Setor sucroenergético

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Blairo Maggi chama setor de etanol de incompetente

Ministro da Agricultura lançou plano para o setor agropecuário nesta quarta, no Planalto. Ele disse ainda que ser ‘permanentemente protecionista’ não é o ‘caminho’.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta quarta-feira (24) que a dependência de subsídios na agricultura atrai “incompetência”.

Ele deu a declaração em discurso no lançamento do programa Agro+, que, segundo o governo, tem 69 medidas para “desburocratizar” o setor agropecuário e aquecer a produção.

“O Brasil moderno precisa socorrer, olhar e cuidar em determinados momentos, mas ser permanentemente protecionista acho que não é o caminho correto”, declarou o ministro.

"As empresas que vieram para este setor [sucroenergético] confundiram processo produtivo com processo industrial e processo agronômico.

"Subsídio atrai incompetência em algumas áreas, não permite que os setores ganhem pela competitividade", Blairo Maggi

Ataques ao setor sucroenergético

Após a cerimônia, Blairo falou com jornalistas no Palácio do Planalto e, questionado sobre o que quis dizer com a declaração no evento, respondeu:

“Quando me refiro a subsídios que não gosto é quando você tem um setor da economia que só sobrevive porque tem subsídio. A incompetência desse setor e falta de competitividade faz com que não se avançe. O que digo é que temos de ter uma visão mais clara”, afirmou Maggi.

Durante a entrevista, jornalistas pediram ao ministro que desse algum exemplo de segmento que depende de subsídio por "incompetência" e ele citou os produtores de etanol.

Segundo o Maggi, o setor "reclama que precisa de apoio do governo para sobreviver". Mas, na avaliação do ministro, uma atividade "tão importante" depender de recursos públicos não é "seguro" para "ninguém".

"As empresas que vieram para este setor confundiram processo produtivo com processo industrial e processo agronômico. Para você ter eficiência [lucro] na questão do etanol, você precisa produzir muita cana, tem que ser 100, 120 toneladas por hectare. É aí que está a origem do lucro da empresa de etanol. Essas empresas [do setor], por não entenderem isso, perderam produtividade e, em vez de 100 toneladas, produziram 60 toneladas", declarou.

"Não tem ninguém que dê conta de um processo como este [do etanol]. Como você vai subsidiar um setor que vai continuar produzindo 60 toneladas?", completou o ministro.

Blairo Maggi argumentou ainda que na década de 1980 o governo federal criou programas de subsídio para atrair agricultores à região Centro-Oeste e, em um determinado momento, quando os recursos públicos começaram a ser reduzidos em Mato Grosso, parte desses produtores não conseguiu se manter na região e voltou para o estado de origem.

Para o ministro, os subsídios federais devem servir para "determinados momentos de dificuldades" de alguns setores, mas o Estado tem que dizer ao produtor: "daqui para frente, você que ir sozinho". Ele ainda acrescentou que, como empresário, não entraria em um mercado que dependa de subsídios do governo.

Planos

Sobre se sua visão relacionada aos subsídios federais poderá resultar, no ano que vem, em eventual redução dos repasses aos planos Safra da Agricultura Família e Agrícola e Pecuário, Blairo Maggi não respondeu objetivamente, disse somente que é preciso "ter recursos" para o custeio de "áreas de longo prazo". (G1 24/08/2016)

 

Setor analisará com governo política para etanol após interinidade, diz Unica

A diretora presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou ao Broadcast que o setor sucroenergético espera o fim da interinidade do governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) para conversar sobre uma política tributária diferenciada para o etanol. Entre as demandas do setor estão a manutenção da isenção do PIS/Cofins sobre o etanol hidratado, de R$ 0,12 nas usinas, prevista para acabar em janeiro, e também o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) cobrada sobre a gasolina, atualmente em R$ 0,10 por litro nos postos.

