Setor sucroenergético

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O agronegócio carrega o Brasil nas costas", afirmam lideranças no Congresso Abag

"O agronegócio andou para a direção do Sol, enquanto os demais setores cairam diante a situação do Brasil. A colocação é do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Luis Carlos Carvalho, na abertura do 15º Congresso Abag. Para líderes do setor do agronegócio o Brasil é maior que a crise.

O 15º Congresso da Abag debate neste ano "Liderança e Protagonismo" e, segundo Luis Carlos Carvalho, é preciso que o setor mostre seu protagonismo. "Hoje, somos o segundo maior exportador e deveremos ser o primeiro nos próximos anos, como aponta a FAO. Porém, não é só exportar. É preciso ter voz mais ativa perante a política também".

Carvalho destacou ainda que os líderes são as chaves mestras para instigar o desenvolvimento. "O Brasil caminha para o seu protagonismo. É o agronegócio que faz o país andar".

Há um ano o Brasil vivia uma situação delicada e de indecisões. Hoje, conforme o secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, pautas ligadas ao setor produtivo começam a entrar em discussão. "O setor está pronto pa ter liderança e fazer seu protagonismo. Os acordos que estamos vendo no Ministério da Agricultura, com o ministro Blairo Maggi, mostra que o Brasil está andando".

Importância mostrada

Na opinião do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Marcos Montes, o setor está começando a mostrar ao Brasil o que é o agronegócio e a sua importância. "A gente sente no presidente em exercício Michel Temer, ele ele dá sinais claros, que vê o agronegócio como saída para o Brasil".

Expemplo de liderança

Um exemplo de liderança na visão da senadora do Rio Grande do Sul Ana Amélia Lemos (PP), e que deveria ser seguido, é o do ministro da Agricultura Blairo Maggi. O Maggi está tendo comprometimento. O que ele não entende, ele vai e busca conhecimento. Pela primeira vez um ministro da Agricultura visitou uma lavoura de fumo no Rio Grande do Sul e viu a importância do setor para a economica de um Estado. ISso mostra liderança. O Brasil é maior que a crise. O agronegócio é protagonista. O agronegócio carrega o Brasil nas costas". (Olhar Direto 09/08/2016)

 

Centro-Sul pode aumentar produção de açúcar em 1 mi t em 2017/18, diz Udop

O centro-sul do Brasil poderá elevar sua produção de açúcar em até 1 milhão de toneladas na próxima safra devido a investimentos, ainda que modestos, em nova capacidade de processamento, estimou nesta segunda-feira o presidente-executivo da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), entidade que reúne dezenas de usinas, Antonio Cesar Salibe.

Na atual temporada 2016/17, o Brasil está a caminho de produzir um total de aproximadamente 35 milhões de toneladas do adoçante, conforme estimativas de consultorias e da indústria.

Segundo Salibe, com as cotações favorecendo atualmente o lucro na venda de açúcar, toda a capacidade instalada disponível para a produção da commodity já está sendo utilizada.

O setor tem registrado alguns investimentos de destilarias, que produzem apenas etanol, para passar a produzir também açúcar, sem contar com projetos em usinas mais estruturadas, também buscando maior produção de açúcar.

"Isso vai dar 1 milhão a mais de açúcar (na próxima temporada)", estimou o executivo, destacando que o aumento representaria crescimento de apenas 3 por cento na produção brasileira e um volume incapaz de resolver o déficit global projetado para os próximos meses.

Para o próximo ciclo, a Udop projeta uma estabilidade no volume de cana produzida e processada no centro-sul do Brasil, na comparação com 2016/17. Deverá haver um maior investimento em renovação de canaviais, mas isso não renderá maior produção imediatamente.

"Depende muito das condições climáticas. Se tivermos condições normais, vamos ficar estáveis (em volume de cana)", disse Salibe em entrevista à Reuters nos bastidores de um evento em São Paulo.

Para a parte final da atual safra, o executivo projeta que períodos prolongados de seca este ano poderão ser sentidos com alguma perda de produtividade agrícola (toneladas de cana por hectare), mas ajudarão na concentração de açúcar por tonelada de cana. O resultado deverá ser uma produção de açúcar e etanol dentro das previsões, mas com ganhos em custos operacionais.

