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Açúcar remunera 75% mais que o anidro e 90% mais que o hidratado

A forte valorização do açúcar cristal e o recuo do etanol no mercado interno fizeram com que o alimento remunerasse 75% mais que o anidro e 90% mais que o hidratado no Estado de São Paulo na última semana, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Em junho, o preço do cristal subiu quase 14%. As cotações do açúcar estão em alta no mercado internacional, sustentadas pelo primeiro déficit de oferta em cinco anos.

Até hoje, a maior remuneração do açúcar frente ao hidratado ocorreu em janeiro de 2011, quando o adoçante chegou a ser 94% mais vantajoso que o combustível. Naquele mesmo mês, também foi observada a maior remuneração do açúcar frente o anidro, de 83%.

Na comparação entre os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 8% mais que o hidratado na última semana. O preço médio do anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,9218 por litro (sem impostos). Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,7518/litro (sem impostos). O valor do hidratado que seria equivalente ao do anidro teria que ser de R$ 1,57/litro (sem impostos). (Agência Estado 07/07/2016)

 

Aversão a risco e clima favorável à moagem fazem açúcar cair em NY

Os bons ventos que sopraram da bolsa de Nova York para as usinas sucroalcooleiras nos últimos meses começaram a arrefecer depois que os preços futuros do açúcar atingiram o maior patamar desde outubro de 2012, acima de 21 centavos de dólar a libra-peso no fim de junho.

Além de a valorização da commodity ter sido sustentada na aposta dos fundos especulativos, o que torna o mercado vulnerável a uma correção técnica, o clima tem favorecido o avanço da moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, irrigando o mercado com açúcar novo e contribuindo para a queda dos preços, conforme analistas.

Ontem, os contratos de maior liquidez na bolsa novaiorquina caíram 4% e fecharam a 19,73 centavos de dólar a libra-peso, mas há quem aposte que os preços ainda podem cair mais. "Uma liquidação maciça dos fundos pode fazer o preço ir para 18 centavos de dólar a libra-peso", estima Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting. Para ele, os preços não devem cair abaixo de 17 centavos de dólar.

A desvalorização de ontem foi provocada justamente por uma liquidação de fundos e refletiu o pessimismo dos investidores com a economia mundial pós-Brexit. Com menos apetite por risco, houve uma fuga de capitais do mercado de commodities, com quedas expressivas de ativos mais "sobre-comprados", como o açúcar.

Mas os fundamentos também têm dado sua contribuição. Embora as estimativas de déficit de oferta sejam o grande argumento para a escalada dos preços, Corrêa avalia que a demanda não anda assim tão impressionante.

No mercado físico, em que os preços são mais sensíveis à demanda, o açúcar continua sendo negociado com desconto ante os preços internacionais. O açúcar VHP (polarização muito alta) para carregamento imediato vem sendo negociado no porto de Santos com desconto de 10 pontos. "Quando há demanda forte, há queda do desconto ou alta dos prêmios, e não vemos isso agora", diz o a analista.

Em uma semana, o volume de açúcar a ser carregado nos navios que fazem fila nos portos brasileiros caiu 16,8%, para 1,3 milhão de toneladas, conforme levantamento da agência marítima Williams.

O alto volume de açúcar entregue na bolsa de Nova York (1 milhão de toneladas) do contrato para julho também mostra pouco apetite pelo açúcar do mercado físico. "O vendedor ficou com o açúcar até o fim porque ninguém bateu à sua porta", observa Corrêa.

A melhora do clima na Índia também pode aumentar a pressão sobre as cotações. Desde o início do período das chuvas de monções no país, em junho, as precipitações vêm superando a média histórica. Se esse padrão se mantiver, a próxima safra do país pode ter alguma recuperação.

Por esse motivo, Gabriel Elias, trader da Olam International, estima que um piso para os preços do açúcar está em 19 centavos de dólar a libra-peso neste mês.

A pressão maior, porém, pode vir sobre os contratos que vencem em maio de 2017 para frente, relativos à próxima safra brasileira. A expectativa é que as usinas acelerem a fixação dos preços em dólar do açúcar para a temporada 2017/18, o que deve aumentar a liquidez no mercado. "Em algum momento as usinas vão decidir começar a precificar a safra 2017/18, então teremos uma pressão baixista", estima Elias. (Valor Econômico 08/07/2016)

 

Irã compra 60 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil, dizem fontes

O Irã comprou 60 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil nesta semana, em uma das primeiras aquisições neste ano após a suspensão das sanções em janeiro, e novas importações são esperadas nos próximos meses, disseram fontes comerciais.

As fontes disseram que a agência de compra estatal iraniana comprou a carga de uma casa de comércio internacional para embarque em 15 julho-15 agosto.

O negócio foi precificado de 37 a 40 pontos abaixo do preço de referência dos futuros do açúcar bruto na ICE, considerado pelas fontes como um preço competitivo. No início desta semana, os preços do açúcar bruto subiram para o maior nível em três anos e meio. (Reuters 07/07/2016)

 

MT: Grupos projetam investir R$ 2,5 bilhões para a produção de etanol

A Fiagril investe no processamento de milho para a produção de etanol
Na contramão da crise econômica, as gigantes do agronegócio Fiagril e Cevital planejam investir mais de R$ 2,5 bilhões em novas plantas de processamento de milho para produção de etanol em Mato Grosso. A ideia é aproveitar a alta produtividade do milho no Estado, onde já se colhem mais de 10% da safra brasileira do grão, sendo mais de um quarto da produção na entressafra. Em 2016, Mato Grosso vai colher 20,3 milhões de toneladas do milho plantado em 3,4 milhões de hectares.

Somente a Fiagril, que tem capital brasileiro, chinês e norte-americano, deve aproveitar 10% dessa produção na unidade de processamento em construção em Lucas do Rio Verde (350 km ao Norte de Cuiabá) e na implantação de três ou quatro novas plantas na região, segundo fontes do mercado. A planta deve produzir mais de um terço de todo o etanol consumido em Mato Grosso, hoje quase todo ele provindo de usinas de cana-de-açúcar. A nova planta abastecerá os estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Amapá.

A Cevital, uma multinacional com sede na Argélia (África), faz as tratativas para investir pelo menos US$ 500 milhões, ou R$ 1,7 bilhão, na produção de etanol no município de Vera (450 km ao Norte de Cuiabá). O investimento na região pode ultrapassar os R$ 3 bilhões. Em Mato Grosso, dez usinas de cana produzem, juntas, um bilhão de litros de etanol. Metade abastece os carros dos mato-grossenses e a outra metade é exportada para ser misturada à gasolina do tipo C, que é importada pelos postos locais. O Estado importa 1,1 bilhão de litros anuais desse tipo de gasolina, que tem 27% de etanol em sua composição. (Midia News 06/07/2016)