Setor sucroenergético

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Ferramenta é capaz de apontar produtividade de variedades de cana

"Régua" será distribuída aos produtores, que precisam ter informações sobre clima e solo da região para poder utilizar.

O Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura de São Paulo, desenvolveu uma ferramenta com informações para que o produtor conheça, antes do plantio, o potencial da produtividade média de todo o ciclo da cana-de-açúcar. A ferramenta é uma régua que orienta o cultivo de acordo com a variedade, o ambiente de produção e as práticas de manejo.

Segundo o IAC, o novo recurso é fruto de 13 anos de estudos de solos e ambientes de produção em usinas localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Maranhão, Pernambuco e Bahia.

A régua será distribuída aos produtores e traz informações sobre o ambiente, classificado de acordo com a expressão da produtividade agrícola em conceitos que variam de uma escala até 20.

Na régua, as informações são ainda organizadas de acordo com os critérios de manejo básico e avançado da cana. "A régua registra variações das notas zero, com produtividade média de cinco cortes ou 50 toneladas por hectare, até a nota 20, que representa produtividade média de cinco cortes maior ou igual a 150 toneladas por hectare", informou o pesquisador do IAC responsável pelo trabalho, Hélio do Prado.

Segundo ele, para usar a ferramenta é necessário conhecimento prévio sobre o clima e a classificação do solo, de acordo com os 13 tipos existentes no Brasil.

Como usar

Com esses dois fatores, clima e solo, tem-se a nota no manejo básico ou avançado. De posse do resultado apontado pela régua, é feita a escolha de variedades, que se torna mais eficiente com o uso da ferramenta. (Canal Rural 26/08/2016)

 

Pragas e doenças da cana estão entre os desafios para as usinas

Uma das demandas das usinas de cana-de- açúcar de Mato Grosso do Sul é entender melhor a dinâmica das pragas e doenças da cultura para realizar o controle e melhorar a produtividade. Com esse objetivo, foi realizado o 3º Seminário do 2ºCiclo de Seminários Agrícolas de 2016, na Embrapa Agropecuária Oeste, no dia 18 de agosto, durante todo o dia. A realização foi da Biosul e da Embrapa, com organização da TCH Gestão Agrícola, e apoio da Famasul, Fundação MS e Sulcanas.

O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Asmus, lembra que o levantamento das demandas e os debates gerados nesses seminários, contribuem para melhorar os processos produtivos da região. Erico Paredes, assessor técnico da Biosul, ressaltou a importância das parcerias para a realização do evento da presença dos técnicos do Estado nos Seminários. "A rede entre os parceiros para os debates das demandas das usinas é uma forma de atendermos o setor sem sobrepor trabalhos".

Controle biológico

O chefe adjunto de P&D da Embrapa Agropecuária Oeste, Harley Nonato de Oliveira, falou sobre a importância de se conhecer a qualidade dos parasitoides para o controle biológico de pragas a serem utilizados, inclusive dos processos da criação deles. Tal importância recai também sobre as usinas que têm ou vão montar o próprio laboratório, porque precisam conhecer todos os procedimentos para desenvolver e melhorar o desempenho dos organismos benéficos.

"Quem produz cana e utiliza o controle biológico deve ficar atento às recomendações da pesquisa quanto a diversos fatores, como a qualidade e a idade do parasitoide, a forma de transporte e sua distribuição, o horário de liberação desses inimigos naturais na lavoura, a seleção de produtos fitossanitários quando se faz o controle químico, entre outros".

Entre as maneiras de se melhorar o desempenho de organismos benéficos no controle de pragas são qualidade dos parasitoides criados em laboratório; cuidado no transporte e nas liberações (confira a publicação neste link http://bit.ly/SOGG4K); período que a praga está apta a ser controlada pelo parasitoide; uso de produtos fitossanitários seletivos, entre outros. Oliveira também ressaltou que é de suma importância que sejam criados laboratórios de qualidade em Mato Grosso do Sul (atualmente, não existem laboratórios no Estado) e que os parasitoides a serem trabalhados sejam adaptados à região.

Pesquisas realizadas pela Embrapa Agropecuária Oeste, com apoio da UFGD, avaliaram efeito de stress por temperatura sob diferentes parasitoides de Diatraea saccharalis em laboratório. Resultados mostram diferentes comportamentos de inimigos naturais em relação às variações de temperaturas encontradas na região produtora de Dourados, MS. Os inimigos naturais adaptados às condições climáticas conseguem melhor desempenho.