A executiva avalia que o governo interino "já mostrou que opta por um menor nível de intervenção na economia", fato que, na avaliação dela, é importante principalmente nos preços dos combustíveis. Neste caso, ela se refere ao congelamento do preço da gasolina adotado durante o governo Dilma Rousseff para segurar a inflação, o que limitou também altas do preço do etanol. Por outro lado, Farina defende que os "ganhos sociais e ambientais de combustíveis renováveis precisam ser reconhecidos" por meio de diferenciais tributários sobre combustíveis derivados de petróleo.

"As energias renováveis têm desvantagem em relação aos (combustíveis) fósseis. Existe um custo social da área de fósseis que não é contabilizado nos preços e é preciso uma política tributária que corrija os preços relativos", disse. "É necessário mostrar que se reconhecem as externalidades positivas dos renováveis e vamos conversar isso com o governo depois da interinidade", completou a presidente da Unica.

Farina disse que o setor "recebeu muito bem" a proposta feita durante a Fenasucro 2016 pelo secretário de Petróleo, Gás Natural, e Combustíveis Renováveis (Biocombustíveis) do Ministério das Minas e Energia, Márcio Félix, de que até dezembro seja desenhada a linha geral de um marco regulatório para o setor sucroenergético. Segundo o secretário, com a contribuição do setor privado o governo pretende ter uma diretriz para definir, em um futuro marco regulatório, o papel, no longo prazo, do etanol e da energia elétrica na matriz energética.

"Temos levado ao governo esse pleito de ter uma visão consistente, previsível e clara a respeito do que se espera do setor. Já aceitamos o desafio e vamos preparar um resumo que certamente irá se juntar aos documentos que já temos preparado", disse a presidente da Unica. (Agência Estado 24/08/2016)

 

Governo não tem planos de manter isenção de PIS/Cofins para etanol, dizem fontes

O governo brasileiro não tem planos de estender uma isenção de PIS/Cofins nas vendas de etanol que expira no fim deste ano. A medida seria um esforço para reequilibrar as contas públicas, afirmaram à Reuters duas fontes do governo nesta quarta-feira (24).

"Isso é dinheiro que precisamos agora", disse uma das fontes que pediu para não ser identificada porque o assunto não é público ainda, referindo-se à receita que entraria nos cofres do governo com o fim da isenção.

O movimento pode tornar o etanol menos interessante economicamente para consumidores e setor produtivo, levando o Brasil a produzir e exportar mais açúcar. As importações de gasolina também poderiam aumentar para atender a uma demanda maior, uma vez que o combustível fóssil ganharia competitividade frente ao etanol hidratado.

A fonte explicou ainda que a indústria de etanol ganhou um alívio nos últimos anos com uma alta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre os combustíveis, que impacta sobre a gasolina, favorecendo as vendas do biocombustível.

Em 2013, o governo isentou temporariamente os tributos PIS/Cofins, de R$ 0,12 centavos por litro, nas vendas de etanol.

O objetivo foi ajudar a indústria de cana que lidava com preços baixos do açúcar e falta de competitividade do etanol frente à gasolina, uma vez que o combustível fóssil era mantido artificialmente em valores baixos com o governo tentando evitar repasses para a inflação.

Desde então, o aumento da Cide, tributo cobrado sobre o preço dos combustíveis, na gasolina e menos intervenção governamental nos preços ajudaram a indústria de etanol, juntamente com uma recuperação nas cotações do açúcar no mercado global.

A indústria de etanol está tentando convencer o governo a manter a isenção. As usinas dizem que o governo deveria usar a medida para valorizar os benefícios ambientais do etanol e evitar que a produção seja desencorajada.

Analistas dizem que o fim da isenção seria outro motivo para usinas produzirem mais açúcar na próxima safra em detrimento do etanol.

O açúcar já está oferecendo melhores retornos que o biocombustível neste ano, após um rali dos preços diante de um projetado déficit global no mercado do adoçante.

