Setor sucroenergético

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Usina Coruripe: Segundo ato

O alongamento da dívida de R$ 2 bilhões da Usina Coruripe resolveu apenas metade do problema.

Agora a família Wanderley tenta fechar a metade que falta: a entrada de um novo sócio. (Jornal Relatório Reservado 30/06/2016)

 

Custo de produção cresce, mas margem deve ser positiva para usinas

Levantamento anual do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Pecege/Esalq) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o custo total de produção de cana-de-açúcar, etanóis anidro e hidratado e ainda os açúcares demerara (VHP) e branco aumentará de 3,84% a 21,56% na safra 2016/2017 no Centro-Sul do Brasil, em relação às três safras anteriores. No entanto, com o atual cenário de preços para os produtos, as usinas deverão ter margens positivas na atual safra, de acordo com a projeção das instituições.

Segundo as estimativas do Pecege/Esalq e da CNA a partir de informações levantadas junto a usinas, sindicatos, associações em abril deste ano, o custo total de produção da cana será de R$ 109,20 por tonelada, alta de 20,84% sobre o custo médio das últimas três safras. O custo total do açúcar branco ficará em R$ 1.188,80 a tonelada, alta de 12,13% se comparados os mesmos períodos, e do demerara de R$ 1.138,97, alta de 21,56%. O metro cúbico (mil litros) do etanol anidro tem custo total estimado de R$ 1.867,15, aumento de 18,3%, e o do hidratado, de 1.789,04, alta de 3,84% em 2016/2017 sobre a média das safras passadas.

A estimativa aponta que apenas áreas com produtividade acima de 98,5 toneladas por hectare de cana possibilitarão margens positivas para cultivo da cultura. No entanto, essa margem negativa pode ser recuperada ao longo da cadeia, na fabricação e comercialização de açúcar e etanol. Em um cenário base proposto pelo Pecege/Esalq e pela CNA, o preço do etanol anidro teria uma média de preço comercializado de R$ 1.850,00, margem negativa de 0,92% sobre o custo total, a única entre os produtos da cana.

O etanol hidratado teria uma margem positiva de 2,29% sobre o custo total, com preço do metro cúbico estimado em R$ 1.830. Já a margem do açúcar, com os mercados internacional e local aquecidos, será ainda mais positiva. O açúcar branco, com preço estimado de R$ 1.350,00 por tonelada, teria margem de 13,56%, enquanto a do demerara ficaria em 7,55% para um preço de R$ 1.225,00 a tonelada. (Agência Estado 30/06/2016)

 

Alta do açúcar tem efeito limitado sobre endividamento das usinas

A alta internacional dos preços do açúcar melhora o caixa das usinas sucroalcooleiras do Brasil no médio prazo, mas o efeito sobre o endividamento - e no perfil de crédito - tende a ser limitado, segundo avaliação da Fitch Ratings. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, 29, a agência de classificação de risco diz que a grave crise enfrentada pelo setor nos últimos anos "torna o cenário de recuperação mais desafiador".

Conforme a Fitch, a estratégia comercial para tirar proveito dos ganhos do açúcar varia de indústria para indústria. As mais estruturadas, por exemplo, já detinham de 50% a 70% de sua produção com preços fixados antes do início da temporada, em abril. À época, o hedge chegava a R$ 1.200 por tonelada. Com as cotações de hoje, podem obter até R$ 1.400 por tonelada.

"Empresas como Raízen Energia (joint venture entre Cosan e Shell) e Jalles Machado devem direcionar seu mix de produção para o açúcar e devem canalizar suas receitas para pagar dívidas e iniciar um processo de desalavancagem", destaca a Fitch. Já as empresas em situação financeira delicada tendem a continuar produzindo mais etanol, dada a geração de caixa mais rápida advinda do biocombustível. Dessa forma, teriam benefícios limitados por parte do açúcar. "Essas companhias terão uma capacidade restrita de desalavancar e podem não ter recursos para pagar suas dívidas."

Os preços do açúcar subiram de 15 centavos de dólar para 20 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York só entre abril e junho. O avanço é resultado do déficit de produção global neste ano, o primeiro após cinco temporadas consecutivas de excedente. Em maio, os estoques do alimento já estavam no menor nível desde 2011. (Agência Estado 29/06/2016)

 

Açúcar: Realização de lucros

Após terem rompido a "barreira psicológica" dos 21 centavos de dólar a libra-peso, os contratos futuros do açúcar demerara apresentaram forte queda ontem na bolsa de Nova York, atribuída pelos analistas a uma realização de lucros natural.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão cotados a 20,33 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 68 pontos. O início das monções na Ásia também atuou para pressionar o valor da commodity.

Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, apesar de irregulares, as monções já beneficiam algumas áreas produtoras da Índia.

