Setor sucroenergético

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Açúcar: Realização de lucros

Os contratos futuros do açúcar demerara encerraram o último pregão da semana passada em queda, ampliando as perdas de uma realização de lucros iniciada no dia 6, após a commodity atingir o maior patamar desde outubro de 2012.

Na bolsa de Nova York, os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram o pregão cotados a 19,81 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 19 pontos.

A semana passada foi marcada ainda por um forte sentimento de aversão ao risco devido às incertezas sobre a economia mundial pós-Brexit, revertido após a divulgação de resultados melhores que o esperado sobre a criação de empregos nos EUA.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,98 a saca de 50 quilos, queda de 0,74%. (Valor Econômico 11/07/2016)

 

Preço do etanol cai em 15 Estados e no DF, aponta ANP

Os preços do etanol hidratado (utilizado diretamente no tanque dos veículos) recuaram em 15 Estados e no Distrito Federal nesta semana, mas só continuam mais competitivos do que a gasolina em quatro Estados, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A desvalorização do biocombustível aos consumidores acompanha a queda dos preços que as usinas já vêm recebendo pela venda do produto desde o início de junho.

O recuo mais expressivo ocorrido entre os dias 3 e 9 foi em Alagoas, onde o preço médio do etanol recuou 4,66% em relação à semana anterior, para R$ 3,148 o litro. O valor, porém, ficou em 85% do preço médio da gasolina, acima do patamar de 70%, que é considerado o nível de competitividade entre os dois combustíveis. O etanol hidratado também teve forte queda no Piauí (2,37%), em Mato Grosso do Sul (1,69%) e Rio Grande do Sul (1,05%).

Em São Paulo, principal polo consumidor de combustíveis do país, o litro do etanol recuou 0,93%, para R$ 2,247, e ficou em 65% do valor da gasolina, o que o torna mais competitivo que o combustível fóssil.

Já em Minas Gerais, outro importante centro consumidor de combustíveis, o preço médio do etanol subiu 0,51%, para R$ 2,541 o litro, mas a correlação coma gasolina continuou mais vantajosa que esta.

O biocombustível também continuou mais competitivo que a gasolina em Mato Grosso, com um preço médio de R$ 2,485 o litro, que correspondeu a 67% do valor da gasolina. Em Goiás, o preço médio do etanol ficou em R$ 2,598 o litro, que ficou em 70% do valor da gasolina, exatamente a paridade com o combustível fóssil. (Valor Econômico 08/07/2016)

 

Biosev propõe a acionistas elevação do limite de capital a R$ 2,618 bi

O conselho de administração da Biosev propôs para a assembléia geral de acionistas que seja votada uma alteração no estatuto da companhia que ratifique o aumento do limite do capital social da companhia de R$ 1,190 bilhão para R$ 2,618 bilhões, conforme comunicado enviado há pouco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse aumento já ocorreu em operações passadas, autorizadas pelo conselho.

Esse valor fica dividido em 219.628.363 ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal. O limite atual previsto no estatuto é dividido em 119.967.448 ações do mesmo tipo.

Segundo o comunicado, a aprovação permitirá que o conselho de administração promova novos aumentos do capital social da companhia, independentemente de deliberação dos acionistas e alteração do estatuto social, por meio da emissão de até 167.000.000 de novas ações ordinárias nominativas, escriturais e sem valor nominal.

Segundo a companhia, essa modificação estatutária “não surtirá qualquer efeito jurídico e/ou econômico relevante”.

O conselho da Biosev também propôs aos acionistas fixar o montante global da remuneração dos administradores para o exercício social que termina em 31 de março de 2017, referente à safra 2016/17. (Valor Econômico 08/07/2016)

 

Investimentos em etanol de milho no Mato Grosso somam R$ 2,5 bilhões

Na contramão da crise econômica, as gigantes do agronegócio Fiagril e Cevital planejam investir mais de R$ 2,5 bilhões em novas plantas de processamento de milho para produção de etanol em Mato Grosso. A ideia é aproveitar a alta produtividade do milho no Estado, onde já se colhem mais de 10% da safra brasileira do grão, sendo mais de um quarto da produção na entressafra. Em 2016, Mato Grosso vai colher 20,3 milhões de toneladas do milho plantado em 3,4 milhões de hectares.

