Setor sucroenergético

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Açúcar tem papel fundamental na retomada do crescimento econômico

Portos brasileiros já começam a registrar maior fluidez no tráfego de caminhões. Durante o mês de junho, a alta demanda por exportação de açúcar havia gerado trânsito intenso nos maiores complexos portuários do País.

De acordo com o diretor de comercialização de açúcar da Raízen, Ivan Melo, a alta movimentação observada nessas operações de longo curso é reflexo da importância que a commodity ganha para os resultados positivos da balança comercial brasileira em um cenário desafiador. "O açúcar tem papel fundamental na retomada do crescimento econômico", disse o executivo.

Como companhia líder em produção de açúcar e etanol, e uma das maiores distribuidoras de combustíveis do País, a Raízen tem direcionado esforços para contribuir com o aumento da eficiência nos modais logísticos brasileiros. No último mês de maio, a companhia licenciada da marca Shell no Brasil inaugurou um Centro de Triagem de caminhões-tanque em Cubatão (SP), com capacidade para receber 120 veículos da categoria por dia. Os objetivos são contribuir com a excelência operacional da frota terceirizada, oferecer segurança para motoristas e evitar congestionamentos no fluxo do Sistema Anchieta-Imigrantes para o Porto de Santos. (Brasil Agro 06/07/2016)

 

Açúcar: Aversão ao risco

Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos registrados na terça-feira.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em março fecharam a 20,76 centavos de dólar a libra-peso, queda de 18 pontos.

O sentimento de aversão ao risco influenciou o humor dos investidores, que em geral reduziram ontem suas apostas nos mercados de commodities.

Além disso, as previsões de tempo firme na região Centro-Sul do Brasil nos próximos dias, o que deve manter a moagem de cana-de-açúcar em ritmo acelerado neste início de julho, avaliou, em nota, a consultoria Zaner Group.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou variação negativa de 0,69%. No mês, há queda acumulada de 0,23%.

 

ATR AL e SE: Junho fecha em R$ 0,7018; queda de 0,17% na comparação com maio

O Sindaçúcar - Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas - divulgou os valores do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) dos estados de Alagoas e Sergipe no mês de junho de 2016.

Os valores do ATR líquido acumulado fecharam junho em R$ 0,7018 contra R$ 0,7030 do mês de maio, uma desvalorização de 0,17% no comparativo entre os meses. O valor líquido cana padrão fechou cotado a R$ 80,0684, também registrando baixa de 0,17% em relação ao mês anterior.

Já no mensal, os preços do ATR líquido foram cotados a R$ 0,6679 em junho, contra R$ 0,6835 do mês de maio, registrando uma queda de 2,33% no comparativo entre os dois meses. (UDOP 06/07/2016)

 

Para elevar arrecadação, governo deve aumentar a Cide

Imposto sobre combustível, que pode render até R$ 10 bilhões a mais na arrecadação, é a opção mais provável para diminuir rombo nas contas.

Se o governo optar por elevar a carga tributária para garantir um rombo menor nas contas públicas em 2017, o mais provável é que eleve a Cide sobre os combustíveis, informaram fontes da área econômica. A alta do tributo poderia garantir arrecadação de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões, dependendo das alíquotas a serem aprovadas. O governo também avalia alterações no Imposto de Renda.

A possibilidade de alta nos tributos foi admitida ontem pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, após reunião com o presidente em exercício, Michel Temer. “Estamos trabalhando na receita e obviamente envolve diversos setores de atividade econômica, a retomada da confiança, o investimento, a infraestrutura. Temos de pensar também em privatização e venda de ativos”, disse. Questionado se o aumento de impostos também está neste horizonte, respondeu: “Estamos considerando e vamos divulgar as conclusões ainda essa semana”.

A intenção de Temer era definir a nova meta fiscal ontem, mas não houve consenso na equipe. Enquanto a área econômica defende um déficit de R$ 150 bilhões, podendo ser até mesmo R$ 140 bilhões, há na área política quem defenda a repetição da meta deste ano, de rombo de R$ 170,5 bilhões, que ainda assim já imporia aperto adicional de gastos. Meirelles negou a divergência.

