Setor sucroenergético

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Raízen retomará operação da usina Bom Retiro; usará cana-energia, diz Vignis

A Raízen, maior produtora de açúcar do mundo, retomará as operações da usina Bom Retiro em meados de 2017 utilizando a chamada cana energia, uma variedade mais produtiva, com os preços futuros da commodity mais altos no mercado global do que estavam em 2015, quando as atividades na unidade foram paralisadas.

A informação é de uma importante fornecedora que participa do projeto, a Vignis, que relatou que as operações na Bom Retiro devem ser retomadas em julho do próximo ano.

A Raízen, joint venture entre Cosan e a Shell, paralisou as operações da unidade na região de Piracicaba (SP) em meio a problemas com a oferta de cana na área, onde a Raízen opera outras quatro usinas.

A companhia não comentou imediatamente a informação da Vignis, uma companhia de biotecnologia responsável por novos canaviais para a usina.

Atualmente, os preços do açúcar bruto em Nova York estão oscilando nos maiores níveis desde 2012, com o mercado se preparando para déficits globais do produto.

"Eles vão moer 500 mil toneladas no primeiro ano, aumentando para 1 milhão de toneladas em 2018", afirmou à Reuters o presidente da Vignis, Luis Claudio Rubio.

Quando parou as operações, a unidade tinha capacidade de moagem de cerca de 1,4 milhão de toneladas por ano.

A empresa irá utilizar uma variedade de cana diferente da tradicional no projeto, conhecida como cana energia. Ela é mais fina que a cana-de-açúcar comum, mas pode produzir até o dobro por hectare.

"É um híbrido que estamos desenvolvendo por quase 10 anos. Será a primeira vez que uma usina de açúcar no mundo vai operar com esse tipo de cana", disse Rubio.

O uso da cana energia exige adaptações do maquinário industrial e agrícola da usina, uma vez que possui um formato diferente e mais fibras que a variedade tradicional.

Segundo Rubio, a Raízen pretende usar a unidade Bom Retiro como um projeto piloto para testar a nova variedade, de olho na possibilidade de no futuro ampliar o uso da cana energia para mais unidades em suas 24 usinas no Brasil. (Reuters 29/06/2016)

 

Dívidas ainda travam investimentos em cenário positivo para o setor canavieiro

Déficit de açúcar no exterior, demanda crescente para o consumo doméstico de etanol, clima favorável e manutenção nos custos de produção são alguns dos fatores que compõem plano de fundo positivo para as usinas de cana-de-açúcar nesta safra.

Com níveis de remuneração mais altos para os subprodutos do setor sucroenergético, esperava-se uma retomada nos investimentos que não veio, travada, sobretudo, pelo nível de endividamento que ainda se mantém alto. "Vemos um Brasil que vai voltar a crescer, o cenário é positivo e há condições. Achamos que os investimentos devem acontecer, mas ainda não aconteceram", enfatizou ao DCI o diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Aurélio Amaral, durante o NovaCana Ethanol Conference, ontem, na capital paulista.

Em meados de março, o sócio da consultoria MB Agro, Alexandre Figliolino, disse à imprensa que as dívidas do segmento giravam em torno de US$ 150 por tonelada na temporada 2015/ 2016, 15% superiores ao ciclo anterior, totalizando cerca de R$ 93 bilhões e com tendência de alta para o curto prazo, impactada pelos efeitos do dólar alto até o início do ano e do fluxo de caixa negativo das empresas.

"Hoje não temos praticamente nenhum novo investimento no setor, só vemos migração de produtos dentro das próprias usinas", concordou o diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles. Para ele, enquanto não houver aumento na capacidade de moagem de cana, será difícil atender a demanda dos dois subprodutos. "Nosso problema hoje não é mercado, temos mercado para crescer", acrescentou.

Entrave logístico

A logística de distribuição de etanol é o fator mais prejudicado pela falta de suporte financeiro. São Paulo é o grande consumidor porque também é o maior polo produtor, as usinas estão localizadas estrategicamente tanto para o mercado interno, quanto para encaminhamento aos portos, para exportação.

O executivo da ANP cita as usinas goianas como exemplo deste problema. "Goiás tem potencial de produção mas está longe. Há o projeto do duto, que está pronto na parte sudeste, até Uberaba (MG) e Uberlândia (MG), mas ainda precisam chegar a Goiânia. Com isso, o transporte apenas por meio de caminhões onera o processo e tira competitividade do produtor", explicou.

Em suma, atualmente, a logística do etanol é ancorada na da gasolina, e a falta de um sistema específico é o que afeta os ganhos reais do usineiro da Região Centro-Oeste.