"A indústria vai ter que processar menos água", afirmou Salibe. (Reuters 08/08/2016)

 

Biomassa não tem o mesmo espaço que eólica e solar nos leilões de energia

Apesar do apelo de fonte renovável e do potencial da matéria-prima no país, biomassa ainda não tem o mesmo espaço que as fontes eólica e solar nos leilões.

Depois de experimentar um salto de crescimento da capacidade instalada nos últimos anos, o setor de biomassa vive um momento de incertezas marcado pela participação limitada da fonte nos leilões e sobra de energia no mercado, que tende a retardar novos investimentos com foco na produção de bioeletricidade.

Em 2008, a biomassa de cana-de-açúcar chegou a emplacar 31 projetos nos leilões de energia, somando 541 megawatts médios contratados. Um ano depois, a fonte respondia por 32% do acréscimo anual de capacidade instalada de geração de energia no Brasil. Esse índice se manteve alto até 2013, mas depois começou a declinar. Neste ano, a previsão é representar 7% da expansão do sistema, caindo para apenas 2% em 2020.

78,8% de toda a capacidade instalada de biomassa na matriz energética do país é proveniente da cana-de-açúcar, que responde por 10 dos 13 gigawatts de potência instalados

Após o bom desempenho em 2008, que encerrou um ciclo de grandes investimentos no setor de etanol, a participação da biomassa nos leilões de energia não avançou como previa o setor. Em 2015, apenas três projetos foram contratados em quatro leilões, totalizando 52 megawatts médios. Com exceção de 2012 – quando nenhum megawatt de biomassa foi vendido – o ano passado registrou o pior desempenho da biomassa nos certames desde 2009. Neste ano, dos 64 projetos cadastrados no leilão A-5, realizado em abril, só sete foram contratados.

“Este ano acabou para nós. Não sabemos quais fontes vão participar do leilão A-3, e nem mesmo se ele vai acontecer. Tudo depende da demanda. Até o momento vendemos apenas quatro projetos de biomassa de cana. É pouco para uma cadeia produtiva que foi montada para vender 30, 40 projetos todos os anos”, afirma Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União dos Produtores de Cana de Açúcar (Unica).

Apesar das vantagens da biomassa – como a abundância de matéria-prima, a maior proximidade do mercado consumidor e o fato de ser renovável e contribuir para a redução de emissões – a fonte não tem tido o mesmo espaço destinado à eólica e à solar nos leilões de energia. A biomassa, por exemplo, não é convidada a participar dos leilões de Energia de Reserva desde 2011, e ficou de fora de dois desta modalidade agendados para este ano.

“Temos uma dificuldade tanto do lado do setor elétrico, que não tem uma política robusta de contratação de biomassa nos leilões, quanto do setor sucroenergético, com uma indefinição do papel do etanol na matriz. Não tem como pensar uma coisa sem pensar a outra”, diz Souza.

Uma mudança de cenário para a biomassa, segundo Souza, depende de uma política geral para o etanol e para a bioeletricidade, com leilões regulares e preços adequados que reconheçam as externalidades positivas dessa fonte para a matriz. Sem esse apoio, corre-se o risco de desarticular a cadeia produtiva do setor, que já sofre com a falta de clareza e previsibilidade sobre o papel da biomassa na política energética.

Uma definição clara sobre a participação da biomassa na matriz daria às empresas mais condições de planejamento para participar dos leilões. Hoje, por exemplo, metade das 355 usinas de cana-de-açúcar exporta energia para a rede. As demais teriam de passar por um processo de retrofit, que tem um custo eleva do para as empresas e não pode ser feito “a toque de caixa”. “Você não aprova um projeto da noite para o dia”, diz o gerente da Única.

Para Thais Prandini, diretora-executiva e sócia da Thymos Energia, o momento é de tomar fôlego, diz. “A biomassa tem um futuro promissor e essa nova modelagem dos leilões [com a biomassa disputando apenas com térmicas a carvão e a gás, e não mais com fontes como eólica e solar, mais competitivas] dá mais perspectiva para a fonte no longo prazo”, diz.

Leilões precisam de previsibilidade nos preços

Segundo Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União dos Produtores de Cana de Açúcar (Unica), a biomassa carece de um preço mais previsível nos leilões. “O que o setor não gostaria é de uma quebra na expectativa. O preço teto da biomassa já foi de R$ 112 em um passado recente. Aí melhorou e foi a R$ 281, depois R$ 219 e, por último, em abril deste ano, ficou em R$ 251. Isso é muito ruim em termos de previsibilidade, porque são investimentos vultosos e de longo prazo”, diz Souza.

