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Aplicativo ajuda a identificar pragas nas lavouras de cana

Ferramenta auxilia na identificação dos principais problemas de seis culturas brasileiras e já conta com mais de 77 mil usuários no Brasil.

Aós dois anos de sucesso, com mais de 77 mil downloads no país, o aplicativo Adama Alvo, que auxilia na identificação de pragas, doenças e plantas daninhas das culturas da soja, trigo, milho e algodão, agora está disponível para a cultura de cana. A ferramenta desenvolvida pela Adama possui um extenso banco de dados, com aproximadamente 540 imagens de 134 alvos, como plantas daninhas, doenças e pragas.

Os usuários podem acessar informações sobre ciclo de vida, nomes populares e científicos, potencial de danos e os produtos registrados para o problema identificado. O produto também está sendo disponibilizado para a cultura de café.

O aplicativo gratuito está disponível para iOS e Android e, uma vez instalado, não necessita de conexão com a internet para operar no campo. A internet só é necessária para acessar a previsão do tempo e enviar dúvidas para a equipe técnica da Adama. O público que acessa a ferramenta no Brasil é composto majoritariamente por produtores agrícolas, consultores e estudantes de Agronomia.

“As perdas do agronegócio brasileiro com as pragas na lavoura podem chegar a R$ 55 bilhões por ano. Hoje, falamos na ‘agricultura de informação’, em que o produtor precisa cada vez mais de dados de qualidade para que ele tome as melhores decisões em sua lavoura. O Adama Alvo já é um sucesso no setor e os usuários estavam aguardando a ampliação da ferramenta para outras culturas, como cana e café. Com essa extensão, mais agricultores, consultores e estudantes vão poder contar com o aplicativo no campo”, avalia Roberson Marczak, gerente de Inovação da Adama Brasil. (Canal Rural 21/0/2016)

 

Açúcar: Pressão em NY

Os contratos de açúcar demerara caíram na sexta-feira na bolsa Nova York, refletindo vendas técnicas.

Os lotes para março recuaram 18 pontos, para 20,28 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo alguns analistas, a Índia começa a dar sinais mais promissores para a oferta, uma vez que as monções se regularizaram e as chuvas estão acima da média nas principais regiões produtoras.

Contudo, a melhora climática pode não se refletir na produção, uma vez que houve redução de área. Além disso, a demanda global segue em alta. Analistas observaram ainda que o ritmo acelerado da moagem no Centro-Sul do Brasil pode antecipar a entressafra. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,06%, para R$ 85,59 a saca de 50 quilos.

Cacau: Realização de lucros: Após seis sessões consecutivas em alta, os contratos do cacau

Até julho, usinas fixaram preço de 16% das exportações de açúcar

As usinas sucroalcooleiras fixaram, até julho, o preço de 4,28 milhões de toneladas de açúcar para serem exportadas só na próxima safra, de 2017/18, que começa em abril do próximo ano, conforme levantamento da consultoria Archer Consulting. Esse volume representa 16,1% do que se espera que seja exportado no próximo ciclo.

Essa antecipação dos preços de exportação de uma safra seguinte nesse momento do ano é inédita. Desde que a Archer iniciou o monitoramento de hedge das usinas, na safra 2012/13, a fixação de 16% da safra só havia sido feita em agosto e setembro.

O preço médio pelo qual as usinas travaram as exportações de açúcar apurado pela Archer foi de 16,15 centavos de dólar por libra-peso. Considerando que as usinas também travam o câmbio com contratos a termo de dólar com liquidação financeira (NDFs), o preço médio de exportação do açúcar da próxima safra em moeda nacional ficou em 65,29 reais por libra-peso, ou R$ 1.499,89 por tonelada. (Valor Econômico 19/08/2016)

 

Sucro: Produção cresce, mas preço do açúcar nesta safra se aproxima de recorde real, aponta Cepea

Levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço do açúcar cristal no mercado paulista na parcial da safra 2016/17 é o segundo maior, em termos reais, para o período, de toda a série do Cepea, iniciada em 2003 para o produto. Os altos patamares ocorrem mesmo diante da maior oferta neste ano. Usinas do estado de São Paulo têm priorizado a produção da commodity, com o mix desta safra 2016/17 sendo mais açucareiro. A valorização se deve, em grande parte, aos aumentos das cotações internacionais, devido às estimativas de déficit global.

De abril a primeira quinzena de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180 (estado de São Paulo), registra média de R$ 83,42/saca de 50 kg, 51,2% acima da de intervalo equivalente da temporada passada e atrás apenas do valor médio de igual período da 2011/12, quando alcançou R$ 88,40/sc, todos os preços foram atualizados pelo IGP-DI de julho/16.

