity. Mas os melhores resultados colhidos já na safra passada, quando preços e demanda de etanol no mercado doméstico também reagiram, tendem a servir apenas para que as companhias continuem a "arrumar a casa" neste ciclo 2016/17, iniciado em 1º abril. Investimentos em expansão, apenas na próxima temporada, se assim a conjuntura permitir.

Essa foi a tônica passada por Raízen, Tereos, Biosev e São Martinho, as principais empresas do ramo no país, listadas na BM&FBovespa, nas divulgações dos resultados do exercício 2015/16, marcados por incrementos robustos nas respectivas receitas líquidas. Em contrapartida, a valorização do dólar em relação ao real até o início deste ano agravou o endividamento da maior parte das companhias, que só não foi mais preocupante porque, em geral, os ganhos operacionais suavizaram as relações entre dívida e Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização), as alavancagens.

Ainda que a maior parte das projeções indique déficit global de açúcar nesta e na próxima safra e exista algum otimismo com a política de preços de combustíveis da Petrobras no Brasil, os grupos sucroalcooleiros prometem controlar seus gastos com rédea curta e continuar a reduzir a alavancagem, em alguns casos, com o alongamento de dívidas.

A cautela se manifesta com todas as cores nas sinalizações da Raízen Energia, mesmo depois de a companhia ter encerrado a safra passada com lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, dez vezes superior ao do ciclo anterior. Ao Valor, Luis Henrique Guimarães, presidente da Raízen, disse que o investimento de capital (Capex) do braço sucroalcooleiro da companhia deverá ficar entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões em 2016/17. Em 2015/16, foram R$ 1,8 bilhão, 24% menos que na safra anterior. O ajuste refletiu, em parte, o aumento da produtividade nos canaviais.

No ciclo passado, a Raízen Energia registrou receita líquida de R$ 11,9 bilhões, 22% mais que em 2014/15, e Ebitda ajustado de R$ 1,7 bilhão, aumento de 25% na comparação, o maior crescimento entre as sucroalcooleiras de capital aberto.

Para a Tereos, a ordem é seguir reduzindo a alavancagem. Por conta de um forte desempenho operacional ­ o Ebitda ajustado cresceu mais de 50% em 2015/16, para R$ 1,2 bilhão, o índice já caiu de 7,2 vezes, no fim da safra 2014/15, para 4,3 vezes na temporada passada. Isso, apesar da alta de 18% da dívida líquida, que chegou a R$ 4,9 bilhões pressionada pela incorporação da Usina Vertente e pela depreciação do real em relação a dólar e euro. Os negócios no Brasil representam pouco mais de 25% da receita da múlti, que tem ativos na França e em outros países da Europa, da Ásia e da África.

Mas o perfil da dívida melhorou com o refinanciamento de cerca de US$ 500 milhões ao longo do ciclo e poderá melhorar mais com a recente emissão de US$ 400 milhões em bonds. A idéia é diminuir o peso do endividamento para algo entre 2 e 3 vezes o Ebitda até a próxima safra (2017/18), afirmou ao Valor o diretor geral da Tereos, Jacyr Costa.

Para que a meta seja cumprida, a empresa pretende manter, neste ciclo, o nível de investimentos de 2015/16, que em todas as suas operações globais somou R$ 881 milhões, R$ 485 milhões dos quais no Brasil. Esse patamar, segundo Costa, é suficiente para "continuarmos investindo em melhorias de produtividade, renovação de canaviais e tecnologia de precisão".

Controle dos investimentos, prioridade na geração de caixa e alongamento das dívidas também compõem o receituário da Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, para a temporada 2016/17. Após uma safra marcada pela aumento de 2,6% da dívida líquida, que atingiu R$ 4,2 bilhões sob a influência do câmbio, o mantra para este ciclo é gerar caixa e alongar os prazos de vencimento. Na safra passada, a dívida de curto prazo respondeu por 27% da dívida bruta total, 2 pontos percentuais a mais que na temporada anterior. "Estamos buscando o alongamento e a redução [do montante] da dívida ao longo do tempo", afirmou Rui Chammas, diretor presidente da Biosev.

A tarefa poderá ser facilitada se a recente apreciação do real se mostrar resiliente, mas a própria composição da dívida deixa a companhia confiante em uma melhora de seu perfil. A maior parte dos créditos de curto prazo se refere a Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACCs) e Pré-Pagamento de Exportação (PPEs), cuja renovação com as instituições financeiras, segundo Chammas, é mais fácil. Nesse contexto, o Capex deverá ser mais ou menos o mesmo de 2015/16 (R$ 1,2 bilhão).

