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Bunge vende menos açúcar e etanol e perde US$ 14 milhões no semestre com suas usinas

Embora um prejuízo de US$ 14 milhões não possa ser ignorado, o mais recente balanço semestral da Bunge indica uma melhora nos resultados da multinacional para o segmento de açúcar e etanol. No mesmo período de 2015, o resultado foi negativo em US$ 35 milhões.

Contudo, além de diminuir o tamanho do rombo financeiro, a companhia também reduziu seu volume de vendas.

Segundo a Bunge, a expectativa para o setor de açúcar e etanol em 2016 é atingir um Ebit (lucro antes de juros e impostos) entre US$ 70 e US$ 80 milhões acima do visto em 2015, graças aos preços mais atrativos tanto para o açúcar quanto para o etanol. O objetivo seria ajustar as contas à perda de US$ 22 milhões registrada no ano passado.

Moagem

No segundo trimestre de 2016, a moagem de cana-de-açúcar foi de 6,7 milhões de toneladas, uma queda de 8,2% em relação às 7,3 milhões de toneladas do ano anterior. No acumulado do semestre, a moagem caiu de 7,7 milhões em 2015 para 7 milhões em 2016 – um decréscimo de 9,1%.

Atualmente, a Bunge opera oito usinas no Brasil, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Juntas, elas têm capacidade para processar 21 milhões de toneladas de cana por safra.

Volumes comercializados

No acumulado de janeiro a junho, as vendas açúcar da Bunge foram de 261 mil toneladas, um montante 38,6% menor que as 425 mil toneladas do primeiro semestre de 2015. Mesmo assim, houve uma aceleração no último trimestre, com um total de 227 mil toneladas – 14,1% acima do resultado do mesmo período em 2015.

Já as vendas trimestrais de etanol caíram 14,7%, indo de 477 mil toneladas de açúcar equivalente para 407 mil. No semestre, a queda foi ainda mais pronunciada, de 26,9%, com a produção indo de 906 para 662 mil toneladas.

Por sua vez, a cogeração registrou uma leve melhora, tanto trimestral quanto semestral. Nos primeiros seis meses do ano, a Bunge vendeu 213 mil MWh (+0,5%). Já de abril a junho, a comercialização de energia somou 187 mil MWh (+2,2%).

Resultados da multinacional

Apesar dos números desencorajadores com açúcar e etanol, a Bunge reportou um lucro líquido de US$ 121 milhões no segundo trimestre com o agrupado de todos os negócios pelo mundo. O valor é 40,7% maior na comparação com o de US$ 86 milhões alcançado em igual período do ano passado. Segundo a Agência Estado, o CEO da empresa, Soren Schroder, destacou que os resultados vieram acima do esperado “graças ao bom desempenho nos segmentos de grãos e de processamento de soja”.

Para ele, a área agrícola ajudou a companhia a atravessar um período de “significativa volatilidade” tanto em preços quanto em margens. A receita líquida da Bunge no segundo trimestre alcançou US$ 10,54 bilhões, ligeiramente abaixo da verificada há um ano, de US$ 10,78 bilhões. Já o Ebit (lucro antes de juros e impostos) variou de US$ 167 milhões para US$ 205 milhões entre os períodos.

No trimestre, a Bunge vendeu um total de 33,94 milhões de toneladas de produtos relacionados ao agronegócio, acima das 32,80 milhões de toneladas de um ano atrás. O lucro bruto do segmento caiu 4,7%, para US$ 343 milhões, mas o Ebit avançou 34,3%, para US$ 180 milhões, dos quais US$ 56 milhões relacionados a oleaginosas e US$ 124 milhões a grãos. (Nova Cana 29/07/2016)

 

Açúcar: Abaixo do esperado

Os dados de moagem no Centro-Sul do Brasil divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) fizeram os contratos futuros do açúcar demerara subir na última sexta-feira na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram a sessão a 19,44 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 26 pontos.

Segundo a Unica, o Centro-Sul do Brasil produziu 2,83 milhões de toneladas de açúcar, avanço de 94,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os analistas, no entanto, esperavam uma produção de açúcar um pouco maior, de 2,86 milhões de toneladas.

O teor de açúcar 0,78% menor na atual safra também pressionou as cotações.

O indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,87 a saca de 50 quilos, queda de 0,27%. (Valor Econômico 01/08/2016)

 

Colheita de cana avança no Centro-Sul do país

O tempo seco nas áreas produtoras de cana do Centro-Sul do país garantiu que as usinas trabalhassem em ritmo acelerado na primeira quinzena do mês de julho. Com isso, o volume de matéria-prima processada nas unidades da região cresceu 58,96% na comparação com os mesmo 15 dias de julho de 2015 e somou 46,74 milhões de toneladas, conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A partir desse volume, foram produzidas 2,83 milhões de toneladas de açúcar, 847,68 milhões de litros de etanol anidro e 1,06 bilhão de litros de etanol hidratado, crescimentos de 94,95%, 60,58% e 60,58%, respectivamente.