O último relatório da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) indicou que a produção de açúcar no acumulado da safra (de 1º abril a 1º de agosto) avançou 26% na região Centro-Sul e 24,3% em São Paulo, em relação ao mesmo período da safra anterior, totalizando 16,9 milhões de toneladas e 11,52 milhões de toneladas, respectivamente. Na média do estado de São Paulo, 51,8% da cana foi destinada à fabricação de açúcar na parcial desta safra, ante os 48% do mesmo período da temporada passada.

No mercado externo, problemas com a produção de cana em países grandes produtores, como China, Índia, Tailândia e União Européia, reduziram a oferta mundial de açúcar. Esse cenário vem abrindo ainda mais espaço para o açúcar brasileiro.

De janeiro a julho, o País exportou 37,76% mais açúcar que nos sete primeiros meses de 2015, atingindo 15,41 milhões de toneladas, de acordo com a Secex. O estado de São Paulo foi responsável por 10,708 milhões do produto embarcado no período, ou 69,4% do total.

ETANOL

No mercado paulista de etanol, o impulso para os preços vem principalmente da oferta reduzida. Apesar do avanço da moagem, usinas paulistas seguem priorizando a produção de açúcar. De abril a julho, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado (estado de São Paulo) está em R$ 1,4612/litro, 5,7% superior ao de igual intervalo de 2015. Para o anidro, cotado a R$ 1,6354/l, a valorização é de 6,6% em igual comparativo.

De acordo com os dados do Cepea, os recordes reais para o período de abril a julho foram atingidos em 2011 para o anidro, de R$ 2,225/l, e em 2006 para o hidratado, de R$ 1,7896/l (valores deflacionados pelo IGP-M de julho/16). A produção de etanol alcança 12,82 milhões de litros no Centro-Sul, incremento de 7% em relação à temporada passada. Em São Paulo, o avanço foi de 6,5%, a 6,57 milhões de litros, dados Unica. (Cepea / Easlq 19/08/2016)

 

Safra de cana 2016/17 no Nordeste tem início com previsão de 53 mi toneladas

Em Pernambuco, a estimativa é de fechar o período com a produção de 13 milhões de toneladas, um aumento de 10% em relação a 2015/2016

As usinas pernambucanas já estão em clima de produção. A safra 2016/2017 da cana-de-açúcar começou nesta semana em quatro usinas da Zona da Mata Norte do Estado. E outras 11 unidades locais darão início à colheita até o fim de setembro com a expectativa de produzir mais que a do ano passado. Levantamento do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) confirma: 13 milhões de toneladas de cana devem ser geradas no Estado nesta safra. O volume é 10% maior que o registrado em 2015/2016, quando a produção foi afetada pelo El Niño.

“A produção deve chegar a 53 milhões no Nordeste e Pernambuco responderá por 13 milhões desse total”, calculou o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha. Com isso, o Estado reforça a posição de segundo maior produtor do Norte/Nordeste, ficando atrás apenas de Alagoas, que prevê uma safra de 18,5 milhões de toneladas de cana.

O presidente do Sindaçúcar-PE pontua, no entanto, que o volume projetado para Pernambuco ainda é menor que a média histórica de 16 milhões. Na safra passada, a produção caiu muito por conta da seca e do El Niño, passando de 15 milhões de toneladas em 2014/2015 para 11,6 milhões em 2015/2016. No Nordeste, a produção caiu de 61 para 49 milhões de toneladas de cana. Por isso, nesta safra, o que acontece é o início da recuperação do setor.

“O El Niño castigou a produção; mas, passado o fenômeno, houve uma normalidade das chuvas entre dezembro do ano passado e maio deste ano. Com isso, as perspectivas melhoraram”, contou Cunha, que chegou a esperar uma safra de 13,5 milhões para este ano. A projeção, no entanto, teve um pequeno recuo neste mês. “As chuvas ficaram regulares e bem distribuídas até maio. Em junho, julho e no início de agosto, porém, houve uma redução de 600 a 700 milímetros de chuva no Estado”, explicou o presidente do Sindaçúcar-PE, dizendo que as estimativas nordestinas também caíram, passando de 54 para 52/53 milhões de toneladas. “É um crescimento moderado perante a safra passada”, pontuou Cunha.

Com os 13 milhões de toneladas de cana, o Sindaçúcar-PE espera produzir um milhão de toneladas de açúcar e 300 mil metros cúbicos de etanol, sendo 129 mil m³ de anidro e 171 mil m³ de hidratado. Ou seja, a produção de açúcar deve ganhar um incremento de 180 mil toneladas, enquanto a de etanol ficar estável. A manutenção do etanol reflete o comportamento do mercado.