Sem chegar a um acordo, o Planalto adiou a definição da nova meta para hoje, segundo o relator do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Wellington Fagundes (PR-MT). Ele se disse favorável à elevação da Cide, desde que a receita seja partilhada com Estados e municípios. Em sua opinião, o governo vai adotar a elevação da alíquota da Cide para reforçar o caixa e diminuir o rombo fiscal projetado para 2017.

Para Fagundes, a adoção da Cide é fácil porque precisa apenas de decreto presidencial. Não precisaria, portanto, de aprovação de proposta pelo Congresso, como a CPMF.

O senador é autor de proposta de emenda à Constituição (PEC) que aumenta a fatia de Estados e municípios no bolo da Cide. Caso o governo a inclua como fonte de receita para o próximo ano, ele pretende atrelar a alta do tributo à aprovação de proposta que aumente a participação dos entes regionais.

O senador disse que as mudanças com os novos parâmetros para a meta fiscal de 2017 deverão ser encaminhadas amanhã ao Congresso. Ele pretende trabalhar na elaboração de um parecer no fim de semana para tentar votar o projeto na Comissão Mista de Orçamento e no plenário do Congresso até quarta-feira da próxima semana.

Na noite de ontem ainda havia números variados para a meta. Rose de Freitas (PMDB-ES), líder do governo no Senado, disse que deverá ficar num déficit entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões. Admitiu que a alta de impostos está em discussão, mas acha ser difícil obter apoio popular para a medida após a gestão ter mantido aumentos para o funcionalismo público negociados pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Rose reconheceu que, sem aumento de tributos não é possível fazer no próximo ano déficit menor que o projetado para 2016, de R$ 170,5 bilhões. “Vão ter de repetir a dose”. (O Estado de São Paulo 06/07/2016)

 

Empréstimo e crise internacional podem melhorar situação de usinas em Alagoas

A crise econômica que assola o país, principalmente a partir dos últimos meses de 2014, acertou o setor sucroalcooleiro anos antes, gerando grande desemprego no estado. No entanto, as expectativas quanto à próxima safra são boas, tanto por conta das chuvas, da produção, como também dos recursos injetados por meio de empréstimos internacionais.

Segundo o economista Cícero Péricles, do ano passado para cá, notícias dão conta de um novo cenário para o setor sucroenergético. As chuvas foram boas e a safra deste ano, a 2016/2017, deverá ser maior. As previsões da Conab são no sentido de que o setor deverá moer, em Alagoas, 18 milhões de toneladas de cana, 12% mais que a safra passada. Péricles afirmou ainda que os preços estão melhores, tanto para o etanol como para o açúcar, provocando uma recuperação setorial.

Esta expectativa viabilizou a tomada de um empréstimo junto a um banco suíço, o Swiss Bank, com o aval do Fundo Garantidor de Exportações. Cícero Péricles explicou: “como as usinas alagoanas exportam para os Estados Unidos dentro do convênio chamado de Cota Preferencial Americana, com preço mais alto, há uma garantia real de pagamento. Nesta última safra, 18 usinas alagoanas enviaram açúcar para os Estados Unidos dentro desse convênio”.

O empréstimo de US$ 500 milhões, equivalente a 1,7 bilhão de reais, será ofertado às 42 usinas nordestinas que exportam para os Estados Unidos. Este empréstimo servirá para as usinas pagarem seus débitos com os fornecedores e realizar investimentos, principalmente na parte agrícola.

Para o economista, este empréstimo é importante porque a agricultura é um setor muito sensível ao crédito antecipado para poder financiar seus investimentos na produção, no custeio de seus tratos culturais, no plantio de suas safras futuras. Essa combinação de preços mais altos, clima favorável e empréstimo internacional, podem garantir uma recuperação, ainda que lenta, do setor em Alagoas.

Boas expectativas ainda não geram novos empregos

O setor é o mais importante gerador de empregos em Alagoas, e esta crise – sem precedentes – que começou por intempéries climáticas, passou por instabilidade internacional, controle de preços do combustível e hoje afunda junto com a economia brasileira, precisa se recuperar para manter os empregados e gerar novas vagas.