Previsão do tempo

O pesquisador Claudio Lazzarotto, da Embrapa Agropecuária compilou informações do tempo a partir de dados de diversos institutos nacionais e internacionais para falar da previsão do tempo até o final do ano.

Ele lembrou que o fenômeno El Niño foi forte em 2015/2016, ocasionando excesso de chuva, o que saturou o solo. A partir de julho deste ano, o El Niño perdeu o efeito e a chuva parou, o que, segundo o pesquisador, tornou-se interessante para a cana, permitindo o processo normal de colheita. "Para cana de plantio também não foi um período ruim, porque ainda havia umidade suficiente no solo", disse.

A partir de setembro, haverá o estabelecimento da La Niña, com chuvas abaixo do normal. Lazzarotto explicou que para cana, diferentemente da cultura da soja, é bom tanto para a colheita quanto para o plantio, porque a planta armazena mais açúcar. Para o pesquisador, tudo indica que o tempo seja favorável tanto para o final da safra atual quanto para o início da próxima.

Fitonematoides

A pesquisadora Leila Dinardo, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) diz que análises de solos cultivados com cana-de-açúcar mostram que 97% das amostras analisadas têm o nematoide Pratylenchus zeae, 35% o Meloidogyne javanica; 20% o M. incognita e 35% o P. brachyurus.

Segundo Leila, os nematoides podem reduzir a produtividade da cana-de açúcar do primeiro corte de 20% a 30%; diminuir a produtividade das soqueiras de 10% a 20% por corte e reduzir a longevidade do canavial em cerca de um corte. No solo arenoso, os danos são mais severos do que em solos argilosos, "provavelmente devido à diferença de capacidade de armazenamento de água que nos arenosos é menor. Mas a população pode ser alta nos dois tipos de solo", afirmou.

A população de nematoides flutua com o tempo, de acordo com a deficiência hídrica no solo. Em tempo de seca, a população cai, em tempo de maior umidade, aumenta. Para obter amostragens, a pesquisadora recomenda realizá-las nas épocas chuvosas do ano: novembro a abril, em 1 ou 2 pontos por hectare. Para saber o nível de danos econômicos, é preciso fazer experimentações com cana planta e cana soca de diferentes variedades, tipos de solo, espécies e populações de nematoides, misturas de espécies, entre outros dados.

A partir dos resultados, o controle deve ser feito em áreas com média e alta infestação de nematoides. Mesmo com outras formas de controle, como a rotação de culturas a partir da renovação de canaviais, uso de torta de filtro e torta de manona, por exemplo, é necessário usar nematicida. "A cana é muito sensível. Em qualquer época de plantio, quando a população de nematoide é média ou alta, a cana deve receber nematicida no plantio", afirma a pesquisadora do IAC, Leila Dinardi.

Nutrição complementar

O engenheiro da Usina Cerradão, localizada no Triângulo Mineiro, Michel da Silva Fernandes, trouxe exemplos da realidade de onde trabalha para os técnicos presentes no evento. Segundo ele, o ATR da cana (Açúcar Total Recuperável, que representa a capacidade da cana-de- açúcar de ser convertida em açúcar ou álcool) tem caído ano a ano. "Depois de alguns anos difíceis, a previsão para 2016 é muito boa", disse.

Mas também lembrou que a nutrição complementar é importante para aumentar a produtividade da planta: calagem, gessagem, fosfatagem, adubação verde, adubação orgânica, adubação mineral no sulco do plantio (potássio e fósforo), adubação com micronutrientes via solo ou via tolete e via aérea. "A aplicação de micronutrientes auxilia muito e dá muita resposta. Zinco, boro e manganês, por exemplo, são indispensáveis", falou Fernandes.

O canavial bem nutrido possui um sistema radicular maior, o que, de acordo com Fernandes, contribui para o controle de doenças e pragas, melhora a resistência à deficiência hídrica. "Os solos da área da Usina, são pobres em micronutrientes. Nos experimentos que realizamos, a média de incremento é de 19 toneladas. A média de adubação no sulco e foliar é de 15 toneladas de incremento, em todos os experimentos", afirmou.