O preço também deveria contemplar o benefício grande da biomassa para o sistema elétrico porque as usinas estão próximas da demanda, defende Thais Prandini, diretora-executiva da Thymos Energia. “Esses custos não são mensurados no preço, que precisa ser ajustado para dar mais competitividade à fonte”.

Eletricidade a partir da cana pode suprir 22,6% da demanda até 2024

No ano passado, a venda de energia produzida a partir da biomassa somou 22,5 gigawatts/hora, contribuindo com 4,2% de toda a eletricidade lançada no Sistema Interligado Nacional, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Predominante entre os tipos de biomassa, a palha e bagaço de cana foram responsáveis por quase 90% do total de bioeletricidade gerada à rede elétrica em 2015. Apesar da baixa nos últimos anos, desde 2013 o setor sucroenergético vem gerando mais energia elétrica para o Sistema do que para o consumo próprio das unidades industriais.

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia, a geração de bioeletricidade sucroenergética para a rede tem potencial técnico para chegar a mais de seis vezes o volume de oferta de 2015. Ou, seja, até 2024, se o país aproveitar plenamente o potencial técnico da bioeletricidade da cana, ela pode suprir 22,6% do consumo nacional de energia elétrica. (Gazeta do Povo PR 08/08/2016)

 

Administradora judicial pede a falência da Usina São Fernando

A administradora judicial que está acompanhando o processo de recuperação judicial da Usina São Fernando, controlada pelos filhos do empresário José Carlos Bumlai, preso no âmbito das investigações da Lava-Jato, solicitou que o juiz responsável pelo caso, Jonas Hass Silva Junior, da 5ª Vara Cível de Dourados (MS), decrete a falência da companhia ou convoque "imediatamente" uma nova assembléia de credores.

A usina tem dívidas de quase R$ 1,1 bilhão, segundo novo levantamento da administradora VC Consultoria e Perícia, e desde o início de 2015 vem descumprindo os pagamentos conforme aprovado na última assembléia, em 2013. "A usina não está conseguindo superar a crise e está processando um volume de cana muito abaixo da sua capacidade", afirmou Pedro Coutinho, advogado da administradora, ao Valor.

Se o juiz aprovar o pedido, os atuais gestores são afastados e substituídos pela administradora, que dá início a um novo processo de classificação dos créditos. Nesse caso, os credores não participam das negociações, como ocorre na recuperação judicial.

O pedido foi feito enquanto a usina realiza um levantamento para avaliar o valor de seus ativos para colocá-los a venda. Para a consultoria EXM Partners, que está fazendo o estudo, o pedido foi feito para precipitar a realização da assembléia, que foi suspensa em março a pedido do BNP Paribas, um dos credores. A realização de uma assembléia depende agora apenas de uma decisão do juiz.

Segundo Angelo Guerra Netto, sócio da EXM Partners, a proposta de leilão da usina está sendo discutida com os credores e deverá ser apresentada em uma eventual nova assembléia. Também está sendo avaliada a possibilidade de propor aos credores que eles troquem os créditos que têm a receber por participação acionária na usina.

Ao pedido de falência protocolado pela administradora se somam outros que foram feitos por diversos credores, dentre os quais o BNDES, que tem R$ 268 milhões a receber da São Fernando e está há mais de dois anos sem receber pagamentos.

Em julho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) desligou a unidade de cogeração, a São Fernando Energia, após um pedido da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), por inadimplência. Dessa forma, a usina está proibida de comercializar a energia elétrica gerada na unidade a partir do bagaço da cana. Pelo levantamento da administradora, a usina deve R$ 32 milhões à CCEE. (Valor Econômico 08/08/2016)

 

Empresa pode creditar gasto com produção e cultivo de cana, diz Carf

As indústrias do setor sucroalcooleiro podem usar os gastos no cultivo de cana de açúcar, que serve de insumo produtivo, para creditamento de PIS e Cofins. Assim entendeu a 4ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) ao dar, por maioria de votos, parcial provimento a recurso de uma empresa e anular parcela do crédito tributário relativa à reversão de todas as glosas de serviços agrícolas e compra de óleos e graxas.

