Setor sucroenergético

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Agrotóxicos são necessários ou não

Por: José Otavio Menten, Ciro Rosolem e Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Sem o uso de defensivos a produção agrícola no Brasil sofreria redução da ordem de 50%.

A agricultura brasileira tem sua reputação e sua imagem frequentemente questionadas, mas é necessário que prevaleça a verdade, com base em fatos comprovados. A comunidade científica acompanha com rigor as inovações tecnológicas e o desenvolvimento da agricultura no Brasil e o Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) tem o objetivo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da atividade agrícola e tomar posição, de maneira clara e isenta, sobre o assunto, valorizando o conhecimento científico (http://agriculturasustentavel.org.br).

O Brasil é líder na produção e na exportação de soja, milho, cana, algodão, laranja, etc. Essas conquistas se deram em paralelo ao desenvolvimento social do campo e maior consciência e respeito ambiental. O aumento da produtividade foi mais importante do que a expansão da área cultivada, de modo que cerca de 65% do território brasileiro continua coberto por matas nativas. Nos últimos 35 anos a produção de grãos no Brasil aumentou 198%, enquanto a área cultivada cresceu apenas 28%.

Estando em região tropical, o Brasil desenvolveu tecnologias próprias para superar suas limitações. Um dos grandes desafios tem sido a convivência e redução dos danos causados pelas pragas agrícolas (insetos, doenças e plantas daninhas). Nos trópicos, onde a neve não controla naturalmente as pragas, estas são mais diversificadas e atuam com maior intensidade. E no País, todas as culturas agrícolas estão sujeitas a pragas. Medidas de controle são necessárias, incluindo o uso de produtos fitossanitários, para reduzir danos, manter a produtividade, a qualidade e custos compatíveis dos produtos agrícolas.

As pragas são controladas utilizando todas as medidas disponíveis. É o chamado manejo integrado de pragas (MIP). São usados métodos genéticos (resistência das plantas), biológicos (inimigos naturais), culturais (rotação de culturas, erradicação, vazio sanitário), legislativos (evitar introdução de novas pragas) e químicos (produtos fitossanitários/defensivos).

O manejo químico com produtos fitossanitários é um dos mais utilizados, por sua eficiência e sua segurança. Trata-se da aplicação de inseticidas, fungicidas e herbicidas. Se os produtos fitossanitários não fossem utilizados, a produção agrícola sofreria redução da ordem de 50%. Sem defensivos seria necessário dobrar a área cultivada, com a incorporação de terras hoje cobertas de floresta, com elevação nos preços dos alimentos, fibras e agroenergia. A boa notícia é que foi demonstrado pela Kleffmann que de 2004 a 2011 o uso de produtos fitossanitários por unidade de produto cresceu 120% na China e 47% na Argentina, enquanto no Brasil houve redução de 3%. É o agronegócio brasileiro fazendo a lição de casa.

Os produtos fitossanitários em uso no Brasil são extremamente seguros. São desenvolvidos por empresas que empregam ciência e tecnologia de ponta. Para que um novo produto chegue aos produtores rurais há necessidade de muita pesquisa e avaliações rigorosas de qualidade. São necessários cerca de 12 anos de estudos e investimento aproximado de US$ 250 milhões para que uma nova substância possa ser utilizada.

Antes de serem liberados para os agricultores, os produtos devem ser registrados nos órgãos reguladores do País: Mapa, Anvisa e Ibama. Esses órgãos seguem protocolos internacionais e exigem cerca de cinco anos de estudos por especialistas. Tal procedimento fez com que, nos últimos 40 anos, as doses dos produtos fitossanitários usados no Brasil fossem reduzidas em quase 90% e a toxicidade aguda, em mais de 160 vezes.

Mas a alta qualidade dos produtos fitossanitários não basta. Há necessidade de seu uso correto e seguro. Para isso são fundamentais educação e treinamento dos usuários, para que as boas práticas agrícolas sejam adotadas. Milhares de manipuladores desses produtos são treinados anualmente pelas empresas e instituições rurais. Deve-se destacar que seguir rigorosamente a receita agronômica, em especial quanto à dose utilizada e à obediência ao intervalo de segurança (tempo entre a aplicação e a colheita), é fundamental para que não haja contaminação dos alimentos. Isso tem contribuído para que a qualidade dos alimentos ofertados à população seja adequada – e é confirmado pelo monitoramento dos limites máximos de resíduos (LMRS), realizado pelos órgãos reguladores, como Mapa e Anvisa, além de diversas empresas privadas.

