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Exportação de etanol dispara nesta safra

Ainda que o mercado externo represente uma parcela pequena das vendas de etanol das usinas brasileiras, as exportações do produto estão mais aquecidas nesta safra 2016/17. O dólar mais valorizado no período contribuiu para esse dinamismo no mercado internacional, além da retomada da política de incentivo ao consumo de biocombustíveis na Califórnia. Há incertezas, porém, se esse movimento vai se manter até o fim da safra.

Desde abril, quando começou a safra sucroalcooleira de 2016/17, até junho, o Brasil exportou 449 milhões de litros de etanol, 121% a mais que no primeiro trimestre da temporada anterior, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). A receita avançou 103% na base anual, para US$ 207 milhões. Na safra passada, o Brasil exportou 2,159 bilhões de litros, mas já chegou a embarcar 3,482 bilhões na temporada 2012/13.

Por ser misturado à gasolina, o etanol anidro é o principal tipo de etanol exportado pelo Brasil, que fornece o produto especialmente para atender políticas de redução de emissões de gases estufa, como a dos EUA. O país importa cerca da metade do etanol que o Brasil vende ao exterior.

Segundo dados da Secex compilados pelo Ministério da Agricultura, as exportações de etanol para os EUA cresceram quase 20% no primeiro trimestre da safra, para 215 milhões de litros, apesar de o etanol ainda chegar aos portos americanos menos competitivo que o etanol de milho produzido no país.

Na última semana, o etanol de cana brasileiro era negociado no porto de Houston, no Golfo do México, a US$ 2,22 por galão, 62 centavos de dólar a mais que o etanol de milho posto no mesmo local, segundo a consultoria FCStone.

Na Califórnia, o etanol brasileiro vem ganhando mais mercado, já que o Estado voltou a adotar neste ano o Programa Padrão de Combustível de Baixo Carbono (LCFS, na sigla em inglês) e atualizou o modelo de precificação da "pegada de carbono" dos biocombustíveis, que fornece às usinas um prêmio pelos combustíveis que emitem menos gases estufa em sua cadeia produtiva, o que varia conforme o fornecedor de etanol.

Esse prêmio garantido pelo governo da Califórnia, que se soma ao do governo federal americano, era na semana passada de 18,18 centavos de dólar por galão para o etanol brasileiro, segundo a FCStone. Apesar de o custo ser maior do que o do etanol de milho, o uso do biocombustível de cana faz as refinarias atingirem mais rapidamente as metas de emissão de gases estufa. "Esse prêmio tem ajudado as exportações brasileiras", disse Vitor Andrioli, analista da consultoria.

Tal vantagem foi aproveitada recentemente pela Raízen Energia, que acertou dois embarques para a Califórnia, os primeiros feitos ao Estado americano neste ano. A empresa não comentou a transação, mas estima-se no mercado que os dois embarques tenham somado 50 milhões a 60 milhões de litros, a um prêmio próximo de 27,39 centavos de dólar por galão.

Apesar da retomada da política da Califórnia, que pode dar um fôlego adicional às vendas externas brasileiras, ainda é incerto se o ritmo de exportações de etanol continuará acelerado até o fim da safra. Para Martinho Ono, diretor da SCA Trading, a atratividade do mercado global de açúcar e a recente queda do dólar devem provocar até uma queda dos embarques nesta safra ante.

Já Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting, observa que o ritmo de exportações está acelerado desde o ano passado, já que, entre julho de 2015 e junho deste ano, os embarques mais do que dobraram, para 2,4 bilhões de litros. "A necessidade de cana está além da moagem deste ano e existe uma possibilidade crescente de termos a entressafra mais apertada dos últimos anos", avaliou Corrêa, em recente relatório a clientes. (Valor Econômico 18/07/2016)

 

Usineiros indianos não vêem motivo para preocupações por queda em estoques

Os estoques de açúcar indiano vão cair ao seu menor nível em mais de uma década no próximo ano à medida que o consumo supera a oferta, mas ainda será suficiente para a maior consumidora de açúcar do mundo, disseram usineiros da Índia nesta sexta-feira.

