Setor sucroenergético

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Para aumentar lucro, usinas brasileiras aceleram vendas de açúcar

1) Raízen multiplicou por dez as vendas a termo no segundo trimestre.

2) Biosev vê oportunidade para ampliar geração de caixa na próxima safra.

Depois de alguns anos de vacas magras, as principais sucroalcooleiras estão aproveitando a cotação recorde do açúcar para faturar. O ritmo de vendas é o maior dos últimos anos, fazendo as projeções de lucro dispararem.

Maior exportadora do país, a Raízen Energia, joint-venture da Shell com a Cosan, anunciou ter vendido em junho 954 mil toneladas de açúcar para entrega em 2017. É um resultado dez vezes melhor que o do ano passado, e o maior volume vendido com tamanha antecedência desde 2010, de acordo com os demonstrativos financeiros da companhia. Segunda maior produtora, a Biosev, do grupo Louis Dreyfus, já vendeu perto de 645 mil toneladas antecipadamente, ou 40% das exportações previstas, frente a vendas irrisórias desse tipo em 2015.

A movimentação de vendas ocorre no momento em que os futuros de açúcar em Nova York quase dobraram em relação ao ano anterior, com a demanda projetada para a próxima safra ultrapassando a previsão de produção num ritmo que não se via desde pelo menos o ano 2000. É também a reversão de quatro anos de declínio em que os lucros do setor derreteram, levando quase 50 usinas brasileiras a fechar as portas e 70 a entrar com pedido de falência a partir de 2011.

Agora, com a cotação do açúcar em reais alcançando um valor recorde em julho, quem fechou vendas antecipadas pode vir a contabilizar margens de lucro acima de 50% (o dobro das margens atuais) com exportações na próxima safra, que começa em abril, segundo Arnaldo Luiz Corrêa, associado da Archer Consultoria.

“Está sendo uma oportunidade imperdível”, disse Corrêa em entrevista por telefone.

Ao fim de julho, cerca de 4,3 milhões de toneladas de açúcar da próxima safra brasileira já estavam contratadas na bolsa de futuros de Nova York. Isso corresponde a aproximadamente 16% das exportações previstas, configurando o melhor desempenho nas vendas de açúcar desde pelo menos 2012, quando a Archer começou a monitorar essas transações.

“Os preços estão muito atraentes, sinalizando uma robusta geração de caixa”, disse Rui Chammas, CEO da Biosev, em entrevista por telefone. A Biosev está estudando a hipótese de ampliar a capacidade produtiva de suas usinas de forma a poder destinar mais cana para a produção de açúcar e tirar máximo proveito do momento favorável do produto frente ao etanol. “Este ciclo de déficit produtivo ainda vai gerar oportunidades antes da colheita”, declarou.

A São Martinho, que normalmente começa a negociar sua safra em setembro, já tinha fechado ao fim de junho a venda de 151 mil toneladas de açúcar para entrega em 2017, o que equivale a cerca de 15% de sua produção de cana. O preço médio desses contratos ficou em 19,33 c/US$/libra, segundo informe divulgado pela empresa em 8 de agosto. O açúcar para entrega em outubro caiu 0,7%, fechando em 20,52 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. No ano, os contratos futuros tiveram um ganho de 40%.

Aquisições futuras?

O panorama favorável do açúcar fez disparar as ações das sucroalcooleiras listadas na bolsa. As da Cosan, que também tem participação em distribuidoras de combustível, dobraram de valor em relação ao ano passado, frente a um ganho médio de 26% das ações da Bovespa. Os papéis da Biosev também duplicaram de valor, enquanto os da São Martinho valorizaram 60%.

As ações da Cosan subiram 3,3%, alcançando R$ 37,78 às 15:00 desta segunda-feira em São Paulo, maior valor de fechamento desde outubro de 2014.

Para o analista Viccenzo Paternostro, da Credit Suisse, a venda de açúcar pela cotação atual permitirá que os grandes produtores, como Cosan e São Martinho, paguem dividendos maiores e venham a fazer aquisições.

A corrida das usinas para vender talvez seja um sinal de que as commodities agrícolas já realizaram a maior parte do seu potencial de alta. Na opinião da maioria dos analistas, as cotações do açúcar alcançaram o teto. Fiando-se numa média de previsões de analistas compilada pela Bloomberg, os contratos futuros negociados na ICE Futures devem cair para 18 centavos de dólar por libra-peso em 2017.

Na avaliação de João Alberto Abreu, vice-presidente de açúcar e etanol da Raízen, embora um movimento de vendas por parte de especuladores no mercado futuro americano possa causar uma queda da cotação no curto prazo, a perspectiva de um déficit crescente na produção global de açúcar, aliada a uma expansão limitada da produção brasileira, deve manter os preços em patamares atraentes no longo prazo.

Quitando dívidas

A cotação alta também traz esperança a empresas em situação complicada, como a Tonon Bioenergia, que no ano passado entrou em recuperação judicial após cair em inadimplência.

