Setor sucroenergético

Notícias

Olam: Café e açúcar

Uma das maiores produtoras de café do Brasil, a asiática Olam pretende entrar no mercado de açúcar, com a compra de usinas sucroalcooleiras no país.

Não lhe falta caixa para isso.

Um dos acionistas da Olam é o Temasek, fundo soberano de Cingapura. (Jornal Relatório Reservado 05/09/2016)

 

Cosan quer ativos da Petrobrás e crescer no exterior

Rubens Ometto tem interesse na BR Distribuidora e em ativos de logística e gás dentro do plano de desinvestimentos da estatal.

Fundador de um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do Brasil, o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração do grupo Cosan, não descarta comprar ativos da Petrobrás que sejam complementares aos seus negócios.

Sócio da Shell na Raízen (terceira maior distribuidora de combustíveis do País), controlador da Comgás (maior companhia de gás canalizado) e dono da Rumo ALL (maior ferrovia nacional), o empresário disse que “tem interesse em tudo” e está aguardando os planos de desinvestimentos da estatal para saber quais empresas poderiam ser negociadas.

Tudo, nesse caso, seriam ativos da área de distribuição de combustíveis, BR Distribuidora, líder nesse segmento, logística e gás. “Refinaria é mais complexo. Estou esperando (a Petrobrás) divulgar o plano de desinvestimento estruturado para saber exatamente qual tipo de ativo vai ser vendido”, disse o empresário.

A compra da BR Distribuidora, alvo de cobiça da Cosan e de outros grupos, teria um complicador: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por causa da concentração de mercado.

Dados do Sindicom (entidade que reúne as distribuidoras) de 2015 mostram que a distribuidora da estatal tem uma fatia de 34,9%, seguida pela Ipiranga, do grupo Ultra, com 19,6%. A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, é a terceira, com 19,2%. Neste ano, o Ultra anunciou a compra da distribuidora Ale, a quarta, com 3,3% do mercado. A dona da rede Ipiranga também tem interesse na BR, desde que esse negócio seja fatiado para que ela possa comprar as redes da região Norte e Nordeste, evitando a concentração.

Dinheiro para o crescimento não é o problema, segundo Ometto. “Temos como bancar nossas aquisições com recursos próprios”, disse o empresário. A paralisia dos investimentos no País, provocada pela crise econômica, não inibiu os investimentos da Cosan. “Atuamos em mercados que não foram afetados pela crise”, afirmou. O grupo, segundo ele, também não enfrentou dificuldades em 2015, quando recorreu ao BNDES para financiar a aquisição da ALL pela Rumo.

Este ano a companhia prevê investimentos de R$ 5,1 bilhões, boa parte na Rumo All, Raízen e Comgás. Os planos de expansão da Rumo ALL, adquirida no ano passado pela companhia, prevêem aporte de R$ 9 bilhões nos próximos cinco anos. O grupo está em negociação para renovar as concessões da ferrovia, que é a maior transportadora de grãos do País. Há dois meses, fez uma captação no mercado, de R$ 2,5 bilhões, para injetar recursos na ferrovia.

Diversificação

Fundada originalmente como uma empresa de açúcar e etanol, nos anos 80, o grupo Cosan foi se diversificando e, com um faturamento de R$ 43,6 bilhões em 2015, está entre os cinco maiores do País, excluindo os bancos e a Petrobrás. A virada da Cosan ocorreu em 2008, quando o grupo comprou a Esso no País e, posteriormente, associou-se à Shell. Com a criação da Rumo, entrou no negócio de logística, incorporando mais tarde a ALL. Ao adquirir a Comgás, tornou-se uma das maiores empresas de energia do Brasil. Por fim, é ainda uma das maiores empresas de terras agrícolas do País.

Aquisições no segmento de açúcar e etanol não estão nos planos. “Somos líder absolutos nesse segmento. Não temos interesse em comprar nem de nos desfazer de ativos”, disse. Segundo ele, esse setor só deverá atrair novos investidores em três ou quatro anos, quando os problemas financeiros de boa parte desses grupos forem sanados.

Internacionalização

A intenção de Ometto, ainda sem um prazo definido, é internacionalizar o grupo. “Hoje, praticamente 99% dos nossos negócios estão no Brasil. É importante ter um portfólio diversificado e hedge em outras moedas”. A divisão de lubrificantes é a única da companhia que tem uma unidade fora do Brasil, na Inglaterra. “Faz parte dos nossos planos expandir fora, mas boa parte dos bons projetos está aqui.”