Uma das saídas sugerida por Amaral é a realização de contratos pela BM&FBovespa com entrega física do biocombustível, uma medida que permite ao setor travar os valores de venda do produto e negociar o melhor momento para a comercialização. Apesar de ser algo ainda insipiente, "já pedimos os elementos para que os produtores levassem seus contratos para a Bovespa", lembrou.

Açúcar

Na última semana, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal no mercado paulista, fechou a R$ 86,05 por saca de 50 kg, o maior patamar nominal de toda a série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada 2003. Entre 13 e 20 de junho, o Indicador subiu 3,53% e, na parcial deste mês, o aumento já é de 11,36%. Segundo pesquisadores do instituto, embora o momento seja de safra no centro-sul, a oferta de açúcar cristal está reduzida no mercado interno, devido às chuvas no início deste mês, que atrapalharam a moagem da cana-de-açúcar.

O gerente do departamento de pesquisa setorial do Rabobank, Andy Duff, destacou durante o evento que os preços praticados pelo açúcar brasileiro subiram 48%, valor mais alto entre os maiores países fornecedores em função da desvalorização da moeda nacional. Nos concorrentes Índia e Tailândia, este percentual representa 19% e 21%, respectivamente, enquanto a cotação internacional subiu 10%.

No Brasil, o frio mais intenso previsto para o inverno pode colaborar para a melhora da produtividade, visto que os canaviais estão com taxas de renovação cada vez mais baixas. "Capacidade existe, mas precisaremos de tempo bom para moer", ressaltou o sócio analista da Agroconsult, Fábio Meneghin. (DCI 29/06/2016)

 

Açúcar: Apetite por risco

Com o dólar renovando suas mínimas ante o real, cotado abaixo dos R$ 3,30, e a perspectiva de déficit na oferta mundial de açúcar de até 8,5 milhões de toneladas, os contratos futuros da commodity romperam a "barreira psicológica" dos 20 centavos de dólar por libra-peso ontem.

Pela primeira vez desde 2012, o produto foi cotado a 21,01 centavos de dólar a libra-peso nos papéis com vencimento em outubro, valorização de 107 pontos.

"Está com cara de que essa alta vai perdurar porque o mercado está com apetite por risco, buscando ativos que tenham uma certa rentabilidade, e o açúcar é um deles", explicou Gabriel Elias, trader da Olam International.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 88,13 a saca de 50 quilos, alta de 0,58%. (Valor Econômico 30/06/2016)

 

Alavancagem média do setor de cana deve crescer 9% em 2015/16, diz Figliolino

O nível médio de alavancagem do setor sucroalcooleiro do Brasil deve aumentar 9% na safra 2015/16, iniciada em abril, passando de 4,3 vezes no ciclo anterior para 4,7 vezes agora. O mesmo deve ocorrer com a relação entre dívida líquida e tonelada de cana-de-açúcar processada. Na temporada vigente, o endividamento líquido das indústrias por tonelada de matéria-prima moída tende a atingir R$ 148, superando em 11% o de R$ 133 do ano anterior. As projeções foram divulgadas nesta terça-feira, 28, por Alexandre Figliolino, sócio da MB Agro, durante o NovaCana Ethanol Conference.

Figliolino também deu detalhes sobre a situação financeira de 65 grupos sucroenergéticos que, juntos, respondem por 80% de toda a safra do Centro-Sul do Brasil. A análise mostra que, em 2015/16, 17 deles estavam bem estruturados e somavam moagem de 205 milhões de toneladas.

Outros 21 (121 milhões de toneladas) estavam em processo de desalavancagem, enquanto 12 (70 milhões de toneladas) ainda apresentavam alavancagem elevada. Já 15 (142 milhões de toneladas) caminhavam para o processo de recuperação judicial.

O sócio da MB Agro destacou ainda que, em 2015, foram fechadas 11 usinas e, ao mesmo tempo, inaugurada uma e reativadas sete. O cenário foi melhor do que aquele observado em 2014, quando 15 unidades fecharam as portas e apenas duas foram reativadas, sem greenfields (projetos incipientes, ainda no papel).

Durante o ciclo de expansão do segmento, entre 2005 e 2010, foram adicionadas 241 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana, acrescentou Figliolino. Já entre 2011 e 2015, período marcado pela crise do setor, houve decréscimo de 61 milhões de toneladas. (Agência Estado 29/06/2016)

 

Moagem de cana do Centro Sul na 1ª quinzena deve ter queda para 30,8 mi t

O próximo relatório sobre moagem de cana no Sentro-sul do Brasil da associação da indústria Unica deve mostrar processamento de 30,8 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de junho, 22,4 por cento abaixo do volume registrado mesmo período do ano passado, em função de chuvas que atrapalharam os trabalhos, estimou nesta terça-feira a consultoria INTL FCStone.