O economista Cícero Péricles explicou que a crise no setor vem desde a década passada e se deve a uma combinação de seca que se abateu no Nordeste e derrubou a produção regional, coincidindo com um período de preços baixos no álcool, no mercado interno, devido aos preços controlados da gasolina, e aos preços também pouco remuneradores no mercado internacional, para onde vão 70% da produção regional. Ou seja, queda na produção com redução de preços tanto do açúcar como do etanol.

A crise afetou financeiramente as empresas do setor, que, na sua maioria, tinham se endividado na expectativa de um mercado que crescia em ritmo forte no começo dos anos 2000, tanto pelos bons preços internacionais como pela ampliação da frota de carro flex-fuel, com possibilidades de mais consumo de etanol. Essa dívida justifica e explica a quebra de várias empresas e a ida para recuperação judicial de outras unidades.

Segundo a coordenadora do Observatório do Trabalho, Ana Milani, o ciclo de geração de emprego se apresenta menor neste ano de 2016 que no ciclo anterior. “Isto é reflexo da queda na produção da cana em abril 2016 se comparada com o mesmo período do ano anterior (-8,08%), levando a uma queda na produção da safra. Esta contração se reflete no menor saldo de movimentações de emprego formal”.

Sindicato dos Trabalhadores não vislumbra fim da crise

Em Alagoas, pelo menos cinco usinas já não moeram na safra 2015/2016, restando 19. O fechamento das indústrias e em consequência as demissões em massa afetam regiões inteiras no Estado. Os problemas gerados aos trabalhadores vão desde os mais básicos até os mais complexos, que tem início com a falta de recursos para aquisição de bens de consumo básico.

Para o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Açúcar do Estado de Alagoas (STIA/AL), não há como vislumbrar um fim para a crise que hoje traz recessão à economia brasileira, foram muitos os trabalhadores que perderam seus empregos e que passaram a vida toda no trabalho rural e hoje precisam se apegar à esperança.

A política econômica de Dilma Rousseff autorizou as indústrias do setor sucroenergético a contraírem empréstimos internacionais. Esta medida deveria injetar nas empresas alagoanas cerca de 300 milhões de dólares, cerca de um bilhão de reais. No entanto, apesar do otimismo, os trabalhadores rurais ainda não sentiram os benefícios desses recursos.

“Existe a liberação de créditos, mas temos que esperar o momento certo para dizer que os trabalhadores estão sendo beneficiados. No campo ideológico tudo está bem, mas temos que ver o trabalhador ser readmitido de suas funções, ganhando em dia, tendo seus vencimentos mais valorizados, aí sim podemos falar em melhoras”, disse a assessoria do STIA/AL.

Tentando diminuir os efeitos da crise, muitos trabalhadores aceitaram a redução de jornada e consequente redução de um já tão baixo salário. Outros que dependiam completamente do corte da cana ou de outro trabalho relacionado às usinas, hoje se veem procurando emprego em diferentes ramos, como o comércio, saindo do campo para as cidades e contribuindo para agravar diversos outros problemas sociais, com o êxodo rural.

“Outra opção é trabalhar em outros estados onde há crise, mas ainda conseguem absorve alguma mão de obra mais específica, com salários mais aceitáveis”, mencionou. Um caso emblemático tem sido o dos trabalhadores das usinas do Grupo João Lyra que estão passando por processos judiciais de falência e não pagaram os débitos trabalhistas.

Uma pequena parte dos ex-trabalhadores da Usina Guaxuma, em Coruripe, se apossou de parte das terras e está morando e vivendo do que planta nas terras que anteriormente era exclusiva da monocultura da cana-de-açúcar.

A alternativa que parecia vir dando algum alento para aquelas famílias, segundo o STIA/AL vem sendo desfeita. “Os trabalhadores já estão sendo retirados da usina e há uma transação em curso que deve se dar até o fim do mês. Defendemos a contratação desse pessoal, em tempo, que nos posicionamos em favor da legalidade. Esperamos que as negociações sejam realizadas de forma célere e que os trabalhadores retomem para indústria o quanto antes”, disse a assessoria.