Gestão do manejo integrado de pragas

Sphenophorus levis (bicudo da cana-de- açúcar), Metamasius hemipterus (besouro-rajado-da- cana), Migdolus fryanus (broca-da- cana) são pragas que atacam a cana-de-açúcar. De acordo com o engenheiro agrônomo José Francisco, da Global Cana, um dos empecilhos no manejo é a identificação correta dessas pragas. "Em São Paulo, 150 municípios têm foco do Sphenophorus. Em Mato Grosso do Sul, é preciso monitorar. Produzem de quatro a cinco gerações por ano. Na seca, tem acúmulo de larva e no [período] úmido, de adulto", alertou Francisco.

Um dos problemas do besouro-rajado- da-cana é que, segundo Francisco, o inseto tem se comportado como o bicudo da cana. "É importante conhecer as adaptações das pragas, como vêm se comportando para conseguir fazer o controle", disse. Já para a broca da cana, Francisco falou que "o manejo deve ser mais pesado. É uma praga de difícil visualização, porque sai para acasalar e volta rapidamente para o colmo".

A indicação é realizar o monitoramento das pragas em quatro pontos por hectare (30% de cada talhão em 100% do talhão). No caso de barreira química, ele aconselha o uso de equipamentos com robustez, que atinjam de 30 cm a 60 cm de profundidade para realizar as aplicações de inseticidas.

Outra praga que acomete a cana-de- açúcar é a cigarrinha-das- raízes (Mahanarva fimbriolata), tema abordado tanto por José Francisco, engenheiro agrônomo da Global Cana quanto por Leandro Béber, engenheiro agrônomo da Syngenta. "Hoje, um dos grandes problemas, principalmente em áreas de expansão, é que há banco de ovos por causa das pastagens anteriormente cultivadas também com pastagens. Mas se fizer um controle bem feito, é possível conviver tranquilamente", afirma Francisco.

Entre as ações recomendadas por Francisco estão o desenleiramento da palha na linha para permitir que a insolação chegue até os ovos da cigarrinha (não é em toda região que isso é possível), e o uso de variedade de cana precoce e o recolhimento da palha em excesso.

"A metodologia de amostragem da cigarrinha é um desafio. Orientamos fazer a amostragem em quatro pontos de 2 metros por hectare, sendo 30% de cada talhão em 100% do talhão. Se o número de ninfas for acima de 2 ninfas por metro é necessário fazer a zona de manejo", disse o engenheiro agrônomo José Francisco.

Para Béber, a aplicação de produtos é necessária para controlar a praga. Mas um dos problemas averiguados é que muitas vezes as aplicações são mal feitas (aplicações em área total; bicos entupidos/desregulados; etc); com baixa dose de inseticidas; problema na qualidade da água de aplicação, entre outros. "A aplicação mal feita diminui a efetividade do controle", afirmou. (Embrapa 26/08/2016

 

Açúcar: Déficit crescente

Novas estimativas de déficit para a oferta mundial de açúcar na atual (2015/16) e na próxima safra (2016/17) deram sustentação aos contratos futuros da commodity no último pregão da semana passada.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 21,09 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 7 pontos.

De acordo com a consultoria FCStone, o consumo mundial de açúcar deverá superar a oferta em 9,3 milhões de toneladas na atual temporada. Na safra 2016/17, o saldo negativo deverá ser de 9,7 milhões de toneladas.

O déficit reflete a queda nos investimentos nos principais países produtores após os impactos do El Niño nas últimas safras.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 86,74 a saca de 50 quilos, alta de 0,97%. (Valor Econômico 29/08/2016)

 

SP: setor sucroenergético dá sinais de recuperação

Usinas de cana estão voltando a contratar, na expectativa de aumento nos preços de açúcar e álcool.

Depois de cinco anos em crise, o setor sucroenergético mostra sinais de recuperação. No interior de São Paulo, empresas voltaram a contratar, e a expectativa é que o aumento nos preços do açúcar e do etanol marquem o início de um novo ciclo.

Aos poucos a palavra crise vem deixando o vocabulário da empresa Molygrafit, que há seis anos fornece lubrificantes para moendas de usinas. no ano passado, as vendas para o setor sucroenergético tiveram queda de 15%. Agora, a expectativa é que o mercado volte a crescer. Até o fim do semestre, a empresa vai contratar mais vendedores e espera crescimento de pelo menos 10% no faturamento.