Quando a isenção de PIS/Cofins foi implementada, a estimativa foi de que o governo deixaria de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão por ano, mas os volumes vendidos cresceram desde então, o que poderia levar a uma arrecadação maior que esse montante.

Procurado, o Ministério da Fazenda não comentou o assunto.

Nesta quarta, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que as discussões sobre o fim da isenção do PIS/Cofins para o setor de etanol não cabem à sua pasta, mas lembrou que as avaliações sobre a continuidade ou não do apoio ao setor ocorrem em um governo que precisa arrecadar.

"Se eu pudesse baixar todos os impostos, eu defenderia sem receio, mas se não tiver arrecadação, não temos condições de manter o governo", afirmou o ministro Blairo.

MAIS IMPORTAÇÕES DE GASOLINA

O fim da isenção de etanol deverá causar um aumento das importações de gasolina pelo Brasil para atender maior demanda pelo combustível, enquanto o consumo de etanol recua, disse presidente da JDB Consultoria, Joaquim Dib Cohen, ex-operador de petróleo da Petrobras.

Distribuidores de combustíveis no Brasil já estão importando diesel para aproveitar o fato de os preços locais estarem mais altos que os valores internacionais, acrescentou ele.

"O Brasil provavelmente verá a mesma coisa com gasolina, até a unidade de distribuição da Petrobras está importando", disse Cohen.

"A Petrobras está sendo dirigida de uma forma mais orientada para o mercado e, uma vez que você pode fazer mais dinheiro importando do que produzindo sua própria gasolina, acho que é mais provável que os distribuidores e a Petrobras importem gasolina para compensar alguma demanda causada pela taxa do etanol". (Folha de São Paulo 24/08/2016)

 

Fim de isenção de tributos para etanol: Blairo Maggi diz que governo precisa arrecadar

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta quarta-feira que as discussões sobre o fim da isenção do PIS/Cofins para o setor de etanol não cabem a sua pasta, mas lembrou que as avaliações sobre a continuidade ou não do apoio ao setor ocorrem "em um governo que precisa arrecadar".

"Eu faço parte de um governo que precisa arrecadar. Se eu pudesse baixar todos os impostos, eu defenderia sem receio, mas se não tiver arrecadação, não temos condições de manter o governo", afirmou o ministro.

O setor conta com isenção dos tributos desde 2013, mas o período do benefício se encerra em dezembro deste ano e não há sinais dentro do governo de que será renovado.

A indústria de etanol argumenta que, sem a isenção, o litro do combustível na bomba aumentaria em 12 centavos de real por litro, afetando sua competitividade com a gasolina.

No entanto, a equipe econômica estaria contando com esse recurso extra para o orçamento anual, uma arrecadação que chegaria a 1,5 bilhão de reais, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

Antes de ressaltar que o governo precisa arrecadar, Blairo Maggi usou justamente o setor do etanol como exemplo do que havia falado mais cedo, quando afirmou que subsídios permanentes "atraem a incompetência".

"Etanol reclama que precisa de subsídio do governo. Ora, uma atividade tão importante precisar de subsídio permanentemente não é seguro para ninguém", afirmou, lembrando que os subsídios devem ser para "determinados momentos".

De acordo com Maggi, as empresas da área deixaram de ter produtividade na produção da cana-de-açúcar.

"Para ter eficiência precisa produzir muita cana. É lá que está a origem do lucro. Essas empresas não entenderam o processo agronômico e perderam produtividade", disse o ministro, acrescentando que, se o governo subsidiá-las, a produção nunca irá aumentar.

A isenção de PIS/Cofins para o setor de etanol foi anunciada em um ambiente em que a indústria sofria uma grave crise financeira, motivada entre outros fatores por perdas com o biocombustível, em momento em que o governo mantinha o preço da gasolina (combustível concorrente) controlado para evitar repasses a inflação. (Reuters 24/08/2016)

 

Barter deve crescer no setor

O fornecimento de cana de produtores independentes para usinas através de mecanismos como o barter ainda é incipiente, mas deve crescer nos próximos anos. É a avaliação de Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), para quem a estratégia será uma das alternativas de financiamento no setor, principalmente diante das atuais restrições de crédito por parte dos bancos.