O país sofreu com uma forte seca que provocou quebra da safra local. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 87,86 a saca de 50 quilos, queda de 0,31%. (Valor Econômico 01/07/2016)

 

Grupo Clealco reduz prejuízo em 77,6% na safra 2015/2016

O Grupo Clealco, que possui três unidades processadoras de cana-de-açúcar localizadas nos municípios paulistas de Clementina, Queiroz e Penápolis, relatou prejuízo líquido de R$ 44,27 milhões em 2015/2016, queda de 77,6% sobre o resultado negativo de R$ 197,981 milhões de 2014/2015, segundo balanço financeiro publicado hoje.

Apesar da redução, o conglomerado de usinas segue com prejuízo pela terceira safra seguida, já que em 2013/2014 relatou resultado negativo de R$ 91,667 milhões. Em 2012/2013 foi registrado um lucro líquido de R$ 41,696 milhões.

A companhia registrou crescimento de 12,6% no faturamento entre os períodos, de R$ 1,025 bilhão para R$ 1,154 bilhão, e encerrou 2015/2016 com um lucro operacional de R$ 204,5 milhões, quatro vezes superior ao de R$ 50,2 milhões da safra anterior.

Os impactos maiores no resultado vieram das despesas financeiras, que variaram de R$ 107,49 milhões, para R$ 145,89 milhões entre os períodos. Por outro lado, o Grupo Clealco minimizou as perdas com variação cambial, com queda de R$ 179,132 milhões para R$ 101,249 milhões, e dos prejuízos com derivativos, que saíram de R$ 79,912 milhões para R$ 27,476 milhões entre 2014/2015 e 2015/2016.

"A margem Ebitda (lucro antes de impostos, depreciações e amortizações) do período atingiu 31,6%, chegando aos R$ 364,7 milhões, 33% superior ao da safra anterior, desempenho influenciado pela captura de melhores preços, em um contexto mercadológico favorável para o açúcar, resultante de uma inversão na relação de oferta e demanda mundial e da valorização do dólar, bem como pelos aumentos dos preços do etanol, decorrentes de ajustes tributários e de reajustes no preço da gasolina", informou a empresa.

O volume de cana-de-açúcar processado em 2015/2016 cresceu 8,15% e renovou o recorde da safra anterior, saindo de 9,2 milhões de toneladas para 9,95 milhões de toneladas. "A Clealco também ampliou a participação de cana-de-açúcar própria para 50% do total, através da aquisição de 15,5 mil hectares", acrescentou a companhia.

A produção de açúcar cresceu 4,5% ante 2014/2015, para 655 mil toneladas, e a de etanol aumentou 48,5%, para 351 milhões de litros. (Agência Estado 01/07/2016)

 

Setor sucroalcooleiro e governo do MT firmam pacto para desenvolvimento

Um pacto pelo reequilíbrio fiscal e desenvolvimento de Mato Grosso foi firmado entre o setor sucroalcooleiro e o governo do Estado. O intuito é criar condições para que o setor sucroalcooleiro se desenvolva, ao mesmo tempo em que cumpre com as suas obrigações com o Estado.

O pacto foi firmado na quinta-feira, 30 de junho, durante reunião entre o setor e o governador Pedro Taques. Na ocasião, o presidente do sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Piero Vicenzo Parini, destacou que esse é o momento de o setor ajudar Mato Grosso a reequilibrar suas finanças.

“Estamos passando por desafios econômicos e dificuldades, tanto na iniciativa pública quanto privada. É o momento para que os setores tragam o apoio necessário e façam um pacto pelo desenvolvimento do Estado”, pontuou Piero no encontro.

Durante a reunião foram discutidas, ainda, alterações na legislação de tributos, além de um acordo para o pagamento de passivos do etanol, que estão em torno de R$ 50 milhões hoje.

O objetivo do pacto e do encontro, explica o secretário de desenvolvimento econômico, Ricado Tomczyk, é criar condições para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro, ao mesmo tempo em que ele cumpra com as suas obrigações com o Estado.

Tomczyk revela que o governo já trabalha na minuta de uma nova lei e que irá ouvir o setor para que ela seja mais abrangente possível. “Vamos fazer tudo de acordo com as necessidades do setor e em parceria com estes representantes".

Passivos pendentes

Conforme o secretário de Fazenda, Seneri Paludo, a pasta está buscando opções que deem segurança tanto para o Estado, quanto para o setor sucroalcooleiro no que tange os passivos pendentes.

"Agora vamos trabalhar esta proposta para recebermos estes valores e acredito que em menos de uma semana isso esteja fechado. Temos muitas ações em andamento e uma das principais é buscar os passivos devidos em diversos segmentos. Em 2015 recebemos cerca de meio milhão de reais, que foi o que nos ajudou a manter a folha de pagamento em dia. E este ano a previsão é ainda maior", pontua Paludo. (Agro Olhar 01/07/2016)

 

IEA estima leve aumento de produção de cana em São Paulo

A safra da cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, que responde por mais da metade da safra nacional, deve atingir 439,5 milhões de toneladas, informou nesta quarta-feira o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão do governo paulista.

Esse número representa aumento de 0,7 por cento ante a temporada anterior, devido a um crescimento de 1,9 por cento na produtividade no mesmo período.