“Neste ano, a gente percebe que o mercado sucroalcooleiro está em franca recuperação. Hoje, é inclusive uma prioridade para a nossa empresa. Está indo bem, enquanto outros segmentos que nós atendemos não estão. Queremos até procurar novos clientes no setor sucroenergético”, diz Walter Martiny, diretor comercial da empresa.

Este ano, a safra começou mais cedo em São Paulo, principal produtor de cana do país. A produção total estimada para a safra 2016/2017 é de 650 milhões de toneladas de cana­de­açúcar. E o rendimento industrial previsto é de 134 quilos de ATR (Açúcar Total Recuperável) por tonelada.

No momento em que vários setores da economia acumulam prejuízos, o setor sucroenergético mostra sinais de recuperação. No interior de São Paulo, algumas usinas e indústrias de base voltaram a contratar. A expectativa é que a alta nos preços do açúcar e do etanol e o crescimento da biomassa marquem o início de um novo ciclo.

“Nós tivemos recuperação nos preços do açúcar e do etanol, um ganho de produtividade do etanol hidratado em relação à gasolina, o que trouxe novamente o consumidor. Nesta safra 2015/2016, houve um crescimento enorme do uso do etanol pelos carros flex. Substituímos mais de 40% da gasolina na frota de carros leves”, afirma Elizabeth Farina, presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar.

As indústrias de base, aquelas que fornecem máquinas e equipamentos para as usinas, registraram cerca de 6.000 demissões nos últimos dois anos em São Paulo. Houve uma redução de 70% no faturamento das empresas durante este período.

De acordo com o presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocomustíveis, Paulo Roberto Gallo, o cenário está mais favorável neste ano: “A gente já percebe uma melhora nos negócios fechados neste ano em relação a 2015. Uma recuperação ainda tímida e está longe do que foi em 2008, mas já mostra e sinaliza uma mudança importante nos rumos das coisas”.

Para a retomada de crescimento, uma das apostas do setor é a expansão da biomassa da cana, fonte de energia renovável produzida por meio de resíduos vegetais.

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mostram aumento de 6% na geração da energia no primeiro semestre deste ano. O bagaço da cana representou quase 90% de toda a matéria-prima utilizada no processo.

“No ano passado, a biomassa da cana representou 4% do consumo de energia do país, mas temos potencial para representar 25% até 2024. Isso mostra a importância estratégica da biomassa da cana para o país”, diz Zilmar José de Souza, gerente de Bioeletricidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). (Canal Rural 26/08/2016)

 

Credores aprovam recuperação da Renuka do Brasil

Os credores da Renuka do Brasil, que é dona de duas usinas sucroalcooleiras no Estado de São Paulo, aprovaram na última quinta-feira o plano de recuperação judicial da empresa. Controlada pela companhia indiana Shree Renuka Sugars, a Renuka do Brasil tem uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Com a aprovação dos credores, o plano de recuperação judicial agora precisa ser homologado pela Justiça. Em geral, a homologação de processos desse tipo demora entre 20 dias e 30 dias.

O plano foi aprovado por mais de 75% dos credores da Renuka. Entre os tipos de credores, apenas os da classe 2 (que inclui os bancos) não aprovaram o plano, mas o percentual de aceitação ficou acima de um terço, o que permitiu a utilização do mecanismo de "cram down", que prevê a aprovação do plano mesmo sem o aval de uma das classes.

Pelos termos do plano aprovado, a Renuka do Brasil leiloará a Usina Madhu, localizada em Promissão. A expectativa é que o leilão aconteça entre 90 dias e 120 dias.

Se a venda da usina for insuficiente para quitar 30% das dívidas, a Renuka terá de leiloar a Usina Revati, que fica em Brejo Alegre, ou pagar em dinheiro o montante para atingir os 30%.

O escritório Dias Carneiro, Flores, Sanches, Turkienicz, Amendola, Waisberg e Thomaz Bastos representou a Renuka do Brasil no processo de recuperação judicial.

Em julho, a Renuka Vale do Ivaí, braço do grupo indiano que tem duas usinas no Estado do Paraná, teve seu plano de recuperação homologado pela Justiça. A Renuka Vale do Ivaí tem dívidas de mais de R$ 700 milhões. (Valor Econômico 29/08/2016)

 

FCStone eleva previsão de déficit global de açúcar

A consultoria INTL FCStone estimou um aumento no déficit global de açúcar na safra 2016/17 (outubro/setembro) para 9,7 milhões de toneladas, em meio a uma quebra de safra no centro-sul do Brasil, o maior produtor global, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira.

