Setor sucroenergético

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Evaporação da dobradinha USI com a norte-americana CHS

A dobradinha entre a USI Biorefinarias e a norte-americana CHS estaria se esfarelando. Junto com ela, os planos de instalar 15 usinas de etanol no Centro-Oeste. (Jornal Relatório Reservado 20/07/2016)

 

Odebrecht reestrutura dívida de R$ 7 bilhões

A Odebrecht Agroindustrial fechou a reestruturação de R$ 7 bilhões em dívidas com Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Itaú e Santander. Para fechar negócio, os bancos exigiram que metade do valor da dívida fosse garantida por 100% das ações que a Odebrecht possui na Braskem, empresa do setor petroquímico. Com a renegociação, a Agroindustrial terá 13 anos para quitar o saldo devedor e a primeira parcela vence somente daqui a cinco anos.

A Odebrecht Agroindustrial fechou a reestruturação de R$ 7 bilhões em dívidas com Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Itaú e Santander. Para fechar negócio, os bancos exigiram que metade do valor da dívida fosse garantida por 100% das ações que a Odebrecht possui na Braskem, empresa do setor petroquímico. Com a renegociação, a Agroindustrial terá 13 anos para quitar o saldo devedor e a primeira parcela vence somente daqui a cinco anos.

Desde que a Odebrecht foi envolvida na Operação Lava Jato, o que comprometeu seus negócios de construção, a Braskem passou a ser a empresa que traz os maiores retornos para todo o grupo. “A Odebrecht entregou a joia da coroa”, resumiu uma fonte que participou da operação.

Por isso, a idéia da empresa é pagar a parte da dívida do braço agroindustrial que está garantida com as ações da Braskem assim que conseguir vender algum dos outros ativos que estão sendo negociados atualmente. A venda da Odebrecht Ambiental é a que estaria hoje em estágio mais avançado.

A Odebrecht também se comprometeu a fazer um novo aporte de R$ 6 bilhões na empresa. Segundo comunicado divulgado pela Odebrecht Agroindustrial ontem à noite, essa capitalização será feita com cerca de R$ 2 bilhões em ativos e R$ 4 bilhões em aporte financeiro - deste total, R$ 2,5 bilhões servirão para pagar os bancos.

De acordo com uma fonte a par da operação, foram oito meses de negociação. Os bancos concederam dinheiro novo à companhia, que será usado pela empresa justamente para a capitalização e pagamento de parte da dívida. O balanço da Agroindustrial de 2015 mostrava um endividamento total de cerca de R$ 10 bilhões.

Essa estratégia foi usada para que as instituições financeiras pudessem melhorar a nota de risco do empréstimo e, assim, evitar provisionamentos em seus próprios balanços. A nota de risco pôde ser melhorada justamente por causa da nova garantia concedida pela empresa.

O Banco do Brasil é agora o maior credor da Braskem, com R$ 3,5 bilhões. Depois vem o BNDES com cerca de R$ 1,5 bilhão, seguido de Bradesco e Itaú, com aproximadamente R$ 1 bilhão cada um, e Santander, com cerca de R$ 200 milhões. Nenhum banco comentou o tema até o fechamento da edição.

A Odebrecht confirmou o financiamento de R$ 7 bilhões e o prazo de 13 anos, mas não quis detalhar o nome dos bancos.

Histórico

A explicação da Odebrecht para as dificuldades da Agroindustrial remontam a 2007, quando a empresa começou a fazer uma série de aquisições. Nos anos seguintes, as quebras de safras e a política de preços de combustíveis do governo, que segurou o valor da gasolina, prejudicando o etanol, acabaram por deixar a empresa em situação crítica.

O último balanço do grupo mostra que, em 2015, os passivos de curto prazo eram de R$ 3,7 bilhões, maiores do que os ativos a receber da companhia.

A reestruturação da dívida da Agroindustrial traz um alívio para o grupo Odebrecht como um todo. Os esforços agora se voltam para a Odebrecht Óleo e Gás, que está renegociando R$ 17 bilhões em dívidas. (O Estado de São Paulo 21/07/2016)

 

Açúcar: Conflito de informações

Informações conflitantes sobre a oferta de açúcar no mercado internacional conferiram forte instabilidade aos preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em março de 2017 fecharam cotados a 19,56 centavos de dólar por libra-peso, leve baixa de 6 pontos.

