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Biosev vai elevar produção de açúcar e reduzir a de etanol na próxima safra

A produtora de açúcar e etanol brasileira Biosev, a segunda maior processadora de cana do mundo, planeja aumentar a produção do adoçante na próxima temporada em detrimento da fabricação de etanol, afirmou nesta terça-feira o presidente-executivo da companhia, Rui Chammas.

A Biosev, controlada pelo comerciante francesa de produtos agrícolas Louis Dreyfus, aumentará a capacidade de produção de açúcar em 88 mil toneladas na safra 2017/18 do centro-sul, afirmou Chammas a analistas durante uma teleconferência.

"Parece natural que se busque produzir mais açúcar, considerando o déficit. Tem muito potencial de geração de valor pelo aumento de capacidade de cristalização nas usinas já existentes, onde você deixa de produzir etanol hidratado e passa a produzir mais açúcar", disse ele.

"O melhor 'payback' no mundo hoje para açúcar é quando você deixa de produzir hidratado e passa a produzir açúcar", acrescentou Chammas.

O etanol hidratado é utilizado pelos carros bicombustíveis.

O mercado mundial de açúcar está entrando em um período de déficit que deve durar pelo menos dois anos, talvez mais, de acordo com a maioria dos analistas.

A demanda maior que a produção consumirá os estoques, impulsionando os preços do açúcar.

Os futuros de açúcar bruto chegaram recentemente aos mais altos valores desde 2012, refletindo expectativas de um mercado de açúcar apertado.

Chammas disse que é notório que as usinas brasileiras buscarão aumentar a produção de açúcar, inicialmente contando com suas instalações existentes. O investimento em novas unidades está ainda sendo avaliado, disse ele.

A Biosev tem aproveitado as altas recentes nos contratos futuros. O empresa já vendeu antecipadamente 40 por cento do açúcar que irá produzir na próxima temporada, que começa em abril, a um preço médio de cerca de 18,5 centavos de dólar por libra-peso.

A empresa pretende processar até 33,5 milhões de toneladas de cana na atual safra 2016/17.    Apesar do cenário favorável no mercado de açúcar, a Biosevregistrou um prejuízo líquido de 353 milhões de reais no trimestre terminado em junho, em comparação com uma perda de 333 milhões de reais um ano antes.

A empresa disse que o aumento dos custos operacionais e questões tributárias foram os principais fatores por trás do resultado fraco. (Reuters 16/08/2016)

 

Preço do açúcar cristal finaliza primeira quinzena na casa dos R$ 86/sc

Após atravessar praticamente toda a primeira quinzena na casa dos R$ 85/saca de 50 kg, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180 fechou a R$ 86,13/saca de 50 kg na segunda-feira, 15, retomando o patamar visto no final de julho.

Entre 8 e 15 de agosto, a elevação foi de 0,61% e, na parcial do mês, de 0,3%. De acordo com pesquisadores do Cepea, essa firmeza nas cotações é verificada mesmo com a maior oferta de açúcar no estado de São Paulo. A sustentação vem do preço no mercado internacional, que ainda se mantém elevado, devido a estimativas indicando déficit global da commodity. (Cepea / Esalq 16/08/2016)

 

Etanol hidratado cai 0,2% e anidro sobe 1,5% nas usinas, diz Cepea/Esalq

O ritmo de negócios envolvendo etanol esteve mais aquecido na semana passada no mercado paulista. Segundo representantes de usinas consultados pelo Cepea, o volume comercializado foi considerado razoável para um período de início de mês.

Algumas usinas se mostraram mais flexíveis e até cederam nos preços, especialmente no encerramento da semana. Compradores aproveitaram a oportunidade e adquiriram boas quantidades a preços favoráveis.

De 8 e 12 de agosto, o Indicador semanal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,5688/litro, ligeiro recuo de 0,2%. O Indicador semanal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,7336/l, aumento de 1,5% em relação ao da semana anterior. (Cepea / Esalq 16/08/2016)

 

Opinião: A sustentabilidade da energia

Já somos uma das economias de mais baixo carbono, mas podemos melhorar.

A fonte de 68% da energia renovável no País, que garantiu 28% da matriz energética brasileira em 2015, é a agropecuária. Um caso único no mundo para um país industrializado e com as dimensões territoriais do Brasil. Além disso, no ano passado, pela primeira vez a geração de eletricidade de origem eólica ultrapassou a de origem nuclear. Foram 1.859.750 toneladas equivalentes de petróleo (TEP) asseguradas pelos ventos, ante 1.267.124 TEP geradas por usinas nucleares, segundo o sempre excelente Balanço Energético Nacional (BEN), recém-publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A geração da energia nuclear mantém-se constante há anos. E não houve, nem haverá no curto prazo, nenhum aumento do parque nuclear. Já o setor eólico se beneficia de numerosos incentivos, cresceu 77% em um ano e seguirá crescendo. Mas a contribuição das eólicas na matriz energética ainda é pequena: 1,3%. Esse marco histórico das eólicas passou quase despercebido, assim como o papel da agricultura na geração de energia renovável.

