Setor sucroenergético

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Açúcar: Efeito cambial

A alta do dólar ante o real momentos antes da conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado pressionou as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,56 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 45 pontos.

A moeda americana mais forte tende a estimular as exportações brasileiras, elevando a oferta no mercado internacional.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e registrou uma produção acumulada de 19,878 milhões de toneladas até o último dia 15 de agosto, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,02 a saca de 50 quilos, queda de 0,47%. (Valor Econômico 01/09/2016)

 

Grupo USJ sai de prejuízo para lucro de R$ 55,5 milhões no 1º trimestre

O Grupo USJ Açúcar e Álcool, dono de três usinas no Centro-Sul, obteve um lucro líquido de R$ 55,555 milhões no primeiro trimestre da safra 2016/17, encerrado em 30 de junho, após um prejuízo quase do mesmo montante no mesmo trimestre da safra passada.

A recuperação reflete a melhora tanto do lado operacional como na situação financeira. A receita operacional líquida saltou 58% na comparação anual, para R$ 129,143 milhões, enquanto o resultado financeiro líquido foi positivo em R$ 135,573 milhões, após um resultado financeiro negativo de R$ 49,699 milhões no mesmo período do ano passado.

Da receita, R$ 87,765 milhões foram obtidos com o negócio de açúcar e R$ 46,573 milhões com as operações de etanol, ambos superiores aos resultados do primeiro trimestre da última safra. As operações de energia elétrica, que não geraram nenhum faturamento no primeiro trimestre do ciclo passado, geraram no último trimestre uma receita de R$ 1,489 milhão.

Nas notas explicativas do balanço, a companhia afirma que essa recuperação decorre de “novas políticas de gestão”, entre elas a utilização da capacidade máxima de produção tanto na área agrícola como na área industrial, o que tem diluído os custos fixos e elevado a produtividade. Houve também impacto de alienação de ativos.

No lado financeiro, a companhia conseguiu reduzir as despesas financeiras em 18% para R$ 74,835 milhões. Segundo nota explicativa, a USJ conseguiu renegociar dívidas que venciam no curto prazo, o que não apenas foi responsável pela redução das despesas financeiras, como adequou os desembolsos ao fluxo de caixa.

Em maio, o grupo concluiu o alongamento da oferta de troca de notas, que venciam originalmente em 2019, para vencimento em 2021. Segundo a USJ, “essa operação vai resultar positivamente na saúde financeira da companhia”, com redução de alavancagem e do endividamento.

No último trimestre, a dívida líquida da USJ já recuou 22%, para R$ 1,047 bilhão. Também houve uma redução da participação da dívida de curto prazo (com vencimento de 12 meses após o encerramento do exercício), que passou a representar 19% da dívida bruta, ante uma parcela de 22% que representada no mesmo trimestre da safra passada.

A companhia ainda quadruplicou as receitas financeiras na comparação com o mesmo período da última temporada, totalizando R$ 131,265 milhões. (Valor Econômico 31/08/2016)

 

Unica: ajuste da oferta à demanda sinaliza alta menos expressiva na entressafra

Valor do produto nas usinas, sem impostos, atingiu uma média de R$ 1,50 por litro nas últimas quatro semanas.

A oferta de etanol hidratado está mais ajustada à demanda neste ano, e as cotações do biocombustível, utilizado diretamente no tanque dos veículos, dificilmente registrarão movimentos expressivos durante a entressafra de cana-de-açúcar, entre janeiro e março de 2017.

"O mercado está em equilíbrio e não sinaliza altas significativas", afirmou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues.

De acordo com o executivo, o valor do produto nas usinas, sem impostos, atingiu uma média de R$ 1,50 por litro nas últimas quatro semanas. Para os próximos meses, os contratos futuros da BM&FBovespa apontam para o litro a R$ 1,62 em dezembro, um pico de R$ 1,66 em janeiro e novo recuo, para R$ 1,64, em março, antes do início de mais uma temporada de cana no Centro-Sul do Brasil, disse Rodrigues.

A valorização sinalizada pelo mercado futuro contrasta com a registrada na última entressafra, quando o hidratado chegou a superar R$ 1,90 por litro. O reajuste feito pela Petrobras e a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina fizeram a demanda de combustíveis se voltar para o hidratado no ano passado, o que justificou a alta do álcool.

O consumo mensal do biocombustível chegou a bater recordes em 2015, com mais de 1,6 bilhão de litros. Segundo o diretor técnico da Unica, o cenário, agora, sugere demanda entre 1,2 bilhão e 1,3 bilhão de litros até o começo da safra 2017/2018.

Para ele, mudanças nesse padrão só ocorreriam via alterações na ordem do mercado. Mas, além de não haver no radar de curto prazo a possibilidade de reajustes na gasolina, também não há nenhuma possibilidade de revisões de safra pela Unica. "A moagem (de cana) continua confirmada entre 605 e 630 milhões de toneladas", explicou.