Segundo a Unica, a área colhida foi muito maior que no ciclo anterior, mas “a qualidade da matéria-prima ficou aquém das expectativas, principalmente aquela apurada para o Estado de São Paulo”. No Estado, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 130,51 quilos por tonelada na quinzena, 0,78% inferior àquela registrada no mesmo período de 2015. No Centro-Sul, o teor de ATR atingiu 133,25 quilos por tonelada, apenas 0,63% acima do valor observado na mesma época de 2015.

Somente em São Paulo, a moagem de cana somou 18,75 milhões de toneladas na quinzena, crescimento de 46,88%. A produção de açúcar chegou a 925 mil toneladas (alta de 107,31%); a de anidro, 367 milhões de litros (69,1%) e a de hidratado, 579 milhões de litros (12,6%).

No acumulado da safra 2016/17 (de 1º de abril até 16 de julho), a quantidade de cana moída no Centro-Sul chegou a 261,40 milhões de toneladas, 16,07% mais que no mesmo período do ciclo anterior. A produção de açúcar totalizou 13,81 milhões de toneladas, superando em 3,20 milhões de toneladas a quantidade registrada no mesmo período do último ano. “Dessa produção, cerca de 1,5 milhão de toneladas derivam do crescimento no volume processado de cana, não estando exclusivamente associado, portanto, a uma mudança no mix de produção”, diz a Unica. O mix da safra até o dia 16 de julho ficou em 44,21% para o açúcar e 55,79% para o etanol.

A produção de etanol anidro no Centro-Sul no acumulado da safra somou 4,28 bilhões de litros, com alta de 27,25% ante mesmo período de 2015. E a produção de hidratado ficou em 6,48 bilhões de litros, com alta de 1,03%.

Em São Paulo, a moagem no acumulado da safra foi de 105,18 milhões de toneladas, com produção de açúcar de 4,41 milhões de toneladas e de etanol anidro 1,76 bilhão de litros e hidratado, 3,48 bilhões de litros. (Valor Econômico 29/07/2016 às 15h: 01m)

 

Projeto quer obrigar postos de todo o país a avisar sobre combustível mais vantajoso

Postos terão que informar combustível mais vantajoso: etanol ou gasolina. Em algumas cidades do país essa ideia já está valendo.

Um projeto de lei quer mudar a rotina de quem abastece o carro em todo o país. Se aprovado, todos os postos vão ter que informar qual combustível é mais vantajoso naquele momento: etanol ou gasolina. Tem cidade que essa ideia já está valendo.

A conta é simples: para saber que combustível compensa abastecer, é só dividir o preço do litro do etanol pelo da gasolina. Se der menor que 0,7, vale a pena o etanol.

Para facilitar para o motorista, a Câmara de Vereadores de Araraquara, no interior de São Paulo, aprovou uma lei que obriga os postos de combustíveis a deixar o resultado em lugar visível. A conta já vai estar feita. Os postos já começaram a se adaptar com novas placas. Depois que a proposta for aprovada pelo prefeito, os postos terão 60 dias para se adaptar.

O Sindicato dos Postos de Gasolina não gostou da novidade. "Fica difícil para o motorista quando ele entra no posto de gasolina. Você já viu quantas placas tem no posto para ele ler? É proibido cigarro, é proibido celular, capacete. Quer dizer, é uma placa atrás da outra, mais os preços do combustível. Então, vai ficar difícil dele ver tanta coisa", defende Miguel Aiello Fonari, presidente do sindicato.

Um projeto que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, quer que todos os postos do país mostrem ao consumidor qual o combustível mais barato. A medida já vale no Distrito Federal. "Essa lei está sempre colocando em pauta a questão do direito à informação. É mais um ponto para o consumidor", afirma Luciana Menes, assistente jurídica do Procon.

Os municípios de Minas Gerais já têm essa regra desde 2009. Sem aviso, a multa varia de R$ 644 a R$ 9 milhões. Em Maringá, norte do Paraná, há cinco anos, os empresários são obrigados a mostrar a diferença, em porcentagem, entre os preços.

Na Bahia, 26 postos já foram notificados este ano e tiveram que se adequar para escapar da multa. No estado, a lei vale desde o ano passado. "A legislação estadual prevê penalidade de multa diária de R$ 1 mil e o Código de Defesa do Consumidor estabelece penalidades que poderão alcançar o valor de até R$ 6 milhões", explica Iratan Vilas Boas, superintendente de fiscalização do Procon. (G1 29/07/2016)

 

Açúcar: Início da correção ou consolidação?