Já o Grupo São Martinho reitera que pretende manter uma forte disciplina financeira nesta safra. Depois de registrar faturamento de R$ 2,8 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 1,3 bilhão em 2015/16, a companhia planeja apenas um aporte em expansão na safra atual. Serão R$ 60 milhões, para completar a ampliação da Usina Santa Cruz, localizada no município paulista de Américo Brasiliense, conforme anunciado no fim do ano passado. A capacidade adicional de processamento de cana que será gerada, de 700 mil toneladas, estará à disposição na temporada 2017/18. Em 2015/16, o Capex da empresa foi de R$ 840,8 milhões.

"O objetivo nesta safra é reduzir a alavancagem e, depois, distribuir dividendos. No momento, o cenário é de muita incerteza", afirmou Fábio Venturelli, presidente da São Martinho, após a divulgação dos resultados de 2015/16. O grupo pretende diminuir a alavancagem de 2,2 vezes, no fim da temporada passada, para 1,5 vez ao término da atual. (Valor Econômico 15/06/2016)

 

Açúcar: Ajuste técnico

Os contratos futuros do açúcar demerara registraram queda ontem na bolsa de Nova York após um movimento de ajuste técnico.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 19,42 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 22 pontos. Do dia 13 de abril ao último dia 9 de junho o valor dos contratos saltou de 14,55 centavos de dólar a libra-peso para 19,94 centavos de dólar a libra-peso, o que, segundo alguns analistas, indicariam que os contratos estão sobre comprados e suscetíveis a uma correção.

No Brasil, o fim das chuvas tende a normalizar a colheita e o processamento da cana, o que também pressiona as cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 84,10 a saca de 50 quilos, aumento de 1,19%. (Valor Econômico 15/06/2016)

 

Otimismo moderado em relação à moagem

Se depender das perspectivas de produção traçada pelas usinas, o desempenho operacional deverá colaborar para os resultados desta safra. As quatro companhias sucroalcooleiras com capital aberto, incluindo a Raízen Energia, cuja controladora, Cosan, é listada na BM&FBovespa, estão moderadamente otimistas com o processamento de cana neste ciclo 2016/17.

A francesa Tereos nem cogita a possibilidade de redução da moagem. Em sua estimativa, suas sete unidades industriais processarão 20,5 milhões de toneladas de cana, 4% a mais do que o total moído na última safra. A companhia também espera um aumento do teor de açúcar na cana (ATR), que deve turbinar a produção de açúcar.

Com quatro usinas, o Grupo São Martinho espera processar a mesma quantidade de cana que a Tereos. Se confirmado, esse volume representará uma alta de 2,6% ante o total do ciclo 2015/16. A companhia espera um forte aumento do ATR médio, o que deve contribuir para que a produção de açúcar avance 10,2%, para 1,356 milhão de toneladas.

Já as estimativas da Biosev guardam alguma cautela. Após moer 31 milhões de toneladas em suas 11 usinas na safra 2015/16, a empresa projeta processar nesta temporada entre 30,5 milhões e 33,5 milhões de toneladas. Se o cenário de aumento do volume se confirmar, a maior quantidade da matéria-prima virá basicamente de um aumento de produtividade. "Deve ter alguma expansão de área, mas será marginal", assegurou o presidente da empresa, Rui Chammas, em teleconferência com analistas.

Por sua vez, a Raízen Energia, que controla 24 usinas sucroalcooleiras, projeta para este ciclo uma moagem de 60 milhões a 64 milhões de toneladas de cana. Essa faixa considera tanto uma redução como um aumento ante o volume processado em 2015/16 (62,7 milhões de toneladas). Mesmo na melhor hipótese, o aumento se dará não por meio de expansão de área, mas da melhora da produtividade, diz Luis Henrique Guimarães, presidente da companhia. (Valor Econômico 15/06/2016)

 

Pedro Parente na Petrobras é boa notícia para usinas de etanol

Pedro Parente, que assumiu como presidente Petrobras neste mês, deixou claro que decisões sobre preço de gasolina não sofrerão interferência do governo, o que deverá elevar preços e fazer com que o etanol, feito a partir da cana-de-açúcar, seja a opção mais atrativa para os motoristas.

