Setor sucroenergético

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Cargill e Copersucar dividem um lar nada doce

Há pouco açúcar e nenhum afeto na relação entre Cargill e Copersucar.

Os norte-americanos ameaçam romper a sociedade e deixar a Alvean, trading controlada pelos dois grupos.

Eles discordam da estratégia adotada pelos sócios brasileiros que, pelo acordo de acionistas, estão à frente da gestão da comercializadora de açúcar na atual safra (2015/16).

A Cargill alega que a Alvean tem fechado contratos de exportação a qualquer custo exclusivamente para atender aos interesses da Copersucar de ganhar escala e aumentar o mercado de suas usinas

cooperativadas no exterior.

A escolha pelo volume em detrimento do preço tem derretido a rentabilidade da Alvean.

A Cargill tem dois caminhos: esperar pela próxima safra, quando, então, assumirá a gestão da trading e terá mais força, ou pular fora do barco já agora.

Fontes próximas aos norte-americanos apostam nesta segunda hipótese. (Jornal Relatório Reservado 15/08/2016)

 

CerradinhoBio capta R$ 150 milhões com IFC

A CerradinhoBio, controlada da CerradinhoPar e dona de uma usina de etanol no município goiano de Chapadão do Céu, acertou um empréstimo de R$ 150 milhões com o International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos privados do Banco Mundial. O objetivo é complementar o financiamento de seus projetos de expansão de capacidade de moagem e cogeração de energia.

O aporte vem sendo negociado há quase um ano e se soma a um financiamento de R$ 140 milhões contratado em 2014 com o BNDES, dos quais 70% já foram desembolsados. Com o novo aporte, a companhia espera concluir as expansões no início de 2017.

O acordo com o IFC já foi assinado e falta apenas a constituição de garantias, já acordadas, para que os recursos sejam liberados. Entre as garantias estão o compartilhamento da hipoteca da usina com o BNDES e um contrato de energia também compartilhado com o banco. Passado esse trâmite, a expectativa é que o dinheiro entre no caixa até setembro. O prazo de pagamento do empréstimo é de dez anos, com carência de três.

Com os recursos do IFC, a usina instalará uma segunda caldeira, além da atual, para gerar vapor para a produção de energia. No início do ano, foram instalados dois turbogeradores.

Esse passo permitirá que a capacidade instalada de cogeração voltada para comercialização (já desconsiderando o consumo próprio) passe de 70 megawatts (MW) para 160 MW. Por safra, a CerradinhoBio terá capacidade de vender até 850 gigawattshora (GWh). Hoje, a companhia pode vender até 400 GWh por safra, mas exportou 269 GWh na última temporada.

A companhia também usará o dinheiro para concluir a ampliação de sua capacidade de moagem, hoje em 5,3 milhões de toneladas de cana por safra, para 6 milhões de toneladas. Dessa forma, a capacidade de produção de etanol saltará para 520 milhões de litros por ciclo, um avanço de 30%.

A expansão em curso faz parte de um plano de investimentos iniciado na safra 2013/14 e que, até a safra passada, totalizou R$ 650 milhões. Naquela temporada, a usina moía no máximo 2,9 milhões de toneladas, com capacidade de produzir até 246 milhões de litros de etanol hidratado e 184 GWh de energia. Nesta safra, o plano é investir R$ 155 milhões, dos quais R$ 55 milhões em cogeração.

Embora o negócio de energia da companhia tenha representado apenas 7% de uma receita bruta de R$ 767 milhões na safra passada, é a área que mais vem absorvendo recursos nesse ciclo de investimentos, ressalta Paulo Motta Júnior, que assumiu a presidência da CerradinhoBio em junho no lugar de Luciano Fernandes, um dos acionistas e atual presidente do conselho de administração.

A aposta no mercado de energia é tamanha que a companhia ainda nem possui tanta biomassa (seja bagaço ou palha de cana) para garantir a produção que a futura capacidade instalada permitirá. Por isso, a companhia vem estudando adquirir outras fontes de biomassa, como eucalipto e sorgo.

O foco em cogeração também se justifica pelos três contratos no mercado regulado em vigência e por dois leilões que a companhia venceu e pelos quais começará a entregar energia a partir de 2019 e 2021. Com esses contratos, a quantidade de energia que a companhia entregará no ambiente regulado passará a representar 90% do total a ser comercializado em 2021, ante 65% na safra passada.

O aumento da venda de energia ao mercado regulado foi uma estratégia de garantir previsibilidade aos resultados da companhia, já que os contratos têm preços indexados à inflação. Segundo Gustavo Oliveira, diretor financeiro da CerradinhoBio, a meta é que mais de 20% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) venha da venda de energia. Atualmente, a cogeração representa até 15% do Ebitda.

Até então, esse forte movimento de investimentos, que abrange também aportes em pesquisa e tecnologia na área agrícola, tem sido em boa parte financiado por BNDES (diretamente ou por repasses de outros bancos) e Finep. Atualmente, cerca de 40% dos R$ 650 milhões da dívida bruta da companhia está na mão do banco de fomento e da financiadora.