Somente a Fiagril, que tem capital brasileiro, chinês e norte-americano, deve aproveitar 10% dessa produção na unidade de processamento em construção em Lucas do Rio Verde (350 km ao Norte de Cuiabá) e na implantação de três ou quatro novas plantas na região, segundo fontes do mercado. A planta deve produzir mais de um terço de todo o etanol consumido em Mato Grosso, hoje quase todo ele provindo de usinas de cana-de-açúcar. A nova planta abastecerá os estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Amapá.

A Cevital, uma multinacional com sede na Argélia (África), faz as tratativas para investir pelo menos US$ 500 milhões, ou R$ 1,7 bilhão, na produção de etanol no município de Vera (450 km ao Norte de Cuiabá). O investimento na região pode ultrapassar os R$ 3 bilhões.

Em Mato Grosso, dez usinas de cana produzem, juntas, um bilhão de litros de etanol. Metade abastece os carros dos mato-grossenses e a outra metade é exportada para ser misturada à gasolina do tipo C, que é importada pelos postos locais. O Estado importa 1,1 bilhão de litros anuais desse tipo de gasolina, que tem 27% de etanol em sua composição. (Mídia News 08/07/2016)

 

Brasil já possui 43 usinas com certificação sustentável pelo Bonsucro

Já são aproximadamente 910 mil hectares de canaviais auditados, o que representa 9,3% do total da área colhida.

Das 56 unidades produtoras de cana-de-açúcar e produtos derivados certificadas no mundo pelo Bonsucro, iniciativa reconhecida internacionalmente por atestar uma produção sucroenergética sustentável, 43 são empresas brasileiras. O diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, cuja entidade possui 36 companhias associadas nesta lista, exalta o comprometimento do segmento canavieiro nacional na incorporação das melhores práticas sociais e ambientais em seus processos agrícolas e industriais.

“Desde 2011, observamos um crescente número de certificações no País, o que reforça ainda mais a nossa posição de destaque nos mercados mundiais de açúcar e etanol. Já são aproximadamente 910 mil hectares de canaviais auditados, o que representa 9,3% do total da área colhida”, ressalta Eduardo. Para o diretor Executivo do Bonsucro, Simon Usher, “a indústria de cana no Brasil não é só a maior exportadora, mas também lidera o caminho da sustentabilidade na produção.”

A mais recente certificação de uma usina nacional aconteceu na segunda quinzena de junho deste ano (29/06), com o reconhecimento da Nardini Agroindustrial, filiada da UNICA no município de Vista Alegre do Alto (SP), na mesorregião de Ribeirão Preto. Para o diretor Comercial da empresa, Vanderlei Caetano, a conquista é fruto de um esforço de cinco anos para a adequação dos processos produtivos da companhia aos rígidos critérios socioambientais exigidos pelo Bonsucro.

NardiniEquipe e diretoria da Nardini comemoram certificação inédita “Para nós foi um objetivo alcançado. Em nome da diretoria, agradeço a todas as áreas: Gestão da Qualidade, Agrícola, Indústria, Automotiva, Administrativa, Recursos Humanos, Medicina e Segurança do Trabalho, que não mediram esforços e dedicação para que isso acontecesse”, afirma Vanderlei. Segundo a Nardini, foram extremamente positivos os resultados obtidos nas auditorias realizadas na usina. A área da indústria, por exemplo, obteve 97,5% de desempenho sustentável, enquanto que a parte agrícola registrou índice de 97,37%.

Com sede em Londres (Inglaterra), o Bonsucro atua como um fórum internacional reunindo produtores, ONGs, traders, redes varejistas, empresas e investidores empenhados no melhoramento contínuo da produção canavieira ao redor do mundo. A organização é reconhecida pela Comissão Europeia como uma certificadora voluntária, que cumpre os critérios da Diretiva para Energias Renováveis no velho continente. As empresas certificadas têm atestadas as condições sustentáveis em que seus produtos são fabricados, tornando-os aptos para a comercialização em países integrantes da União Europeia (UE).

Abaixo, confira a lista completa de usinas brasileiras (unidade/grupo) já certificadas pelo Bonsucro desde 2011:

Raízen: Maracaí; Diamante; Destivale; Costa Pinto; Dois Córregos; Junqueira; Serra; Araraquara; Paraguaçu; Jataí; Bonfim; Gasa; Univalem.

