Setor sucroenergético

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Com R$ 2,3 bilhões em dívidas, Renuka quer aprovar novo plano de recuperação judicial

Com assemblÉia agendada para a próxima quinta-feira (14), a Renuka do Brasil apresentou na semana passada um novo plano de recuperação judicial. Segundo noticiado pelo Valor Econômico, a empresa tenta negociar com seus credores o pagamento de uma dívida de R$ 2,3 bilhões.

De acordo com o jornal, a companhia está cautelosa com a possibilidade de aprovação do plano. “É difícil, mas está em negociação. É uma negociação complexa por si só”, afirmou Rony Rivera, diretor jurídico da Renuka. Ele não descarta a possibilidade da assemblÉia de credores ser novamente suspensa, como ocorreu em junho.

Entre as principais diferenças está que a nova proposta não cita mais como serão pagos os créditos referentes ao FGTS aos credores trabalhistas. O novo plano também não especifica mais que, caso o lucro operacional da companhia não seja suficiente para quitar os pagamentos, o valor auferido pela Renuka seja pago de forma proporcional aos credores.

Segundo pessoas que acompanham o processo, é possível que seja adotado o mecanismo de cram down, resultando na homologação do plano pela justiça mesmo com o voto contrário de uma classe de credores. O setor sucroenergético não é estranho a esse mecanismo, recentemente ele foi utilizado para a aprovação do plano de recuperação da Infinity Bio-Energy.

Com capacidade instalada de 10,5 milhões de toneladas, a Renuka do Brasil administra as usinas Madhu, em Promissão, e Revati, em Brejo Alegre, ambas em São Paulo. O grupo, pertencente à indiana Shree Renuka Sugars, entrou com pedido de recuperação judicial em outubro do ano passado.

Vale acrescentar que, em junho, a Renuka Vale do Ivaí, que controla duas usinas no Paraná, teve seu plano de recuperação judicial aprovado pela maioria das classes de credores, com exceção dos credores com garantias reais, cuja maioria são bancos. (Valor Econômico 11/07/2016)

 

Zilor lucra com biotecnologia e anidro

Dona de três usinas de cana-de-açúcar e de um negócio de biotecnologia, a Zilor, associada da Copersucar, saiu de um período no vermelho na safra 2014/15 para um resultado líquido positivo na temporada passada. A companhia registrou lucro líquido de R$ 33,433 milhões na safra 2015/16, encerrada em 31 de março, após um prejuízo de R$ 58,243 milhões no ciclo anterior.

A melhora do resultado da Zilor refletiu o bom momento no mercado interno de etanol anidro, que é misturado à gasolina, além do desempenho de sua operação de biotecnologia, a Biorigin.

A performance operacional foi o maior destaque do período, afirmou José Carlos Morelli, diretor administrativo e de relações com acionistas da companhia, ao Valor. O lucro operacional foi de R$ 243 milhões, um avanço de 86% em relação à safra anterior, superior ao crescimento da receita, que subiu 19%, para R$ 1,818 bilhão.

Desse faturamento, quase 20% resultaram das vendas da Biorigin, que fornece ingredientes para alimentação humana, nutrição animal, mercado de vinhos e para a fermentação industrial. A divisão, que tem atividades industriais nas cidades paulistas de Quatá, Lençóis Paulistas, Macatuba e também em Louisville (EUA), gerou receita líquida de R$ 349 milhões na safra 2015/16, 35% a mais do que no ciclo anterior.

Como 90% da produção desse segmento é exportada, o crescimento da receita derivou sobretudo da apreciação do dólar. Mas, segundo Moisés Barbosa, gerente contábil da Zilor, também houve ganhos operacionais, que devem crescer ainda mais nesta safra com a expansão do parque fabril. "Uma parte ficou pronta no fim da safra passada e já conseguimos produzir uma quantidade maior", disse Barbosa. A conclusão da expansão, que elevará a capacidade de produção de Quatá em 60%, deve terminar no ciclo atual.

A Zilor também decidiu priorizar a produção de etanol anidro, cuja remuneração no ano passado foi favorecida pelo retorno da cobrança da Cide sobre a gasolina. A empresa não divulga os volumes produzidos, mas informou que o anidro representou 73% da produção total de etanol na safra e cresceu 54% ante a safra passada, gerando uma receita 53% maior com o biocombustível.

Como outras empresas do setor, a maior parte do caldo da cana-de-açúcar processada na safra passada foi destinada para a produção de etanol, em detrimento do açúcar. No caso da Zilor, 62% foram destinados à produção de etanol anidro e hidratado (que compete com a gasolina).

Outra contribuição destacada pela companhia para seu resultado operacional foi a valorização de seus ativos biológicos no encerramento da safra, que refletiu a perspectiva de elevação dos preços de açúcar. Segundo Morelli, a valorização do produto e a remuneração da gasolina, usados para o cálculo do potencial de produção do canavial, permitiram que o resultado fosse maior que na safra anterior.