Em relação à quinzena anterior, a moagem cairá cerca de 5 por cento, segundo a FCStone.

De acordo com a consultoria, o desempenho ruim no período se deve às fortes chuvas que atingiram as regiões produtoras especialmente nos primeiros sete dias de junho.

Nas principais regiões canavieiras, a média da precipitação acumulada foi de 71 milímetros no período, "mais do que o triplo do registrado no ano passado e da média histórica para a quinzena", disse a INTL FCStone.

"Ainda assim, a moagem acumulada se manteria adiantada em relação à safra passada em mais de 20 milhões de toneladas", disse o analista João Paulo Botelho, em nota.

No relatório referente à segunda quinzena de maio, a Unica já havia apontado queda para 32,4 milhões de toneladas processadas no período, ante 39,5 milhões de toneladas no início do mês, também devido às chuvas.

A consultoria alertou que as chuvas devem continuar afetando negativamente o mix de açúcar, mesmo com o elevado diferencial de remuneração entre o adoçante e o etanol.

Segundo a FCStone, a produção de açúcar ficaria com um mix de 42,4 por cento da moagem de cana, resultando em 1,62 milhão de toneladas do adoçante, 18 por cento abaixo da mesma quinzena na safra passada. (Reuters 28/06/2016)

 

Ipiranga prevê 400 novos postos de combustíveis este ano

A rede de postos Ipiranga prevê a abertura de cerca de 400 postos de combustíveis no país em 2016, disse nesta terça-feira o diretor de varejo da companhia, Jeronimo Santos, no evento BR Week 2016, realizado em São Paulo. A empresa tem 7,2 mil postos no Brasil.

As vendas da Ipiranga, do grupo Ultra, caíram 2% em volume no quarto trimestre de 2015 no comparativo anual, reflexo da recessão econômica.

Segundo o executivo, a Ipiranga tem crescido na faixa de dois dígitos neste primeiro semestre, conforme projeção da empresa, em um mercado em que os postos registram avanço entre 6% e 7%.

No dia 12, a Ipiranga anunciou a compra do controle total da rival mineira Alesat, por R$ 2,16 bilhões. (BOL 29/06/2016)

 

Usina em recuperação judicial tem prejuízo de R$ 15,8 milhões

Baixa produtividade da cana é um dos motivos.

A companhia sucroenergética Centroálcool S/A., com unidade produtora em Inhumas (GO), registrou prejuízo de R$ 15,8 milhões no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2015. O montante é 70% acima do prejuízo de R$ 9,3 milhões registrados no exercício terminado em 31 de dezembro do ano anterior.

A Centroálcool está em regime de recuperação judicial desde 02 de julho de 2014.

Segundo o balanço da companhia sucroenergética, o total de passivo está em R$ 117,9 milhões no exercício encerrado em dezembro passado, contra R$ 124,7 milhões registrados de passivo em 2014.

Já o ativo circulante da Centroálcool é de R$ 51,1 milhões em 31/12/2015, contra R$ 50,7 milhões em 31/12/2014. O ativo total da companhia ficou em R$ 17,8 milhões (em 2015), ante R$ 124,7 milhões (em 2014).

Saiba mais sobre a Centroálcool:

A companhia sucroenergética Centroálcool tem por objetivo principal a produção industrial de etanol e seus derivados, para fins energéticos ou industriais e, o desenvolvimento de atividades agrícolas, no cultivo de cana-de-açúcar, realizado em terras próprias e de terceiros.

Segundo a diretoria da empresa, o resultado negativo do exercício de 2015 foi em decorrência da permanência do quadro de baixa produtividade da cana-de-açúcar, dos elevados custos operacionais, dos preços altos da matéria prima, isso vem se repetindo em exercícios anteriores.

A estabilidade do quadro negativo de produção e custos não permitiu que a sociedade gerasse resultados para fazer face aos custos de produção e aos gastos administrativos, bem como a geração de resultados para os seus investimentos. “Constantemente esses fatores vêm afetando o setor sucroalcooleiro nacional na sua capacidade de produzir, gerando resultados positivos na atividade”, informa a companhia, que é presidida por Alceu Pereira Lima Neto. (Jornal Cana 29/06/2016)

 

Sem dinheiro para inovação, parceria entre ciência e indústria é desafio

O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar aumentou em uma tonelada por ano a produtividade no estado do Paraná. O programa é desenvolvido há 25 anos.