O tributarista e ex-conselheiro do CarfFábio Calcini, sócio do Brasil Salomão e Matthes, explica que esse entendimento garante o creditamento, “não só dos gastos incorridos na produção direta de açúcar e álcool, mas também no cultivo do insumo”.

O recurso voluntário foi apresentado pela empresa para que acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto fosse reformado. Em primeiro grau ficou mantido o Auto de Infração, lavrado por causa de créditos vindos de descontos sobre a aquisição de serviços para o cultivo de cana–de– açúcar e da suposta omissão de receita sujeita à incidência de PIS e Cofins.

O Fisco afirma que a empresa registrava contabilmente, em conta do passivo, o IPI a pagar por causa da venda de cana–de–açúcar, mas não o declarava ou o recolhia. Argumentou que à medida que a fiscalização perdia o direito da fiscalização cobrar os débitos contabilizados, a empresa dava baixa nas obrigações tributárias não pagas e as deduzia na apuração do lucro líquido, mas não as adicionava na determinação do lucro real, ficando demonstrado que não se tratavam de provisão, mas de obrigação de IPI frente ao Fisco.

Argumenta ainda que a empresa aproveitou indevidamente créditos das contribuições para o PIS e a Cofins calculados sobre gastos relacionados ao cultivo da cana destinada à produção própria de açúcar e álcool. Para a fiscalização, os custos citados não geram créditos de PIS e Cofins porque não podem ser classificados como gastos com insumos. Isso porque a produção não tem similaridade com a fabricação de açúcar e álcool, que são produtos resultantes do processamento industrial da cana colhida na lavoura.

Já a empresa apontou que as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 são claras ao definir que as receitas referentes às “reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas”, estão fora da base de cálculo do PIS e da Cofins. Disse ainda ser um absurdo a afirmação de que a baixa contábil resultaria em acréscimo patrimonial, pois o simples registro do montante não mudou em nada seu patrimônio.

Em relação a aos créditos de PIS e Cofins afirmou que a única condição imposta pelo legislador para a apuração dos valores foi de que os insumos sejam usados na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda, sendo irrelevante que sejam consumidos ou que tenham sofrido desgaste pelo contato direto com o produto produzido, o que é característica para incidência de IPI.

O Carf explicou que a empresa, mesmo vendo a norma como inconstitucional e não pretendendo pagá-la, deve sempre contabilizar os valores da obrigação legal no passivo pelo regime da competência na época do fato gerador. A exceção, detalha o conselho, seria a existência de um provimento judicial definitivo autorizando a atitude.
O colegiado demonstrou que as contas de tributos a pagar são obrigações legais de valor e prazos certos, não sendo consideradas provisões e devem ser registradas como obrigações pelo regime de competência. Assim, não é possível sua reversão para exclusão da base de cálculo das contribuições não cumulativas.

A 4ª Turma destacou ainda não ser válido o argumento da empresa, de que a baixa dos valores das obrigações por causa da decadência não representaria o ingresso de novos recursos tributáveis pelo PIS e pela Cofins.

“A decadência do tributo, tal como o perdão de uma dívida, representa um acréscimo patrimonial para o devedor, cuja consequência é o nascimento da capacidade contributiva. A extinção do crédito tributário pela decadência constitui uma receita, que não pode ser qualificada como financeira, vez que não decorre de ganho em face da disponibilidade de recursos para terceiros em certo período de tempo, o que a caracteriza como uma receita tributável pela Cofins e pelo PIS”, escreveu a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, relatora do caso.

A relatora seguiu o entendimento do colegiado sobre a aceitação dos créditos relativos a bens e serviços usados como insumos que são essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam utilizados indiretamente. Ela ainda citou que a fase agrícola também é parte do processo produtivo, para aproveitamento de créditos das contribuições sociais não cumulativas.

Diante da falta de comprovação, pela empresa, de que certos gastos seriam vinculados e essenciais ao cultivo da cana-de-açúcar, algumas glosas das aquisições de óleos e graxas foram mantidas. Já as comprovadas foram revertidas. Sobre os serviços agrícolas, todas as glosas foram revertidas, pois esses serviços foram considerados pelo Carf como essenciais e pertinentes ao cultivo da cana-de-açúcar (Consultor Jurídico, 7/8/16)

 

Drone vai dar maior rapidez em pesquisas para culturas agroenergéticas

Com o uso de uma câmera termográfica embarcada em um drone, os cientistas da Embrapa têm agora à disposição uma técnica que proporciona maior rapidez na avaliação de plantas. As imagens capturadas permitem identificar e selecionar as plantas mais tolerantes a determinado tipo de estresse, a partir da temperatura da copa. Nesta perspectiva, a Embrapa Agroenergia adquiriu esses equipamentos para avaliar genótipos de cana-de-açúcar, utilizando as técnicas de fenotipagem de plantas por imagem.