Empreender, afirmou Ometto, é um talento que ele tem. “Me perguntam se todas as minhas estratégicas tomadas foram de caso pensado. Eu sempre brinco que, apesar da pouca idade, vou fazer um livro de resumo das minhas histórias. Vou falar que tudo que fiz foi calculado. Não é verdade. Ser empresário no País é fácil. Difícil é ser banqueiro, que tem de emprestar dinheiro para todo mundo. Duro é receber de volta”. (O Estado de São Paulo 05/09/20016)

 

‘Foi feita a festa, mas a conta chegou’

Para Ometto, Temer é do ‘ninho político’ e terá condições de conduzir os ajustes necessários para a retomada da economia.

“Foi feita a festa. A conta chega e é preciso pagá-la”, diz o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do País, referindo-se à gestão da presidente Dilma Rousseff.

Mas, para Ometto, os sinais do governo de Michel Temer indicam retomada da economia do País. “Temer é do ninho político e terá condições para conduzir os ajustes necessários para que o País retome o crescimento. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Com o impeachment, o cenário é mais positivo para economia?

É uma decisão que tinha de ser tomada. Os empresários precisavam de uma definição mais clara sobre a economia.

O que deu errado na gestão de Dilma Rousseff?

Foram dois aspectos. O primeiro, o viés ideológico, de intervenção do Estado. Quando se tem uma economia liberal, há concorrência livre, salutar ao mercado. Havia uma política de controle de preços. A outra questão está atrelada à gestão, que foi mal conduzida, com o governo gastando muito, inchando o Estado.

Os sinais de recuperação agora estão mais claros?

Acredito que sim. Os movimentos do atual governo são mais claros, com maior participação da iniciativa privada e de redução do Estado na economia. Fui um dos primeiros a criticar a intervenção do governo nos preços dos combustíveis (em maio de 2014, ao receber o prêmio de empresário do ano em Nova York, Ometto fez duras críticas a Dilma).

Mas o Sr. tinha uma boa interlocução com a presidente...

Tive uma boa relação pessoal. Ela tem personalidade forte.

E sua relação com Michel Temer? Já esteve com ele e acredita que o diálogo será maior?

Estive pessoalmente com Temer um mês depois de ele assumir (o governo interino). Fui falar e ouvi-lo, me colocar à disposição para ajudar.

O Sr. acredita que Temer conduzirá bem as reformas?

O que é importante dizer é que Temer é do ninho político. Significa que ele gosta de política e tem uma boa relação com todos e sabe como agir. Dilma não gostava de políticos, o que dificultava a aprovação dos projetos (no Congresso). Ele tem uma equipe que sabe trabalhar bem politicamente e isso fará com que tenha condições de fazer as reformas necessárias.

E quais são as reformas necessárias?

Tributária, da Previdência e trabalhista. Nosso País é um inferno. Se todos chegam a um acordo (trabalhista, por exemplo), um decisão de um juiz muda tudo. A terceirização é saudável. Veja o caso das montadoras. Elas não produzem. Montam carros. Temer tem a oportunidade de fazer história no País porque se comprometeu a não se reeleger.

O Sr. é considerado um empresário ousado. O empresário precisa ser ousado para voltar a acreditar hoje no Brasil?

Esse negócio de ousadia é relativa. Depende de quem faz bem a conta. Eu sempre fui tido como ousado e meus negócios deram certo. Duro é ser ousado como Eike Batista (Grupo X) e Ricardo Mansur (Mesbla), que quebraram. Tem de fazer a conta bem feita e gerir bem o que você faz.

O Sr. se sentiu representado pela campanha do pato (da Fiesp)?

Não liguei para aquilo. Nem 8 nem 80. Foi feita a festa e a conta chega. O problema é ter eleito o dono da festa. Agora tem que se adaptar ao orçamento. O que quero dizer com isso? O aumento de imposto, se houver, tem de ser feito de maneira muito bem dirigida, com início, meio e fim. Se não, em cinco anos, quebra de novo. (O Estado de São Paulo 05/09/2016)

 

Dedini demite e fecha unidade no interior de SP

Empresa, que já foi a maior fabricante de equipamentos para usinas de açúcar e etanol do País, dispensou 100 funcionários e fechou as portas em Sertãozinho.

A Dedini demitiu nesta sexta-feira, 2, os 100 funcionários que ainda trabalhavam na unidade de Sertãozinho (SP) da companhia e fechou as portas da fábrica que chegou a ter 3 mil metalúrgicos.

