Setor sucroenergético

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Petrobras: A hora é essa de vender participações em usinas

Pedro Parente quer aproveitar a alta do consumo de etanol no Brasil para acelerar a venda das participações da Petrobras no setor sucroalcooleiro.

A estatal já teria oferecido sua participação de 49% na Nova Fronteira Bioenergia para o Grupo São Martinho, dono dos demais 51%. (Jornal Relatório Reservado 09/08/2016)

 

Lucro líquido do São Martinho cresce 26,1% no 1º trimestre da safra 2016/17

O Grupo São Martinho reportou lucro líquido de R$ 39,7 milhões no primeiro trimestre do ano safra 2016/2017, equivalente aos meses de abril a junho deste ano, com aumento de 26,1% na comparação anual.

No primeiro trimestre da atual safra, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado da companhia totalizou R$ 333,75 milhões, um crescimento de 48,3% em relação a igual etapa do ano anterior, com margem de 47%, frente a 47,2% de abril a junho da safra passada.

A receita líquida totalizou R$ 709,42 milhões no primeiro trimestre da safra, alta de 48,8% em relação ao mesmo período da safra anterior. "O aumento do indicador foi resultado do maior volume de vendas de açúcar e etanol combinado com melhores preços comercializados no período", informou a empresa.

O lucro, a receita e o Ebitda são proforma e incluem, além das três usinas próprias - São Martinho, em Pradópolis (SP); Iracema, em Iracemápolis (SP); Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP) - a Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), esta última uma joint venture com a Petrobras Biocombustível, da qual o Grupo São Martinho tem 50,95%.

Com o açúcar, a companhia faturou R$ 387,41 milhões, alta de 98,5% sobre o primeiro trimestre de 2015/2016. A receita de etanol hidratado cresceu 80%, a R$ 107,49 milhões e a de anidro avançou R$ 26,4%, para R$ 151,287 milhões. O faturamento com energia elétrica exportada recuou 35,5%, para R$ 43,71 milhões, entre os períodos.

O resultado financeiro líquido da companhia apontou uma despesa de R$ 74,17 milhões no primeiro trimestre de 2016/17, 26,6% maior do que a despesa de R$ 58,57 milhões de igual período da safra anterior. "A piora está diretamente relacionada ao impacto da variação cambial sobre do caixa e contas a receber em moeda estrangeira", informou o Grupo São Martinho, no relatório do balanço financeiro.

O Grupo São Martinho processou 8,186 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2016/17, alta de 10,5% sobre as 7,409 milhões de toneladas de igual período da safra passada ou 39,8% do guidance previsto de produção da safra.

"Esse aumento é resultado de um início de safra mais seco, possibilitando a companhia a acelerar a moagem nessa safra", relatou. A produção de açúcar cresceu 13,3% para 480 mil toneladas, a de etanol anidro avançou 14,5%, a 154 milhões de litros, ao passo que a de hidratado subiu 14,7%, a 136 milhões de litros, se comparados os mesmos períodos.

Segundo a companhia, em 30 de junho de 2016, as fixações de preços de açúcar para a safra 2016/17 totalizavam 664,5 mil toneladas ao preço médio de 15,28 cents por libra-peso, aproximadamente 74,1% de hedge referente à cana própria ou 64,7% do total. (Agência Estado 09/08/2016)

 

Palha Flex tem 70% mais potencial na geração de energia do que bagaço

São processadas 25 toneladas de palha por hora, o que gera 75 mil mega watt hora por ano.

Uma usina em Pirassununga, em São Paulo, está utilizando a palha da cana para substituir o bagaço na geração de energia de biomassa. Essa tecnologia é chamada de Palha Flex e foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Segundo o engenheiro técnico do centro, Francisco Antônio Linero, o potencial energético da palha é 70% maior que o do bagaço.

O gerente da Usina Ferrari, Hênio José Respondovesk Júnior, conta a estrutura foi construída há um ano e que foram investidos mais R$ 20 milhões. Respondovesk Júnior explica que a biomassa chega em fardos que pesam 500 quilos cada. O processo de descarregar a palha e colocar na esteira é todo feito por máquinas. Até as cordas que amarram os fardos são retiradas pelo equipamento.