Ainda que o aumento do custo da gasolina provavelmente traga pressão inflacionária, produtoras de etanol como a Bunge, a Cargill e a chinesa Cofco poderão se beneficiar. Normalmente, os motoristas escolhem o etanol quando este sai por menos de 70% do preço da gasolina, porque o biocombustível rende cerca de 30% menos energia por litro.

As usinas de açúcar do Brasil estão recebendo uma colheita de cana maior, por isso haverá bastante matéria-prima disponível para a produção de combustível extra.

Parente, engenheiro de 63 anos que anteriormente chefiou a unidade brasileira da Bunge e foi presidente do conselho da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse em 1º de junho que as decisões sobre preços dos combustíveis agora serão tomadas de acordo com os interesses da Petrobras, rejeitando-se qualquer interferência política.

A empresa reiterou essa postura nesta segunda-feira, em comentários enviados à Bloomberg News. A decisão foi tomada após o presidente prometer limpar a empresa, que foi "vitimizada" por um grupo de executivos corruptos que buscavam enriquecimento pessoal e poder, disse ele.

Crítico declarado

Na Bunge, Parente criticava a interferência do governo nos mercados de combustíveis. Em um evento público realizado em São Paulo em setembro de 2012, ele disse ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega que os limites aos preços dos combustíveis vinham prejudicando a indústria do etanol e limitando os investimentos, publicaram jornais locais.

As recentes promessas de Parente abrem espaço para o aumento do preço dos combustíveis no Brasil. A Petrobras importa gasolina porque não produz o suficiente para atender a demanda da maior economia da América Latina.

A empresa tem tido prejuízo na venda de gasolina no mercado doméstico após o recente aumento dos preços internacionais. O preço da gasolina vendida pela Petrobras está atualmente 8% abaixo do custo de importação, disse William Hernandes, analista da firma de consultoria FG Agro, por telefone.

"É cedo para dizer, mas isso nos dá mais confiança de que os preços da gasolina podem subir se essas perdas continuarem", disse Luís Roberto Pogetti, presidente da exportadora de açúcar e etanol Copersucar, em entrevista por telefone, do Rio de Janeiro, onde participou da cerimônia de posse de Parente.

O aumento do preço da gasolina em setembro de 2015 e a rejeição pelo conselho de uma proposta para cortar os preços dos combustíveis sinalizaram que a interferência política na Petrobras pode ter diminuído nos últimos meses, disse Pogetti. (Bloomberg 14/06/2016)

 

Ridesa e Biosev formam parceria para melhoramento genético de cana no Nordeste

A escolha das variedades que formarão os canaviais tem influência direta sobre a rentabilidade e a produtividade das lavouras. Devido a este fator, a busca por cultivares mais adaptadas às condições de solo e clima de cada região, à incidência de pragas e doenças e ao sistema de colheita vem se intensificando e os institutos de pesquisas contam cada vez mais com o engajamento da iniciativa privada em seus programas de melhoramento genético.

Prova disso é a parceria firmada, recentemente, entre a Biosev e a Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético) para a realização de pesquisa e desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar recomendadas para o Nordeste, com a implantação de um projeto instalado na unidade da Biosev em Arez, no Rio Grande do Norte, a usina Estivas.

Denominado Núcleo Experimental, o projeto tem diversas etapas e foi iniciado com o plantio de 25 mil seedlings (plantas oriundas de hibridação, que é o cruzamento entre genótipos com características desejáveis) em uma área inicial de dois hectares. No local, será feita a seleção de clones na fase inicial, o que possibilita a identificação e seleção de materiais genéticos mais adaptados às condições de clima e solo da região.

“O incremento de novas variedades é um dos fatores que mais contribui para o aumento de produtividade e sustentação do potencial produtivo da cultura, e é esse um dos nossos objetivos com o projeto”, afirma Ricardo Lopes, diretor Agrícola da Biosev.

O desenvolvimento dos clones será realizado a partir da análise de uma série de critérios, como altura, número de colmos, diâmetro, ausência de variações somaclonais, qualidade, produtividade, florescimento, entre outros.

“O plantio dos seedlings foi feito em fevereiro deste ano e a primeira introdução será realizada em 2018, ou seja, na socaria. Anualmente, serão introduzidos na unidade novos seedlings oriundos de cruzamentos realizados nas estações de melhoramento da Ridesa”, explica Lopes.