Leal estima que 10% da cana que os 70 mil associados da federação produzem por safra, o equivalente nesta safra a 18 milhões de toneladas, são entregues a usinas através de troca por insumos, geralmente com intermediação de tradings. Ele estima que, nos próximos três anos, essa participação pode crescer para 15% dos fornecedores associados.

Essa já tem sido a forma com que Edson Viesel, produtor de Santa Rita do Passa Quatro, a cerca de 90 quilômetros de São Carlos, no interior paulista, tem vendido em cada safra suas 80 mil toneladas de cana. Segundo Viesel, uma das vantagens desse modelo é que a trading lhe paga no ato da entrega da cana. "Às vezes, antes do início da safra, ela adianta 50% do valor da cana para os produtores", diz. Pelas regras atuais, as usinas pagam 80% do valor da cana no mês seguinte à entrega e os demais 20% no fechamento da safra.

A garantia de recebimento e de financiamento da produção também é um ponto favorável, dado que muitos produtores foram afetados pela inadimplência de usinas e até hoje têm a receber no caso das que estão em recuperação judicial. "Os atrasos para fornecedores fizeram com que eles ficassem com dívidas e tivessem problemas para contratar crédito", observa Leal.

A alternativa é ainda mais atrativa para os produtores de cana de grande porte, já que a linha de financiamento do BNDES voltada para a renovação e ampliação dos canaviais, o Prorenova, é limitada a R$ 150 milhões por grupo econômico. Geograficamente, essa relação com as tradings tende a crescer principalmente em Goiás e Mato Grosso, acredita Leal. "É onde os agricultores já têm conhecimento do barter por causa do milho e da soja", diz. (Valor Econômico 25/08/2016)

 

VA&E busca ampliar parceria com usinas

Criada em 2015 pela Ecom Agroindustrial, sediada na Suíça, e pela americana V&A Commodity Traders, a trading VA&E pretende ampliar sua estratégia de parceria com usinas sucroalcooleiras no Brasil para oferecer mais segurança na originação de açúcar branco no país. A trading opera hoje com a Usina Carolo e quer ter mais uma parceira na próxima safra.

Segunda maior exportadora de açúcar branco do país, a VA&E herdou o modelo de atuação que sua controladora Ecom adota desde 2011, no qual a trading estabelece um acordo tanto com os fornecedores de cana quanto com a usina. Com os produtores agrícolas, a trading realiza uma operação de barter, fornecendo insumos, como defensivos e fertilizantes, em troca da cana.

Com a matéria-prima em mãos, a trading fornece a cana à usina em troca da garantia de que comercializará sua produção de açúcar, em uma relação de tolin, mais comum nas transações entre produtores de laranja e indústrias de suco.

Segundo Clóvis Junqueira Franco, CEO da VA&E, há conversas com ao menos três usinas, mas apenas uma deve ser escolhida como parceria na safra 2017/18, que começa em abril próximo. O executivo diz que avalia usinas em Goiás e São Paulo, especialmente na região de Catanduva e Araçatuba. Ele ressalta que a usina não pode estar na mesma região de influência da Carolo ­ localizada no município paulista de Pontal, próximo a Sertãozinho ­ para não criar concorrência com a VA&E pela cana.

A opção de estabelecer e consolidar uma parceria de cada vez se deve ao perfil conservador da trading, afirma Franco. "Não gostamos de nos alavancar muito, somos conservadores. Até daria para fazer [parceria] com mais usinas junto, mas ficaríamos alavancados", diz. A ideia é ir firmando parcerias com os produtores até que a VA&E seja capaz de garantir o fornecimento de toda a cana que a usina tem capacidade de processar em uma safra. Atualmente, a VA&E já fornece praticamente todo o volume que a Carolo tem capacidade de processar ao longo de uma temporada.