O pesquisador da Embrapa Agroenergia, Carlos Sousa, responsável por esse trabalho, salienta que as novas ferramentas de fenotipagem de plantas que estão surgindo são complementares às técnicas tradicionais. Porém, os resultados obtidos possibilitam a avaliação de parâmetros que interferem na tolerância à seca ou a qualquer outro tipo de estresse abiótico (altas ou baixas temperaturas, salinidade, alumínio, seca, etc) em plantas.

Até o momento, utilizando a câmera térmica manualmente, sem uma plataforma para elevá-la acima da copa das plantas, somente conseguíamos tirar uma foto lateral do experimento, explica o pesquisador Carlos Sousa. “Estávamos fazendo o registro apenas das plantas que se encontravam na borda do experimento. A imagem capturada pela câmera a partir do drone nos possibilita uma visão geral da plantação”.

A técnica de fenotipagem com base em imagens termográficas já vem sendo usada em experimentos com a cultura do milho dentro do projeto PHENOCORN, desde 2012, como modelo experimental. No caso do projeto com cana-de-açúcar, Sousa diz que o que se busca com a obtenção dessas imagens é identificar eventos geneticamente modificados que apresentem melhor desempenho a campo, em condições de seca. “Quando eu tiro uma foto geral dessas plantas é possível ver com maior precisão qual delas tem temperaturas abaixo da média e com isso apontamos qual delas está lidando melhor com o estresse hídrico”, relata Sousa.

Para colocar em prática o uso da câmara térmica embarcada, nesta primeira semana de agosto, pesquisadores, analistas e bolsistas que desenvolvem pesquisas com cana-de-açúcar foram treinados com o objetivo de aprender a pilotar o drone. “Para nós, o treinamento foi fundamental, pois permitiu à equipe se inteirar desta nova ferramenta para o uso em condições experimentais.”, destaca Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia.

Daqui a duas semanas, vão ser iniciados os sobrevoos a campo com o drone, o qual tem autonomia de voo de 30 minutos a 60km/h, com uma câmera de quase 1kg acoplada. Além disso, este drone oferece ótima estabilidade e versatilidade no uso de diferentes tipos e modelos de câmeras. “Atualmente os drones tem várias aplicações na agropecuária, pois pode-se sobrevoar grandes áreas e avaliar a copa da vegetação de forma rápida, precisa e com baixo custo” ressalta Sousa.

“Esta é uma ferramenta importante para o nosso centro de pesquisa, e que, se funcionar da forma planejada, poderá ser ampliada a outras culturas de importância agrícola” concluí Molinari.

Assista também o vídeo no link: https://youtu.be/shURuUnzJEUcom a entrevista do pesquisador da Embrapa Agroenergia, Carlos Sousa.

Na site da Embrapa Agroenergia www.embrapa.br/agroenergia a matéria está disponível com acesso a mais informações. Link da matéria:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/15124711/drone-vai-dar-maior-rapidez-em-pesquisas-para-culturas-agroenergeticas. (Brasil Agro 08/08/2016)

 

Açúcar: Efeito dólar

As expectativas geradas com o avanço do processo de impeachment no Brasil e o pacote de medidas anunciado pelo Banco da Inglaterra (BoE) na sexta-feira abriram espaço para a valorização do real em relação ao dólar e também para a alta do açúcar na bolsa de Nova York.

Os contratos futuros da commodity com entrega em março encerraram o pregão negociados a 20,71 centavos de dólar por libra-peso, 64 pontos a mais que na véspera.

As previsões de chuvas acima da média em regiões produtoras de cana do Centro-Sul brasileiro também deram fôlego aos preços da commodity, já que o tempo úmido pode atrasar o avanço da colheita no país.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,67 a saca de 50 quilos, queda de 0,05%. (Valor Econômico 08/08/2016)

 

Tereos Internacional teve lucro de R$ 65 milhões no 1º trimestre

A companhia sucroalcooleira Tereos Internacional, subsidiária do grupo francês Tereos que controla no país a Guarani, informou ontem que obteve lucro líquido de R$ 65 milhões no primeiro trimestre da safra 2016/17, entre abril e junho deste ano. No mesmo período da temporada passada, a companhia havia registrado um prejuízo de R$ 141 milhões.