Como funciona

A palha vai para a caldeira e é queimada junto com o bagaço. Quanto mais palha se usa, mais bagaço sobra para ser armazenado e usado no período de entressafra. São processadas 25 toneladas de palha por hora, o que gera 75 mil mega watt hora por ano, energia suficiente para abastecer uma cidade de 125 mil habitantes pelo mesmo período

A palha é o que sobra no campo depois do corte da cana de açúcar. O ideal é deixar metade do material como cobertura de solo, mas o resto pode ser aproveitado como biomassa. No Brasil, a maior parte da palha é desperdiçada. (Canal Rural 09/08/2016)

 

Apesar da maior oferta, preço do açúcar segue firme em SP

Mesmo com a maior oferta, os preços do açúcar cristal seguem firmes no mercado spot do estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, a colheita e moagem da cana continuam sem interrupções e grande parte das usinas ainda prioriza a produção de açúcar em detrimento do etanol.

No geral, a liquidez está estável. Na segunda-feira, 9, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180 fechou a R$ 85,60/saca de 50 kg, ligeira alta de 0,36% frente à segunda anterior.

No mercado internacional, a valorização do real frente ao dólar na semana passada desestimulou levemente as exportações do açúcar. Além disso, as perspectivas de déficit global continuam sustentando os preços externos. (Cepea / Esalq 09/08/2016)

 

Consultoria eleva estimativas para déficit mundial de açúcar

A produção brasileira de açúcar enfrenta condições um pouco mais adversas que o esperado, o que deverá agravar o déficit de oferta mundial tanto na safra atual como na próxima, segundo a consultoria Datagro. A empresa atualizou suas projeções de oferta e demanda e previu dois déficits mundiais seguidos, o que somaria um volume recorde.

A consultoria estima que, na safra global atual (2015/16), que termina em setembro, o consumo será 7,72 milhões de toneladas superior à produção global, ante projeção anterior de 6,21 milhões de toneladas. Para a próxima temporada (2016/17), a Datagro estima um déficit de 8,89 milhões de toneladas, contra 7,71 milhões previstas anteriormente.

Segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria, o volume acumulado de déficit entre as duas temporadas será o maior da história. A única vez em que duas safras seguidas tiveram déficit próximo aos previstos agora foi entre 2008/09 e 2009/10. Na ocasião, os déficits foram de 7,42 milhões de toneladas e 1,66 milhão de toneladas, respectivamente.

Diante desse cálculo, a relação entre estoques de açúcar e uso deverá sair de 48,7% no fim da última safra global para 43,5% na atual, seguindo para 37,9% na próxima. De acordo com Nastari, o mercado sente um aperto na oferta quando essa relação fica abaixo de 41%.

A revisão da estimativa foi feita basicamente em função da projeção menor para a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, afetada pelo clima mais seco que o previsto nesta safra e pela ocorrência elevada de pragas, como broca e besouros, nos canaviais.

A consultoria cortou sua estimativa para a produção na região para 597,3 milhões de toneladas, a previsão anterior era de 625 milhões de toneladas. A produção de açúcar foi estimada em 34,1 milhões de toneladas, ante 35,2 milhões de toneladas projetadas anteriormente. Para a produção de etanol, a Datagro reduziu sua estimativa de 27,3 bilhões de litros para 26,1 bilhões de litros.

O clima seco tem permitido um rápido avanço da colheita, o que pode levar à retirada do campo de cana com menos de 12 meses de idade, patamar abaixo do qual a planta passa a ser menos produtiva, disse Nastari.

A consequência é que o teor de açúcar na cana ficará em 134,15 quilos por tonelada na safra brasileira atual (2016/17), o que representa uma queda de 2,4% sobre a temporada passada, e não mais um aumento de 1,3%, como se esperava. A rapidez da colheita também deve levar a um fim antecipado da moagem, entre novembro e início de dezembro.