Como já será a segunda parceria, porém, ele espera que a consolidação se dê mais rapidamente. "Em uma usina com 2,5 milhões de toneladas de capacidade, em duas safras eu já garanto [o fornecimento de cana] da capacidade máxima e imagino que possa ir para a terceira", avalia o executivo.

A parceria com a VA&E permitiu que a Carolo mantivesse suas atividades e até aumentasse seu processamento mesmo em meio a um processo de recuperação judicial e restrição de liquidez, além de garantir o pagamento aos produtores. Em 2011, quando a VA&E começou a implementar esse modelo de parceria, a trading tinha acordo com 35 dos fornecedores de cana da Carolo, a partir dos quais conseguia fornecer 200 mil toneladas de cana à usina. Atualmente, são mais de 200 produtores na base de fornecedores da VA&E, que garantem um abastecimento de até 13 mil toneladas de cana por dia à usina.

Embora o modelo tenha caído como uma luva para uma usina em dificuldade financeira, Franco ressalta que a parceria proposta pela VA&E se encaixa em todos os perfis de usinas, já que garante a gestão do capital, deixando a parceira focada na gestão agrícola e industrial. "Como usina é um negócio de capital intensivo, sempre precisa de financiamento, [a parceria] é uma ajuda para o fluxo de caixa muito bem-vinda, mesmo para empresa com boa capacidade financeira", avalia.

Essa estratégia de atuação da VA&E visa menos um aumento dos volumes e mais uma garantia de segurança à cadeia, e, consequentemente, ao seu próprio negócio. "Nosso foco é açúcar branco. Não estamos preocupados com açúcar VHP, então não visamos volume", assegura Franco. Atualmente, a trading negocia cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar por ano nos países em que opera, mas o Brasil representa 80% de seu negócio. (Valor Econômico 25/08/2016)

 

EUA: Abengoa Bioenergia negocia unidades

A Abengoa Bioenergia acertou a venda de cinco plantas de etanol no Meio-Oeste dos Estados Unidos. As unidades foram leiloadas para diversas empresas do setor por um total de US$ 357 milhões, como parte de sua estratégia de reestruturação de dívidas. Os leilões ainda serão julgados na Justiça americana. (Brasil Agro 25/08/2016)

 

Gasolina ganha espaço ante etanol no país, mas vendas de combustíveis seguem fracas

As vendas de gasolina no Brasil estão se recuperando neste ano devido ao ganho de competitividade em relação ao etanol hidratado para veículos flex, mas a demanda por combustíveis no país permanece em baixa, pressionada principalmente pelo recuo no consumo de diesel, diante da pior recessão econômica em décadas e da queda da renda das famílias.

Dados publicados nesta quarta-feira pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontaram uma alta de 2 por cento nas vendas acumuladas de gasolina em 2016 até julho, para 153 milhões de barris.

Entretanto, na mesma comparação, as vendas de etanol hidratado despencaram 14 por cento, para 53,7 milhões de barris, após terem registrado vendas recordes em 2015.

Amaryllis Romano, analista de agropecuária e biocombustíveis da Tendências Consultoria, destacou que as vendas de etanol e gasolina somadas serão piores neste ano ante 2015, refletindo o cenário de queda na renda das famílias.

"A renda já estava ruim no ano passado, mas você tinha um combustível (o etanol) que estava mais barato", explicou a especialista.

No ano passado, o preço médio do etanol passou grande parte do ano mais favorável do que o da gasolina em grande parte do país, invertendo a relação apenas no fim do ano, explicou Amaryllis. Já neste ano a competitividade do etanol apenas começou a se recuperar após o início da safra.

