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Após reestruturação da Agro, Odebrecht nega risco de recuperação judicial

Ações de bancos caíram até 5% na bolsa de valores depois de publicação afirmar que a empresa considerava pedir proteção contra credores nas próximas horas

Ao mesmo tempo em que o Ibovespa registrou sua 11ª alta em 12 pregões nesta quinta-feira (21), com ganhos de até 10%, chamaram atenção os papéis dos bancos, que caíram pressionados pelo risco de recuperação judicial da Odebrecht.

As ações dos bancos apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa, atingindo na mínima do dia perdas de 5% (no caso do Banco do Brasil), ainda que a Odebrecht tenha negado o risco de entrada em recuperação judicial. A notícia circulou por meio do blog Brazil Journal, que afirmou que, nas últimas horas, cresceram as chances da Odebrecht pedir recuperação judicial, o que envolveria todas as empresas do grupo, com exceção da Braskem.

“São totalmente falsas as especulações em torno de uma suposta recuperação judicial da Odebrecht”, afirmou a companhia em comunicado. “A empresa não trabalha com essa alternativa”.

O conglomerado, que inclui a maior empreiteira do país, afirmou que o diálogo com bancos credores da companhia segue de forma positiva e mencionou a recente reestruturação financeira da Odebrecht Agroindustrial, que envolveu aporte de dinheiro, e a captação da Odebrecht Transport. “O programa de venda de ativos já vem dando resultado, com operações já fechadas e outras em fase final de negociação”, conclui o comunicado. (Info Money 22/07/2016)

 

Governo suspende incentivos fiscais de usina de açúcar e álcool de Bumlai

O governo do Estado suspendeu os incentivos fiscais dados a usina de açúcar e álcool São Fernando, localizada em Dourados, distante 233 km de Campo Grande e pertencente à família do pecuarista José Carlos Bumlai, réu na Operação Lava a Jato.

Sem detalhar os motivos, a publicação da Sefaz (Secretaria de Fazenda de MS) publicada no Diário Oficial apenas suspende o benefício fiscal. A decisão é do dia 19 de julho, com efeitos desde ontem. Toda empresa quando se instala no Estado e apresenta projeto com metas de geração de emprego e renda, recebe incentivos para atuar, como a redução de impostos.

A usina começou a ser construída em 2007, quando o setor começou a crescer no Estado. Porém, ao longo dos anos passou por diversas dificuldades financeiras até pedir recuperação judicial em 2013. De lá para cá, a empresa já se livrou de vários pedidos de falência, dois apenas neste ano.

As dívidas da São Fernando seriam superiores a R$ 1,2 bilhão. Em abril, o juiz Jonas Hass da Silva, da 5ª Cara Cível de Dourados homologou o acordo com parte dos credores que juntos, cobravam R$ 187 mil da usina.

Depois disso, instituições pediram a falência da São Fernando, entre elas o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que cobra dívida de R$ 300 milhões. O Banco Industrial do Brasil S/A fez o mesmo pedido, em seguida.

Além dos pedidos de falência, a São Fernando enfrenta várias de ações por “impugnação de crédito”, um termo jurídico usado em ações de recuperação judicial e geralmente quando um credor apresenta a dívida quem tem para receber da empresa.

Em janeiro deste ano, vários caminhões e até máquinas usadas na colheita da cana foram apreendidas por ordem da Justiça, para pagamento de dívidas não reveladas. (Campo Grande News 23/07/2016)

 

Tonon Bioenergia teve prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão em 2015/16

A companhia sucroalcooleira Tonon Bioenergia reportou um prejuízo líquido 70% maior no exercício encerrado em 31 de março deste ano (safra 2015/16), para R$ 1,1 bilhão. A empresa possui três usinas de cana-de-açúcar, duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul, e está em recuperação judicial desde dezembro de 2015.

Em 31 de março de 2016, o passivo circulante consolidado da Tonon excedeu o ativo circulante em R$ 2,97 bilhões, e o patrimônio líquido estava negativo em R$ 1,47 bilhão.

Em comunicado que acompanhou o balanço financeiro, divulgado hoje pelo Diário Oficial do Estado de São Paulo, a empresa diz que pesaram em seus resultados a valorização do dólar frente ao real ao longo do ano fiscal e a restrição à oferta de crédito no país.