Copersucar: Zilor-Quatá; Zilor-Barra Grande de Lençóis; Zilor-Açucareira Zillo Lorenzeti; Balbo- Santo Antônio; Balbo-Uberaba; Açucareira São Manoel; Santa Adélia; São Luiz.

Guarani: Industrial Severinia; Industrial Cruz Alta; Vertente; Andrade Açúcar e Álcool.

Bunge: Itapagipe Açúcar e Álcool; Moema de Açúcar e Álcool; Frutal de Açúcar e Álcool.

Odebrecht Agroindustrial: Conquista do Pontal; Rio Claro; Morro Vermelho.

USJ: USJ Açúcar e Álcool.

Adecoagro: Vale do Ivinhema; Monte Alegre.

Alta Mogiana.

Biosev Bioenergia: Santa Elisa.

Grupo São Martinho: São Martinho; Santa Cruz Açúcar e Álcool.

BP Biocombustíveis: Tropical BioEnergia

Alto Alegre: Junqueira.

CMAA-Companhia Mineira de Açúcar e Álcool: Vale do Tijuco Açúcar e Álcool.

Grupo Serra Grande: Serra Grande

Nardini Agroindustrial: Nardini. (Unica, 07/07/2016)

 

Produção de açúcar da União Européia deve subir em 2016/17

A produção de açúcar branco na União Europeia deverá subir na temporada 2016/17, mas continuará abaixo da média, previu a Comissão Europeia nesta sexta-feira.

A estimativa é de que a produção de açúcar branco da UE suba 9,7 por cento, para 16,3 milhões de toneladas, volume que ainda ficará bem abaixo do recorde de 19,5 milhões de toneladas registrado em 2014/15.

"O plantio de beterrabas para açúcar tem sido conservador, com uma alta de 2,4 por cento na área ante 2015/16, mas ainda 7 por cento abaixo da média de cinco anos", disse a Comissão.

"A produção abaixo da média em açúcar branco deverá limitar ainda mais a disponibilidade no mercado de açúcar da UE", adicionou a comissão, que vê potencial para alta nos preços e elevação das importações.

Amplos estoques após a safra recorde de 2014/15 levaram a uma forte redução do plantio na última temporada, quanto a produção de açúcar de beterraba caiu para o menor nível em 10 anos. (Reuters 08/07/2016)

 

Comissão aprova obrigação de postos exibirem diferença de preços entre etanol e gasolina

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou na quarta-feira (6) proposta que obriga postos de gasolina a exibirem, em local visível no painel de preços, a diferença percentual de preços entre álcool e gasolina. A medida está prevista no Projeto de Lei 4525/16, do deputado Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM).

O autor argumenta que atualmente a maior parte dos veículos no Brasil é do tipo flex fuel, aceitando tanto gasolina quanto etanol hidratado. Segundo testes de eficiência, é mais vantajoso abastecer com etanol quando o preço desse combustível representa, no máximo, 70% do preço da gasolina.

Relator na comissão, o deputado Guilherme Mussi (PP-SP), defendeu a aprovação do projeto. “Muitas vezes, por falta de informação sobre a relação entre os preços dos dois combustíveis, o consumidor acaba optando pelo combustível menos econômico”, avaliou Mussi, concordando com a opinião do autor, segundo a qual o projeto “ajuda os consumidores a decidir pelo combustível mais econômico antes do abastecimento”.

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. (Agência Estado 08/07/2016)

 

Açúcar: Enquanto os touros cochilam – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Nova Iorque viveu uma semana (encurtada pelo feriado da Independência) de altos e baixos, mas sem nenhuma notícia que validasse toda essa movimentação. O fato é que os fundos continuam quebrando recordes na proporção direta que os analistas “quebram as caras. Digo isso porque o mercado continua surpreendendo com seu vigor apesar de encerrar a semana com o vencimento outubro cotado a 19.57 centavos de dólar por libra-peso, representando uma queda de quase 27 dólares por tonelada na semana.

Bem longe da correção que eu pensava fosse ocorrer, de mais ou menos uns 300 pontos, perto de 18.50 centavos de dólar por libra-peso, nível que virou objeto de desejo daqueles que pretendem recomprar suas posições ou que perderam a oportunidade algumas semanas passadas. Os demais meses de negociação fecharam em quedas menores quanto mais longo o vencimento, ou seja, 103 pontos de queda no vencimento março 2017 e apenas 9 pontos no vencimento março do ano seguinte.