GranBio anuncia retorno de produção

Após interromper suas atividades para ajustes de equipamento e de processos de produção, a GranBio relata que seus trabalhos na usina Bioflex serão retomadas em outubro, segundo anunciou o vice-presidente de novos negócios, Alan Hiltner. A empresa retornará transformando bagaço de cana em etanol de segunda geração (2G).

A empresa com capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano, em 2015 só produziu 4 milhões, sendo esse um dos principais motivos para a paralisação. No entanto, o vice-presidente avalia que até 2018 os custos de produção do 2G devem se igualar ou até mesmo ficar abaixo dos de primeira geração (1G), fabricado da forma tradicional, a partir do caldo de cana.

O pleno funcionamento da empresa representa mais de mil empregos diretos e indiretos na indústria. (Cada Minuto 06/07/2016)

 

Agência ambiental americana reconhece o biometano como combustível avançado

Biocombustíveis avançados, como o etanol celulósico de segunda geração, emitem pelos menos 50% a menos de gás carbônico (CO2) do que a gasolina.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, sigla em Inglês) confirmou o biometano como um biocombustível avançado, ou seja, considerado renovável, de baixo carbono e que pode contribuir de forma significativa para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE).

O anúncio foi recebido como positivo para o setor no mundo inteiro, pois os Estados Unidos são um dos mais importantes mercados do planeta e pode abrir precedentes para que o mesmo aconteça em outras partes do mundo e no Brasil. O biometano pode ser produzido de diversas fontes, como resíduos da indústria sucroalcooleira (cana-de-açúcar), vinhaça e palha, resíduos de animais e esterco.

Biocombustíveis avançados emitem pelos menos 50% a menos de gás carbônico (CO2) do que a gasolina. Vale acrescentar que, com essa denominação, o biometano passa a competir diretamente com o etanol celulósico dentro das metas de consumo estabelecidas pela EPA.

Além disso, os carros híbridos e elétricos que utilizem a energia gerada a partir do biogás também passam a ser considerados avançados, pois contribuem no processo de descarbonização do segmento de transporte.

“A decisão da EPA ressalta os benefícios ambientais do biometano e reafirma o insumo como combustível renovável e de baixo carbono, que pode ajudar o mundo a mitigar os efeitos do aquecimento global e ao mesmo tempo diversificar a matriz energética”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), Alessandro Gardermann.

O executivo lembra ainda que o insumo vai ajudar os EUA a alcançar suas metas de segurança energética e de redução de gases de efeito estufa, conforme o acordo firmado na cúpula do clima de Paris, a COP 21.

“Esperamos que outros governos possam tomar nota da maneira como a EPA administrou esse processo. No Brasil, a produção anual de biometano poderia chegar a 28,5 bilhões m³/ano, isso equivale a 50% do consumo de diesel do país. Além de aliviar a pressão energética na qual vivemos hoje, atenderia a necessidade de biocombustíveis”, diz Gardermann.

Desta forma, segundo informações da ABiogás, o biometano brasileiro poderia abastecer quase 25% da frota nacional, combinando a gestão adequada dos diversos resíduos com emissão negativa de dióxido de carbono.

Ação incisiva

Segundo a ABiogás, o motivo principal pela qual o biometano ainda não é considerado um combustível avançado no Brasil é a falta de uma política pública que viabilize a inserção na matriz energética nacional. A ABiogás produziu recentemente uma proposta integrada de iniciativas para o desenvolvimento do mercado de biogás para fim energético no Brasil – o Programa Nacional de Biogás e Biometano (PNBB).

O documento cita inúmeras evidências científicas mostrando as vantagens do biocombustível. O Programa tem também como destaque a necessidade de criação de leilões de energia, simplificação tributária e desonerações na cadeia produtiva de equipamentos para a cadeia de produção de biogás e biometano.

“O PNBB pretende estabelecer condições específicas para que os investimentos no biogás e no biometano sejam atrativos para potenciais produtores e usuários e que se estabeleçam como fontes de energia seguras, oficialmente inseridas na matriz energética, com qualidade e disponibilidade firme”, diz Gardermann. (Dinheiro Rural 06/07/2016)