"A melhora das chuvas de monções na Índia deve trazer um plantio maior e uma safra positiva, o que faz com que as estimativas de déficit sejam revistas", explica Gabriel Elias, trader da Olam International.

Por outro lado, a previsão de geada para sexta-feira no Centro-Sul do Brasil deu suporte às cotações, limitando as perdas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,11 a saca de 50 quilos, recuo de 0,01%. (Valor Econômico 21/07/2016)

 

Grupo Colombo relata lucro líquido de R$ 286,7 milhões na safra 2015/2016

O Grupo Colombo, companhia sucroenergética com três usinas em São Paulo e ainda operações no varejo de açúcar, relatou lucro líquido de R$ 286,7 milhões na safra 2015/2016, encerrada em 31 de março. No período anterior, que contabilizou 15 meses, ou seja, de janeiro de 2014 a março de 2015, o lucro líquido foi de 158,7 milhões.

A companhia registrou receita líquida de R$ 1,4 bilhão na safra passada e R$ 1,29 bilhão no período anterior. O resultado antes de impostos variou de R$ 163,4 milhões para R$ 363,9 milhões entre os períodos.

O Grupo Colombo tem usinas nas cidades paulistas de Catanduva, Santa Ernestina e Palestina e, além da produção de etanol, energia elétrica e açúcar, é dona das marcas Colombo e Caravelas comercializadas no varejo. (Agência Estado 20/07/2016)

 

Usina Diana prevê queda da dívida por tonelada de matéria-prima em 2016/17

A Usina Diana, de Avanhandava (SP), prevê queda do endividamento por tonelada de cana-de-açúcar na safra 2016/17, iniciada em abril. Conforme nota divulgada pela União dos Produtores de Bioenergia (Udop), a companhia tinha dívida líquida de R$ 107 milhões em 30 de junho, equivalente a R$ 65,08 a tonelada de matéria-prima moída.

Para 31 de março do ano que vem, quando se encerra a atual temporada, a expectativa é de que o endividamento por tonelada caia para R$ 44,84, diminuindo também a alavancagem, para 1,15 vez. Na média do Centro-Sul, a dívida por tonelada beira R$ 150.

O endividamento da empresa, porém, chegou a R$ 80 a tonelada no passado, refletindo, dentre outros fatores, à quebra de produção na safra 2013/14. Caso as projeções se confirmem para o ciclo vigente, a Usina Diana pode voltar a investir em expansão de capacidade nos próximos anos, disse à Udop o CEO da companhia, Ricardo Junqueira.

Junqueira também enumerou a destinação dos recursos de alguns dos investimentos mais recentes da companhia, incluindo duas caldeiras, dois turbo geradores, uma nova linha de moenda com quatro ternos, duas novas centrífugas de açúcar, silo e PCTS. Além disso, também foram realizados investimentos agrícolas: “Aumentamos o nosso canavial próprio de 600 mil/t para 1,1 mi/t diminuindo a idade média de 5,8 anos para 3,2 anos”, complementa.

A expectativa da Usina Diana é de processar 1,65 milhão de tonelada de cana em 2016/17, com 60 milhões de litros de etanol e 112 mil toneladas de açúcar. Os números superam os registrados em 2015/16, quando foram esmagadas 1,51 milhão de toneladas, com fabricação de 52,5 milhões de litros de álcool e 74 mil toneladas de açúcar. (Agência Estado 20/07/2016)

 

Platts Kingsman reduz estimativas de déficit global de açúcar

A consultoria Platts Kingsman cortou nesta quarta-feira sua previsão para o tamanho do déficit global de açúcar em 2016/17 (outubro a setembro) para 6,28 milhões de toneladas.

A empresa, uma unidade da S&P Global Platts, disse que reduziu a estimativa em 380 mil toneladas para refletir uma menor demanda do Irã.

A Platts Kingsman também reduziu sua estimativa de déficit global de açúcar na atual temporada 2015/16, também para incluir um menor consumo do Irã. A nova previsão é de déficit em 4,86 milhões de toneladas, ante 5,33 milhões no relatório do mês passado.