Em compensação, o aporte desembolsado para ampliar a fábrica da Biorigin gerou um passivo maior. Foram gastos R$ 203 milhões, sendo que R$ 160 milhões foi resultante de empréstimos. No total, os financiamentos contratados pela Zilor ao longo da safra cresceram quase 70%, para R$ 481 milhões, colaborando em parte para que a dívida líquida da companhia subisse 7%, para R$ 1,5 bilhão.

A elevação do endividamento, porém, deve ser revertida nesta safra, segundo Barbosa. A Zilor está negociando a contratação de um novo financiamento com prazos mais longos e com "taxa mais atraentes" para quitar dívidas que vencem no curto prazo.

Além disso, a empresa também espera um incremento na geração de caixa neste ciclo com a alta das cotações do açúcar, a expansão da capacidade produtiva da companhia e a expectativa de aumento da moagem de cana­de­açúcar, superando as 10,814 milhões de toneladas moídas na safra passada. (Valor Econômico 12/07/2016)

 

Açúcar: Atenção à oferta

O pessimismo com a produção mundial de açúcar sustentou as cotações dos contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em março fecharam o pregão a 20,45 centavos de dólar a libra-peso, alta de 64 pontos.

No Brasil, houve uma redução de 39,4% na produção de açúcar na região Centro-Sul do país durante a primeira quinzena de junho, na comparação com o período anterior, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Já na Índia, a Associação de Usinas de Açúcar local estima que a próxima safra terá uma produção 2 milhões de toneladas abaixo do registrado no ciclo 2015/16.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,89 a saca de 50 quilos, queda de 0,10%. (Valor Econômico 12/07/2016)

 

UNICA pede ao EPA maior apoio aos Biocombustíveis Renováveis Avançados

A União da Industria da Cana de Açúcar (UNICA) submeteu nesta segunda-feira (11/07) comentários sobre a proposta dos volumes do Padrão De Biocombustíveis Renováveis (RFS) de 2017 da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, edm inglês). Também foi emitido o seguinte comunicado assinado pela presidente da UNICA, Elizabeth Farina:

“Os produtores de etanol de cana-de-açúcar do Brasil reconhecem o importante, embora modesto, papel que eles desempenham em suprir os EUA com um biocombustível renovável, limpo e de baixo carbono. Nos últimos quatro anos, cerca de 4,5 bilhões de litros de etanol brasileiro encheram os tanques dos carros americanos. Durante esse período, nosso etanol representou apenas 2% de todos os biocombustíveis renováveis consumidos nos EUA, mas forneceu cerca de 10% de toda oferta americana de biocombustível avançado.

Nossos comentários oficiais à EPA deixam claro que, com as condições adequadas de mercado, o Brasil tem capacidade de oferecer aos EUA volumes significativamente maiores do que os 750 milhões de litros de etanol avançado que a Agência prevê em sua proposta de 2017.

A EPA tem a capacidade de estimular o mercado de biocombustível avançado. Solicitamos à Agencia que mantenha um volume de avançado o mais próximo possível dos valores originais do Programa, e que tome providências para encorajar a produção e a importação de biocombustíveis renováveis de baixo carbono, em vez de desestimular esses biocombustíveis reduzindo sua demanda”. (Unica 11/07/2016)

 

Clima muda neste ano, e produtor deve planejar melhor o plantio

Este será um ano em que o produtor terá de planejar bem a sua atividade. Sai o El Niño e chega a La Niña, que provoca atmosfera mais fria.

Haverá pressão menor de chuva no Sul do Brasil, mas maior no Centro-Oeste.

Variedades de sementes e período certo de plantio serão fundamentais dentro dessas condições climáticas.

A avaliação é de Marco Antonio dos Santos, consultor agrometeorologista da Somar Meteorologia. "O produtor terá de se planejar bem e colocar a cabeça para pensar", diz ele.

Isso porque haverá um retardamento na regra das chuvas. As áreas de plantio do Centro-Oeste praticamente ficarão sem chuvas em setembro e outubro.

Santos diz que esses são os momentos para avaliar a capacidade de produção dos produtores.

É muito fácil atribuir a baixa produtividade ao clima, mas muitos dos problemas da redução de produção podem ser creditados a ações menos adequadas dos produtores.

"É fácil produzir bem quando o clima ajuda", diz ele. Mas, em condições como essa, é preciso planejamento e ações redobradas para evitar prejuízos. "Quando o clima é bom, os erros são mascarados", acrescenta.

Uma chuva mais intensa em dezembro provoca uma temperatura mais baixa e excesso de umidade sobre a folha da planta. Esse é um bom ambiente para a ferrugem, uma das doenças que causam bilhões de prejuízos anualmente nas lavouras.

As primeiras chuvas de setembro e de outubro não serão sinais de regularização do sistema neste ano, o que ocorrerá mais tarde.

Com o prolongamento do calendário das chuvas, o cuidado não deverá ser apenas com a soja, mas também o milho, safra que vem após a da oleaginosa.

As dificuldades virão não apenas na hora da colheita da soja mas também na do plantio do milho. Isso porque há uma tendência de que as chuvas se estendam para abril e maio do próximo ano.