Note que nos últimos pregões, a posição em aberto das opções negociadas no contrato futuro de açúcar em NY variou de 664 mil contratos para 695 mil, um crescimento de 10.000 lotes nas calls (opções de compra) e 21.000 nas puts (opções de venda). No mesmo período, a volatilidade anualizada das opções passou de 38.1% para 33.9%, no vencimento outubro, um derretimento de 4.2 pontos percentuais.

O que ocorreu? Mais gente vendendo puts para diminuir custo de aquisição. Por exemplo, já que não é possível comprar futuros a 18.50 centavos de dólar por libra-peso no vencimento março/2017, a venda de uma put com preço de exercício de 20 centavos de dólar por libra-peso que negocia a 150 pontos pode ser uma solução. “Ah, mas quem garante que eu vou ser exercido? ”, reclamam os puristas. Bem, se o mercado expirar abaixo dos 20 centavos de dólar por libra-peso, o vendedor da put estará comprado um contrato futuro a 20 centavos para o qual ele ganhou um prêmio de 150 pontos, logo seu custo de aquisição foi 18.50. Se o mercado expirar acima dos 20 centavos ele ainda terá ficado com os 150 pontos no bolso. Esse tipo de estratégia que é adequada para diminui a dor de cotovelo de quem deixou passar a égua da crina dourada lá atrás, certamente fez com que a volatilidade cedesse com tantos vendedores de opções.

Os altistas não precisam ficar preocupados. Embora o mercado esteja preparando uma correção, os fundamentos devem se firmar ainda mais adiante. Continuamos convictos de que o último trimestre deste ano vai elevar os preços próximos de 22-23 centavos de dólar por libra-peso que podem ser potencializados caso haja uma recuperação da credibilidade do Brasil tão logo seja confirmado o impeachment da presidente Dilma Roussef e o real chegar a 3.2000, ou mesmo 3.0000 como apontam alguns economistas mais exaltados. Ora, para obtermos os mesmos R$ 1.550 por tonelada que tem sido perseguido pelas usinas que fixam seus açúcares para a safra 2017/2018, precisaríamos de NY entre 21-22.50 centavos de dólar por libra-peso. Perfeitamente exequível.

Alguns dados importantes para alimentar os touros. A queda no consumo de combustíveis pelo ciclo Otto que em bases anuais caíra 1.5% no início do ano, agora apresenta queda de apenas 0.7%. As exportações de açúcar acumuladas no período que compreende julho/2015 até junho/2016 somam 26.2 milhões de toneladas, um crescimento de 7.5% em relação ao período imediatamente anterior. A exportação de etanol também cresceu: 2.4 bilhões de litros mais do que dobrando em relação ao período anterior. Ou seja, como nós esperávamos um cenário mais parcimonioso nesses volumes, acredito que a necessidade de cana está além da moagem deste ano e existe uma possibilidade crescente de que vamos ter a entressafra mais apertada dos últimos anos com reduzidíssima disponibilidade de produto a partir de janeiro de 2017. Convém não atiçar os touros enquanto eles dormem.

Um executivo do mercado, em tom de desabafo, confessou que “os caras que estão ganhando dinheiro hoje no mercado de açúcar são justamente aqueles que não entendem de mercado”. Leia-se, os fundos. E completa que o déficit não é de 6 milhões de toneladas de açúcar, mas de 24 milhões (adicionadas as 18 milhões de toneladas que os fundos estão long).

Vale a pena observar os contratos de açúcar negociados na BM&F Bovespa. Desde a entrada dos market makers (negociadores que apresentam regularmente ofertas de compra e venda, obrigando-se a comprar e a vender por essas cotações apregoadas) o volume tem crescido e pode ser o primeiro passo para a efetivação desse instrumento tão importante para as usinas, para as indústrias alimentícias e demais participantes do mercado que carecem de um contrato que possa mitigar adequadamente o risco de preço que eles correm no mercado interno.

Frase de autor desconhecido que compartilho com vocês: ”o mercado de commodities é estranho. Toda vez que alguém está comprando, alguém está vendendo. E ambos se consideram espertos.”

Reserve na sua agenda: estão abertas as inscrições para o 26° Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos Agrícolas a ser realizado nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2016 das 9 às 17 horas em São Paulo - SP. Para mais informações contate priscilla@archerconsulting.com.br.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)