"Nós observamos a demanda do Irã, começando com o ano safra 2011/12, e decidimos revisar para baixo a taxa de crescimento anual", disse a consultoria.

A demanda do Irã para a temporada 2016/17 foi cortada em 443 mil toneladas, para 2,68 milhões, e para a atual temporada foi reduzida em 451 mil toneladas, para 2,637 milhões. (Reuters 20/07/2016)

 

Datagro reduz estimativa de moagem de cana do centro-sul para 597,25 mi t

Usinas de açúcar e etanol do Brasil deverão processar 597,25 milhões de toneladas de cana na atual temporada 2016/17, ante previsão realizada em maio de 625 milhões de toneladas, em função de um tempo seco em meses recentes e de baixos investimentos nos canaviais, estimou a consultoria Datagro nesta terça-feira.

O centro-sul, principal região produtora, que responde por 90 por cento da produção de cana-de-açúcar do Brasil, passou por condições mais secas que o normal em março, abril, início de maio e fim de junho, disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em entrevista por telefone.

Consequentemente, a região vai produzir apenas 34,1 milhões de toneladas de açúcar nesse período abril-março, abaixo da estimativa realizada em meio pela consultoria, de 35,2 milhões de toneladas, disse.

"Apesar das chuvas no fim de maio e no início de junho, nossas pesquisas estão mostrando que a cana-de-açúcar tem estado sensível ao tempo seco nos últimos meses," disse Nastari. "Portanto, esperamos que o rendimento seja menor mais perto do fim do período de processamento."

A maioria das usinas da região processam a cana de abril a dezembro.

O primeiro contrato em Nova York subiu 1,6 por cento na manhã de terça-feira após a Datagro divulgar a nova estimativa a clientes, incluindo comerciantes e grandes consumidores de açúcar. Mas os contratos de outubro terminaram o dia praticamente inalterados a 19,36 centavos de dólar.

Além do tempo seco desacelerando o desenvolvimento da cana, Nastari disse que a menor safra em usinas com problemas financeiros e uma maior infestação de pragas também afetarão a produtividade no centro-sul.

Com menos cana, as usinas da região deverão reduzir sua produção de etanol para 26,1 bilhões de litros nesta temporada, ante 27,8 bilhões de litros estimados em maio, segundo Nastari.

Compensando parcialmente a menor moagem prevista para o centro-sul, usinas do Nordeste deverão processar 53,5 milhões de toneladas de cana, ante 50 milhões da previsão de maio. A região deverá produzir 3,3 milhões de toneladas de açúcar, ante 2,9 milhões estimados em maio. (Reuters 20/07/2016)

 

Produção de etanol dos EUA sobe 2,49% na semana, indo para 1,029 mi de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,029 milhão de barris por dia na semana passada, volume 2,49% maior do que o registrado na semana anterior, de 1,004 milhão de barris por dia.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês). Os estoques do biocombustível aumentaram 0,47% na semana encerrada no dia 15 de julho, para 21,2 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 20/07/2016)

 

Moagem de cana deve voltar a crescer no Nordeste do país

As usinas do Nordeste parecem ter deixado o fundo do poço para trás e se preparam para processar um volume maior de cana-de-açúcar nesta nova safra (que na região começa em setembro) do que em 2015/16. Essa retomada, que sucede ao menos dois anos de retração da produção, é decorrente apenas da melhora climática, já que a maior parte das empresas continua com poucos recursos para investir em melhoras técnicas nas plantações e nas indústrias.

A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) avalia que no ciclo 2015/16 foram processadas na região 51 milhões de toneladas de cana, e que na próxima temporada haverá um incremento de 1 milhão de toneladas. Principal Estado produtor da região, Alagoas deverá aumentar sua moagem em 16%, para 17,5 milhões de toneladas. Pernambuco, segundo no ranking nordestino, caminha para um avanço mais modesto, de 8%, para 13 milhões de toneladas.