O resultado líquido positivo foi reflexo da recuperação de todas as divisões da companhia, que melhoraram o desempenho diante de ganhos de eficiência e do cenário mais favorável de preços. Enquanto o preço do açúcar subiu 30% no trimestre, os do etanol se sustentaram no período diante das chuvas de junho, que limitaram a colheita de cana e a produção do combustível. No Brasil, a Tereos processou no trimestre 17% a mais de cana do que no mesmo período do ano passado por causa do clima mais seco, favorável para as operações, e por causa da melhora de performance operacional.

A receita líquida total da Tereos subiu 26,1% na comparação anual, para R$ 2,459 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado avançou de R$ 123 milhões, conforme reportado, para R$ 368 milhões no último trimestre. A margem Ebitda também melhorou, subindo de 6,3%, para 15%.

A Tereos informou ainda que sua dívida líquida (incluindo partes relacionadas e a consolidação integral da Vertente) em 30 de junho estava em R$ 5,5 bilhões, o que representou um aumento de 3,7% na comparação com a mesma época do ano passado. Na comparação trimestral, houve um aumento de 10%, reflexo, segundo a empresa, da variação sazonal do capital de giro. Em 30 de junho, cerca de 18% da dívida bruta (R$ 5,2 bilhões) era denominada em reais, 64% em dólar e 18% em euro.

Porém, diante da melhora operacional, a relação entre o endividamento líquido e o Ebitda ajustado caiu para 3,9 vezes, ante 4,3 vezes no fim do trimestre anterior. (Valor Econômico 05/08/2016 às 16h: 47m)

 

Cana começa a dividir espaço com outras culturas em Alagoas

Comissão técnica mapeou área com vocação para o cultivo de grãos.

Cerca de cem mil hectares podem ser aproveitados para outras lavouras.

A cana ocupa uma área de mais de 320 mil hectares no Agreste, na Zona da Mata e nas regiões de Tabuleiro, do litoral de Alagoas, mas a crise na produção de açúcar e álcool provocou o fechamento de cinco, das 24 usinas do estado. Por isso, a área plantada começa a encolher e a dar lugar a outros cultivos.

Não é que a cana tenha deixado de ser viável para os produtores, mas há uma mudança de comportamento: uma aposta no fim da monocultura. Tem gente plantando eucalipto, outros agricultores apostando no milho e até na soja, em áreas onde antes só se via cana.

Everaldo Tenório é produtor de cana em Campo Alegre (AL) e de soja em Redenção (PA). No ano passado, não teve mais dúvida e passou a cultivar soja.

As 120 toneladas colhidas na área experimental de 50 hectares foram exportadas para a Rússia. "Isso é uma alternativa fantástica", avalia. 

O milho também está conquistando espaço em meio às plantações de cana nas terras alagoanas. A produção que, em 2014, não passava de 30 mil toneladas dobrou no ano passado.

Antônio Brandão, que é avicultor e suinocultor em Cajueiro, na Zona da Mata, já estava cansado de pagar caro pela ração e o frete, ele também decidiu aproveitar a oportunidade de baratear os custos.

"Nós temos um núcleo produtor de aves, de suínos, de ovos, e a gente compra todos os insumos da produção da ração em outros estados. Então esse dinheiro poderia ficar circulando aqui dentro do estado, se a gente começar a desenvolver a cultura de grãos aqui. Agrega valor a produção do nosso estado”, diz o avicultor Antônio Brandão.

Uma comissão técnica ligada à secretaria de Agricultura de Alagoas mapeou a área com vocação para o cultivo de grãos, como o milho e a soja. Em torno de cem mil hectares ocupados pela cana podem ser aproveitados para outras lavouras. (Globo Rural 07/08/2016)

 

ATR AL-SE: Julho tem alta de 2,08% no preço líquido acumulado

O Sindaçúcar - Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas - divulgou os valores do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) dos estados de Alagoas e Sergipe no mês de julho de 2016. O valor do ATR líquido acumulado fechou julho em R$ 0,7164 contra R$ 0,7018 do mês de junho, uma alta de 2,08%.

