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Açúcar: Efeito Única

Apesar dos atrasos provocados pelas chuvas das últimas semanas, a recuperação do dólar e a previsão de aumento da produção brasileira pressionaram os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 19,76 centavos de dólar a libra-peso, desvalorização de 9 pontos.

De acordo relatório divulgado ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2016/17 cresceu 50,32% durante a segunda quinzena de maio na comparação com o mesmo período do ciclo anterior, totalizando 6,99 milhões de toneladas.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou ontem em R$ 84,88 a saca de 50 quilos, um aumento de 0,71%. (Valor Econômico 17/06/2016)

 

Chuvas no Centro-Sul desaceleram produção de açúcar e etanol no país

As chuvas que atingiram o Centro-Sul do Brasil no fim de maio desaceleraram a produção de açúcar e etanol, como previam os analistas. As unidades produtoras da região processaram 32,43 milhões de toneladas de cana na segunda quinzena do mês passado, o que representa uma queda de 19,98% na comparação com o mesmo período da safra 2015/16, informou a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

A produção de açúcar caiu 14,94% no período e somou 1,68 milhão de toneladas, enquanto o volume fabricado de etanol atingiu 1,44 bilhão de litros, com queda de 17,31%. Desse total 573,79 milhões de litros foram de etanol anidro (­5,08%) e 870,65 milhões de litros de hidratado (23,79%).

E o cenário tende a não ter alterações em junho, segundo a Unica, porque as chuvas no começo deste mês foram até superiores às de maio. “As geadas ocorridas ao final da primeira metade de junho atingiram importantes regiões canavieiras do sul de Mato Grosso do Sul e nos Estados do Paraná e de São Paulo (com maior incidência em Ourinhos e Assis). O fenômeno afetou especialmente áreas de baixadas, várzeas e de lavouras já colhidas por conta da palhada da cana-de-açúcar. Houve também registros de danos à gema apical, o que pode comprometer o crescimento e a brotação da planta. Os reais impactos desta geada serão quantificados ao longo dos próximos dez dias”, diz relatório divulgado há pouco.

Apesar da desaceleração agora, no acumulado da safra 2016/17, que teve início em 1º de abril, o volume de cana-de-açúcar processado cresceu 28,9% e alcançou 140,97 milhões de toneladas. A produção de açúcar aumentou 50,32% e somou 6,99 milhões de toneladas, enquanto a de etanol cresceu 24,17%, para 5,84 bilhões de litros. Deste total, 2,15 bilhões de litros foram de anidro e 3,68 bilhões de litros de etanol hidratado, com crescimento, respectivamente de 53,14% e 11,81%.

Até 1º de junho, 262 unidades produtoras encontravam-se em operação na região Centro-Sul, sendo que cinco delas iniciaram a safra ao longo da segunda metade de maio.

A proporção de matéria-prima direcionada à produção de etanol totalizou 58,23% nos 15 dias finais de maio (versus 58,85% na mesma quinzena de 2015). No acumulado, esta proporção alcançou 57,46%. (Valor Econômico 16/06/2016)

 

Datagro estima déficit de 6,2 mi t de açúcar no mercado global em 2015/16

Após cinco ciclos de excedentes, haverá um déficit de 6,21 milhões de toneladas de açúcar no mercado global em 2015/16, afirmou nesta quinta-feira o consultor Guilherme Nastari, da Datagro, ressaltando que este número foi recentemente revisado.

Ele disse também que a consultoria estima um déficit ainda maior no mercado global na temporada 2016/17, de 7,1 milhões de toneladas, o que explica os preços mais sustentados internacionalmente. Na temporada 14/15, houve um excedente de 3,68 milhões de toneladas, segundo a Datagro.

O cenário de déficits globais deverá permitir que o setor no Brasil, o maior produtor e exportador global de açúcar, possa retomar investimentos com os melhores preços, após amargar um período de crise e alta no endividamento, que levou muitas companhias a entrar em recuperação judicial.

"Os melhores preços vão fazer com o setor melhore o nível de alavancagem e possa retomar investimentos", disse o analista, durante a sua palestra.

Ele acredita que a situação poderá voltar a atrair novos investidores globais. "Está proporcionando um ambiente para players internacionais começarem a olhar o Brasil", declarou.

Além da menor oferta no mundo, que eleva os preços internacionais, a indústria brasileira está sendo beneficiada pelo câmbio, que aumenta os preços em reais.

SOJA E MILHO

O dólar forte ante o real também é estímulo para produtores de soja e milho do Brasil, afirmou o diretor da Agroconsult, André Pessôa, lembrando que, embora os preços internacionais estejam mais baixos em dólar do que nos picos históricos, em reais estão tão bons quanto nos melhores momentos do passado.

O câmbio foi um dos fatores, por exemplo, de exportações explosivas do Brasil no começo do ano, o que redundou em uma crise de oferta interna.