O volume projetado é resultado de um aumento de 1,7 por cento na produção global em relação à safra 2015/16, para 176,44 milhões de toneladas, que não conseguiu compensar uma elevação na demanda mundial de 1,8 por cento, para 186,13 milhões de toneladas.

"Este aumento (na demanda) é resultado do crescimento esperado para as economias dos principais consumidores de açúcar, principalmente nos mercados emergentes, onde a urbanização e industrialização têm efeito considerável sobre o consumo do adoçante", disse o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

A estimativa anterior da consultoria apontava um déficit de 7,8 milhões de toneladas.

"Desde que esta estimativa preliminar foi divulgada até agora, a perspectiva para a produção de alguns grandes players foi reduzida e, pelo menos em parte, isso ainda se deve aos efeitos do El Niño."

Este fenômeno, que teve uma de suas ocorrências mais intensas da história, causou seca na entressafra de alguns países produtores e condições adversas para a colheita na safra de outros.

MOAGEM CAI NO CENTRO-SUL

Após seca e geada, centro-sul do Brasil deve processar 609,5 milhões de toneladas de cana na safra 2016/17, contra 619 milhões de toneladas estimados anteriormente, em maio.

A nova projeção indica queda de 1,3 por cento ante a safra anterior.

"Apesar da diminuição no volume de cana processada em comparação com 2015/16, a moagem desta safra ainda seria a segunda maior já registrada no centro-sul, representando diferença de 8,3 por cento acima da média das últimas cinco safras", comentou o analista Botelho.

Para a produção total de açúcar do centro-sul, a FCStone acredita que este ciclo deve registrar 34,3 milhões de toneladas, 10 por cento acima da safra passada e marginalmente superior ao recorde estabelecido na safra 2013/14.

"A maioria das empresas vem aumentando ao máximo a produção do adoçante para aproveitar os elevados preços oferecidos pela exportação deste em comparação com o etanol", disse o analista.

Já a produção de etanol deverá cair 4,7 por cento ante a safra anterior, para 26,8 bilhões de litros. Na estimativa anterior, a FCStone apontava uma produção de 27,6 bilhões de litros. (Reuters 26/08/2016)

 

Maggi solicita inclusão do açúcar na pauta de comercialização do Mercosul

Ministro da Agricultura pediu à Argentina, neste domingo, que produto brasileiro seja integrado ao bloco; resistência impede avanço das negociações entre Brasil e UE.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, aproveitou o encontro com o ministro da Agroindústria da Argentina, Ricardo Buryaile, neste domingo, na Expointer, para solicitar a inclusão do açúcar na pauta de comercialização do Mercosul.

O desejo brasileiro de integrar o produto ao Mercosul sempre esbarrou na resistência argentina. E, sem que isso aconteça, o Brasil não consegue avançar nas negociações para vender açúcar à União Europeia.

"Eu solicitei ao ministro argentino que o açúcar seja colocado para dentro do bloco", disse Maggi após sair do encontro. "Houve, por parte do ministro e dos seus técnicos que estavam presentes, a ideia de uma recepção favorável."

Maggi explicou que, para tentar convencer os argentinos, está deixando claro que o Brasil não busca tomar o mercado vizinho, mas sim obter o reconhecimento do açúcar como um produto pertencente ao bloco sul-americano.

"O Brasil coloca claramente a seguinte posição: 'vocês colocam as condicionantes'. Nós não queremos que o açúcar brasileiro invada o mercado argentino. Desejamos que o produto esteja reconhecido, para que a gente possa avançar nas negociações com a Comunidade Europeia", disse.

A expectativa do governo brasileiro é de que as conversas continuem. Este foi o terceiro encontro de Maggi com o colega argentino desde que assumiu o ministério, no governo do presidente em exercício, Michel Temer.

Maggi chegou ao Rio Grande do Sul neste sábado. Ontem, participou da abertura oficial da 39ª Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. Hoje, se reuniu com o Buryaile e com o ministro da Agricultura do Uruguai, Tabaré Aguerre. Depois, almoçou com lideranças do agronegócio gaúcho. A feira termina no dia 4 de setembro. (O Estado de São Paulo 28/08/2016 às 16h: 06m)

 

Unica rebate Maggi e diz que números do setor falam por si

A diretora presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, rebateu nesta quinta-feira, 25, as críticas feitas pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, de que o subsídio ao setor produtivo de etanol brasileiro atraiu ineficiência, principalmente da indústria estrangeira.