A seca dos dois últimos anos na Índia e no segundo maior produtor de açúcar do mundo, Tailândia, secaram a cana-de-açúcar e cortaram o abastecimento. Contratos futuros internacionais do açúcar alcançaram uma máxima de quase quatro anos no fim de junho.

A produção indiana na safra 2016/17 deve cair para cerca de 23,3 milhões de toneladas devido à seca, ante 25,1 milhões no ano anterior, disse o presidente da Associação Indiana de Usinas de Açúcar, Tarun Sawhney, em uma entrevista à Reuters em Bangcoc, nesta sexta-feira.

Com o consumo em 26 milhões de toneladas, a Índia iria tirar cerca de 2,7 milhões de toneladas dos estoques e deixá-los em 4,3 milhões de toneladas ao final da safra 2016/17, disse Sawhney.

Os preços do açúcar indiano dispararam mais de 50 por cento desde outubro e contribuíram para a inflação, mas Sawhney disse que não há motivo para uma mudança na política do governo para encorajar importações de açúcar.

"A preocupação do governo, e com razão, é que os preços não aumentem dramaticamente a qualquer momento", disse Sawhney. "Mas nós temos açúcar o suficiente, então não há razão para os preços domésticos aumentarem abruptamente". (Reuters 15/07/2016)

 

Lucro líquido da CerradinhoPar sobe 50% em 2015/2016, para R$ 23,63 mi

A Cerradinho Participações (CerradinhoPar) encerrou o ano-safra 2015/2016, em 31 de março, com lucro líquido consolidado de R$ 23,63 milhões, valor 50% maior que resultado positivo de R$ 15,77 milhões do período anterior. A holding controla a CerrradinhoBio, que possui usina em Chapadão do Céu (GO), e ainda a CerradinhoTerra, com 7 mil hectares na região de Catanduva (SP).

A companhia relatou receita operacional líquida de R$ 723,86 milhões na safra passada, ante R$ 533,44 milhões em 2014/2015, uma alta de 35,7% entre os períodos. O lucro bruto saiu de R$ 157,47 milhões para R$ 210 milhões, crescimento de 33,4%, de acordo com o balanço divulgado pela companhia.

No documento, a CerradihoPar relatou um passivo financeiro total de R$ 766,92 milhões em 31 de março deste ano, ante um passivo de R$ 715,77 milhões em igual período do ano passado. Desse endividamento total, R$ 725,51 milhões são de empréstimos financeiros bancários, incluindo debêntures, cuja maioria dos vencimentos é no curto prazo.

A companhia tem R$ 251,26 milhões a serem quitados em menos de um ano, outros R$ 159,95 milhões com vencimentos entre um e dois anos e mais R$ 312,53 milhões entre dois e cinco anos. No balanço, a CerradinhoPar ainda informa que estava em fase final de obtenção de linhas de crédito com valor superior a R$ 150 milhões "para suportar a necessidade imediata de capital circulante líquido".

Na safra passada, a usina do grupo processou 4,7 milhões de toneladas de cana, produziu 402 milhões de litros de etanol e ainda exportou 260 mil Megawatts (MW) de energia. A companhia espera processar, em 2016/2017, 5 milhões de toneladas de cana, produzir 416 milhões de litros de etanol e gerar 402,28 mil MW de energia, mas não informou quanto desse total será exportado ao sistema. (Agência Estado 15/07/2016)

 

Moagem de cana no Centro-Sul cresceu 2,38% na 2ª quinzena de junho

Com o fim das chuvas, a moagem de cana-de-açúcar pelas usinas do Centro-Sul do Brasil acelerou-se na segunda quinzena de junho e chegou a 47,89 milhões de toneladas. Este volume é 2,38% maior que o registrado no mesmo período do ciclo anterior, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Naquele período, foram produzidos 2,79 milhões de toneladas de açúcar, um crescimento de 10,36% na comparação anual. Além disso, foram produzidos 836,40 milhões de litros de etanol anidro (misturado à gasolina), uma alta de 6,15% na mesma base de comparação, e 1,09 bilhão de litros de etanol hidratado (que compete com o combustível fóssil), o que representou uma queda de 10,44% ante igual período da safra passada.