Aliás, o analista disse que o milho do Brasil, apesar dos preços altos em reais, segue como o mais competitivo do mundo na exportação, fator de preocupação para a agroindústria local, que precisa do produto para alimentar as criações de aves e suínos.

Para a próxima safra, a Agroconsult espera um crescimento de cerca de 500 mil hectares na área plantada do país, para 33,6 milhões de hectares, um aumento que só não é maior porque muitos produtores vão elevar a semeadura de milho no Sul. (Reuters 16/06/2016)

 

Produtores de etanol e ambientalistas são contra Projeto de Lei 1013/2011

O projeto de lei PL 1013/2011, que libera a fabricação e a venda de carros de passeio a diesel no Brasil, tramitava normalmente no Congresso Nacional, mas decolou e pode ser aprovado a qualquer momento na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, de onde segue direto para o Senado. A celeridade despertou a atenção de defensores do meio ambiente e representantes da cadeia de produção de etanol. A medida é considerada um retrocesso por eles, tanto por colocar o Brasil na contramão da tendência mundial de reduzir a poluição no setor de transportes quanto por provocar o aumento da importação de combustível.

Contrária à aprovação do PL 1013, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) é mais uma entidade a apoiar o Manifesto Civil de Repúdio, que conta com cerca de 100 signatários. Conforme o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão, também são contra o projeto a Associação de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Petrobras, os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Universidade de São Paulo (USP).

"A tramitação disparou, apesar do parecer contrário na Comissão de Meio Ambiente. Houve um arranjo de grupos interessados, como montadoras europeias, que tem seus mercados reduzidos pelas pressões ambientais, o Sindipeças (sindicato da indústria de peças), e fornecedores da cadeia automotiva. São interesses comerciais", alertou Leão.

A presidente da Unica, Elizabeth Farina (Foto), explicou que quem é a favor do projeto usa o argumento de que o consumidor deve ter opções. "Mas existem 25 milhões de carros flex no país, uma tecnologia brasileira, contra a importação de tecnologia poluidora. Isso ocorre porque os índices de emissão de carbono permitidos no Brasil são mais altos do que os que precisam ser obedecidos na Europa e Estados Unidos. Por isso, essa indústria pode usar até motores de gerações mais antigas no nosso mercado", disse.

Revés

O setor do etanol, que já sofreu por seis anos com a falta de competitividade diante do represamento de preços da gasolina, obviamente, teme novo revés. "Os carros médios a diesel são mais caros, apesar de ter custo mais reduzido por quilômetro rodado. A medida vai beneficiar quem tem mais poder aquisitivo", defendeu Leão. "O MME é contrário ao projeto por uma questão de abastecimento já que o Brasil é um importador de derivados de petróleo, especialmente de diesel. Só em 2014, importou mais de 12 bilhões de litros, cerca de US$ 8,7 bilhões", completou.

A cadeia de produção de açúcar garante 1 milhão de empregos e está presente em 20% dos municípios, lembrou Elizabeth. "O manifesto contém inúmeras assinaturas de médicos, cientistas especialistas em poluição do ar, organizações de pesquisa, entidades ambientalistas e de defesa do consumidor e empresários, além de cinco ex-ministros do Meio Ambiente (Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira)", destacou a presidente da Unica.

As usinas associadas à entidade são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana e 60% da produção de etanol. Na safra 2015/2016, o Brasil produziu aproximadamente 617 milhões de toneladas de cana, matéria-prima utilizada para a produção de 31 milhões de toneladas de açúcar e 28 bilhões de litros de etanol. (Correio Braziliense 15/06/2016)

 

Ipiranga reforça liderança em conveniência

Além de sustentar o crescimento das vendas de combustíveis da Ipiranga, a expectativa é que a compra da Ale traga ganhos para a distribuidora do grupo Ultra também no mercado de conveniência, que tem crescido na contramão da retração do comércio. A previsão é que a Ipiranga consolide sua liderança nesse setor, no momento em que a Petrobras, de olho em um sócio para a BR, acena para o aumento da rentabilidade a partir da expansão das lojas BR Mania.

De acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), a Ipiranga pode abocanhar uma fatia adicional de 3% do mercado de conveniência com a incorporação da rede de lojas da Ale. Com isso, a distribuidora do Grupo Ultra aumenta sua posição de liderança e atinge uma fatia de 30% do setor ­ que atingiu em 2015 receitas de R$ 6,7 bilhões, uma alta de 11,4%.

Para o sócio-diretor da consultoria CVA Solutions, Sandro Cimatti, o desafio para a Ipiranga será, a partir de agora, elevar a rentabilidade das lojas da Ale, que tem os índices de eficiência mais baixos entre as líderes de mercado.

"A Ipiranga é a bandeira que mais consegue fazer com que o cliente consuma mais serviços além do combustível. Já a Ale não é muito boa [nisso], mas permite à Ipiranga crescer um pouco. O que a empresa precisa fazer agora é rapidamente elevar a eficiência dos postos da Ale para o padrão Ipiranga", comentou.

