Setor sucroenergético

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Etanol perde participação no consumo de combustíveis em 2016

O mercado do biocombustível tem encolhido neste ano como reflexo da preferência que as usinas têm dando para a produção de açúcar, que está mais lucrativo.

Para as usinas, os preços do etanol recuaram ligeiramente no último mês, mas seguem bem acima dos níveis de 2015.

Na semana entre 22 e 26 de agosto, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo ficou em R$ 1,5473 o litro, 1,5% abaixo do indicador de quatro semanas atrás, mas 31% acima do patamar da mesma semana do ano passado.

Para Martinho Ono, presidente da SCA Trading, essa leve queda dos preços para as usinas reflete o avanço da moagem da safra e deve ser interrompida com o início da entressafra

A participação do etanol hidratado no consumo de combustíveis caiu neste ano em relação a 2015. Em julho, o percentual recuou para 21,1% do consumo dentro do ciclo Otto (etanol e gasolina), ante 24,1% em igual mês do ano passado.

A desaceleração econômica fez o consumo de combustível cair 3,3% no ano, pesando mais sobre o etanol hidratado do que sobre a gasolina.

O consumo do hidratado, que era de 1,55 bilhão de litros em julho de 2015, e chegou a atingir 1,75 bilhão em outubro, ficou em 1,31 bilhão no mês passado. A queda foi de 15,5%. Já o consumo de gasolina ficou estável.

Esse recuo só não foi maior porque os Estados que adotam uma tributação diferenciada para o álcool tiveram quedas menores. É o caso de São Paulo, cuja desaceleração do consumo foi de 7% nesta safra, bem abaixo da média do país.

No mês passado, o consumo de etanol apresentou recuperação na comparação com junho ao subir 4%, conforme dados da ANP.

PREÇOS

A principal razão para a participação menor do hidratado são os preços.

O litro de etanol hidrata- do sai da porta das usinas, neste mês, com alta de 32% em relação aos valores de um ano atrás, conforme acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Esse recuo de consumo mostra que, apesar dos pontos positivos da utilização do derivado de cana, o preço é o que interfere na decisão da maioria dos consumidores.

Mas isso não vale só para os consumidores. As usinas também optaram por uma oferta maior de açúcar neste ano. Enquanto a produção de etanol hidratado caiu 1,3% nesta safra (abril a julho), a de açúcar subiu 26,1% na região centro-sul, conforme dados da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar).

O cenário deste ano, devido à oferta mundial de açúcar menor do que a demanda, é bem diferente. As negociações do produto estão com preços acima de 20 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, o dobro dos de há um ano.

TRATOR MOVIDO A BIOMETANO

Em até cinco anos, os produtores agrícolas fecharão mais um círculo de produção e de custos dentro da própria porteira da fazenda.

Deverá entrar em operação comercial um trator movido a biometano, um combustível limpo e sustentável.

Por ora um protótipo, o trator está sendo desenvolvido pela New Holland e será testado pela Itaipu Binacional.

O combustível para o novo trator poderá ser feito pelo próprio produtor, utilizando dejetos de animais ou restos de biomassa.

Com um biodigestor, o agricultor poderá produzir biogás bruto, que, após filtrado, passa a ser biometano.

Além de produzir o próprio combustível, o produtor poderá utilizar os resíduos sólidos que resultam dessa operação na própria lavoura.

O preço desse trator ainda não foi definido e deverá levar em consideração os resultados dos testes finais.

Recuperados

A produção de café da Colômbia parece recuperada. A colheita dos últimos 12 meses, até julho, rendeu 14,1 milhões de sacas, 8% mais do que em igual período anterior.

Ao porto

O aumento de produção recolocou a Colômbia com mais força no mercado externo. As exportações acumuladas em 12 meses, até junho, somam 12,9 milhões de sacas, 12% mais do que em período anterior.

Dias difíceis

Os dados são da Federação dos Produtores de Café da Colômbia, entidade que apresentava dias difíceis na produção de 2009 a 2011, quando a safra ficou abaixo de 8 milhões de sacas por ano.

Mais por menos

O volume exportado de carne bovina pela Argentina foi menor neste ano do que no anterior. Mas as receitas, segundo o IPCVA (um instituto de promoção da carne), subiram.

Quanto saiu

O volume embarcado caiu, de janeiro a julho, 13%. Já os preços subiram 7%. (Folha de São Paulo 30/08/2016)

 

Abengoa Bioenergia deve vender usinas em reestruturação

Unidades produtoras da empresa ficam no interior paulista; matriz espanhola fez acordo com credores para receber injeção de € 655 milhões.