A receita da Tonon cresceu 6,3% no ciclo encerrado em 31 de março passado, para R$ 778,25 milhões. Entretanto, o custo das vendas teve elevação de 12%, para R$ 825,7 milhões. Com uma variação do valor justo de ativo biológico de R$ 18,96 milhões, a empresa registrou um prejuízo bruto de R$ 28,48 milhões.

A dívida financeira (empréstimos e financiamentos) de curto prazo da companhia totalizava R$ 2,84 bilhões, significativamente acima dos R$ 303,1 milhões em 2014/15. O endividamento de longo prazo, por sua vez, caiu de R$ 1,811 bilhão para R$ 8 milhões. (Valor Econômico 220/7/2016)

 

Açúcar: Ásia gera incertezas

Os contratos futuros do açúcar demerara registraram leve alta no pregão da última sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo as incertezas sobre as condições de produção na Ásia.

Os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram a sessão cotados a 19,83 centavos de dólar a libra-peso, alta de 2 pontos.

Segundo a Associação Indiana das Usinas de Açúcar, a produção do adoçante no país deve registrar queda de 7% na próxima temporada 2016/17, devido à menor área cultivada.

No entanto, as chuvas de monções acima da média no continente, após um período de seca, continuam a limitar a valorização da commodity.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,78 a saca de 50 quilos, alta de 0,21%. (Valor Econômico 25/07/2016)

 

Lucro do Grupo Balbo cresceu 28% na safra 2015/16, a R$ 42,67 milhões

O Grupo Balbo, detentor de duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo e uma em Minas Gerais, registrou um lucro líquido de R$ 42,67 milhões no exercício encerrado em 31 de março de 2016 (safra 2015/16), alta de 28% em relação ao resultado líquido positivo de R$ 33,35 milhões no ano fiscal anterior. Os dados constam do balanço da empresa, divulgado hoje no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

A receita do grupo, que controla a Native, do segmento de alimentos orgânicos, também subiu: 9,5%, para R$ 820,72 milhões na mesma comparação.

O custo dos produtos vendidos foi 7,8% maior no período, para R$ 589,39 milhões. Ainda assim, o lucro bruto avançou 13,9%, a R$ 231,32 milhões. Já o resultado financeiro ficou negativo em R$ 82,50 milhões, 22,5% acima do ciclo 2014/15. (Valor Econômico 22/07/2016)

 

Preço do etanol cai em 14 Estados e no DF e sobe em 11 na semana

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 14 Estados e no Distrito Federal e subiram em outros 11 nesta semana. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que não informou a referência para o Amapá. No período de um mês, os preços caíram em 22 Estados e no Distrito Federal e subiram em outros três - também desconsiderando-se o Amapá.

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação caiu 0,32% na semana, para R$ 2,210 o litro. No período de um mês, acumula desvalorização de 3,20%. Na semana, a maior alta ocorreu no Amazonas (0,99%) e o maior recuo, em Alagoas (3,84%). No mês, o etanol subiu mais na Bahia (4,59%) e recuou mais no Piauí (6,40%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,809 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,999 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,210 o litro, em São Paulo. O maior foi registrado em Roraima, a R$ 3,68 por litro.

O etanol continuou competitivo ante a gasolina pela segunda semana consecutiva nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Os dados são da ANP, compilados pelo AE-Taxas. No restante do País, o derivado de petróleo continua mais vantajoso.

Segundo o levantamento, o preço do etanol em Goiás equivale a 69,67% do da gasolina. Em Mato Grosso, a relação está em 66,78%; em Minas Gerais, em 68,21%; no Paraná, em 69,82%; e em São Paulo, 64,23%. O biocombustível tem a menor vantagem em Roraima, onde o preço equivale a 94,89% do valor da gasolina na bomba - a relação é favorável ao etanol quando está abaixo de 70%.

Em São Paulo, a gasolina tem cotação média de R$ 3,441 o litro, enquanto o etanolhidratado, de R$ 2,210 o litro. (Agência Estado 22/07/2016)

 

ATR SP: Acumulado sobe 1,96% em junho

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP), divulgou os dados referentes ao ATR - Açúcares Totais Recuperáveis do mês de junho. Em comparação ao mês anterior, os preços subiram 1,96%, fechando em R$ 0,5926 no acumulado. Já o valor mensal teve valorização de 7,04%, passando de R$ 0,5749 para R$ 0,6154.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados em R$ 64,71 a tonelada, contra R$ 63,46 do mês de maio, alta de 1,96%. O preço da cana esteira em junho também fechou com valorização de 1,96%, com contratos firmados em R$ 72,28.

