Setor sucroenergético

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Açúcar: Compra misteriosa

Uma ordem de compra emitida por uma empresa não identificada, mas que o mercado acredita ser da China, reforçou as especulações dos investidores sobre o aumento da demanda mundial por açúcar num momento de déficit na oferta global.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,88 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, avanço de 60 pontos.

A ordem de compra pegou os investidores de surpresa, já que os dados divulgados até então mostravam que as importações de açúcar da China, principal comprador do mundo, caíram 14% em julho na comparação com o mesmo período do ano anterior.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,74 a saca de 50 quilos, alta de 0,18%. (Valor Econômico 23/08/2016)

 

Brenco firma acordo no TST para corrigir irregularidades em usinas em GO

A empresa sucroalcooleira pagará indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões, em dez parcelas mensais.

A desembargadora convocada Cilene Ferreira de Amaro Santos conduziu na tarde de quinta-feira (18/8), no Tribunal Superior do Trabalho, audiência de conciliação para a assinatura de acordo judicial entre o Ministério Público do Trabalho, a Brenco - Companhia Brasileira de Energia Renovável S.A., Federação dos Trabalhadores nas Indústrias dos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal (FTIG/TO-GO) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Agroindústrias de Fabricação de Álcool Carburante, Açúcar, Derivados e Subprodutos no Sudoeste do Estado de Goiás (Sitifaeg).

O TST explica que o acordo é oriundo de ação civil pública proposta pelo MPT em 2010, na Vara do Trabalho de Mineiros (GO), após a constatação de irregularidades trabalhistas nas usinas sucroalcooleiras da empresa em municípios goianos.

Dentre as situações apontadas está o enquadramento irregular de trabalhadores rurais como industriários, com o intuito de não pagar horas “in itinere” (de deslocamento), a imposição de jornadas excessivas, com o descumprimento dos intervalos intra e interjornada, a exigência de horas extras e a ausência do registro do ponto.

Termos

No acordo, a companhia se comprometeu a realizar o enquadramento regular de todos os empregados a partir da safra 2017/2018 e efetuar o registro da jornada com a devida compensação pelo período em que o trabalhador ficar à disposição, incluindo as horas de deslocamento. A Brenco ainda pagará indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 2 milhões, em dez parcelas mensais. A verba será destinada a projetos sociais, a critério da Procuradoria do Trabalho.

O subprocurador-geral do trabalho Ricardo José Macedo de Britto Pereira, por meio da nota do TST, afirmou que o acordo beneficiou a todas as partes, evitando, assim, o desgaste de uma ação judicial. "Isso traz uma tranquilidade para todos, tanto para o MPT, quanto para as partes e, também, para o próprio Poder Judiciário, pois é uma ação resolvida de forma consensual", disse. "A ideia de conciliação está muito no espírito do Novo Código de Processo Civil".

A desembargadora Cilene Ferreira comemorou o acordo diante da longa tramitação do processo e do fato de os trabalhadores obterem, de forma mais célere, o cumprimento das normas trabalhistas. "Isso evita que se leve a julgamento questões que o TST já sedimentou", afirmou. "Resolve a situação da empresa e o Ministério Público passa a contar com um acordo judicial cujo cumprimento ele poderá acompanhar diretamente". (Globo Rural 22/08/2016)

 

FNL bloqueia a entrada de usina em Mirante do Paranapanema

Grupo reivindica as áreas usadas para o plantio de cana-de-açúcar. 

Veículos de grande e pequeno porte são impedidos de entrar na unidade.

Na manhã desta segunda-feira (22), integrantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) bloquearam a entrada de uma usina no km 13 da Rodovia General Euclides de Oliveira Figueredo (SP-563), em Mirante do Paranapanema. De acordo com a coordenadora regional do movimento, Edna Torriani, o ato visa a reivindicar as áreas usadas para o plantio de cana-de-açúcar na região e pede pelo fim da corrupção e pela aceleração da reforma agrária.

Conforme Edna, cerca de 70 pessoas, com faixas e bandeiras, fazem parte do ato que segue pacífico. “Não deixaremos os veículos de grande e pequeno porte passarem nem os funcionários. Nosso ato é contra as usinas que beneficiam apenas a si e aos grupos que nelas trabalham”, afirmou ao G1.