“Os preços internacionais do açúcar melhoraram por causa do câmbio e isso impulsiona o setor, já que temos menos custos logísticos de exportação que o Centro-Sul. O etanol, no entanto, não tem incentivos na matriz de preços”, criticou Cunha, reforçando a necessidade de regulamentar o mercado do combustível. (Folha de Pernambuco 19/08/2016)

 

Quem tem medo do lobo mau – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O açúcar passou a semana se consolidando num estreito intervalo de 90 pontos, com a máxima de 20.44 e a mínima de 19.54 centavos de dólar por libra-peso, para encerrar a semana com apenas 6 pontos de alta em relação à semana anterior. O vencimento outubro/2016 fechou a sexta cotado a 19.77 centavos de dólar por libra-peso. O spread outubro/março enfraquecido mostra que a demanda no físico continua aborrecidamente anêmica.

Por outro lado, as exportações brasileiras de açúcar no mês de julho alcançaram 2.9 milhões de toneladas elevando o acumulado de doze meses para 26.75 milhões de toneladas (de agosto de 2015 até julho de 2016), 10.4% a mais do que o mesmo período do ano passado. O acumulado no ano safra (de abril até agosto) soma 9.1 milhões de toneladas, o maior volume desta década.

Alguns traders argumento que a fraqueza do spread outubro/março deu-se em função da rolagem das posições compradas dos fundos para o vencimento março. Ao efetuarem a rolagem eles pressionam o outubro (que estão vendendo) e impulsionam o março (que estão comprando), fazendo com o spread se alargue. É um argumento. A pergunta de dois bilhões de dólares, visto que é esse o valor aproximado de ganho que os fundos estão obtendo – é por que os fundos rolaram uma posição comprada trazendo 50 pontos de prejuízo nos seus portfolios ao invés de liquida-la e embolsar toda essa dinheirama que estão ganhando?

O mercado financeiro mundial tem mais de uma dúzia de trilhões de dólares investidos a juro negativo. É tarefa difícil para um investidor colocar dinheiro para ter uma rentabilidade de 1% ao ano que seja (e só dobrar o capital, em tese, a cada 70 anos), enquanto ativos de riscos que retornem ao menos 5% já diminuiriam essa “espera” sombria em 56 anos. Deve ser essa uma das razões que justificam os fundos manterem uma posição de 323.500 lotes. Porque acreditam que o mercado vai continuar subindo.

O modelo de previsão de preços da Archer Consulting aponta que poderemos ter preços médios (fechamento do primeiro mês de negociação) no açúcar em NY de 20.67 centavos de dólar por libra-peso para setembro, 22.47 centavos de dólar por libra-peso para outubro, 22.59 centavos de dólar por libra-peso para o novembro e 23.50 para dezembro. Nunca é demais lembrar que modelos são falhos. No entanto, veja o gráfico e compare a previsão (linha pontilhada) com o valor efetivo (linha sólida).

Olhando os fundamentos e fatores exógenos que podem ser considerados altistas ou baixistas, está muito mais difícil encontrar esses últimos. O que pode colocar esse mercado para baixo? Já vimos que o mercado tem um sólido suporte ao redor de 18.50 centavos de dólar por libra-peso e além do mais consumidores industriais dizem estar preocupados com a escalada de preços do açúcar e a diminuição da margem de seus produtos. Vender puts (opções de venda) de 18.50 centavos de dólar por libra-peso ao longo da curva tem sido uma boa oportunidade para diminuir custo de aquisição.

Como comentamos aqui recentemente, o fator de maior peso que vemos com possível efeito de desestabilização do preço do açúcar é o preço do petróleo. Se for abaixo de 40 dólares por barril vai levar o açúcar junto. A alta dos juros americanos, a baixa demanda no mercado de exportação, uma eventual entrega “monstro” contra o vencimento outubro/2016 daqui a seis semanas e o esgotamento da paciência dos fundos na esperança de preços mais altos podem ser os ingredientes para uma liquidação de magnitude. Mas, quem acredita no Lobo Mau?

A segunda estimativa de fixação de preços das usinas no mercado futuro de NY para a safra 2017/2018 aponta, segundo o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de julho/2016 4,28 milhões de toneladas já haviam sido fixadas (16.1% da exportação estimada). O preço médio apurado foi de 16.15 centavos de dólar por libra-peso. Não temos elementos para comparar esse volume com o das safras anteriores, porque nunca houve tamanha antecipação de fixação de preços como agora. Para se ter uma ideia, esse percentual de 16.1% só foi alcançado entre agosto e setembro das safras anteriores (desde 2012/2013 quando iniciamos o monitoramento). O valor médio ajustado de fixação, considerando as NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira), apontam para R$ 1.499,89 por tonelada, ou 65.29 reais por libra-peso.

E o etanol, hein? Nossa simulação de oferta e demanda do Brasil mostra que teremos uma entressafra extremamente apertada para o etanol. O preço atual do hidratado colocado na equivalência com o açúcar em NY mostra um desconto de 500 pontos, ou seja, 14.71 centavos de dólar por libra-peso. Alguém acha que esse desconto vai perdurar. Comprar etanol na BM&F Bovespa e vender açúcar em NY não seria uma boa estratégia para o último trimestre do ano?

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