“As margens serão altas no ano que vem, o que permitirá que a empresa reduza suas dívidas”, afirma Antônio Duarte, gerente da DGF Investimentos, gestora de private-equity com participação na Tonon.

O real desvalorizou 33% frente ao dólar no ano passado, quando em meio a escândalos de corrupção e crise política o Brasil enfrentou sua pior recessão em um século, o que elevou o preço interno de commodities que costumam ser negociadas em dólar nos mercados de exportação. Embora a moeda tenha recuperado boa parte do terreno perdido com uma alta de 23% em 2016, inigualada no mundo, a cotação ainda está 26% abaixo da média dos últimos cinco anos. (Bloomberg 01/09/2016)

 

Açúcar compensa soja nas exportações

O sobe e desce dos preços e das quantidades exportadas de produtos agropecuários está garantindo um bom saldo para a balança comercial neste ano.

As expectativas iniciais eram de receitas menores neste ano devido à redução internacional dos preços das commodities.

Passados oito meses, a balança comercial perde receitas em alguns produtos, mas ganha força em outros.

A líder soja, apesar do recorde no volume exportado neste ano, tem empate nas receitas, em relação às do ano anterior.

Segundo a Secex, as exportações de soja em grãos renderam US$ 17,9 bilhões no ano. O volume exportado soma 48,2 milhões de toneladas, 5% mais do que em 2015.

A perda de ritmo das receitas da oleaginosa, em relação às dos anos anteriores, é compensada, em parte, pelo açúcar e pelo milho.

Com o déficit mundial da produção de açúcar, em relação à demanda, os preços ganharam força neste ano.

Com isso, as receitas com o produto renderam US$ 6,12 bilhões nos oito primeiros meses, 27% mais do que em igual período anterior.

Outro setor de destaque é o milho, cujas exportações recordes de 15,9 milhões de toneladas renderam US$ 2,65 bilhões até agosto.

O volume de exportações do cereal cresceu 141% no ano, enquanto as receitas subiram 66%, segundo a Secex.

As carnes, bovina, suína e de frango– também dão bom impulso à balança comercial. Mesmo com a queda externa de preços, as receitas somam US$ 7,7 bilhões neste ano, um valor próximo do de 2015 –US$ 7,8 bilhões.

Esses valores da Secex consideram apenas as exportações de carnes "in natura".

Chegou perto

As vendas externas de etanol renderam US$ 713 milhões de janeiro a agosto. O valor encosta nos US$ 728 milhões do suco de laranja.

Ritmo melhor

Os dados são da Secex, que indica evolução de 48% nas exportações de etanol e de 17% nas de suco de laranja no período.

Ainda ruins

As receitas com as exportações de minério de ferro e de petróleo, após um ano difícil em 2015, caem menos neste ano.

Os números

O minério de ferro, segundo item da balança, rendeu US$ 7,76 bilhões no ano, com queda de 18%. Já o petróleo, cujas exportações somaram US$ 6 bilhões, teve queda de 30%.

A passos largos

Há dez anos, as receitas com as vendas externas de soja representavam 7,6% do total das exportações brasileiras. Neste ano, estão em 19%.

Impulso no preço

O clima adverso na Flórida elevou os preços do suco de laranja para os maiores patamares em quatro anos. O primeiro contrato subiu 4,83% nesta quinta-feira (1º) em Nova York, para US$ 1,91 por libra-peso. (Folha de São Paulo 02/09/2016)

 

MT: usinas com 100% de produção de etanol de milho podem ser solução para produtores

Aprosoja e governo querem utilizar todo o potencial produtivo do grão do estado e ter ganho ambiental.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) está incentivando, junto com o poder público, a implantação de indústrias que tenham 100% da produção voltada para o etanol de milho. O objetivo é utilizar todo o potencial produtivo do grão do estado e ter um ganho ambiental na região.

O presidente da Aprosoja-MT, Endrigo Dalcin, explica que atualmente uma usina desse tipo já está sendo construída e existem mais três projetos em andamento. “Atualmente, nós já temos as usinas chamadas de flex, que são aquelas que utilizam a cana-de-açúcar e, na entressafra, usam o milho também”.

Dalcin afirma que o governo também está estimulando a ideia, através de incentivos fiscais para que a indústria se instale no estado. “Isso vem alimentar a cadeia de milho e verticalizar a produção de Mato Grosso”.

O assunto será tratado no 1º Congresso de Bioenergia de Mato Grosso, que acontece entre 12 e 14 de setembro. O objetivo é discutir soluções em energia limpa, renovável e sustentável no estado. (Canal Rural 01/09/2016)

 

Brasil quer o açúcar na lista de produtos livres de tarifas no Mercosul

O novo governo resolveu abraçar uma velha demanda dos usineiros brasileiros e deu início a negociações com os países parceiros do Mercosul para incluir o açúcar na pauta de produtos beneficiados pelo livre comércio dentro do bloco.