A consultoria ainda estima que o Brasil exportará na safra nacional atual 27,01 milhões de toneladas de açúcar, sendo que o Centro­Sul deve participar com 25,13 milhões de toneladas. (Valor Econômico 10/08/2016)

 

Etanol hidratado sobe pela quarta semana consecutiva em SP

Apesar da maior produção de etanol em relação à safra anterior, os preços do hidratado e do anidro têm se sustentado no estado de São Paulo nas últimas semanas. Para o hidratado, foi a quarta semana consecutiva de elevação de preços e para o anidro, a terceira.

Entre 1º e 5 de agosto, o Indicador semanal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,5718/l, ligeira alta de 0,8% frente à do período anterior.

Para o anidro, a semana foi marcada por poucas negociações, embora o preço tenha reagido. De 1º a 5 de agosto, o Indicador semanal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) foi de R$ 1,7077/l, leve aumento de 0,7% em relação ao fechamento anterior. (Cepea / Esalq 09/08/2016)

 

Datagro reduz estimativa de moagem no Centro-Sul para 597,25 mi de toneladas

O clima quente e seco e as geadas que atingiram várias regiões tradicionais de cana-de-açúcar no Centro-Sul desde junho fizeram com que a Datagro Consultoria revisasse a estimativa de moagem da cultura em 2016/2017 de 625 milhões para 597,25 milhões de toneladas. A estiagem deve melhorar a previsão de Açúcar Total Recuperável (ATR) no processamento de 133 kg/tonelada para 134,15 kg/tonelada, mas oferta total de ATR, com menos cana, deve cair 1,3% sobre 2015/2016, para 80,12 milhões de t, ante uma previsão inicial da Datagro, de alta de 2,4%.

Segundo a consultoria, o processamento da safra no Centro-Sul se encerrará mais cedo, a entressafra será mais longa e o volume de cana sem ser processado será de apenas 4 milhões de toneladas, ante um total estimado de 14 milhões de toneladas anteriormente.

Com a menor oferta, a Datagro reduziu as estimativas de produção no Centro-Sul de açúcar, de 35,2 milhões para 34,2 milhões de toneladas, e de etanol, de 27,28 bilhões para 26,1 bilhões de litros de litros. O mix de destino da matéria-prima para a produção do açúcar na região foi elevado de 44,4% para 44,7%, segundo a Datagro, e o do etanol caiu para 55,3%.

A Datagro estimou, ainda, que a safra da região Nordeste, que inclui algumas usinas no Norte do Brasil e iniciada entre agosto e setembro, deve atingir 53,5 milhões de toneladas em 2016/2017, alta de 9,2%, sobre as 48,98 milhões de t da safra passada. Com isso, as usinas brasileiras do Centro-Sul, Norte e Nordeste devem processar na safra 2016/2017 650,75 milhões de toneladas de cana. (Agência Estado 09/08/2016)

 

Mudanças climáticas do La Niña devem influenciar safra 2016/17

Após a ocorrência de um forte El Niño, que trouxe muitos prejuízos à agricultura brasileira, o clima passa por um período de transição para a chegada do La Niña. De acordo com informações do NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia dos EUA -, há de 55% a 60% de chances de o evento ocorrer entre os meses de agosto e outubro. Já na visão do climatologista, Luiz Carlos Molion, o evento climático deverá se intensificar entre setembro e outubro e permanecer até 2019, e voltar a atrapalhar a produção agrícola nacional.

A cultura da cana-de-açúcar no Brasil, onde a principal região produtora se dá no Centro-Sul do país, concentra, de modo geral, o plantio entre outubro e março e a colheita entre abril e setembro. Dessa forma, a falta de chuvas que poderia ser trazida pelo La Niña teria um efeito duplo, contribuindo para a conclusão da moagem nos últimos meses da safra ou comprometendo o desenvolvimento dos canaviais entre dezembro e janeiro, de acordo com informações da consultoria INTL FCStone.

"Em São Paulo, onde está mais de metade área plantada com cana do País, os efeitos em geral se limitam às regiões mais próximas da fronteira com Paraná e Mato Grosso do Sul. Todavia no Nordeste, que foi mais diretamente afetado pelo El Niño, é possível que o La Niña tenha impacto mais definido, com chance de aumento das chuvas entre agosto e setembro, beneficiando o desenvolvimento da cana", explicam especialistas da FCStone.