Destaque especial deve ser dado às embalagens vazias de produtos fitossanitários: o Brasil é líder mundial na destinação correta – cerca de 94% de todas as embalagens usadas são recolhidas e devidamente destinadas, por meio da ação articulada entre os fabricantes, os distribuidores, os agricultores e o poder público. É o rural inspirando o urbano no respeito ao ambiente!

Além do manejo adequado de pragas, muitos outros aspectos da agricultura brasileira requerem conhecimento para que se chegue a posições apropriadas. Por se tratar de um assunto sensível, especialistas de ocasião, mídia sensacionalista e outros acabam por emitir opiniões infundadas, ou mesmo fundamentadas em pesquisas de má qualidade. O CCAS tem se preocupado em trazer a público ciência de qualidade em linguagem compreensível, em especial quando se trata de alimentos, segurança alimentar e ambiente de qualidade.

Existem insinuações relacionando o uso de produtos fitossanitários a maior incidência de câncer, malformação congênita, resíduos em leite materno, etc., sem demonstração de nexo causal. Não há evidências científicas para suportar tais hipóteses. O assunto exige tratamento responsável (Jose Otavio Menten, Ciro Rosolem e Luiz Carlos Corrêa Carvalho são respectivamente: Diretor do CCAS e Professor Associado da Esalq-USP; Vice-Presidente de Estudos do CCAS e Professor Titular da FCA-Unesp; Membro do CCAS e Presidente da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio. ( O Estado de São Paulo 19/07/2016)

 

Usinas antecipam a fixação dos preços do açúcar de 2017/18

As usinas sucroalcooleiras brasileiras fixaram, até o fim de junho, o preço de venda de um volume entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas do açúcar que será produzido apenas na próxima temporada (2017/18), que começará "oficialmente" no mês de abril do próximo ano. A estimativa é da consultoria Archer Consulting, que calcula que esse montante foi comprometido por 15,93 centavos de dólar por libra-peso, em média.

Embora esse patamar esteja abaixo dos preços atuais praticados no mercado internacional, Arnaldo Correa, diretor da consultoria, observou, em nota, que a fixação do câmbio rendeu um valor em reais elevado. Ontem, o contrato mais negociado do açúcar demerara na bolsa de Nova York, para entrega em outubro próximo, fechou a 19,36 centavos de dólar.

Pela estimativa da consultoria, o valor médio ajustado de fixação, considerando os contratos a termo de dólar com liquidação financeira (NDFs), apontam para um valor fixado em reais de R$ 1.508,99 por tonelada, ou R$ 65,78 por libra-peso, com prêmio de polarização.

Correa considerou que "é razoável pensar" que muitas usinas ainda não fixaram o preço de sua produção da próxima safra porque dependem do limite de crédito oferecido pelas tradings ou porque estão fora do limite ou do período autorizado por elas. O especialista avaliou, porém, que o movimento de hedge vai continuar avançando se a remuneração ficar em torno de R$ 1,6 mil a tonelada.

Com relação à safra em curso (2016/17), praticamente todo o açúcar que deve ser entregue ao mercado internacional já teve o preço fixado. Pela análise da Archer, até o fim de junho as usinas haviam fixado o preço de 23,6 milhões de toneladas de açúcar, ou 94% do que se espera que seja exportado neste ciclo. O valor médio ficou em 15,01 centavos de dólar a libra-peso, e em moeda nacional, em R$ 1.266,46 a tonelada. (Valor Econômico 20/07/2016)

 

Prejuízo da Abengoa Bioenergia no Brasil cresce 58,6% em 2015

A Abengoa Bioenergia, braço sucroenergético da companhia espanhola, relatou prejuízo, em 2015, de R$ 238,56 milhões nas operações brasileiras, que reúnem duas usinas de processamento de cana-de-açúcar nas cidades paulistas de Pirassununga e de São João da Boa Vista. O prejuízo do período encerrado em 31 de dezembro do ano passado é 58,6% maior que o de 2014, de R$ 150,389 milhões.