O preço líquido cana padrão e o preço bruto também tiveram aumento de 2,08% no comparativo entre os meses. O valor líquido cana padrão fechou cotado a R$ 81,7341 contra R$ 80,0684 registrados no mês anterior. Já o valor bruto ficou cotado em R$ 0,7333 contra R$ 0,7183.

Os preços do ATR mensal do mês de julho ainda não estão disponíveis. Em Alagoas e Sergipe, o índice cana padrão é de R$ 114,09 quilos de ATR por tonelada de cana. (UDOP 05/08/2016)

 

Ao infinito e além – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com uma estrondosa alta de 130 pontos no vencimento outubro/2016, cotado no pregão de sexta-feira a 20.35 centavos de dólar por libra-peso. Os fundamentos tiveram pouca influência uma vez que nenhuma novidade apareceu nesses dias, mas não faltam explicações aqui e ali para ver se alguma delas se encaixa num movimento que é eminentemente técnico. Os fundos não-indexados continuam com uma posição muito grande, pouco mais de 300.000 contratos. Como essa posição é a de terça-feira passada e o mercado subiu fortemente de lá para cá, não seria surpresa se víssemos a posição deles aumentar além desse volume.

Ninguém mais duvida que o déficit mundial de açúcar deva persistir nas próximas duas safras apontando – em tese – para uma consolidação dos preços da commodity no mercado internacional. Nessa linha, deveria causar surpresa o fato de os preços negociados em NY apresentarem uma curva aceleradamente descendente a partir do vencimento maio/2017 até o último mês de negociação em aberto, que é o maio/2019, embutindo um desconto de quase 14% entre os dois períodos citados. A curva de preços não se encaixa na perspectiva consensual, por parte do mercado, de que haverá menor produção de açúcar lá adiante. O que há de errado, então, nessa fotografia?

Essencialmente, para a grande maioria das usinas brasileiras, que pensa em reais por tonelada, os valores negociados em NY têm de ser obrigatoriamente convertidos pela taxa do dólar à vista acrescida da diferença entre as taxas de juros - brasileira e americana - consideradas no período analisado. Portanto, a curva do real é aceleradamente ascendente, contrapondo-se à curva dos preços do açúcar em NY. As usinas que pensam em dólares, em razão do seu endividamento na moeda americana, esperam a melhora do quadro político econômico no Brasil, que deve valorizar o real e, consequentemente, refletir melhores preços do açúcar no mercado internacional, fazendo com que o seu endividamento seja pago com menor quantidade de produto.

Se assumirmos que a moeda brasileira irá se valorizar à medida que a confiança do mercado retorne, os preços do açúcar em NY deverão sofrer reação similar e simultânea. Se hoje temos um gráfico invertido do açúcar, mostrando preços em centavos de dólar por libra-peso mais altos nos vencimentos mais curtos e mais baixos nos vencimentos mais longos, ao transportarmos esses valores para reais, a curva tem outra forma, mostrando valores, em reais por tonelada, menores nos vencimentos mais curtos e maiores nos vencimentos mais longos, apenas interrompidos nos meses cuja pressão da safra do Centro-Sul do Brasil se faz sentir. Dessa forma, qual gráfico estaria mais em consonância com o quadro fundamentalista do açúcar atual? A resposta é, evidentemente, que o gráfico em reais por tonelada reflete melhor este cenário.

Quando fazemos o caminho inverso, ou seja, convertemos o gráfico em reais pela taxa de câmbio estimada pelas consultorias (tomamos os dados da MB Associados como referência e ajustamos aos meses de vencimento), estimamos que o março/2017 deve ultrapassar os 22 centavos de dólar por libra-peso, a safra 2017/2018 entre 21-22.50 centavos de dólar por libra-peso e a 2018/2019 aproximadamente um centavo melhor. Acredito que os fundos tem 24 centavos de dólar por libra-peso como objetivo. Só não podemos esquecer o seguinte: o mercado de commodities não é uma ciência exata.

Nos últimos três meses o açúcar já se valorizou 25% (o segundo melhor desempenho das commodities agrícolas, perdendo apenas para o suco de laranja que ganhou 30% no período), contra uma queda de 10% no petróleo. Se você fosse o gestor de um fundo, você não pensaria em trocar de posição nesse momento?

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