Segundo o executivo, a escolha da unidade de Estivas para a implantação do Núcleo Experimental foi feita porque a usina reúne algumas condições que dificultam a produção de cana, tem déficit hídrico em maior parte do ano e solo com baixos teores de argila.

“A ideia do melhoramento genético é encontrar uma variedade adaptada às condições da unidade que entregue uma produtividade melhor do que as variedades plantadas atualmente. O objetivo é fazer um laboratório na unidade e ampliar, se possível, para as demais regiões em que a empresa atua”, explica.

A unidade de Estivas tem uma área de 26.174,30 ha e forma o Polo Agroindustrial do Nordeste da Biosev junto à unidade Giasa, localizada em Pedras de Fogo, na Paraíba. Ao todo, somando as duas unidades, a Biosev tem uma área de 36.488,75 ha no Nordeste.

“Apesar da queda no setor sucroalcooleiro, devido à seca no último ano, para a safra 2016/17, as perspectivas são de crescimento, de um modo geral. Além do nível maior de chuvas, também haverá a adoção de técnicas e insumos que aumentam a produção, como a adubação foliar e maturadores”, afirma Lopes, dizendo que as unidades do Nordeste contam ainda com irrigação por gotejamento, implantada em aproximadamente 250 hectares, área que deve ser ampliada nos próximos anos.

A expectativa de moagem das 11 unidades da empresa para a safra atual fica entre 30,5 e 33 milhões de toneladas de cana-de-açúcar; o ATR Cana entre 129kg/ton e 133 kg/ton e o ATR Total entre 3,93 milhões de toneladas e 4,46 milhões de toneladas.

Parceria é coordenada pela UFRPE

“A Ridesa é formada por dez universidades federais (UFRPE, UFPR, UFSCar, UFV, UFRRJ, UFS, UFAL, UFPI, UFMT e UFG) e cada instituição, em seus estados respectivos, faz parcerias público-privadas com empresas, desenvolvendo um trabalho de pesquisas e melhoramento genético de variedades RB, e é feito o intercâmbio dos melhores clones entre as universidades, buscando, assim, a melhor cultivar entre eles”, disse Djalma Euzébio Simões Neto, coordenador do PMGCA (Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-Açúcar) da Ridesa na UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), parceira da Biosev no projeto da Estiva.

A UFRPE administra a EECAC (Estação Experimental de Cana-de-Açúcar de Carpina), onde são produzidos, anualmente, 400 mil seedlings individualizados e cerca de 1.5 milhão em canteiros. “Esse material vem das estações experimentais de cruzamento da Ridesa e é distribuído para as usinas para ser cultivado e depois, é feito a seleção da melhor variedade para a região”, explica Simões Neto, que também é presidente da STAB Setentrional, contando que, com o projeto, a unidade da Biosev passará a receber uma quantidade maior de seedlings.

Atualmente, o acervo varietal da Rede conta com 94 variedades, com aptidões de cultivo para diferentes regiões do país, sendo que 16 delas foram liberadas pela UFRPE. As variedades RB ocupam 68% dos canaviais brasileiros e em alguns estados, como o Paraná, essa porcentagem passa de 80%. “A RB 867515 é a mais plantada do Brasil, sendo que, no Nordeste, a RB92579 é mais frequente”, diz o presidente, afirmando que a procura por um material que vá superar estes que estão sendo plantados pelas empresas da região é frequente.

“É um trabalho permanente e constante que só é possível de ser feito devido às parcerias com as empresas e usinas. Neste aspecto, a Biosev, através das unidades daqui, está dando mais apoio ainda para a gente neste trabalho, acreditando que, com o passar dos anos, possamos ter um material genético bem desenvolvido e bom para a área deles”, argumentou, pontuando que a região da unidade da usina tem solos pobres e o índice de chuvas, além de ser baixo, é concentrado em poucos meses, “mas a topografia local é favorável, pois é plana, possibilitando o plantio e colheita mecanizada”.

ProRenova terá R$ 1,5 bilhão para novas variedades de cana

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) reeditou o BNDES ProRenova (Programa BNDES de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais) e divulgou, no dia 18 de maio, as novas condições para a edição 2016, que terá destaque para o incentivo à maior utilização de novas variedades de cana-de-açúcar, cujo potencial de produtividade será maior.