Farina, no entanto, evitou polemizar com o ministro dizendo que seria indelicado comentar as falas de Maggi sobre o setor, mas ponderou: "Não se deve fazer isso (comentar) a partir de certas frases ditas por ele, mas os números do setor falam por si próprios e devem ser levados ao ministro".

Segundo a presidente da Unica, desde meados da década de 70, com o advento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), e considerando os preços recebidos pelas usinas nas últimas três safras, os valores atuais são um terço dos que eram naquela época, atualizados pela inflação. "Além de o preço cair dois terços, a produção aumentou 20 vezes, só com ganhos de produtividade", disse Farina. "Em 40 anos, os ganhos de produtividade foram de 3% ao ano".

Farina citou que esses ganhos de produtividade seguem e lembrou dos investimentos de R$ 200 milhões feitos anualmente pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), bancados a maior parte pelo setor privado.

Ela alfinetou o governo em razão da política de controle de preços da gasolina para frear a inflação, que atingiu o etanol por causa da paridade entre os dois combustíveis. "O setor sofreu como resultado da política de controle de preços dos combustíveis. A retração da receita do setor atinge, desde 2005, R$ 10 bilhões por safra", afirmou a presidente da Unica.

Elizabeth Farina disse que já convidou o ministro para que ele visite usinas e fazendas de cana-de-açúcar. Maggi já visitou outros setores do agronegócio, como o fumo, maçã e café. "Estamos à disposição para receber a visita dele", concluiu. (Agência Estado 26/08/2016)

 

Assembleia de credores da Renuka do Brasil aprova venda da Usina Madhu

Após mais de um mês de discussões e assembleias adiadas, a maioria dos credores da Renuka do Brasil concordou no fim da noite de quinta-feira, 25, com a proposta da empresa sobre a venda da Usina Madhu, localizada em Promissão (SP) e com capacidade de moagem de 6,5 milhões de toneladas por safra. Apenas a Classe 2, composta por credores com créditos assegurados por direitos (garantia real), votou contra o plano, que tem por objetivo ajudar a companhia a quitar uma dívida de cerca de R$ 2,3 bilhões junto a bancos e fornecedores de cana-de-açúcar. As informações foram repassadas ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) pelo diretor Jurídico do grupo sucroalcooleiro, Tony Rivera.

A venda da Usina Madhu foi a solução encontrada pela Renuka do Brasil após o plano de recuperação original ter sido rejeitado. O documento previa, entre outros itens, carência de 24 meses para credores da Classe 2, pagamento integral da classe trabalhista (Classe 1) em parcelas mensais, além de carência de 36 meses para os quirografários (Classe 3). Já para as microempresas e empresas de pequeno porte (Classe 4), a amortização se daria em 12 meses. A venda da Usina Madhu foi levantada pela companhia em meados de julho.

A votação desta quinta-feira referente à proposta da Renuka do Brasil segue roteiro semelhante ao da Renuka Vale do Ivaí, com duas unidades produtoras no Paraná. No começo de junho, os credores da Classe 2 da Renuka Vale do Ivaí não concordaram com o plano de recuperação judicial, que prevê provisão de recursos para amortizar uma dívida de mais de R$ 700 milhões. A empresa se valeu do mecanismo "cram down", quando a decisão da maioria prevalece, e a Justiça acabou homologando o documento no dia 27 de julho.

A Renuka do Brasil entrou com pedido de recuperação judicial em outubro do ano passado. Além da Usina Madhu, também administra a Revati, em Brejo Alegre, no interior paulista. Juntas, as unidades têm capacidade instalada para processar mais de 10,5 milhões de toneladas por safra.

Tanto a Renuka do Brasil quanto a Renuka Vale do Ivaí são controladas pela indiana Shree Renuka Sugars, que tem capital aberto na Bolsa de Mumbai. No ano-safra 2015/16, encerrado em março, a Shree Renuka Sugars registrou prejuízo líquido de US$ 42,85 milhões (2,85 bilhões de rupias), montante 3,3% menor ante 2014/15. A receita líquida foi de US$ 880,84 milhões (58,62 bilhões de rupias) no ciclo (+2%). (Agência Estado 26/08/2016)

 

Para Arnaldo Jardim, mudança no cenário político é decisiva para retomada do setor sucroenergético

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou que a mudança no Governo Federal deve promover uma retomada definitiva do setor sucroenergético brasileiro. Para Arnaldo Jardim, a mudança de comando no executivo nacional traz melhores perspectivas para o etanol, o açúcar e a geração de energia por meio da cana. As declarações foram dadas durante o VI Seminário de Bioeletricidade Ceise BR|Unica, no dia 24 de agosto, em Sertãozinho.