Em julho, as vendas da gasolina subiram 0,6 por cento em relação ao mesmo mês de 2015, para 21,6 milhões de barris, enquanto as vendas de etanol hidratado caíram 15 por cento.

Já as vendas de óleo diesel, importante termômetro para a economia do país, acumula queda de 5 por cento neste ano até julho, ante o mesmo período do ano passado, para 197,3 milhões de barris. Em julho, a comercialização do combustível fóssil caiu também cerca de 5 por cento, para 29,5 milhões de barris.

A queda acentuada do diesel contribuiu com o recuo das vendas no Brasil de todos combustíveis somados, uma vez que é o combustível mais comercializado do país.

No acumulado até julho, as vendas de todos os combustíveis caíram 4,8 por cento, para 490,3 milhões de barris ante o mesmo período de 2015.

No mês passado, as vendas dos combustíveis caíram 6 por cento em comparação com julho do ano passado. (Reuters 24/08/2016)

 

Consumo de combustíveis cai 6,3% em julho, diz ANP

Em meio à recessão, o consumo de combustíveis caiu 6,3% em julho na comparação com igual mês de 2015 e acumula uma baixa de 4,8% no ano, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foram comercializados 12,183 bilhões de litros no mês passado.

Historicamente vinculadas ao desempenho da economia, as vendas de diesel caíram 5,3% em julho, para 4,697 bilhões de litros. No ano, a queda acumulada é de 5%. Já a comercialização de gasolina C (misturada ao etanol anidro) subiu 0,6% e segue como destaque positivo, com alta de 2% no ano.

Esse crescimento, no entanto, não tem sido suficiente para compensar o declínio das vendas de álcool e sustentar o aumento da demanda dos veículos com motores do ciclo Otto (a gasolina, etanol ou ambos). Em gasolina equivalente, o consumo desses motores cai 1,68% no ano, muito impactado pela baixa de 14,2% na comercialização de etanol hidratado nos sete primeiros meses de 2016. Em julho, a queda nas vendas do biocombustível foi de 15,33%.

O mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP, ou gás de cozinha), também consumido na indústria e comércio, caiu 4,6% em julho. No ano, as vendas se mantém praticamente estáveis, com uma queda de 0,5% entre janeiro e julho.

A ANP contabiliza também uma retração no segmento de aviação, em meio ao cenário de menor demanda por voos domésticos. O consumo de querosene de aviação (QAV) está 7,5% mais baixo este ano e chegou a cair, em julho, 10,9%, enquanto as vendas de gasolina para aviação recuaram 8% e acumulam uma queda de 15,6% em 2016. A comercialização de óleo combustível teve redução de 43%. No ano, a baixa é de 33,1%. (Valor Econômico 25/08/2016)

 

Safra do NE terá aumento tímido de 8% e marca início de retomada

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), Renato Cunha (Foto), avaliou nesta terça-feira, 23, que a safra decana no Nordeste, iniciada este mês, será marcada pela retomada do setor após três anos de colheitas prejudicadas pelo clima, mesmo com um crescimento tímido de 8% no processamento. "Estamos iniciando uma retomada, ainda longe dos patamares de produção normais, de até 63 milhões de toneladas de cana. Não serão as 49 milhões de t da safra passada, mas um crescimento tímido para 53 milhões de t", disse Cunha na abertura da Fenasucro, em Sertãozinho (SP).

O destino da matéria-prima na região será em torno de 48% para açúcar e o restante paraetanol. O Nordeste é grande exportador de açúcar, com a venda de até 80% produção para o mercado externo, principalmente para atender cotas preferenciais da commodity aos Estados Unidos e União Europeia (UE). "É um momento onde há perspectiva de melhoria no consumo e na produção e acreditamos que em dois anos teremos crescimento satisfatório para o setor fazer face ao que veio represado nos últimos três anos, principalmente no preço do etanol defasado", afirmou Cunha. (Agência Estado 23/08/2016)