No acumulado da temporada atual, que teve início oficial em 1º de abril, o volume processado de cana-de-açúcar atingiu 214,62 milhões de toneladas, crescimento de 9,61% sobre o volume registrado no mesmo período em 2015. A produção acumulada de açúcar alcançou 10,97 milhões de toneladas (alta de 19,91%); a de etanol anidro, 3,42 bilhões de litros (alta de 21,03%) e a de hidratado, 5,41 bilhões de litros (queda de 2,44%).

Segundo a Unica, o crescimento da fabricação de açúcar até o momento decorre do aumento do teor de açúcar na cana e do incremento da quantidade de cana processada. Na quinzena, as usinas produziram 58,31 quilos de açúcar a cada tonelada de cana processada, 9,39% a mais do que no mesmo período da safra passada, com uma quantidade de açúcar total recuperável (ATR) de 129,96 quilos por tonelada de cana, praticamente estável na mesma comparação.

Na segunda metade de junho, 271 unidades produtoras estavam em operação na região Centro-Sul, ante 275 em comparação ao mesmo período da safra anterior. A previsão é de que no mês julho outras quatro usinas iniciem suas atividades.

Ainda de acordo com a entidade do setor, as vendas de etanol (anidro e hidratado) pelas unidades produtoras da região Centro-Sul alcançaram 2,21 bilhões de litros no mercado interno em junho, queda de 7% na comparação anual.

“As saídas de etanol hidratado das usinas do Centro-Sul e informações preliminares de vendas de gasolina A pelas refinarias indicam uma queda na demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C e hidratado) no mês de junho em relação ao mesmo período de 2015”, informou a Unica.

Já as vendas para o mercado externo subiram 94% na mesma base de comparação, para 240,74 milhões de litros. Dessa forma, o volume total de etanol que saiu das usinas no mês passado totalizou 2,45 bilhões de litros comercializados, recuo de 2% na comparação com junho do ano passado. (Valor Econômico 15/07/2016 às 18h: 11m)

 

Czarnikow prevê déficit de açúcar de 9,8 milhões de toneladas em 2016/17

A trading e consultoria de açúcar e etanol Czarnikow atualizou sua previsão para o déficit global de açúcar em um volume de 9,8 milhões de toneladas na próxima temporada global (2016/17), com início em outubro desse ano.

A perspectiva é mais baixa do que volume deficitário de 12,5 milhões previsto para atual safra global 2015/16.

A empresa com sede em Londres afirmou em relatório que os déficits consecutivos ao longo das duas temporadas vão “drenar” todo o armazenamento registrado nas quatro safras anteriores.

"À medida que os estoques globais de açúcar secarem, a capacidade do mercado de responder a eventos adversos será reduzida”, afirmou o gerente de análises da Czarnikow, Stephen Geldart.

“Por esta razão, acreditamos que a volatilidade dos preços vai aumentar nos próximos meses e os preços mais elevados vieram para ficar do curto ao médio prazo", acrescenta.

Já nas previsões de produção, a Czarnikow projetou para 2016/17 um crescimento no volume, chegando a 177,8 milhões de toneladas, ante uma estimativa de 172,9 milhões em 2015/16. (Reuters 16/07/2016)

 

Por uma cabeça – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Em 1935, o grande Carlos Gardel, o mais famoso dos cantores de tango da história, cuja nacionalidade até hoje é debatida (argentino, francês ou uruguaio), compôs um dos tangos mais belos já tocados cuja letra fala de um jogador compulsivo que arrisca a sorte nos cavalos, vicio só comparado à sua atração e paixão pelas mulheres. Sempre arriscando muito, perdeu tudo numa corrida de cavalos em que o seu favorito foi derrotado por uma cabeça de diferença.

O mercado de açúcar hoje merece - como fundo musical - um tango do imortal Gardel em homenagem àqueles que se apaixonam demasiadamente pelo risco. Serve para os fundos, que ainda carregam uma enorme posição comprada sem embolsar os lucros que chegam aos US$ 2 bilhões, serve também para as usinas que acreditam que os preços só têm uma trajetória (a de alta) e apostam que eles vão melhorar ainda mais e, nada fazem para se proteger de um eventual reverso. Correm o risco de, como o do triste personagem do tango de Gardel, perderem tudo por uma cabeça.