Pelos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela Unica, o consumo de hidratado carburante no Centro-Sul totalizou 1,23 bilhão de litros em julho, acréscimo de 4,58% sobre o mês anterior. Em São Paulo, principal estado consumidor de etanol do país, as vendas alcançaram 751,98 milhões de litros, com incremento de 4,11% sobre junho. (Unica 31/08/2016)

 

Chuva no Centro-Sul deve ajudar próxima safra de cana

As lavouras de cana do Centro-Sul, que vêm enfrentando índices pluviométricos distintos da média nesta safra, a 2016/17, devem receber mais chuvas no fim do inverno e início de primavera, o que tende a favorecer o próximo ciclo.

Para a primeira metade de setembro, a previsão é que as áreas produtoras da região recebam um volume de chuvas de 40 milímetros a 100 milímetros, concentrados no noroeste de São Paulo, disse Fabiene Casamento, meteorologista da Somar. Em apenas duas semanas, o volume já deve equivaler à quantidade que costuma chover em todo o mês de setembro.

Segundo a meteorologista, essas chuvas podem trazer "algum transtorno às lavouras porque podem vir com queda de granizo". A avaliação dos produtores, porém, é de que esse clima será benéfico.

"É muito saudável para a próxima safra. Não só porque estava seco até pouco tempo, mas porque, depois que se corta a cana, o broto vem com força por causa da água. E não tem cigarrinha e outros insetos que podem danificar a raiz da cana", avaliou Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana).

Para meados do mês, há previsão de uma onda de frio, mas ainda não há certeza se deve ocorrer geada. "Não devem ser como as últimas geadas, mas é preciso ficar atento", disse Casamento. Em julho, a ocorrência de geadas em algumas lavouras de São Paulo e Paraná atingiram a produtividade.

As precipitações devem diminuir de volume na segunda metade de setembro, mas devem voltar de forma "significativa" na primeira quinzena de outubro, sobretudo em São Paulo, Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás, permanecendo assim na segunda metade do mês.

Leal recorda que, no ciclo passado, as chuvas foram "excessivas" no fim da safra, o que prolongou a moagem e deixou cana em pé (bisada). Diante das previsões para o fim desta safra, ele crê que não haverá cana bisada na temporada que vem. (Valor Econômico 01/09/2016)

 

Variedades RB ocupam 65% das áreas de cana em SP e MS, segundo Censo Varietal

O estado de São Paulo é o maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, num ranking em que o Mato Grosso do Sul já figura em quarto lugar. Nestes dois estados, as variedades de cana mais cultivadas são da sigla RB, que designa os materiais desenvolvidos pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa).

Esta liderança foi confirmada pelo Censo Varietal 2016, divulgado no início do mês de agosto. Realizado pelo Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o recenseamento teve a participação de 124 unidades produtoras dos dois estados.

Estas empresas cultivam cana-de-açúcar em uma área superior a 3,72 milhões de hectares (cerca de 70% de todos os canaviais em SP e MS). Deste total, 65% são cultivados com variedades RB, patamar bem à frente de outras siglas de cultivares - SP (16%), CTC (14%) e IAC (2%).

Na área destinada à colheita de cana em SP e MS na safra 2016/17, as variedades que mais serão encaminhadas para moagem na indústria também serão RB, com participação de 65%, considerando uma área de 3,39 milhões de hectares.

Já nas áreas de plantio, as variedades mais utilizadas nas 124 unidades que participaram do Censo Varietal 2016 também são da sigla RB, ocupando 63% dos 332,57 mil hectares recenseados.

Variedades preferidas

A variedade que continua sendo a mais plantada nos dois estados é a RB966928, que ocupa 17,1% das áreas de plantio em 2016. Já em segundo vem a RB867515, com 16%. Das dez variedades mais plantadas em SP e MS, sete são RB (as outras são: RB92579, RB855156, RB855453, RB975201 e RB965902).

Nesta lista, destaque para a RB975201. Lançada pela Ridesa UFSCar em dezembro de 2015, a variedade já é uma das mais plantadas em SP e MS. O que chama a atenção de usinas e produtores são suas características, como alta sanidade, elevada produtividade, maturação tardia, ausência de florescimento e isoporização, e ótima brotação de soqueira em colheita mecanizada.

O Censo Varietal 2016 indica que a RB867515 mantém sua supremacia como a variedade mais cultivada em SP e MS, ocupando 25,3% da área, ante 26% no levantamento do ano passado.

Em segundo lugar vem a RB966928, que a cada ano ocupa uma área de cultivo maior nos dois estados. Em 2015 estava em 10,6% da área cultivada, e em 2016 já está presente em 11,1%.

O terceiro material mais cultivado nos dois estados também é uma RB, a RB92579, com 6,9%, ultrapassando a SP81-3250, que agora está em quarto lugar, com 6,2%. (UFSCAR 31/08/2016)

 

Produção de etanol nos EUA cai 0,49% na semana, para 1,023 milhão de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos caiu para 1,023 milhão de barris por dia na semana passada, volume 0,49% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,028 milhão de barris por dia.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 31, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês). Os estoques do biocombustível aumentaram 0,49% na semana encerrada no dia 26 de agosto, para 20,9 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 31/08/2016)