Fazer com que pesquisas científicas desenvolvidas nas universidades se tornem produtos e cheguem ao mercado e à população é um desafio para o Brasil, que investe pouco em inovação.

O governo federal afirma que, em 2013, foi destinado 1,24% do PIB para pesquisa e desenvolvimento (P&D). Este é o último número atualizado. Em países desenvolvidos, o volume chega a 3,5%.

O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar, realizado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra que o diálogo entre a academia e o mercado é possível. Desenvolvido há 25 anos, ele aumentou em uma tonelada por ano a produtividade do estado.

“Cada vez que eu abasteço o carro com etanol, 84% cabem à universidade”, exemplifica o professor responsável pelo programa, Edelclaiton Daros.

“A cada momento que você pega uma colherinha de açúcar, você tem que lembrar da universidade porque o açúcar vem de uma variedade”, Edelclaiton Daros (UFPR)

Atualmente, 75% do plantio de cana-de-açúcar no Brasil são variedades produzidas pelas universidades; no Paraná, este o percentual chega a 84%.

A pesquisa desenvolveu, até o momento, dez variedades da cana-de-açúcar. Cada uma tem o perfil adequado para o momento da colheita.

“Elas são extremamente ricas, são resistentes as doenças, são extremamente produtivas e com isso tem uma representatividade extremamente importante”, afirmou o professor.

O financiamento do setor sucroalcooleiro custeou, em média, 70% dos gastos da pesquisa. O restante vem do poder público. Para este ano, de acordo com Daros, estão previstos R$ 4 milhões.

“Esse é um grande case de parceria público-privado positivo. Não existe algo maior que isso. Nós demoramos de 13 a 15 anos para liberar uma variedade. Então, os nossos 13 primeiros anos foram só de trabalho”.

Isso significa, conforme ressaltado pelo professor, que houve um entendimento do setor de que a pesquisa demanda tempo. Segundo ele, a tendência é de que este prazo para entrega de novas variedades diminua com o avanço da pesquisa.

“Nós satisfazemos ao nosso financiamento, que era o setor, e ao mesmo tempo modificamos o perfil do pequeno produtor de cana. As variedades deles também não produziam mais e nós modificamos. Eles passaram a plantar em uma menor área com maior mais produtividade”, lembrou o professor.

“Há uma demanda, independente da área do setor produtivo, que a universidade tem que dar uma resposta e ela tem competência para dar a resposta”, Edelclaiton Daros (UFPR)

O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar surgiu a partir do programa do governo federal, chamado Planalsucar, que foi atuante durante 19 anos e acabou extinto nos anos 90.

Então, 10 universidades, vendo a potencialidade do programa, se ofereceram para dar continuidade a este trabalho.

Na pauta de discussão

Sobre a necessidade de o país evoluir em relação aos investimentos e êxito na inovação, este é o momento de colocar o assunto em discussão, acredita o professor Edelclaiton Daros.

O professor entende que, com o novo Marco Legal de Ciência, este é o momento para se repensar o papel das universidades, do poder público e na iniciativa privada neste diálogo.

“Agora, cabe à universidade intramuros tentar resolver problemas internos para dar esta agilidade, fazer esta máquina funcionar, porque é inegável a competência dentro das universidades, seja federal, estadual ou particular”.

Pesquisa, empresas e economia

O último relatório da Ciência pela Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), publicado em 2015, indicou que os dispêndios brutos em pesquisa e desenvolvimento (Gerd) no Brasil são menores do que os registrados em economias avançadas e de mercados emergentes.

Na avaliação de quem lida diariamente com pesquisas, o percurso a ser percorrido para que a inovação seja uma ferramenta de desenvolvimento econômico, em especial com geração de emprego, ainda é longo.

Para a Unesco, só será possível com aumento de produtividade por meio da ciência, tecnologia e inovação e de uma força de trabalho bem formada.

“Para entender a demanda do mercado é necessário que a gente comece a trabalhar em parceria com o setor produtivo. Isso é imprescindível”, avaliou o coordenador de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia da UFPR, Alexandre Donizete Lopes de Moraes.

“Hoje a gente precisa tentar uma aproximação com o mercado não só para oferecer novas soluções, mas também para entender quais são as soluções que o mercado demanda. Esse é o nosso grande desafio”, Alexandre Moraes (UFPR)

Alexandre Moraes destaca que a universidade dificilmente vai conseguir desenvolver o produto final para colocar no mercado porque não existem condições para produção em escala industrial.