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com o primeiro mês de negociação, o vencimento outubro de 2016, cotado a 19.31 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 26 pontos em relação à semana anterior, quase 200 pontos da máxima do contrato negociada há apenas 10 dias (21,10 centavos de dólar por libra-peso).

Com a moagem atingindo bons volumes, quase 20 milhões de toneladas a mais no acumulado do ano comparativamente à safra anterior neste mesmo período e, consequentemente, maior disponibilidade de produto, é natural que os preços se acomodem. No entanto, este pode não ser um bom argumento. Acreditamos que o lucro que os fundos estão admirando neste momento é muito maior do que qualquer análise fundamentalista de encomenda. E a tomada de lucro pode ter sido o protagonista da semana. Isso tudo apesar de - uma vez mais ao longo dos últimos anos - um incêndio, desta vez no terminal açucareiro da Rumo, no porto de Santos, ter colocado mais fogo (sem trocadilho) no mercado, fazendo com que as cotações avançassem além dos 20.30 centavos de dólar por libra-peso.

Continuamos acreditando que o mercado deverá testar os 18.00-18.50 centavos de dólar por libra-peso antes de retomar – no último trimestre do ano – sua trajetória de alta, uma realização em torno de 300 pontos da alta do mercado. O mercado subiu bastante e muito rápido, seria natural que corrigisse no mesmo padrão. Note-se que muitas operações estruturadas foram feitas com puts (opções de venda) fora do dinheiro (19 centavos de dólar por libra-peso) financiadas com call (opção de compra) que estavam com volatilidade mais cara. Entre os preços de exercício de 18 e 19 centavos de dólar por libra-peso, para o vencimento outubro, existem 32.000 lotes em aberto. Os fundos liquidaram muito pouco de suas posições. Qual será a reação a qual assistiremos caso o mercado negocie perto da faixa de 18.00-18.50. Não se apaixone pelo mercado.

A primeira estimativa de fixação de preços das usinas no mercado de NY para a safra 2017/2018 aponta, segundo o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de junho/2016 entre 2.0 e 2.5 milhões de toneladas já haviam sido fixadas. O preço médio apurado foi de 15.93 centavos de dólar por libra-peso. Esse preço pode parecer baixo, mas temos que lembrar que no final do ano passado quando as cotações do açúcar em NY estavam em torno desse valor, o dólar negociava próximo de 4.0000 reais e foi o grande propulsor para que as fixações ocorressem tão antecipadamente. O valor médio ajustado de fixação, considerando as NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira), apontam para R$ 1.508,99 por tonelada, ou 65.78 reais por libra-peso, com prêmio de polarização.

Modelos são falhos. Imaginávamos que o percentual de fixação estivesse em torno de 15-20%, mas é razoável pensar que muitas usinas que dependem do limite de crédito dado pelas tradings (que continuam restritivas e selecionando seus fornecedores) não tenham ainda tido a oportunidade de fixar para 2017/2018 porque estão fora do limite ou do período autorizado pelas tradings. É claro que tem empresa 40% fixada, tem outras com 20% e muitas com quase nada.

Faltam algumas semanas para que o Brasil se livre definitivamente desse fantasma chamado Dilma Rousseff. Nem os mais pessimistas acreditam na volta de presidente afastada. Os investidores estrangeiros estão de olho no Brasil, a bolsa de valores teve uma semana de altas consecutivas enquanto o dólar despenca em relação ao real. Se chegarmos efetivamente à taxa de R$ 3.0000 e assumindo que o preço alvo de fixação das usinas fique em torno de R$ 1.500-1.600 por tonelada FOB, o preço de equilíbrio equivalente em NY teria de ficar entre 21.75 e 23.25 centavos de dólar por libra-peso. Está aí um bom nível para as usinas colocarem suas vendas de calls (opções de compra) e com o prêmio adquirem um put spread que melhor caiba no seu orçamento. Alternativamente, tem sempre como ouvir Gardel.

Reserve na sua agenda: estão abertas as inscrições para o 26° Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos Agrícolas a ser realizado nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2016 das 9 às 17 horas em São Paulo - SP. Para mais informações contate priscilla@archerconsulting.com.br.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)