A incorporação da Ale vem reforçar a liderança do grupo Ultra em conveniência, no momento em que a BR aposta fortemente no setor. Em 2015, a Petrobras destacou-se ao ampliar em 1,1 ponto percentual sua participação de mercado e abrir mais lojas que seus concorrentes.

"A marca BR passou por muito desgaste [com as denúncias da Lava-Jato]. A tendência, agora, é melhorar. Acho que [a Petrobras] vai buscar rentabilidade [para vender parte da empresa] e isso passa pela conveniência", disse Cimatti.

A aposta na conveniência é importante para a sustentabilidade dos postos frente à queda das vendas de combustíveis. Os dados do Sindicom mostram que o setor está mais rentável: o faturamento mensal ponderado por loja cresceu 8,9% em 2015, enquanto o tíquete médio (o gasto médio de cada consumidor ao entrar na loja) subiu 22,5% entre as líderes Ipiranga, BR, Raízen e Ale.

"O consumidor está gastando mais na loja. Está saindo provavelmente de outros varejos para entrar na conveniência. Isso reflete um aumento da oferta de serviços de alimentação", afirmou o diretor de mercado e comunicação do Sindicom, César Guimarães.

Ainda segundo o Sindicom, embora o consumidor esteja levando menos produtos por visita às lojas de conveniência, houve aumento no número de visitas aos pontos de vendas. Para Cimatti, contudo, a expectativa é que 2016 seja um ano mais difícil para o setor. Ele evita fazer projeções, mas diz acredita que o mercado de conveniência vá continuar descolado da queda das vendas de combustíveis. (Valor Econômico 17/06/2016)

 

PF desmonta grupo que movimentava R$ 3 bilhões em contrabando por ano

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (16) ação para desarticular uma quadrilha que movimentava R$ 3 bilhões ao ano em mercadorias contrabandeadas em vários Estados do país, a maioria eletrônicos, como notebooks e componentes elétricos, além de medicamentos e hormônios cuja venda é proibida no Brasil.

Investigadores afirmam que o grupo atuava havia "pelo menos uma década", e tinha uma frota de 12 aeronaves que voavam de Salto Del Guairá, no Paraguai, onde faziam o carregamento, até o interior de São Paulo.

Os aviões pousavam em pistas clandestinas escondidas em meio a canaviais e fazendas na região de Ribeirão Preto.

"Eles operavam diariamente, com até dois vôos por dia, inclusive em finais de semana e feriados", diz o delegado federal Alexander Noronha Dias, coordenador da operação. "Tinham um poder financeiro muito grande."

A chamada Operação Celeno iria cumprir 138 mandados judiciais em São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais, sendo 28 de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 77 de busca e apreensão. A polícia ainda não divulgou o balanço da ação.

Proprietários de aeronaves, pilotos, agenciadores (que contratavam o frete aéreo) e clientes finais, além de funcionários que faziam o descarregamento da mercadoria, estão entre os alvos.

Alguns dos presos já eram conhecidos da PF: um deles foi detido numa operação em 2007, outros haviam sido presos em flagrantes anteriores. "Como a pena para descaminho é pequena, eles pagavam fiança, respondiam em liberdade, readquiriam as aeronaves apreendidas em leilão e voltavam a operar", diz Dias.

A expectativa, agora, é conseguir deter os criminosos por mais tempo na prisão, já que eles também devem responder por organização criminosa.

ORIGENS

A PF começou a investigar a quadrilha em 2013.

Cada aeronave usada pelo grupo tinha os assentos dos passageiros removidos, e carregava 600 quilos de mercadorias, em valor estimado de US$ 500 mil.

Nas pistas, uma equipe logística descarregava o contrabando, transportava por caminhões e veículos e o revendia a lojas de departamento e de informática, algumas de escala nacional. Essas empresas ainda estão sob investigação da PF, que quer saber se elas tinham conhecimento da origem ilícita da mercadoria.

A região de Ribeirão Preto, onde boa parte da quadrilha se concentrava, faz parte da chamada "rota caipira" do tráfico. Há 16 anos, a CPI do Narcotráfico investigou a existência de 69 pistas de pouso clandestinas em 26 cidades da região, muitas delas em meio a lavouras de cana-de-açúcar. Em todo o Estado, eram 360. Uma das características desses aviões é tentar vôos a baixa altitude, com o objetivo de fugir de radares.

Os grupos eram contratados por agenciadores baseados em Foz do Iguaçu (PR) e no Paraguai.

Um casal que fornecia as mercadorias no Paraguai também é investigado pela PF, que pretende pedir colaboração à Interpol para cumprir mandados de prisão no país.

O nome da operação remete à mitologia grega. Celeno é uma harpia, um monstro mitológico. O nome também tem significado de "obscuro" ou "escuridão".

CRIME SEM CASTIGO

A Folha acompanhou por dois meses os caminhos e os impactos do comércio ilícito e do contrabando no Brasil. (Folha 16/06/2016)