Os problemas climáticos não vão afetar apenas Brasil mas também os outros produtores de grãos.

Nos Estados Unidos, se a La Niña persistir, o clima será rigoroso no inverno, retardando o plantio devido ao degelo tardio.

Argentinos e uruguaios devem sofrer os efeitos da redução das chuvas, o que sempre ocorre em anos de La Niña.

Números do milho

A cada nova estimativa de produção de milho de Mato Grosso que sai, os números vão apontando para quebras ainda maiores do que se previa.

Na avaliação desta semana, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada) reduziu para 20,2 milhões de toneladas o volume a ser colhido na safra 2015/16.

Uma má notícia para as indústrias, uma vez que o volume a ser produzido neste ano já indica redução de 6 milhões de toneladas em relação aos da safra anterior. A oferta interna deverá ser ainda mais restrita, uma vez que Mato Grosso é o líder nacional em produção.

Os números mostram o quanto as condições climáticas adversas interferiram na produtividade deste ano.

Cálculos dos instituto preveem uma produção de apenas 79,4 sacas por hectare, bem abaixo das 109 da safra 2014/15.

Pelo menos 66% da safra 2015/16 já foi comercializada e 37% da área destinada ao produto foi colhida. (Folha de São Paulo 11/07/2016)

 

UE deverá compensar Brasil e outros países por exportações de açúcar para Croácia

A Comissão Européia chegou a um acordo informal para aumentar as cotas com tarifas diferenciadas para importações de açúcar em ação para compensar países que eram fornecedores tradicionais da Croácia, disseram operadores nesta segunda-feira.

As medidas visam compensar produtores de longa data de fora da União Europeia pelas perdas nas negociações de açúcar com a Croácia após o país entrar para a UE. Antes de integrar o bloco, a Croácia recebia açúcar de fornecedores como o Brasil.

Fontes do mercado disseram que uma cota adicional com tarifa diferenciada de 78 mil toneladas seria criada para o Brasil, com um imposto de 11 euros por tonelada nos seis primeiros anos, 54 euros por tonelada no sétimo ano, e 98 euros por tonelada do oitavo ano em diante. (Reuters 11/07/2016)

 

Sindicato e ex-trabalhadores da Dedini iniciam arrecadação de alimentos

A diretoria do Sindicato irá coletar os alimentos em diversos pontos da cidade como: empresas metalúrgicas; em frente à Prefeitura Municipal; Câmara dos Vereadores; Fórum de Piracicaba; Condomínio Portal do Engenho (Rua Dom João Bosco, 139); Rua Narcisa Chessine Ometto (Água Seca); Rua João Sampaio, 555 (São Dimas); Rua Gomes Carneiro, 449; Rua dos Maçons, 251; Av, João Flavio Ferro (Santa Rita). Os alimentos também poderão ser doados na sede do Sindicato (Rua Prudente de Moraes, 914) e no Clube recreativo (Av. Dois Córregos, 3110).

Para João Carlos Ribeiro, Jipe, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, “devido as necessidades que os trabalhadores e suas famílias estão passando, estamos iniciando esta campanha, com o intuito de amenizar os problemas destes trabalhadores. Pedimos para as pessoas que possam ajudar, a doar os alimentos, pois infelizmente o Grupo Dedini não cumpre com suas obrigações”, comentou.

Durante a assemblÉia, o Sindicato também esclareceu aos trabalhadores o motivo que levou a empresa a cancelar as férias. A Dedini teve esta atitude após o Sindicato dos Metalúrgicos através do departamento jurídico da entidade, ter feito uma denúncia há três anos no Ministério Público do Trabalho, em Campinas, de que havia trabalhador que saia de férias, e não recebia o pagamento, ou recebia em atraso, cerca de oito meses a um ano após as férias.

A decisão do Ministério Público do Trabalho foi favorável, e agora caso a Dedini não realize o pagamento das férias do trabalhador 48 horas antes, mais 1/3 do salário, como está na lei, à empresa será multada em R$1.000,00 por trabalhador.

Os acionistas do Grupo Dedini, têm muitas propriedades, como sítios, terrenos, empresas. Uma casa de praia no valor de R$ 23 milhões, já está com a juíza da 1ª vara do Trabalho Valéria Cândido Peres. A juíza já decretou a venda e solicitou que seja revertida para o pagamento dos trabalhadores.

Para Manoel Ferreira Cardoso, ex-trabalhador da empresa, “a situação esta cada dia mais critica, e essa arrecadação de alimentos nos ajudará muito. Esperamos que a Dedini resolva o problema de cada trabalhador”, destacou.

Assembléia

O Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba convoca todos os ex-trabalhadores do Grupo Dedini, que ainda não receberam suas verbas rescisórias, a comparecer dia 12 de julho, terça-feira, às 9 horas, na Justiça Federal (Av. Mario Dedini, 234, Vila Rezende) para realização de Assembléia. Os assuntos relacionados à decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre a venda do terreno do Shopping Piracicaba, como também a assembléia de recuperação judicial serão tratados (Mundo Sindical 11/07/2016)