De acordo com as novas regras, o limite de financiamento por grupo econômico foi mantido em até R$ 150 milhões, sendo que os recursos baseados na (TJLP) Taxa de Juros de Longo Prazo (7,5% ao ano), antes limitados a R$ 20 milhões, foram ampliados para até 70% do valor financiado. O restante do empréstimo fica referenciado em Selic (14,25% ao ano).

As demais condições financeiras incluem remuneração básica de 1,5% ao ano para o BNDES; taxa de intermediação financeira de 0,1% ao ano para empresas de pequeno porte, 0,5% ao ano para a de maior porte e remuneração da instituição financeira credenciada negociada entre o beneficiário e a instituição financeira credenciada.

Segundo o BNDES, somente poderão ser financiados no âmbito do programa os projetos de plantio de cana-de-açúcar realizados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016. Entretanto, todos os gastos para a preparação do plantio que tenham sido feitos a partir de 1º de julho de 2015 poderão ser reembolsados no contexto do ProRenova.

O prazo para protocolo das solicitações de financiamento encerra-se em 31 de dezembro próximo. (Revista Canavieiros 15/06/2016)

 

Unica apoia manifesto contra PL sobre diesel em carros de passeio

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) anunciou nesta terça-feira, 14, que apoia o Manifesto Civil de Repúdio ao Projeto de Lei (PL) que libera a fabricação e a venda de carros de passeio a diesel no Brasil. Lançado na segunda-feira, 13, o manifesto, organizado pelo Observatório do Clima, foi enviado à Comissão Especial da Câmara que pode votar o PL ainda nesta semana.

Cinco ex-ministros do Meio Ambiente assinam o documento: Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira.

Conforme a Unica, os signatários consideram que o projeto é um "atentado" aos interesses da sociedade brasileira e deve ser arquivado, pois, caso aprovado, colocará o Brasil na "contramão da tendência mundial" de reduzir a poluição no setor de transportes.

Para alcançar as metas de redução de emissões de gás carbônico assinadas na COP 21, em Paris, o Brasil precisará dobrar sua produção de etanol até 2030. "Ao permitir a volta do diesel, além de prejudicar a saúde e o meio ambiente, o País também coloca em xeque seus objetivos sustentáveis perante o mundo todo", afirmou, em nota, o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão.

A Unica acrescentou que, além das questões ambientais, a volta do diesel teria consequências negativas para a saúde das pessoas. Por fim, a entidade lembra que o Brasil é um importador de derivados de petróleo, especialmente de diesel, de modo que a medida poderia impactar na balança comercial.

Só em 2014, o País importou mais de 12 bilhões de litros (US$ 8,7 bilhões), afirmou a principal associação do setor de cana do País. (Agência Estado 15/06/2016)

 

Clima dificulta produção de açúcar em SP e preço segue em alta

As chuvas no estado de São Paulo continuaram interrompendo a produção de açúcar cristal na última semana. Algumas usinas chegaram a paralisar a moagem por sete dias, enquanto outras afirmaram no final da semana passada que ainda não haviam conseguido produzir o cristal neste mês. As unidades que retomaram a moagem a partir da quarta-feira, 8, quando a chuva cessou, produziram açúcar tipo VHP, destinado ao mercado externo.

Nesse cenário de baixa oferta, o preço do açúcar segue em alta no spot paulista. Na sexta-feira, 10, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 82,59/saca de 50 kg, elevação de 4,54% em relação à sexta anterior, 3. A fila para exportação no porto de Santos (SP) está grande e as dificuldades de escoamento também influenciam as altas no spot paulista. A menor produção em São Paulo, por sua vez, elevou a entrada de açúcar de Goiás no estado paulista, a quantidade de açúcar goiano entrando em São Paulo dobrou na última semana.

No mercado internacional, o Rabobank atualizou a estimativa de déficit global de açúcar de 6,8 milhões para 8,5 milhões de toneladas. A perspectiva de menor quantidade de açúcar continua influenciando as cotações externas.

De sexta a sexta, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Julho/16) da Bolsa de Nova York (ICE Futures) teve alta de 5,07%, fechando a 19,70 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Agosto/16 avançou 4,28% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 529,00/tonelada.

De 6 a 10 de junho, cálculos do Cepea mostram que as vendas externas remuneraram 3,22% a mais que as vendas de açúcar cristal no spot paulista. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 81,18/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures, com vencimento em Julho/16, equivaleriam a R$ 83,79/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 56,90/t de fobização, de US$ 84,61/t de prêmio de qualidade e de R$ 3,4274 de dólar.