No balanço publicado nesta terça-feira, 19, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a companhia relata perdas de R$ 114,64 milhões com operações de instrumentos financeiros de derivativos no ano passado, ante perdas de R$ 14,36 milhões no período anterior. Com o resultado de 2015, a empresa soma prejuízo acumulado de R$ 624,24 milhões nas operações de cana no Brasil – mais da metade do capital social da companhia, de R$ 1,158 bilhão.

A Abengoa Bioenergia chegou ao Brasil em 2007 com a compra das operações da Dedini Agro em um negócio que somou R$ 2 bilhões. O valor incluiu R$ 1,3 bilhão pelas operações sucroenergéticas e ainda R$ 730 milhões dívidas assumidas. Desde 2008, com a crise mundial de liquidez e ainda com a crise do setor no Brasil, a companhia amarga sucessivos resultados negativos, com atraso de pagamentos de fornecedores e ainda uma disputa, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), com a Dedini Agro.

Na disputa, a Abengoa cobra ressarcimento de R$ 150 milhões da Dedini Agro e alega que a companhia superestimou a capacidade de moagem das usinas vendidas. O processo deve ser julgado em agosto. Além das duas unidades, a Abengoa chegou a arrendar a Usina Maluf, em Santo Antonio de Posse (SP), mas as operações foram descontinuadas. As terras da usina voltaram à família da cidade do interior paulista. A unidade deixou de operar e a cana hoje é vendida para a Usina Ester, em Cosmópolis (SP). (Agência Estado 19/07/2016

 

Aumenta prejuízo da Odebrecht Agro

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da holding Odebrecht, registrou prejuízo líquido no exercício encerrado em 31 de março (referente à safra 2015/16) de R$ 1,9 bilhão, um aumento de 59% sobre a perda do ciclo anterior, de acordo com demonstrações publicadas no Diário Oficial de São Paulo. A piora do desempenho reflete o crescimento dos custos financeiros e ocorreu antes do acordo de renegociação de sua dívida, fechado em junho, que previu um aporte de R$ 6,2 bilhões por parte da holding, que deve ser efetivado até 31 de agosto.

O segundo resultado negativo consecutivo da Odebrecht Agro teve forte influência do aumento da despesa financeira, que subiu 66%, para R$ 2,5 bilhões. Já a receita líquida cresceu 45%, para R$ 3,7 bilhões. Da receita bruta, de R$ 4,1 bilhões, 85% correspondeu a vendas no mercado interno.

O desempenho operacional foi favorecido pela melhora dos índices de produtividade nos canaviais, informa a empresa em nota à imprensa. Isso permitiu que as unidades da Odebrecht Agroindustrial processassem 23% mais cana que na safra anterior, ou 29,3 milhões de toneladas. Com isso, a companhia produziu 2 bilhões de litros de etanol, 455 mil toneladas de açúcar VHP e forneceu biomassa para exportar 2,1 mil gigawatt-ora (GWh) ao sistema elétrico.

Apesar dos melhores resultados operacionais, o endividamento líquido da empresa cresceu 12%, para R$ 14,1 bilhões. Apenas com instituições financeiras, a dívida total subiu 3%, para R$ 11,6 bilhões.

Nas notas explicativas do balanço, a Odebrecht Agroindustrial informou que R$ 500 milhões dos R$ 2,5 bilhões que a Odebrecht S.A. se comprometeu a quitar imediatamente de dívida da sucroalcooleira foram adiantados e já se refletiram nas demonstrações financeiras.

Da dívida total, o volume que venceria 12 meses após o fim da safra era de 35,2% em 31 de março, acima dos 22,7% de um ano antes. A companhia informou que, com a renegociação, a dívida alocada no curto prazo representará cerca de 2,8%, e o prazo médio passará de 3,6 anos para oito anos.

Mas a Odebrecht Agroindustrial afirmou, em nota explicativa, que a liberação do aporte de R$ 6,2 bilhões está "sujeito ao cumprimento de determinadas condições precedentes, principalmente a documentação relacionada ao registro dos novos contratos e constituição e averbações das garantias negociadas".

Procurada, a companhia informou, via assessoria, que não pode detalhar garantias e detalhes do contrato da dívida porque "são cláusulas confidenciais", mas atestou que "a documentação está finalizada e que os créditos dos valores que serão recebidos em caixa acontecerão até 29 de julho".