As articulações diplomáticas apenas começaram, mas têm foco na Argentina, país do bloco que mais resiste à idéia. Enquanto o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já tratou do assunto em duas ocasiões com o ministro argentino da Agroindústria, Ricardo Buryaile, o chanceler José Serra também já demonstrou o interesse do Brasil de liberar tarifas de importação sobre o açúcar no Mercosul à chanceler argentina, Susana Malcorra. O ministro do Desenvolvimento, Comércio e Indústria Exterior, Marcos Pereira, também levantou o assunto.

Os argentinos resistem à idéia defendida pelos setores público e privado brasileiros desde 1994, pois há pressão de produtores de cana-de-açúcar e de usinas das três Províncias ao norte do país, Jujuy, Salta e Tucumán, onde se concentra a produção de açúcar.

Os usineiros da Argentina têm receio de que o açúcar brasileiro inunde o mercado local caso o bloco libere as tarifas de importação hoje vigentes entre os países integrantes. A Argentina cobra uma alíquota de 10% para permitir a entrada do açúcar proveniente de usinas do Brasil.

"Já pedi ao meu contraparte na Argentina que o assunto seja tratado dentro do Mercosul e ele disse que levará a demanda ao presidente [Maurício] Macri", disse Maggi. "A Argentina não seria afetada, pois o Brasil aceitaria antes de tudo firmar acordos bilaterais para não afetar a economia argentina", acrescentou, dizendo que a idéia do governo brasileiro é aproveitar a maior abertura da gestão Macri, para levar a questão à deliberação do bloco.

A postura do governo Michel Temer atende a um apelo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul do país. Segundo Eduardo Leão, diretor-executivo da entidade, o açúcar figura como o único produto que ainda está de fora das listas de bens livres de tarifas no Mercosul, o que pode fragilizar as negociações do bloco com outras regiões. "Mas estamos dispostos a aceitar a criação de cotas de exportação para a Argentina, como acontece com o leite e o setor automotivo, para evitar uma abertura ampla do mercado deles para o nosso açúcar", avaliou.

Sem isenção de tarifa para o comércio de açúcar, o Mercosul representa um mercado marginal para as usinas brasileiras. No ano passado, o Brasil exportou US$ 182,6 milhões em açúcar para os países do bloco, cerca de 2% da receita obtida com o embarque da commodity para o mundo todo em 2015. A China, maior destino do açúcar brasileiro, importou US$ 817,7 milhões ano passado, quase 10% da receita total com os embarques do produto.

Uma fonte do Itamaraty confirma que o tema já está sendo tratado pelo governo mas mudanças aparentemente em curso no bloco, como a definição em torno do próximo país a assumir a presidência do grupo, podem acelerar ou atrasar o andamento da proposta internamente. (Valor Econômico 02/09/2016)

 

F&S Bioenergia prevê inaugurar em junho usina de etanol de milho

A F&S Bioenergia, joint venture entre a brasileira Fiagril a gestora americana Summit Agricultural Group, espera concluir em junho de 2017 a construção de sua primeira fábrica de etanol produzido exclusivamente a partir de milho com um aporte de R$ 450 milhões. A unidade está sendo construída em Lucas do Rio Verde (MT).

A companhia foi criada em 2014 para a construção da fábrica, que inicialmente terá capacidade de produzir 220 milhões de litros do biocombustível. A planta, porém, foi desenhada para que possa ser duplicada “se o mercado permitir”, afirmou Rafael Abud, diretor da F&S Bioenergia, ao Valor.

A fábrica terá capacidade de voltar toda sua produção para o etanol anidro (misturado à gasolina) como para o hidratado (que compete com o combustível fóssil). O objetivo, segundo Abud, é abastecer a demanda por etanol hidratado de Mato Grosso e a demanda por etanol anidro das regiões Norte e Nordeste, que depende da produção do Centro-Sul e eventualmente dos Estados Unidos. “Devemos colocar o etanol de forma competitiva no Nordeste”, avaliou o executivo.

A aposta na construção de uma planta de etanol exclusivamente a partir do milho se deve à oferta elevada do grão em Mato Grosso. “Há excesso de produção e os preços do milho ficam sempre depreciados. É uma oportunidade de comparar a preços baixos”, justificou Abud.

A planta também terá capacidade de produzir anualmente até 180 mil toneladas de farelo de milho, das quais 120 mil toneladas serão de farelo com alto teor de fibra e 60 mil toneladas de farelo com alto teor de proteína, além de 6 mil toneladas de óleo de milho.

Também serão instaladas caldeiras que permitirão gerar energia elétrica a partir de biomassa. A capacidade de cogeração será de 16 megawatt-hora (MWh) por ano, mas como o processo deve consumir 7 MWh, a capacidade de vender energia ao sistema integrado nacional ficará em 9 MWh, segundo Abreu.

A companhia deve utilizar um “mix” de biomassas para produzir energia e está avaliando a utilização de cavaco de madeira, eucalipto, bagaço de cana­de­açúcar, capim e palha de milho, (Valor Econômico 01/09/2016)