O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, aumentou 3,95% na semana, fechando a sexta-feira em R$ 82,38/saca 50 kg.

No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 9,1946/saca de 5 kg na sexta-feira, elevação de 3,67% sobre a sexta anterior. O açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,1189/saca de 1 kg, avanço de 1,38% no mesmo período.

No Nordeste, além da alta dos preços no Centro-Sul, as cotações avançaram influenciadas pela demanda aquecida, por estoques baixos e pela menor oferta.

No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível subiu 2% e o hidratado, 0,14% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou aumento de 4,54% entre as duas e sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 56,67% a mais que o anidro e 66,48% a mais que o hidratado. (Agência Estado 14/06/2016)

 

Usinas retomam produção de etanol, mas ritmo de negócios é lento

Desde o início de junho, a colheita e a moagem de cana estavam paralisadas em diversas regiões do estado de São Paulo. Na última quarta, no entanto, o clima melhorou nas principais praças paulistas e usinas puderam retomar as atividades. Segundo colaboradores do Cepea, algumas unidades ainda não haviam conseguido produzir no estado neste mês.

Compradores, por sua vez, estiveram retraídos na última semana, adquirindo apenas o necessário para abastecer os estoques. A previsão de que as chuvas dariam lugar ao tempo seco fez com que distribuidores esperassem para negociar quando a oferta crescesse, em busca de preços menores.

Entre 6 e 10 de junho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado fechou a R$ 1,5355/litro (sem impostos, a retirar), praticamente estável em relação ao fechamento da semana anterior. Houve pequena participação de etanol vindo de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. O Indicador diário do hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia fechou a R$ 1.456,00/m3 na sexta-feira, 10, leve aumento de 1,4% na comparação com a sexta anterior.

O Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível fechou a R$ 1,7348/litro (sem impostos, a retirar), elevação 1,5% em relação à semana anterior.

Segundo cálculos do Cepea, o açúcar cristal remunerou 57% a mais que o anidro e 66% a mais que o hidratado no estado de São Paulo na última semana. Entre os etanóis, o anidro remunerou 6% a mais que o hidratado. O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,7179/litro (sem impostos). Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,5564/litro (sem impostos). O preço do etanol hidratado que seria equivalente ao do anidro teria que ser de R$ 1,6329/litro (sem impostos).

Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Julho/16) caiu 1,07% entre as duas últimas sextas-feiras, com média semanal de US$ 1.683,60/galão (US$ 444,81/m³). Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Julho/16 teve média de US$ 50,18/barril na semana, alta de 0,93% na comparação entre as duas últimas sextas-feiras. (Agência Estado 14/06/2016)

 

Açúcar: Baixa oferta impulsiona preço no spot paulista

As chuvas no estado de São Paulo continuaram interrompendo a produção de açúcar cristal na última semana. Muitas usinas chegaram a paralisar a moagem por uma semana. Segundo pesquisadores do Cepea, as unidades que retomaram a moagem a partir da quarta-feira, 8, quando a chuva cessou, produziram açúcar tipo VHP, destinado ao mercado externo.

Nesse cenário de baixa oferta, o preço do açúcar segue em alta no spot paulista. Na segunda-feira, 13, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 83,11/saca de 50 kg, elevação de 4,08% em relação à segunda anterior, 6. (Cepea / ESALQ 14/06/2016)

 

Exportação de açúcar da Índia cresce 45,5% e alcança 1,6 mi ton, diz associação

A demanda pelo açúcar indiano melhorou no mercado internacional, aponta a Associação de Usinas de Açúcar do país. A Índia, que é o segundo maior produtor global atrás apenas de Brasil, já exportou 1,6 milhão de toneladas no atual ano-safra 2015/16, iniciado em outubro do ano passado, representando aumento de 45,5% em comparação com o mesmo período do ciclo anterior (1,1 milhão de toneladas).

Os preços internacionais do açúcar têm avançando, fazendo com que operadores elevem as exportações em busca de maiores ganhos, afirmou o ministro de Alimentos da Índia, Ram Vilas Paswan.

Ainda assim, o governo está considerando cobrar um imposto de exportação de 25%, como forma de segurar o produto internamente e evitar um avanço ainda maior das cotações domésticas do produto. "Se o imposto for confirmado, as exportações deverão ser inviabilizadas", apontou a Associação. (Dow Jones 14/06/2016)