Em nota, a empresa informou que projeta, para a safra 2016/17, moer 31 milhões de toneladas de cana e produzir 2,2 bilhões de litros de etanol e 640 mil toneladas de açúcar VHP, além de 2,2 mil GWh de energia elétrica a partir da biomassa. (Valor Econômico 20/07/2016)

 

ADM vai deixar trading de açúcar global por margens baixas

A americana Archer Daniels Midland Company deverá encerrar sua operação global de trading de açúcar, pelo menos a curto prazo, porque as margens não têm sido suficientes para compensar os riscos financeiros, disse uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu anonimato porque as discussões são privadas.

Procurada, a ADM não quis comentar a informação, alegando estar em período de silêncio, segundo e-mail de sua assessoria de imprensa. A empresa deverá divulgar o balanço do segundo trimestre em 2 de agosto.

O pico do volume de negociação de açúcar da ADM, que tem sede em Chicago, nos EUA, se deu na safra 2011-12, com 2 milhões de toneladas, a maior parte adquirida de usinas brasileiras, disse a pessoa. Desde então, a indústria açucareira do Brasil tem sofrido com os baixos preços da commodity, que forçaram algumas processadoras a formarem joint ventures para sobreviver ou até mesmo a fecharem completamente. Em abril a ADM fechou acordo para vender sua única usina de etanol no Brasil, encerrando um envolvimento de oito anos com o mercado do país para o combustível alternativo produzido a partir da cana-de-açúcar.

O CEO da ADM, Juan Luciano, disse em maio que a trader e processadora agrícola poderá continuar modificando seu portfólio de negócios para ampliar os retornos e reduzir a volatilidade dos lucros em meio a tempos "desafiadores" para o agronegócio e a mudanças nas preferências do consumidor. A empresa tem vendido ativos nos últimos anos, incluindo suas operações de cacau e chocolate, que não cumpriam metas financeiras de longo prazo.

As ações da ADM acumulam alta de 21 por cento neste ano e superam o aumento de 6 por cento do Standard & Poor's 500 Index. (Bloomberg 19/07/2016)

 

Usina da São Martinho e Petrobras relata lucro líquido de R$ 148,15 mi em 2015/16

A Nova Fronteira Bioenergia - joint venture do Grupo São Martinho e da Petrobras Biocombustível que controla a Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO) -, relatou lucro líquido de R$ 148,15 milhões na safra 2015/2016, encerrada em 31 de março deste ano. O valor é 204,6% superior ao lucro líquido de R$ 48,63 milhões do período anterior, de acordo com as demonstrações financeiras da companhia.

A empresa informou um faturamento de R$ 762,11 milhões no período, ante receita de R$ 628,89 milhões na safra 2014/2015. No balanço, a companhia informa ainda um passivo financeiro de R$ 684,89 milhões no encerramento de 2015/2016, uma redução de quase R$ 100 milhões sobre os R$ 783,40 milhões do passivo financeiro do período anterior.

No entanto, os vencimentos no curto prazo, em menos de um ano, cresceram e somaram R$ 268,49 milhões em 31 de março, ante R$ 259,54 milhões em igual período do ano passado. O passivo entre um e dois anos também avançou, de R$ 137,55 milhões para R$ 238,51 entre os períodos.

Houve ainda uma redução considerável no passivo do período entre dois e cinco anos, de R$ 339,83 milhões, em 31 de março de 2015, para R$ 145,61 milhões no encerramento da safra 2015/2016. (Agência Estado 19/07/2016

 

Moagem segue firme e preço do açúcar cristal cai em São Paulo

Enquanto a moagem de cana e a produção de açúcar cristal continuam firmes no Centro-Sul, a demanda está enfraquecida. Com isso, os preços do açúcar seguem registrando pequenas quedas diárias no mercado spot paulista.

Segundo pesquisadores do Cepea, boa parte das usinas do estado está focada em atender contratos internos e externos, mas algumas unidades têm sido flexíveis nos valores de venda.

Na segunda-feira, 18, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180 fechou a R$ 85,88/saca de 50 kg, recuo de 1,16% frente à segunda-feira anterior, 11. Mesmo com as recentes baixas, os valores do cristal ainda estão em altos patamares, o que tem feito com que algumas usinas passem a fabricar mais o adoçante em detrimento do combustível. (Cepea / ESALQ 19/07/2016)