Por Arnaldo Luiz Corrêa

A tão esperada correção no mercado futuro de açúcar acabou finalmente acontecendo, ainda que parcialmente. Na semana encerrada na sexta-feira, vimos o vencimento outubro/2016 negociar a 18.71 centavos de dólar por libra-peso. Dissemos no último comentário do mês passado que o mercado precisava de uma correção de 300-400 pontos para sobreviver, pois estava pesado demais, influenciado pela enorme posição dos fundos e com trajetória de preços não condizente com a pasmaceira do mercado físico de exportação.

O mercado encerrara aquela semana a 20.78 centavos de dólar por libra-peso. Pois bem, aqui chegamos. Após atingir 21.22 centavos de dólar por libra-peso no final de junho, o vencimento outubro desvalorizou-se em 250 pontos, um pouco aquém dos 300-400 pontos, mas perto do nível de 18.50 centavos de dólar por libra-peso que disséramos ser o nível “objeto de desejo” daqueles que ansiavam por cobrir suas posições e, para tal, vendiam puts freneticamente.

Tiveram enorme ajuda na queda do açúcar dois fatores: a desvalorização do petróleo que, apenas nesta semana, caiu mais 7% e foi destaque no comentário da semana passada, como possível fator de desestabilização de preço do açúcar e, o clima seco favorável que permitiu o bom desempenho da safra no Centro-Sul que moeu até a primeira quinzena de julho 261.4 milhões de toneladas de cana (16.7% acima da safra passada), produzindo 13.8 milhões de toneladas de (30% acima) e 10.75 bilhões de litros de etanol (10% acima do ano passado). Até a ATR está melhor 125.40 por tonelada de cana moída. O mix de açúcar está e, 47.68%, bem acima dos 39.13% do ano passado.

A correção já acabou? Era a pergunta corrente entre os traders. O fechamento de sexta, com o outubro encerrando a semana a 19.05 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 50 pontos em relação à semana anterior, mas uma alta de 25 pontos em relação à quinta-feira deu a nítida impressão que mais gente resolveu se posicionar nos atuais níveis comprando o mercado com receio de, uma vez mais, perder a oportunidade. O que valida isso é o sentimento que, embora o desempenho da safra esteja muito bom, o número final de moagem dificilmente ultrapassará os 615-620 milhões de toneladas que é a média esperada pelo mercado.

O que parece é que o mercado encontrou seu nível mais baixo para o curto prazo. E o volume negociado de puts (opção de venda) foi tão expressivo nesse período que a volatilidade implícita das opções despencou quase 4 pontos percentuais em apenas 4 semanas, reforçando a tese de que muitas puts foram vendidas para replicar uma compra de futuros com menor preço final descontado o prêmio. Essas puts só virariam um futuro se na expiração das opções (que ocorre em setembro) o mercado estiver abaixo do preço de exercício. Como o mercado reagiu nesta sexta, podem estar aí as explicações: comprou-se o futuro pois a venda da put (opção de venda) tornou-se inócua com o avanço do mercado acima do preço de exercício. É uma hipótese plausível.

E com toda essa movimentação no mercado futuro de açúcar, os fundos não indexados nem se coçaram e continuam com uma posição comprada de 323.000 contratos, ou o equivalente a 16.4 milhões de toneladas de açúcar. Como o relatório de comitentes é de terça-feira, é de se supor que os fundos tenham realizado alguma coisa durante a semana, mas nada substancial.

Dois argumentos fortes contra uma eventual introdução da CIDE, com os devidos agradecimentos à Cristina Barros, da MB Associados: o primeiro é o impacto inflacionário: mais inflação significa maior ajuste do salario mínimo para 2017 (impacto de R$ 3 bilhões); o segundo é que cada ponto percentual na inflação impacta quase R$ 9.6 bilhões de juros (via SELIC). “Todos os impostos são recessivos, porque tiram renda da economia; mas os inflacionários como a CIDE são duas vezes recessivos, por pressionar a SELIC ao invés de folgá-la”.

No acumulado do mês, petróleo derreteu 15%, soja grão e farelo caíram perto de 14%, gasolina 12.5%, etanol (em Chicago) 11.5% e milho 9%. Tudo leva a crer que o mercado de energia (leia-se etanol de açúcar e milho e biodiesel) pode empurrar o açúcar um pouco mais para baixo. A pergunta que todos fazem é o que precisa acontecer para os fundos liquidarem suas posições e embolsarem essa grana toda que estão ganhando por enquanto?

O Dollar Index mede o valor da moeda norte-americana em relação a uma cesta de moedas, geralmente os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. O índice continua a cair e estimula algumas commodities a ir na direção inversa. Esse pode ser o contraponto ao paragrafo anterior e ainda dar sustentação aos fundos de se segurar na atual posição.

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Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)