A reestruturação financeira da Abengoa Bioenergia deve envolver a venda das duas unidades produtoras localizadas no interior paulista, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o diretor e porta-voz da companhia, Rogério Abreu dos Santos. "Com a situação da matriz equacionada, a tendência é de que as usinas do Brasil sejam vendidas", disse, referindo-se ao processo que se arrasta na Espanha e que deve ser concluído até o fim de outubro. As duas usinas da empresa ficam no interior de São Paulo, uma em Pirassununga e outra em São João da Boa Vista.

No último dia 11 de agosto, a matriz espanhola informou ter chegado a um acordo com seus credores e fundos de investimento para a reestruturação da dívida da companhia e injeção de capital de cerca de € 655 milhões.

A concordância de 75% dos credores, contudo, não foi alcançada, mas a expectativa é de que isso ocorra até 28 de outubro. "Está se caminhando para isso", garantiu Abreu dos Santos. Conforme o executivo, uma vez aprovado o plano, a Abengoa voltará a focar seus negócios em engenharia, desfazendo-se, assim, das operações sucroenergéticas no País. Em outras partes do mundo esse movimento já teve início, como nos Estados Unidos, onde a Abengoa vendeu, na última semana, cinco plantas da etanol por US$ 357 milhões.

Já no Brasil, o processo se arrasta desde o início do ano, e Abreu dos Santos admitiu que a expectativa era de que a conclusão ocorresse ainda no primeiro semestre. Mesmo assim, o diretor afirmou que a maior parte das dívidas já foi reestruturada. "Concluímos com os bancos que detinham dívidas menores. Com eles já temos os acordos feitos, os planos definidos. Com os quatro grandes bancos, estamos evoluindo dentro da normalidade", disse, acrescentando que essas quatro instituições são Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Braço sucroenergético do conglomerado espanhol, a Abengoa Bioenergia chegou ao País em 2007 ao adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Nas duas usinas da empresa no interior de São Paulo a capacidade instalada é de quase 7 milhões de toneladas de cana por safra.

No atual ciclo, iniciado oficialmente em 1º de abril, a empresa deve registrar moagem de 5,86 milhões de toneladas, ligeiramente acima da temporada anterior. De acordo com Abreu dos Santos, apesar de adversidades climáticas, o cronograma de safra se mantém, e a previsão é de que a colheita se encerre em dezembro. (O Estado de São Paulo 29/08/2016)

 

Compromisso do Brasil com etanol é questionado após polêmica sobre fim de isenção fiscal

Especialistas em biocombustíveis e mudança climática questionaram o compromisso assumido pelo Brasil em Paris de quase dobrar a produção de etanol para reduzir emissões de carbono, após críticas feitas pelo ministro da Agricultura e um provável movimento do governo para acabar com uma isenção fiscal para o etanol.

O Brasil se comprometeu no acordo do clima de Paris, em 2015, a aumentar a parcela de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel na matriz energética para 18 por cento até 2030, o que exigirá, de acordo com especialistas, uma produção anual de 50 bilhões de litros de etanol em 2030.

"Os compromissos brasileiros são bonitos no papel, mas até agora não passam disso: uma declaração", disse o diretor do Instituto de Energia e Meio-Ambiente, André Luis Ferreira.

As críticas de Ferrreira e outros especialistas seguem-se à revelação, na quarta-feira, de que o governo não pretende prorrogar uma isenção do PIS/Cofins nas vendas de etanol que expira em dezembro.

O fim da isenção vai tornar o biocombustível menos competitivo ante a gasolina nas bombas e levar os motoristas a voltar a abastecer com combustível derivado do petróleo, segundo os especialistas.

A indústria brasileira de etanol tem pedido há tempos por um tratamento fiscal diferenciado ante a gasolina, devido aos ganhos ambientais do biocombustível.

"O Estado não precisa gastar um centavo conosco, ele só precisa mostrar que quer mais biocombustíveis e...adotar políticas que reconheçam que nem todos os custos estão refletidos no preço cobrado nas bombas", disse Elizabeth Farina, chefe da associação de indústrias de cana-de-açúcar Unica.

Ela disse que a medida, se confirmada, é outro fator que pode levar usinas a mudar da produção de etanol para açúcar no próximo ano, uma vez que o adoçante já oferece margens bem melhores.

A corretora INTL FCStone estimou na sexta-feira que o centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana, vai produzir 26,8 bilhões de litros de etanol na safra 2016/17, 4,7 por cento menos do que na safra anterior.

Além da decisão sobre o imposto, comentários do ministro da Agricultura Blairo Maggi na quarta-feira enfureceram representantes do etanol.

Em uma aparente defesa do fim das isenções fiscais ao setor, Maggi disse que as usinas que dependem de ajuda do governo são ineficientes e que deveriam parar de pedir subsídios.

"Ele (Maggi) mostrou que não é familiarizado com o setor, com os mecanismos por trás da precificação dos combustíveis", disse o presidente da consultoria e corretora Bioagencia, Tarcilo Rodrigues.