Desde o fim do ano passado, as chuvas voltaram a cair com regularidade na região, melhorando a situação das lavouras após anos de déficit hídrico. Mas há grandes disparidades regionais. Enquanto a umidade tem sido maior entre Alagoas e Rio Grande do Norte, as áreas produtoras de cana do sul da Bahia e de Sergipe continuam sofrendo com a estiagem e devem registrar novas quedas de produção, segundo Alexandre Lima, presidente da Unida. "A redução na Bahia deverá ser de 60%, mas é uma região pouco produtiva, com só duas unidades".

Apesar do cenário melhor para a produtividade, Lima lembrou que a área cultivada com cana-de-açúcar no Nordeste continua recuando, principalmente no norte de Alagoas e no sul de Pernambuco, dando espaço para pastagens.

O cálculo do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE) não destoa muito, mas prevê uma recuperação mais robusta. Em sua projeção, que considera também o processamento no Norte do país, as usinas das duas regiões deverão processar em torno de 53 milhões de toneladas de cana na temporada 2016/17, um aumento de 8% após uma moagem de 49 milhões de toneladas no ciclo passado, segundo os cálculos do sindicato. A participação das usinas do Norte, porém, não ultrapassa 500 mil toneladas.

Mesmo com esse aumento, o volume ainda deverá ficar aquém do total processado na temporada 2014/15, que chegou a 61 milhões de toneladas de cana. "O ideal é que esse regime de chuvas estivesse associado a um nível de capitalização que não há para adubação e tratos culturais", afirmou Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE.

Apesar da recuperação das cotações do açúcar no mercado internacional, Cunha acredita que é preciso que o produto se mantenha valorizado por várias safras para que as usinas recomponham seus caixas e voltem a investir na atividade. "É preciso de três a cinco anos de estabilidade no mercado de açúcar e de rigor no mercado de etanol, que não está bom porque o consumo tem caído", avaliou o presidente do sindicato pernambucano.

Como no Centro-Sul, as usinas nordestinas também tendem a dar mais ênfase à produção de açúcar na safra 2016/17 para capturar a forte alta de preços do produto. Dessa forma, a produção da commodity no Nordeste tende a crescer numa proporção muito maior do que o processamento de matéria-prima e passar para 3,3 milhões de toneladas, uma alta de 26%, na estimativa do Sindaçúcar/PE. Ainda assim, se essa estimativa se confirmar, a produção ficará menor do que na safra 2014/15, quando alcançou 3,57 milhões.

Já a produção de etanol (anidro e hidratado) deve aumentar apenas 5%, para 2,1 bilhões de litros, volume que ainda fica aquém da produção de 2014/15, que alcançou 2,28 bilhões de litros. Dessa forma, a oferta regional do biocombustível continuará abaixo da demanda, com um déficit de 700 milhões de litros, pela estimativa do sindicato pernambucano. (Valor Econômico 21/07/2016)

 

Preços do etanol em Chicago caem a mínimas de abril após produção

Os contratos futuros do etanol negociados nos Estados Unidos caíram a mínimas de mais de três meses nesta quarta-feira após dados semanais do governo norte-americano mostrarem que usinas do biocombustível estão produzindo a níveis recordes, elevando ainda mais reservas já abundantes e provavelmente mantendo preços sob pressão.

A demanda sazonal mais forte nos EUA deve atingir máximas recordes neste verão no Hemisfério Norte, mas a disparada na produção da gasolina e do etanol está superando o aumento no consumo.

A produção de etanol subiu em 25 mil barris por dia para 1,03 milhão de barris por dia na última semana, de acordo com dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (AIE). Isso superou o recorde anterior atingido no último mês de pouco mais de 1,01 milhão de barris por dia.

As taxas de produção estão bem acima do nível do último ano, uma vez que usinas aumentaram capacidade ao longo do último ano, apesar de margens fracas e preocupações sobre a demanda.

Os preços voltaram a subir em maio e junho, atingindo um pico de 1 ano e meio há um mês, ajudando a elevar margens após um primeiro trimestre difícil para muitos produtores de etanol.

Desde então, os preços têm estado sob pressão. O contrato mais ativo na bolsa de Chicago fechou a 1,458 dólar por galão, perto da mínima da sessão. (Reuters 20/07/2016)