Segundo Motta, buscar neste momento um empréstimo no IFC foi uma forma de "diversificar as fontes de financiamento". O executivo ressaltou que o financiamento pelo braço do Banco Mundial também "confere um selo de boa governança" à companhia. (Valor Econômico 15/08/2016)

 

Etanol hidratado cai 0,19% e anidro sobe 1,52% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas caiu 0,19% nesta semana, de R$ 1,5718 o litro para R$ 1,5688 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado nesta sexta-feira, 12, pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro avançou 1,52%, de R$ 1,7077 o litro para R$ 1,7336 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 12/08/2016)

 

Abengoa chega a acordo com credores para evitar falência

A empresa de energia renovável espanhola Abengoa disse hoje ter chegado a um acordo de reestruturação com os credores para evitar a maior falência da história na Espanha, o que levou as ações a subirem quase 4%.

Um grupo de investidores, incluindo a Centerbridge Partners, Elliott Management e Oaktree Capital Management, concordaram em injetar 1,17 bilhão de euros, disse em um documento enviado ao órgão regulador. A empresa também vai receber 307 milhões de euros em garantias financeiras, acrescentou.

Em troca, os investidores e credores, como o Banco Santander e o Banco Popular Español, vão deter entre 90% e 95% da Abengoa, dependendo do alcance ou não de determinados objetivos.

A empresa não deixou claro se 75% dos credores concordaram com a reestruturação, como é exigido pela lei das insolvências da Espanha. O grupo disse ainda que planeja realizar uma teleconferência com investidores e analistas no dia 16 para disponibilizar mais detalhes. (Valor Econômico 12/08/2016)

 

Web série traz a emoção que move a energia do mercado sucroenergético

Mais do que tecnologia e dedicação, é o propósito dos envolvidos a principal energia da economia sucroenergética.

Um setor que tem a energia em seu DNA se traduz numa atmosfera de positivismo e empolgação para quem atua no ramo. É essa identidade que a web série “Como o setor sucroenergético traz energia à minha vida?” revela ao conversar com profissionais que ajudam a construir essa economia. De usineiros a indústrias responsáveis por posicionar o Brasil como referência global na tecnologia para plantação e produção com a cana-de-açúcar, a web série traz histórias reais que podem ampliar o olhar tanto para quem já atua no setor, como para profissionais que desejam entrar nesta área. O projeto é uma iniciativa da FENASUCRO & AGROCANA – Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, maior evento do mundo do segmento, realizado todos os anos em Sertãozinho, São Paulo. Com cinco vídeos você vai entender o setor através da influência da ÚNICA (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) até a estreante Valtra, que pela primeira vez expõe seus produtos na FENASUCRO & AGROCANA.

No primeiro vídeo da série, Elizabeth Farina, presidente da UNICA, explica a importância do etanol na economia brasileira e também como protagonista na redução de emissão de gás carbono para o efeito estufa. O setor sucroenergético é o 2º maior exportador da agricultura do país. Ou seja, um produto que leva, positivamente, o nome do Brasil mundo afora.

Antonio José de Gusmão, diretor da Authomathika, é o entrevistado do segundo episódio de “Como o setor sucroenergético traz energia à minha vida?”. E sua fala é uma verdadeira devoção a este mercado, prova que paixão e negócios podem dar bons resultados. Nascida exclusivamente para atender o mercado da cana-de-açúcar, a Authomathika une o agrícola “de raiz” com a moderna tecnologia industrial. O executivo conta que já sente na economia brasileira o sentimento de retomada, e uma das constatações é que na última edição de FENASUCRO fechou um negócio de R$10 milhões.

“Máquinas com mais tecnologias que qualquer carro que você vê aqui no Brasil”. É assim que Antonio Eduardo Tonielo Filho, diretor do Grupo Virálcool, explica o dia a dia dos trabalhadores que hoje atuam com cana-de-açúcar. Esqueça aquela imagem de um facão na mão. Hoje o mercado é um dos que mais exigem e adquirem tecnologia nacional. Tonielo abre o terceiro capítulo da web série.

A série completa tem cinco vídeos e está disponível no site da FENASUCRO, em www.fenasucro.com.br . O projeto antecipa o grande encontro de negócios e atualização que é a FENASUCRO. O evento acontece de 23 a 26 de agosto, e agrega exposições de produtos, fóruns e palestras a um público de cerca de mil marcas expositoras e 33.000 compradores. A entrada na FENASUCRO é gratuita para profissionais credenciados pelo site do evento. (G1 12/08/2016)

 

Apertem os cintos – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar encerrou a semana cotado a 19.71 centavos de dólar por libra-peso no vencimento outubro/2016, com queda de 64 pontos em relação à semana anterior e muita pressão sobre o spread outubro/março em função, provavelmente, de rolagem por parte dos fundos, que carregam (ainda) uma posição comprada de 330 mil lotes.

Independentemente da imensa posição mantida pelos fundos, da tomada de lucros no mercado futuro, da trajetória do real em relação ao dólar, do volume de cana a ser moído nesta safra ou a quantidade de açúcar a ser entregue na expiração do contrato de NY com vencimento outubro/2016, o fato que preocupa àqueles que se debruçam para analisar a oferta e demanda de açúcar e etanol no Brasil são os números.