Além disso, em geral, as pesquisas estão voltadas para o conceito.

Outro aspecto destacado por Moraes é o interesse da iniciativa em investir em inovação, uma vez que ela aparece como um investimento que não é possível calcular se haverá ou não lucro ou êxito.

“A inovação é um risco muito grande, por isso a importância da participação dos incentivos governamentais, por exemplo, os de fomentos. Realmente é complicado para a empresa porque é uma incerteza. A inovação sempre vai ser uma incerteza. Ela pode dar certo, ela pode não dar certo”.

Aqui, ainda é válido mencionar, de acordo com Moraes, que, de maneira geral, as empresas acabam pensando em trabalhar tecnologias já existentes, commodities e pensam pouco ainda em inovação, em ganhar mercado, em pensar em futuro por meio da inovação.

Este aspecto também é mencionado pelo relatório da Unesco. "Quanto ao baixo nível de inovação do Brasil, esse fenômeno está enraizado na indiferença profundamente arraigada das empresas e da indústria em relação ao desenvolvimento de novas tecnologias", diz trecho da publicação.

Diante deste cenário, Alexandre Moraes afirma que as instituições de ensino, bem como a iniciativa privada, devem repensar como agir quando se trata de pesquisa e inovação.

Atuante desde 2001, a Agência de Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem 401 processos de pedido de patente, sendo seis concedidos. Há ainda nove registros de desenho industrial, 17 programas de computador e três cultivares, que são as do programa do professor Edelclaiton Daros.

De todas as pesquisas realizadas na instituição, apenas uma resultou em um produto que está disponível no mercado.

Investimento do governo federal

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações dado mais atualizado sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país remota a 2013. Naquele ano, foi destinado 1,24% do PIB, que fechou em R$ 4,8 trilhões, conforme divulgado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, sancionado em janeiro deste ano, também promete contribuiu para o avanço das pesquisas de inovação no país. A legislação facilita alguns aspectos do mundo da pesquisa e a comunicação entre universidades em empresas.

Exemplos

- Permite que professores das universidades públicas em regime de dedicação exclusiva exerçam atividade de pesquisa também no setor privado, com remuneração;

- Permite que universidades e institutos de pesquisa compartilhem o uso de laboratórios e equipes com empresas, para fins de pesquisa (desde que isso não interfira ou conflita com as atividades de pesquisa e ensino da própria instituição);

- Permite que a União financie, faça encomendas diretas e até participe de forma minoritária do capital social de empresas com o objetivo de fomentar inovações e resolver demandas tecnológicas específicas do país;

- Permite que as empresas envolvidas nesses projetos mantenham a propriedade intelectual sobre os resultados (produtos) das pesquisas;

- Reduz a burocracia na captação de investimentos;

- Simplifica o processo de contratação e de financiamento de pesquisa científica.

A nova etapa do programa federal Start-Up Brasil, vinculado ao Ministério de Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve investir R$ 40 milhões, sendo R$ 20 milhões para aceleração de cem empresas nascentes de base tecnológica, R$ 10 milhões em apoio a startups de hardware e R$ 10 milhões de incentivo ao nascimento de ideias inovadoras. O programa visa, de acordo com o governo federal, fomentar o empreendedorismo tecnológico. (G1 29/06/2016)

 

IEA estima leve aumento de produção de cana em SP e queda na safra de laranja

A safra de laranja do Estado de São Paulo, maior produtor da fruta no Brasil, foi estimada em 279,6 milhões de caixas de 40,8 kg neste ano, uma queda de 5,4 por cento ante 2015, informou nesta quarta-feira o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão do governo paulista.

Segundo o instituto, o fenômeno climático El Niño influenciou de maneira diferente as regiões produtoras do Estado, causando perdas em lavouras próximas a Votuporanga, Tupã e General Salgado, devido à seca e altas temperaturas, enquanto outras regiões sofreram com chuvas abundantes.

São Paulo abriga o principal polo industrial de produção de suco de laranja no Brasil, o maior exportador global da commodity.

De acordo com o IEA, também houve redução de 3 por cento na área cultivada em relação à temporada anterior, inclui áreas com plantas ainda não produtivas.

Já para a colheita da cana-de-açúcar em São Paulo, que responde por mais da metade da safra nacional, deve atingir 439,5 milhões de toneladas, aumento de 0,7 por cento ante a temporada anterior, devido a crescimento de 1,9 por cento na produtividade no mesmo período.

No entanto, o instituto prevê queda de 1,2 por cento na área de produção do cultivo em São Paulo na atual temporada. (Reuters 29/06/2016)