Segundo a coordenadora, a ação reivindica as áreas que possuem plantação de cana-de-açúcar na região do Pontal do Paranapanema. “Essas terras não favorecem aos assentados, pois poderiam ser cedidas para quem precisa. Mesmo com essas plantações, o etanol e o açúcar na região continuam com o preço alto. Nossas famílias acabam sendo esquecidas”, ressaltou.

Outro ponto mencionado por Edna ao G1, como motivação do ato, é o pedido pelo fim da corrupção no país. “O dinheiro que é obtido na Operação Lava Jato poderia ser revertido para a reforma agrária, para ajudar na aceleração e no desenvolvimento, mas o que vemos é apenas mais corrupção”, salientou a representante do grupo.

Manifestantes afirmaram que não há horário previsto para deixarem o local.

De acordo com as informações da Polícia Militar, o grupo segue com o ato de forma pacífica, mas não foi contabilizado o número de integrantes.

FNL

Em nota, a FNL informou que "a reforma agrária continua paralisada em todo país, as terras indígenas sem demarcação, os quilombolas sem perspectivas de ver suas terras regularizadas".

O movimento ainda ressaltou em nota que "o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está entregue ao aparelhamento político, que nada entende de reforma agrária. Embora quem comande a autarquia (Incra) seja de alta competência e comprometido com a causa, mas sem orçamento, sem planejamento e autonomia, o piloto desta nave não tem como fazer seu pouso seguro".

Outro lado

Por meio de nota, a Odebrecht Agroindustrial, responsávela pela usina em Mirante do Paranapanema, informou ao G1 que a unidade Conquista do Pontal confirma que militantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade ocupam, neste momento, a faixa de entrada que que dá acesso às operações industriais da empresa no município.

Ainda segundo a empresa, a ocupação "gera transtornos à operação da unidade, pois impede a entrada e saída tanto de integrantes da empresa, como de caminhões de carga de cana".

A unidade informou ao G1 que já solicitou à Justiça a liberação do acesso e tomou "as providências necessárias para garantir a segurança de seus integrantes e da comunidade". 

A unidade Conquista do Pontal emprega 1.500 pessoas diretamente e mais de 4 mil pessoas indiretamente.

Itesp e Incra

O G1 solicitou um posicionamento sobre o assunto à Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O órgão estadual alegou que o assunto é de competência do Incra.

Já o órgão federal alegou que não existe processo de desapropriação ou de compra em relação à área da usina em Mirante do Paranapanema.

"Lembramos que ocupações deste tipo impedem o Incra de vistoriar, avaliar ou desapropriar o imóvel rural pelo período de dois anos a partir de sua desocupação, conforme a Lei 8.629/93 (artigo 2º, parágrafo sexto). Destacamos que o Incra/SP mantém postura de diálogo com todos os movimentos sociais do Estado, em reuniões nas quais esclarecemos com transparência a possibilidade de arrecadação dos imóveis reivindicados", salientou o Incra, em nota ao G1. (G1 22/08/2016)

 

Importações de açúcar pela China caem 14% em julho

A China, maior importador global de açúcar, importou 420 mil toneladas do produto em julho, queda de 13,6 por cento ante o ano anterior, segundo dados da alfândega divulgados nesta segunda-feira.

As importações, ainda assim, atingiram o maior nível mensal desde dezembro, quando o país comprou 500 mil toneladas, e cresceram na comparação com as 370 mil toneladas registradas no mês anterior.

As compras da China devem ficar mais lentas novamente nos próximos meses, segundo analistas, após os preços globais se recuperarem, pressionando as margens de importação para território negativo desde o final de maio.

As importações de açúcar pela China desaceleraram neste ano após compras recordes no ano passado.

Conversas sobre uma possível liberação de açúcar das reservas do Estado, que poderia afetar as importações no início do próximo ano, também mantêm os operadores cautelosos.

A China tem estimadas 7 milhões de toneladas de açúcar em estoques e está sendo pressionada a vender o produto, que está envelhecendo. (Reuters 22/08/2016)