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Brasil importa etanol dos EUA em plena safra do centro-sul

Usinas e comerciantes de etanol dos Estados Unidos estão correndo para vender biocombustível para o Brasil em um momento em que a oferta apertada e dificuldades de logística no mercado sul-americano oferecem ao maior produtor global da commodity uma rara oportunidade de exportar para o sul durante o pico da colheita de cana, disseram fontes.

Usinas de etanol dos EUA estão produzindo um recorde de 1 milhão de barris por dia, aproveitando oferta abundante e barata de milho, derrubando os preços domésticos para mínimas de três meses.

Os norte-americanos estão recebendo uma inesperada demanda do rival Brasil, onde a produção está ficando abaixo das expectativas, à medida que preços elevados de açúcar têm estimulado as usinas brasileiras a destinar uma fatia maior de cana para a produção do adoçante, em detrimento do etanol.

Isso abriu uma janela de arbitragem em um período incomum do ano, explicitando as diferenças entre as condições de mercado nas duas maiores nações produtoras de etanol.

"Os preços do milho dos EUA estão baixos e o dólar mais fraco, criando uma janela de oportunidade para carregamentos de etanol para o Nordeste do Brasil", disse o especialista Tarcilo Rodrigues, da corretora e consultoria Bioagência.

Rodrigues disse que usinas do centro-sul do Brasil, onde a colheita de cana está no pico, tipicamente embarcam etanol para o Nordeste, que não consegue produzir o suficiente para atender toda sua demanda.

Contudo, a capacidade de tanques nos principiais portos do Sul e Sudeste está atualmente ocupada por importações de diesel da Petrobras, atrapalhando os deslocamentos de etanol pela costa brasileira, acrescentou.

A moagem de cana no Nordeste ainda está a algumas semanas de começar, o que deixa o mercado daquela região apertado no fim da entressafra.

A Raízen, maior produtora global de açúcar e etanol de cana, comprou 55 milhões de litros de etanol dos EUA para o Brasil com embarques previstos entre o final de julho e o início de agosto, segundo três operadores norte-americanos.

Esse volume sozinho já é mais do que o registrado entre julho e agosto desde 2012, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Especialistas disseram que importação de etanol para o centro-sul do Brasil é improvável, já que a demanda local é atendida pelas usinas da região.

Contudo, o Norte e o Nordeste do Brasil, com uma demanda anual de 3 bilhões de litros, produz apenas 1 bilhão de litros.

A Bioagência prevê que a importação dos EUA atenda 500 milhões de litros do consumo do Norte/Nordeste. O restante viria do centro-sul.

A Raízen recusou-se a comentar.

Os navios Furuholmen e Ardmore Chinook já estão no porto de Itaqui, no Maranhão, para descarregar etanol para a Raízen, segundo dados da administração portuária e agentes marítimos.

Analistas esperam que carregamentos regulares de etanol proveniente de portos do Golfo do México nos EUA para o Nordeste do Brasil continuem até o início de 2017. (Reuters 04/08/2016)

 

Açúcar: Dólar em queda

O enfraquecimento do dólar em relação ao real e a possibilidade de chuvas acima da média em seis ou dez dias no Centro-Sul do Brasil deram sustentação aos contratos futuros do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam o pregão a 20,07 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 62 pontos.

Segundo Bruno Lima, analista da FCStone, o volume baixo de negociações devido às férias de verão no Hemisfério Norte fez com que a correlação entre as cotações do açúcar e o dólar se exacerbasse.

"Esse foi um dos fatores mais predominantes para a alta de ontem", afirmou.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,71 a saca de 50 quilos, valorização de 0,46%. (Valor Econômico 05/08/2016)

 

Indústria da cana registra saldo positivo na geração de empregos durante 1º semestre

Ao final do primeiro semestre de 2016, a cadeia produtiva da cana registrou saldo líquido de 4.870 vagas com carteira assinada, uma significativa evolução em comparação ao número verificado no mesmo período de 2015, quando houve a perda de 3.204 empregos formais. Esta é uma das principais conclusões do levantamento feito pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na última semana (27/7).

O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, acredita que este número poderia ser ainda maior se houvesse um programa mais amplo de políticas públicas para o setor. “A geração de novos postos de trabalho seria maior se tivéssemos medidas de longo prazo para estimular a expansão da oferta de etanol, biocombustível que além de proporcionar renda, também contribui para o meio ambiente e saúde da população”, observa o executivo.