Impactos do La Niña

O La Niña, tradicionalmente, traz condições de um tempo mais seco para a América do Sul durante sua ocorrência e, para o Brasil, especificamente, se caracteriza por mais chuvas para a região Nordeste, temperaturas mais baixas do que o normal durante o verão no Sudeste, atraso da chegada das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, além de um verão mais seco no Sul do país. Entretanto, ainda como afirma Molion, esses efeitos podem variar de acordo com a intensidade do fenômeno.

Segundo o climatologista, no Centro-Oeste, Sudeste, em todo o estado da Bahia até o Sul do Amazonas e no Pará, deve chover abaixo da média. “Na safra 2016/17 as chuvas devem ficar abaixo do normal, porque a atmosfera tropical ainda está fria e não vai produzir muitas chuvas. E se estabelece sobre todo o país um sistema de alta pressão, que é caracterizado por ar seco que desce para a superfície, as nuvens quase não se formam, e o sistema produz temperaturas altas durante o dia e baixas durante a noite", explica.

Mais do que isso, no entanto, segundo o engenheiro agrônomo e gestor de projeto da Emater Paraná, Nelson Harger, os produtores rurais devem estar atentos à distribuição das chuvas nesta próxima temporada. "Poderemos ter chuvas abaixo da média histórica, o que pode trazer algumas perdas para a produção. Além disso, com o La Niña teremos frios tardios no Sul do país. Consequentemente, algumas regiões podem registrar a ocorrência de geadas, especialmente no mês de setembro", destaca.

Além disso, o especialista também reforça que com o tempo mais seco, os produtores devem estar atentos ao aparecimento das pragas nas plantações. “As condições mais secas favorecem o surgimento das pragas nas lavouras, já em anos com clima mais úmido, a preocupação se dá por conta das doenças”, pondera Harger.

Diante deste cenário, a orientação do diretor da De Baco Corretora de Mercadorias, Marcelo De Baco, é um planejamento detalhado para o plantio da safra de grãos 2016/17, visando uma limitação de seus prejuízos, caso eles ocorram. “É importante que o produtor se planeje sobre um cenário mais caótico do que de normalidade climática”, afirma. (Notícias Agrícolas 09/08/2016)

 

Cide está subindo no telhado: "está praticamente descartada", afirma ministro

As aéreas política e econômica do governo estão novamente em lados opostos. Enquanto técnicos do setor fiscal afirmam ser difícil não prever aumento de impostos para o ano que vem no Orçamento de 2017, que será enviado ao Congresso no fim do mês, o Planalto não quer ouvir falar no assunto. Um ministro não vê razão em anunciar de véspera uma alta de imposto para daqui a seis meses e cita uma frase recente dada pelo interino: Elevação de carga tributária, só em último caso.

Pelo sim, pelo não, a Cide, que incide sobre combustíveis, está subindo no telhado. “Está praticamente descartada. Gera inflação e atrasa a flexibilização da política monetária”, diz um ministro.

Concessões de Temer na área fiscal

Em lua de mel com o governo interino, a elite do mercado financeiro começa a se preocupar com a gestão Temer. Os sucessivos aumentos de gastos para contemplar o funcionalismo, somados à ambição do Congresso em usar projetos prioritários para ampliar despesas – como as flexibilizações no texto da renegociação das dívidas – têm gerado desconfiança. O temor é que o Planalto, ao se despedir da interinidade, sinta-se forte o suficiente para relaxar nos seus compromissos fiscais.

Um sintoma ilustra a mudança de humor: até aqui preservado, Henrique Meirelles começa a sofrer críticas. Dois executivos avaliaram recentemente que o Ministro da Fazenda não tem conseguido frear o ímpeto gastador da área política.

Trata-se de uma percepção perigosa. Caso haja dano de imagem, o poder do chefe da equipe econômica de restaurar plenamente a confiança cairá na mesma proporção. (Folha de São Paulo 09/08/2016)