Em São Paulo, o índice cana campo é de R$ 109,19 quilos de ATR por tonelada de cana. Já a cana esteira é de 121,97 quilos de ATR. (UDOP 22/07/2016)

 

Açúcar: Petróleo pode ser fator de desetabilização

Por Arnaldo Luiz Corrêa

As férias de verão no hemisfério Norte e o recesso escolar no Brasil são os ingredientes perfeitos para compor um mercado bastante quieto e sem nenhuma notícia que anime aos analistas olhar por cima dos óculos. Por isso, o mercado futuro de açúcar em NY fechou praticamente inalterado na semana. O vencimento outubro/2016 encerrou a sexta-feira cotado a 19.59 centavos de dólar por libra-peso com anêmicos 2 pontos de variação em relação à sexta anterior.

O mercado físico de exportação está inerte enquanto os spreads no mercado futuro não dão a menor sinalização de que exista, por enquanto, qualquer preocupação com a disponibilidade de açúcar do Centro-Sul. A manutenção da enorme posição comprada dos fundos, que liquidaram apenas 12.000 lotes na semana, num mercado que parece estar se consolidando, é uma verdadeira incógnita. Há algumas conjecturas.

Um analista de commodities de NY fez uma observação sobre a recente correlação existente entre o mercado de açúcar e o de café. Naquele mercado os fundos se “descobriram” aumentando a posição comprada enquanto o mercado caia. Ooops. Ato contínuo, uma avalanche de liquidação por parte dos fundos nesta sexta-feira. Será que o açúcar vai se contaminar também com esse comportamento dos fundos?

Não dá para apostar nisso pois do lado de cá, no mercado de açúcar, as tradings estão ainda cobrindo suas posições vendidas a descoberto lambendo as feridas. Ou seja, quando os fundos vendem (liquidando) encontram ávidos compradores.

A queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional não é uma notícia animadora para o setor sucroalcooleiro. O barril, após negociar no início de junho no preço mais alto desde novembro do ano passado, quando atingiu 52 dólares, despenca e negocia a 44 dólares por barril. Esse valor, se projetado para os próximos meses e considerando ainda que o real deve se apreciar em relação ao dólar com a saída definitiva da presidente Dilma Roussef, projeta o litro da gasolina C (contendo 27% de anidro) para o consumidor em R$ 2.8250 por litro e o hidratado para R$ 1.9800. Ou seja, com esse valor, teremos uma produção de açúcar quase no limite da capacidade de cristalização do Centro-Sul.

Em outras palavras, acredito que existe um teto para o preço do açúcar em NY em torno de 22.50-23.75 centavos de dólar por libra-peso que pode ser reduzido se o petróleo continuar pressionado. Se o preço alvo for em reais, a chance de uma fixação a R$ 1.600 por tonelada ser uma “fixação ruim” é exígua.

O preço do petróleo, nesse momento, é um dos pontos mais críticos na análise que pode ser feita para o médio prazo. Os fundamentos do açúcar continuam bastante sólidos para o médio e longo prazo calcados na correta percepção de que o crescimento do canavial para a safra 2017/2018 está comprometido por falta de investimentos enquanto o consumo mundial cresce a um ritmo mais rápido do que a produção mundial é capaz de acompanhar.

Por outro lado, a enorme defasagem que o preço da gasolina projeta para o final do ano abre espaço considerável para que o governo introduza a CIDE sem impactar o caixa da Petrobrás, neutralizando a defasagem (A gasolina na bomba – preço médio de SP - está acima mais ou menos 20% acima do mercado internacional).

Alguns números da moagem do Centro-Sul estão sendo revisados para baixo. Embora ainda estejamos na metade do período de moagem, números próximos a 600-610 milhões de toneladas podem neutralizar ou servir de contraponto para a questão do petróleo.

Ninguém pode dizer que 2016 não foi um ano de fortes emoções. E ainda faltam 162 dias para acabar.
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Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)