Resolvemos fazer o seguinte exercício que gostaríamos de dividir com vocês. Existe consenso entre os principais analistas do mercado, e podemos incluir entre eles executivos em posição de comando das mais importantes empresas do setor, que dificilmente a expansão do canavial no Brasil ultrapassará os 2.5-3.0% ao ano de crescimento para as próximas 5 safras. Nosso pretencioso exercício de futurologia abrange a safra 2017/2018 até a safra 2021/2022.

Primeiramente, para analisar o consumo potencial no Brasil, tanto de etanol quanto de açúcar, estimamos que a mistura de etanol na gasolina vá se manter em 27%, muito embora saibamos que esse número – como se vai demonstrar a seguir – dificilmente se manterá de pé e o Brasil vai continuar privilegiando a produção de açúcar por esse ter um melhor retorno para os produtores.

Com a provável retomada da economia brasileira a partir de 2017, e assumindo conservadoramente o crescimento do PIB para os anos seguintes, é factível que a frota brasileira de veículos leves ultrapasse os atuais 35.8 milhões de unidades para 46.2 milhões de unidades em meados de 2022 e, com ele, o crescimento do consumo de combustível Ciclo Otto. Chegaríamos ao final do período analisado consumindo 63.4 bilhões de litros. Ora, esse incremento corresponde à necessidade que em 2021/2022 estejamos moendo no Brasil um adicional de 126 milhões de toneladas de cana comparativamente ao ano safra em curso.

Ainda fazendo parte do mesmo exercício, assumimos que o Brasil manterá sua participação no mercado mundial de açúcar e que o consumo doméstico seguirá o crescimento vegetativo. Ocorre que, a menos que tenhamos expansões de grande magnitude por parte dos países produtores que competem com o Brasil, no atual cenário, se analisarmos a oferta e a demanda mundial de açúcar, sem considerar o Brasil, temos um déficit de 33.5 milhões de toneladas para a safra 2017/2018. Como o Brasil deve produzir 40 milhões de toneladas no ano que vem e consumir cerca de 11.6 milhões de toneladas, vai deixar disponível para o mundo 28.4 milhões de toneladas, insuficientes para atender às 33.5 milhões de toneladas acima citadas, gerando um déficit de 5.1 milhões de toneladas.

Já deu para perceber que o número não fecha pois do lado da oferta temos um setor que não consegue expandir além de 2.5% ao ano e do lado da demanda temos a perspectiva de uma economia se recuperando e o consumo mundial de açúcar e doméstico de combustível impossibilitados de atenderem ao volume demandado.

As alternativas são: a) a expansão do canavial, já descartada porque assumimos o crescimento pífio de 2.5-3.0% ao ano; b) a retomada de investimentos no setor que, dada a falta de transparência na formação de preços dos combustíveis e seu reflexo no preço do hidratado afugentam qualquer investidor que saiba usar as quatro operações aritméticas; c) a importação de gasolina e ou etanol de milho para atender à demanda que não consegue ser atendida pelo etanol; d) aumento substancial no preço da gasolina para trazer o consumo nos níveis que pode ser atendido pela oferta.

Pela simulação que fizemos, a oferta de etanol no Brasil terá que ser reduzida entre 14 e 16%, afetando a atual mistura do etanol na gasolina de 27% proporcionalmente. Como os investimentos possíveis no setor apontam para um aumento na capacidade de cristalização (produção de açúcar), a oferta de etanol pode ser ainda mais afetada enquanto a diferença entre o açúcar e o hidratado se mantiver nos altos prêmios do primeiro em relação ao segundo.

Para zerar essa situação de aperto entre a oferta e demanda, tanto do etanol quanto do açúcar, o mundo perfeito seria que em 2021/2022 o Brasil produzisse 214 milhões de toneladas de cana a mais do atual nível de produção de 660-670 milhões (Centro-Sul e Norte/Nordeste), ou seja, uma tarefa improvável para não dizer impossível.

A solução, se a buscarmos nos livros de economia, é aumento de preço nos combustíveis. Achamos improvável a importação de 6.7 bilhões de litros anuais a partir de 2017/2018 que é o déficit que a análise mostra porque não há logística para isso, dizem os especialistas. Enquanto isso, tem muita gente apostando que a safra 2017/2018 no Centro-Sul não atinge as 600 milhões de toneladas de cana.

Assim sendo, da mesma forma que tivemos cinco anos de superávits mundiais de 2010/2011 até 2014/2015, nada impede que tenhamos a mesma história só que do lado do déficit. Não temos dúvidas que estamos apenas no início de um período de bastante volatilidade. Apertem bem os cintos que a viagem vai ser punk.

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E o Lula, hein? Quando será que ele vai ser preso? Depois que defenestrarmos definitivamente a mais incompetente presidente da história republicana brasileira? A torcida é grande e minha garrafa de Blue Label espera impaciente ser sorvida (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)