No entanto, o instituto prevê queda de 1,2 por cento na área de produção do cultivo em São Paulo na atual temporada. (Reuters 30/06/2016)

 

Preços do açúcar aumentam no Brasil com fortes exportações

O Brasil, principal produtor mundial de açúcar, está exportando tanto o produto que os consumidores domésticos estão enfrentando uma redução dos estoques e pagando preços recorde.

Os indicadores de preços para o açúcar cristal, variedade do açúcar branco consumido pela indústria alimentícia no Brasil, subiram 83 por cento ao longo do último ano. Os preços subiram depois que usinas como a chinesa Cofco e o Grupo USJ destinaram mais cana à produção de açúcar bruto para exportação em detrimento da variedade usada pela indústria local. As exportações foram impulsionadas pela desvalorização do real.

Os preços mais elevados do açúcar intensificam os problemas com a inflação, tornando a vida um pouco mais amarga para os brasileiros, que enfrentam a pior recessão em décadas. As empresas domésticas de alimentos e bebidas, com dificuldades para garantir a oferta de açúcar branco, atualmente pagam às produtoras um ágio sobre os preços internacionais quatro vezes maior que o praticado há um ano.

O açúcar cristal deu um salto de 13 por cento em junho, para R$ 87,29 (US$ 26,35) a saca de 50 quilos, segundo dados do Cepea, braço de pesquisa da Universidade de São Paulo. O preço atingiu uma alta histórica de R$ 87,40 em 24 de junho.

Cortes da Cofco

A Cofco deixou de produzir açúcar branco em suas quatro usinas no Brasil neste ano, o que significou um corte de 300 mil toneladas na oferta doméstica. A produção de açúcar bruto da empresa no país subirá aproximadamente 300 mil a 1,2 milhão de toneladas, disse Marcelo de Andrade, presidente global para o açúcar da Cofco Agri. O USJ reduziu sua produção em 50 mil toneladas, para 220 mil toneladas.

"Foi uma decisão técnica", disse Andrade, por telefone, de São Paulo. "Nossas plantas estavam com baixa eficiência na produção de açúcar branco, por isso decidimos deixar de produzir esse tipo de produto por enquanto e destinar mais cana para a produção de açúcar bruto."

Embora os cortes de produção na Cofco e no USJ representem apenas uma fração das 7,7 milhões de toneladas consumidas domesticamente no Brasil, quando combinados com as restrições em outras usinas eles podem provocar um grande impacto sobre o mercado doméstico, disse Luiz Gustavo Figueiredo, diretor comercial da Usina Alta Mogiana. O ágio pago pelo açúcar branco para entrega no ano que vem subiu e ficou US$ 40 por tonelada acima do preço pago pelo açúcar bruto negociado em Nova York. Há um ano, o valor era de cerca de US$ 10.

"A demanda é a mesma, mas a oferta está mais escassa", disse Figueiredo.

As empresas de alimentos e de bebidas também estão sofrendo por terem adiado as aquisições no início do ano, quando a perspectiva de colheita maior os levou a adiar as compras, segundo Bruno Lima, chefe do setor de açúcar da INTL FCStone.

"Agora as exportações estão fortes e os estoques estão baixos", disse Lima por telefone, de Campinas, São Paulo. (Bloomberg 30/06/2016)

 

VLi inaugura Terminal de Uberaba; unidade para açúcar ainda não está concluída

Com inauguração ontem da primeira etapa do Terminal Integrador de Uberaba, a Valor da Logística Integrada (VLi) colocou em operação estrutura para transporte e armazenagem de grãos. A empresa continua com as obras em andamento para concluir as instalações que vão receber a produção de açúcar.

Com investimento total de R$230 milhões, o Terminal Integrador de Uberaba tem capacidade de movimentar anualmente 6,3 milhões de toneladas de grãos e, após a entrega da segunda etapa, 2,4 milhões de toneladas de açúcar. A unidade ainda conta com espaço para armazenar até 120 mil toneladas de grãos e 90 mil toneladas de açúcar.

De acordo com o diretor-presidente da VLi, Marcelo Spinelli, a construção da estrutura destinada ao transporte e armazenagem de açúcar deve ser concluída até agosto. A segunda fase do empreendimento está prevista para entrar em funcionamento no segundo semestre deste ano.

Segundo a companhia, na etapa inicial, a equipe é composta por 220 trabalhadores. Ela chegará a 300 pessoas quando entrar em operação a parte destinada ao açúcar.

Também presente à solenidade, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, destacou que o terminal de Uberaba facilitará o escoamento da produção agrícola para o mercado externo, pois estará interligado pela ferrovia ao porto de Santos. Além disso, ele reforça que o empreendimento vai retirar cerca de 1.200 caminhões das rodovias, reduzindo os custos com transporte e dando mais eficiência para o agronegócio.

Murilo também ressaltou que o Terminal Integrador no Porto de Santos está sendo ampliado para atender operações voltadas à exportação e eliminar os problemas de fila para descarregamento de produtos. (JM Online 30/06/2016)