De acordo com Jardim, nos dois governos federais anteriores, o fomento ao setor não era uma prioridade, com, inclusive, ações contra o desenvolvimento sucroenergético, como leilões de bioenergia sem condições justas de competitividade com a hidroeletricidade e artificialismo no preço da gasolina em detrimento do etanol.

O secretário afirmou que “as coisas patinaram durante um bom período. Mas a novidade agora é esta mudança política com reiteradas manifestações do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, de que um ajuste necessário virá. É uma nova disposição e uma nova postura”. Esta nova visão política, para Arnaldo Jardim, multiplicará o entusiasmo dos profissionais envolvidos na cadeia produtiva da cana.

O discurso otimista foi apoiado pela sinalização dada pelo representante do Ministério no evento, Márcio Félix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis. “Vejo no Brasil vibrante e pujante, uma cana-de-açúcar que está esperando para germinar. Nós do Ministério estamos comprometidos com esse desafio”, apontou, anunciando ainda que espera, até o fim do ano, “discutir e definir um conjunto de medidas que orientem o setor sobre seu papel, que é extremamente relevante”.

De acordo com Elizabeth Farina, presidente da Unica, apenas 16% deste potencial é utilizado. “Precisamos agora tirar do papel o potencial da biomassa. Podemos ir muito além”, afirma. Ela enumerou que em 2015 a biomassa gerou 20 terawatts para o setor sucroenergético, representando uma economia de 14% de água (usada para a produção de hidroeletricidade) em tempos de seca.

A prospecção da Unica é que o Brasil seja capaz de gerar com a biomassa da cana nada menos do que duas vezes a capacidade da hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo. Mas para isso faltariam incentivos do Governo Federal com medidas que facilitem a produção, a transmissão e a venda deste tipo de energia.

A dependência de incentivos do governo, no entanto, foi criticada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “O Brasil moderno precisa socorrer, olhar e cuidar em determinados momentos, mas ser permanentemente protecionista acho que não é o caminho correto”, declarou o ministro. Ele ainda completou: "Subsídio atrai incompetência em algumas áreas, não permite que os setores ganhem pela competitividade".

Ainda assim, o presidente do Ceise, Paulo Roberto Gallo, percebe com otimismo a troca de chefes do executivo nacional. “A questão energética tem que ser trabalhada em nível de Governo Federal, mas a conversa com o governo anterior não era amistosa”, lamentou, completando que “agora respiramos novos ares com este novo governo, há uma luz vinda de Brasília”.

Uma das mudanças esperadas é nos leilões de energia, que atualmente colocam lado a lado as produzidas pela água, pelo carvão, pela biomassa e pelo sol. Mas os custos de produção e transmissão não são os mesmos, o que eliminaria uma competitividade justa. (Governo do Estado de São Paulo 26/08/2016)

 

Alguém se atreve a vender açúcar a descoberto?

Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sessão de sexta-feira cotado a 20.61 centavos de dólar por libra-peso no vencimento outubro/2016, uma variação positiva de 84 pontos em relação à semana anterior (18.52 dólares por tonelada), enquanto o vencimento março/2017 fechou a 21.09 centavos de dólar por libra-peso, com um acréscimo de 81 pontos na semana (17.86 dólares por tonelada). Os demais meses de negociação fecharam, todos, com sinal positivo.

Nota-se que quando o mercado futuro ensaia uma realização de lucros aparecem os compradores retardatários que aproveitam rapidamente dos preços mais baixos receosos de perderem (outra vez) essa oportunidade. Consumidores finais de açúcar, em especial aqueles da Ásia, carregam a sensação de que os preços da commodity podem subir ainda mais e procuram paulatinamente refazer seus estoques. Alguns confessam que acreditavam, até maio passado, que o mercado futuro pudesse se depreciar ainda mais. Os compradores/consumidores mais otimistas, por exemplo, apostavam que veriam 11 centavos de dólar por libra-peso negociados na bolsa entre os meses de maio e junho passados, meses que historicamente, apresentam preços sazonalmente mais baixos. Hoje, com 11 centavos de dólar dá para comprar apenas meio libra-peso. Erraram feio.