Padua Rodrigues ainda afirma que, para atingir a produção de 50 bilhões de litros de etanol para o mercado interno em 2030, meta assumida pelo Brasil durante a COP 21, e explorar toda a potencialidade da biomassa da cana, seria necessário a criação de aproximadamente 750 mil empregos (entre diretos e indiretos) em toda a cadeia produtiva.

Os dados do Caged são mais expressivos quando se referem ao saldo acumulado no período da atual safra (contabilizando os meses de abril a junho), com a indústria canavieira sendo responsável pelo surgimento de 34 mil vagas ante apenas oito mil nos primeiros três meses do ciclo agrícola 2015/2016. No período 2016/2017, o destaque é para a região Centro-Sul, onde foram criados 32 mil novos postos de trabalho, tendo os Estados de São Paulo e Goiás registrado 13.294 e 8.065 empregos, respectivamente.

Em junho, constatou-se a abertura de 6.736 novas vagas contra apenas 3.622 observadas no mesmo mês em 2015. No Rio de Janeiro e em Goiás, as usinas sucroenergéticas criaram 1.485 e 1.149 empregos, respectivamente. Já no Norte-Nordeste, Sergipe ficou em evidência com a ampliação em quase mil postos no mês.

O resultado positivo da indústria da cana contrasta com a recessão econômica do País, que pelo décimo quinto mês consecutivo registra saldo líquido negativo, com o fechamento de mais de 91 mil vagas no mês de junho. Valor somente um pouco inferior ao contabilizado em igual mês de 2015, quando houve o corte de mais de 98 mil postos.

No acumulado deste ano, o saldo negativo se amplia para 531.765 vagas fechadas, resultado muito pior do que o visto nos seis primeiros meses de 2015, quando 305.594 pessoas saíram do mercado de trabalho. (UNICA 04/08/2016

 

Nissan revela veículo elétrico movido a célula de combustível de etanol

A Nissan revelou hoje (4), no Brasil, o primeiro protótipo do veículo a ser movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), que funciona através de energia elétrica de bioetanol. O novo sistema – inédito mundialmente – apresenta uma ‘Célula de Combustível e-Bio’, com um gerador de potência movido por meio de uma SOFC, que se utiliza da reação de diversos combustíveis com oxigênio, incluindo etanol e gás natural, para produzir eletricidade altamente eficiente.

O CEO e presidente mundial da Nissan, Carlos Ghosn, disse: “A Célula de Combustível e-Bio oferece transporte ecoamigável e cria oportunidades regionais de produção de energia ao passo que utiliza uma infraestrutura que já existe. No futuro, a Célula de Combustível e-Bio vai se tornar ainda mais ecoamigável. Etanol misturado com água é mais fácil e seguro de manusear do que outros combustíveis. Sem a necessidade de se criar nova infraestrutura, isto tem grande potencial de crescimento de mercado no futuro”.

Segundo a companhia, o protótipo com a Célula de Combustível faz parte do compromisso da Nissan para o desenvolvimento de veículos com emissões zero e novas tecnologias automotivas, incluindo sistemas de condução autônoma e conectividade. O protótipo com Célula de Combustível e-Bio é abastecido 100% com etanol para carregar uma bateria de 24 kWh que permite uma autonomia de mais de 600 km. A Nissan vai realizar testes de campo em vias públicas no Brasil, usando o protótipo.

A pesquisa e o desenvolvimento da Célula de Combustível e-Bio foi anunciada pela Nissan em junho, em Yokohama, no Japão, mas agora é revelado mundialmente em um veículo. Conforme comunicado, o motor é limpo, altamente eficiente e funciona 100% com etanol ou água misturada ao etanol. Suas emissões de carbono-neutro são tão limpas quanto a atmosfera, o que será a parte do ciclo natural do carbono. Além disso, a Célula de Combustível e-Bio oferece a aceleração viva e condução silenciosa de um veículo elétrico, juntamente com os seus custos baixos de manutenção, ao mesmo tempo em que possui a autonomia de um veículo movido a combustível fóssil.

Devido à fácil disponibilidade de etanol e da baixa combustibilidade de água misturada ao etanol, o sistema não é dependente ou restringido pela infraestrutura de carregamento existente, tornando mais fácil para apresentar ao mercado. De acordo com a Nissan, no futuro, as pessoas só precisarão parar por pequenas lojas de varejo para comprar combustível. (Nissan 04/08/2016)