Se o governo não reconhecer os benefícios ambientais e econômicos de uma indústria forte de biocombustíveis, a alternativa será importar gasolina, dada a falta de capacidade de refino no país, disse Rodrigues. (Reuters 29/08/2016)

 

Com foco na inovação tecnológica no campo, tradicionais empresas do setor apostam em projetos de Startups

O AgroStart é uma iniciativa pioneira para a gestão e aceleração de projetos de startups para o agronegócio. Projetos mais bem-sucedidos serão avaliados para possíveis investimentos e parcerias.

A BASF, empresa química líder em inovação, e a ACE, premiada como a melhor aceleradora de startups da América Latina, unem-se em um programa pioneiro para desenvolver e promover startups focadas em soluções para o agronegócio, o AgroStart. O programa inovador contempla todo o processo necessário para que a startup possa validar e escalar o seu negócio no mercado agrícola em um prazo de até seis meses.

Serão selecionadas empresas que tragam soluções para automatização, tomada de decisão, qualidade da vida no campo e gestão da lavoura, utilizando plataformas como Big Data, Internet das Coisas (IOT) e mobilidade.

“Enxergamos na inovação aberta a solução para encontrarmos respostas aos desafios presentes no campo e entendemos que o processo de co-criação é uma das mais ricas fontes de diferenciação para as empresas. Por isso, unimos a expertise de duas líderes em inovação para promover o desenvolvimento de startups que tragam boas propostas de tecnologia para a agricultura”, ressalta Fábio Del Cistia, Vice-Presidente de Marketing da BASF para Proteção de Cultivos na América Latina, reforçando o objetivo da empresa em ser referência na aceleração de startups para a agricultura na região.

A seleção para a primeira etapa do AgroStart começou nesta segunda-feira (29) e vai até o dia 18 de setembro. Os empreendedores interessados em participar do programa precisam oferecer soluções que auxiliem a cadeia agrícola em cinco importantes desafios: gestão da lavoura, automação no campo, gestão de estoques, agricultura de precisão e rastreabilidade. As inscrições podem ser feitas no site www.agrostart.basf.com.br e o programa se estende a startups de toda América Latina.

Nesta edição, três startups serão selecionadas e cada uma delas receberá recursos financeiros para desenvolver seus projetos. Os empreendedores contarão com o suporte metodológico, expertise, rede de mentores e parceiros da ACE, empresa que já acelerou mais de 70 startups desde 2012, e com todo o know-how da BASF, que conta com profissionais especializados em diversas áreas do agronegócio, acesso ao mercado na América Latina e uma cultura de inovação aberta.

“O agronegócio é um dos segmentos que acreditamos que mais será impactado pela revolução das startups. O programa AgroStart traz o melhor da metodologia comprovada ACE com o conhecimento e o protagonismo de uma das maiores empresas do mundo no agronegócio. Nossa visão é de longo prazo e tem o objetivo de colocar a América Latina no mapa global da inovação em AgTech”, comenta Pedro Waengertner, CEO e sócio fundador da ACE.

“Um programa de aceleração de startups que visa trazer soluções inovadoras ao agronegócio requer acompanhamento, gestão e mentoring, por isso BASF e ACE participarão de todas as etapas do projeto. Quem empreender no AgroStart irá oferecer à cadeia agrícola uma inovação tecnológica que mudará a gestão feita no campo, trazendo benefício tanto para quem utiliza as ferramentas como para os agentes que desenvolveram a solução”, reforça Fábio Del Cistia.

Ao final do programa AgroStart, a BASF avaliará oportunidades de investimento nos projetos mais bem-sucedidos, por meio de seu fundo próprio, BASF Venture Capital. O empreendedor também terá a possibilidade de estabelecer parcerias com a BASF em busca de funding, compra ou distribuição de seus produtos e/ou serviços, além de poder expandir seu negócio para até 20 países. 

Agro Digital BASF

O programa AgroStart faz parte da estratégia de Agro Digital da BASF, que está sendo implantada em toda América Latina com foco em fornecer soluções digitais (agTech) que tragam benefícios à cadeia agro através do conceito da Internet das Coisas (IoT).

“Nosso objetivo é que a BASF traga cada vez mais soluções digitais que contribuam de forma positiva no dia-dia da agricultura. O AgroStart é um dos passos mais importantes para consolidar e expandir a estratégia de Agro Digitalda empresa, buscando inovação tecnológica muito além dos nossos muros. Queremos que as startups recebam da BASF e da ACE o programa mais completo de aceleração em agro na América Latina.” destaca o gerente de Marketing Digital da América Latina da BASF, Almir Araújo Silva. (Assessoria de Comunicação Basf 29/08/2016)