Vários desses compradores retardatários lançaram mão da estratégia de vender puts (opções de venda) dentro do dinheiro (no março, preço de exercício de 22 centavos de dólar por libra-peso) para diminuir o custo final de aquisição do produto comparativamente ao preço negociado no futuro. É uma aposta. A queda da volatilidade implícita no prêmio das puts e o aumento do volume negociado delas corrobora com essa hipótese. É uma boa estratégia com risco bem calculado.

Analistas do mercado, não apenas do Brasil, mas também dos EUA e Europa, creem que os preços em NY chegarão próximos dos 25 centavos de dólar por libra-peso no vencimento março/2017, basicamente em linha com as projeções que fizemos aqui há algum tempo. No comentário semanal de 20 de maio, portanto há 100 dias, dissemos que nosso modelo de preço apontava naquela ocasião para o março/2017 negociando entre 20-21 centavos de dólar por libra-peso. Recebemos alguns e-mails jocosos sobre o fato. Modelos falham, mas esse deu certo.

Os fundos não-indexados mantem sua robusta posição comprada em 327,000 contratos em NY, aumentando um pouco em relação à semana anterior. Não parecem ter pressa de embolsar a enorme quantidade de dinheiro que estão ganhando mesmo rolando a posição de outubro/2016 para março/2017 com aparente perda no portfólio. Digo aparente porque o mercado propicia operações via derivativos que podem eliminar esse ônus.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou um trabalho sobre o impacto de mudanças no preço do petróleo na utilização de terras agriculturáveis e na demanda de etanol. O USDA estima que em 2020 (que para efeito de comparação utilizamos a safra 2020/2021) o Brasil vai produzir 817 milhões de toneladas de cana, sendo 50.8 milhões de toneladas de açúcar e 36.3 bilhões de litros de etanol. As estimativas da Archer são muito mais modestas: produção de 720 milhões de toneladas de cana, destinadas à produção 42.3 milhões de toneladas de açúcar e 30 bilhões de litros de etanol.

Como terão, então, que se comportar os preços no mercado internacional em 2020/2021 para se ajustarem a uma disponibilidade reduzida em 8.5 milhões de toneladas de açúcar e em 6.3 bilhões de litros de etanol? Resposta: via preço!!! Como também dito aqui recentemente, só um fator pode mudar significativamente a perspectiva de preços mais construtivos para as próximas safras: a queda significativa do preço do barril de petróleo.

Caso seja negociado por um longo período de tempo abaixo dos 40 dólares por barril, a perspectiva altista pode mudar de figura. Caso se confirmem preços do petróleo nos níveis de 48-52 dólares por barril, as chances são enormes de preços médios no açúcar em torno de 22-23 centavos de dólar por libra-peso. Se o preço do barril ultrapassar os 60 dólares por barril, aí o mercado pode ficar mais explosivo. Detalhe: o USDA coloca como chão do mercado, barril do petróleo a US$ 60 de 2017-2024 e como médio de 80-100 dólares por barril. Se isso for apenas razoável de colocar na equação, quem se atreve a ficar vendido açúcar à descoberto?

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, acredita que o dólar não vai se alterar muito por razões externas, embora não descarte que possa haver alterações em função de razões domésticas, o petróleo deve ficar em torno 50 dólares por barril, mas a demanda internacional por commodities agrícolas vai continuar muito forte. Mendonça de Barros vê uma melhora significativa nas expectativas do desempenho da economia recuperando o crescimento do PIB em 2017 para 2%, embora o desemprego continue crescendo. Com a aprovação do impeachment, a MB aposta que o fluxo de capitais para o Brasil pressione a taxa de câmbio que pode chegar a R$ 3.0000 por dólar.

A semana que vem será marcada pela defenestração definitiva da presidente Dilma Rousseff. Será a volta da farsante para o ostracismo de onde nunca deveria ter saído. Lula, seu mentor, foi indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, crimes ligados ao recebimento de vantagens indevidas (adoro esses eufemismos para uma palavra simples que é propina), etc. O Brasil está se livrando de vez dessa corja maldita de comunistas que chupou o sangue do Brasil nos últimos treze anos. Que Dilma, Lula e todos os demais “companheiros” tenham o destino que merecem.

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