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Família Bumlai planeja vender a Usina São Fernando

A família do empresário José Carlos Bumlai pretende vender a Usina São Fernando, localizada em Dourados (MS), para se livrar do endividamento da empresa, atualmente em torno de R$ 1,5 bilhão. A usina, em recuperação judicial, é controlada pelas holdings São Marcos Energia e São Pio Empreendimentos e Participações, cujos administradores são Guilherme Bumlai e Maurício Bumlai, filhos de José Carlos Bumlai, preso no âmbito das investigações da Lava-Jato.

Os sócios da usina confirmaram ao Valor,, por meio de sua assessoria, que contrataram a consultoria EXM Partners para avaliar os ativos existentes e propor a criação de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) para ser submetida a uma venda judicial, geralmente, um leilão.

A proposta em estudo é incluir na UPI a planta de Dourados e ativos biológicos, disse Angelo Guerra Netto, sócio da EXM Partners ao Valor. As duas unidades de cogeração em atividade na usina, chamadas de São Fernando e São Fernando I, podem ser incluídas na UPI ou constituir uma outra UPI, que seria vendida separadamente. As unidades têm capacidade para exportar ao sistema elétrico 30 megawatts-hora (MWh) e 50 MWh, respectivamente.

A idéia da consultoria é manter algumas áreas de cana sob o guarda-chuva da São Fernando. "A atual São Fernando manterá uma parcela menor de suas atividades para continuar existindo, porque a lei de recuperação judicial estabelece a continuidade da empresa", disse Netto.

A área com cana pertencente à usina soma 45 mil hectares, onde são colhidas cerca de 2,5 milhões de toneladas por safra. A planta tem capacidade para processar 4,5 milhões de toneladas por safra. A diferença de 2 milhões de toneladas é garantida por fornecedores terceirizados.

Pela proposta que está sendo esboçada; os fornecedores que atualmente têm saldo a receber da São Fernando podem se tornar credores da empresa que adquirir os ativos em um eventual leilão e podem continuar fornecendo cana para a nova controladora.

A transação pode ocorrer via aquisição pelo valor que os ativos forem avaliados pela consultoria ou por meio de assunção de dívidas. "O nosso desejo é que o valor mínimo [dos ativos a serem vendidos] esteja diretamente relacionado à totalidade dos débitos", sinalizou o sócio da EXM Partners.

Assim que a proposta for finalizada, ela precisa ser aprovada pelos credores em assembléia geral. A última assembléia, marcada para 10 de março, foi suspensa a pedido de um dos bancos credores, o BNP Paribas. A empresa aguarda agora que a Justiça volte a marcar a assembléia para submeter a proposta ao crivo dos credores.

Para garantir essa aprovação, Netto disse que a estratégia já está sendo discutida com ao menos dois grandes credores, o BNP Paribas e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), este, o maior credor da usina, que pediram a falência da São Fernando. O pedido do BNP foi negado pelo juiz Jonas Hass Silva Junior, da 5ª Vara Cível de Dourados, enquanto o do banco estatal ainda não foi julgado.

A expectativa da consultoria é que a assembléia seja marcada e realizada em até 60 dias. Se a proposta for aprovada, a venda pode ocorrer de quatro a seis meses depois.

A estratégia da família Bumlai vem à tona em um momento em que a maior parte das usinas do país está focada em otimização dos próprios ativos e desalavacagem. Nesse cenário, Netto acredita que a venda pode atrair o interesse de fundos estrangeiros. "A expectativa é que possamos ter um ou mais ofertas de investidores estrangeiros", atestou o consultor. (Valor Econômico 23/06/2016)

 

Biocom de Angola inicia venda de açúcar produzido no país

A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) vai iniciar a comercialização de açúcar com a venda de sacos de 50 quilogramas a grossistas e retalhistas, disse o director geral adjunto da Biocom, Luís Bagorro Júnior.

Em declarações à agência noticiosa Angop a propósito da primeira colheita de cana-de-açúcar, iniciada oficialmente na passada sexta-feira, o director geral adjunto disse ainda estar prevista uma produção de cerca de 47 mil toneladas de açúcar.

A produção terá como destino nesta fase inicial o mercado interno, pretendendo a empresa começar a exportar quando a fábrica estiver a produzir à capacidade máxima instalada de 256 mil toneladas por ano, o que deverá acontecer na campanha agrícola de 2019/2020.

Além do açúcar, a Biocom estará a produzir nessa data 28 mil metros cúbicos de etanol anidro e 26,8 megawatts de energia eléctrica, através do aproveitamento da biomassa.

Luís Bagorro Júnior adiantou que, na segunda fase do investimento, que deverá decorrer entre 2020 e 2021, a Biocom prevê aumentar a produção para quatro milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 523 mil toneladas de açúcar e o actual dobro da produção de energia.

A Biocom, que se encontra integrada no Pólo Agro-industrial de Capanda, é uma parceria entre o Estado angolano, através da antiga Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) e da Sonangol Holding, com uma participação de 20% e os grupos angolano Damer e brasileiro Odebrecht, ambos com 40% cada.. (Macauhub/AO 22/06/2016)