A cana-de-açúcar garantiu 16,9% do total da energia consumida no Brasil em 2015, uma contribuição superior a todas as hidrelétricas juntas (11,3%)

A participação da energia renovável na matriz energética nacional foi de 41,2% em 2015. Um recorde fantástico. E já chegou a mais de 45% em alguns anos, em função de fatores climáticos, da economia, etc. A média mundial de energia renovável nas matrizes energéticas é de apenas 13,5%. Essa contribuição é ainda menor nos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): 9,4%. Ou seja, nas nações desenvolvidas mais de 90% da energia é suja, vinda em geral de petróleo, gás e carvão mineral. Isso pode ser avaliado nas emissões de CO2.

Cada brasileiro emite sete vezes menos CO2 do que um americano e três vezes menos do que um europeu ou um chinês, apesar da enorme população da China. Graças às energias renováveis, na produção de 1 MWh o setor elétrico brasileiro emite três vezes menos CO2 do que o europeu, quatro vezes menos do que o norte-americano e seis vezes menos do que o chinês.

Além de grande produtora de alimentos e fibras, a agropecuária nacional ampliou em magnitude única no planeta sua capacidade de gerar energia. A agricultura brasileira produz combustíveis sólidos (lenha e carvão vegetal), líquidos (etanol e biodiesel), gasosos (biogás e gás de carvão vegetal) e energéticos (cogeração de energia elétrica e térmica com subprodutos agrícolas, como bagaço de cana-de-açúcar, lixívia, palhas, cavacos, etc.).

Além da cana-de-açúcar (16,9%), lenha e carvão vegetal contribuíram com 8,2%, ajudando a mover caldeiras e fornos, desde os das padarias e pizzarias até os das siderúrgicas de ferro gusa. Por fim, biodiesel, lixívia, biogás e outros resíduos asseguraram 3,1% de nossa matriz energética. Hoje, só o sebo de boi, um resíduo de frigoríficos, garante cerca de 20% da produção de biodiesel. O resto vem dos óleos vegetais, sobretudo de soja.

Para produzir alimentos, fibras e energia a agricultura brasileira consome energia na matriz (diesel para suas máquinas, energia elétrica, etc.). Quanto? 4,4%, segundo os dados do Balanço Energético Nacional. E ela devolve 28%.

A agricultura é o setor que menos consome energia e 4,4% é para toda a agropecuária: produção de alimentos, fibras e energia. O consumo específico para gerar energia é bem menor. Uma série de detalhamentos acerca do desempenho energético de várias cadeias produtivas está sendo calculada pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa. Nos dados do BEN 2015, a geração de energia (hidrelétricas, termoelétricas, usinas nucleares) consumiu 10,7% da energia da matriz.

A agroenergia é o resultado da transformação da energia solar em energia química pelas plantas. França, Japão ou Canadá poderiam produzir 28% de sua matriz energética com sua agricultura, como faz o Brasil?

Provavelmente, sim, mas consumiriam mais de 50% em sua matriz energética para realizar tal “feito”. Por quê? O clima limita a geração de agroenergia em países temperados. Em altas latitudes a fotossíntese só é possível na primavera-verão, de três a cinco meses, com cultivos de ciclo curto, como milho ou beterraba.

Já em países tropicais, com temperaturas elevadas, a fotossíntese é possível praticamente o ano todo, com cultivos de ciclo longo, como cana-de-açúcar, dendê, mandioca. 

Um campo de cana-de-açúcar ou de dendê é uma das mais eficientes e rentáveis usinas solares existentes

Aqui, ganhamos mesmo em culturas de ciclo curto (soja, milho, girassol), pois é possível garantir duas colheitas em um ano (safras de verão e inverno). Outros países tropicais poderiam produzir mais energia renovável. Mas não o fazem. Além da geografia, é fundamental usar uma tecnologia agrícola tropical inovadora – e, nisso, o Brasil é reconhecidamente um líder mundial.

A contribuição da agroenergia na matriz energética brasileira continuará crescendo. E já seria maior se políticas erráticas e erradas não tivessem vitimado o etanol.

O uso eficiente de resíduos e a integração produtiva levarão a novos saltos tecnológicos, como etanol de segunda geração e gaseificação de palhas. Com novas hidrelétricas em funcionamento, mais o crescimento da agroenergia, das eólicas e da energia fotovoltaica, o País poderá atingir 50% da matriz energética com fontes renováveis. Já somos uma das economias de mais baixo carbono do planeta. Podemos melhorar, mas os países desenvolvidos precisam avançar – e muito – na descarbonização de suas economias para chegar perto do que fazemos. Quando o assunto é meio ambiente, como enfatiza o atual ministro da Agricultura, o agronegócio brasileiro é muito mais solução do que preocupação.