A indústria de bens de capital está em recuperação judicial e, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do município do interior paulista, nenhuma justificativa foi dada para o encerramento das atividades e sequer houve formalização das demissões.

A empresa, que tem sede em Piracicaba (SP), já foi a maior empresa de base do País para a produção completa de usinas de açúcar e etanol. Nenhum representante da Dedini foi localizado na noite de hoje. "Os responsáveis pela Dedini simplesmente chegaram e mandaram todos os funcionários embora, afirmando que a empresa estava fechando suas portas. Isso sem dar nenhuma satisfação, e muito menos respeitar a assembleia marcada pela justiça para o próximo dia 19 com os credores da recuperação judicial", informou Samuel Marqueti, presidente do sindicato, que irá recorrer ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho.

Marqueti informou ainda que uma assembleia será realizada na próxima sexta-feira, dia 9 de setembro, às 9 horas, em frente à unidade da Dedini. Antes, durante a próxima semana, haverá reuniões com os funcionários demitidos, segundo o sindicalista. (O Estado de São Paulo 02/09/2016)

 

Estrutura dificulta interesse do Ultra e Raízen pela estatal

A decisão da Petrobras de vender a fatia majoritária do controle da BR Distribuidora dificulta a vida de duas interessadas: Ultra e Raízen, a associação entre Cosan e Shell. É uma questão de formato, pois o interesse nos ativos da Petrobras existe por parte de ambas.

A concentração de mercado que resultaria da união entre a BR e qualquer uma dessas concorrentes dificilmente passaria pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Qualquer das combinações resultaria em concentração de quase 60% do mercado.

A questão das marcas também é um desafio extra a ambas para co-controlar a BR. A Petrobras quer fortalecer a marca BR, e não o contrário. Ultra e Raízen têm suas próprias bandeiras, Ipiranga e Shell, e também trabalham pelo aumento de valor desses nomes.

A Petrobras está decidida a vender perto de 51% do capital votante da BR Distribuidora, desde que fique com a maioria do capital total, de 60% a 75% do negócio. Ultra e Raízen não conseguem participar em tal estrutura.

Fontes na Petrobras que acompanham de perto o processo disseram ao Valor que Rubens Ometto, controlador da Cosan, dona da Raízen junto com a Shell, tem ido à estatal, com firme interesse, tentar convencer a diretoria a vender parte dos ativos da distribuidora.

O empresário Paulo Cunha, do grupo Ultra, disse publicamente ter apetite semelhante, quando o plano ainda era levar a BR Distribuidora à BM&FBovespa em 2015.

Ometto e Cunha deixaram clara a disposição em pagar prêmio pelos ativos, de forma a serem competitivos em suas propostas. A diferença entre eles é que Ometto tem se esforçado para ser ouvido, conforme apurou o Valor. Já Cunha está como espectador, ainda que não menos interessado. Consultadas, Raízen e Ultra preferiram não comentar o assunto. Fontes que acompanham o tema de perto na estatal, porém, alegam que os valores sinalizados são baixos.

A BR Distribuidora foi um dos primeiros ativos que a Petrobras decidiu colocar à venda desde que aprovou um projeto de desinvestimentos de US$ 15 bilhões, no ano passado, para ser concretizado até o fim deste ano. O modelo para a venda da BR tem sofrido diversas modificações. No início, o plano era a abertura de capital, com uma oferta secundária de ações. Em seguida, vender até 25% do negócio.

Em julho, o conselho de administração da Petrobras decidiu pela alienação de 51% do capital votante da controlada, na tentativa de obter um valor maior pelo negócio. Fontes que acompanham o processo relatam que a decisão ampliou o interesse. Mas o processo de venda ainda não começou.

Com esse modelo, a Petrobras espera obter entre R$ 2,5 bilhões e R$ 4 bilhões por até 40% da BR, considerando um intervalo de oito a dez vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e a pesada dívida da empresa, a maior entre as concorrentes, de R$ 12 bilhões já líquida da posição em caixa. O valor final depende da independência que o comprador tiver.

Apesar de melhorar o interesse pela BR, a decisão da venda de fatia controladora não elimina desafios como a dívida R$ 5,4 bilhões que a Eletrobras tem com a empresa. Além disso, a Petrobras entende que o nome BR possui um valor que será colocado à disposição do sócio e, portanto, precisa ser remunerada por isso. A estatal quer ainda manter o controle sobre seu uso. Há também o debate sobre as lojas de conveniência BR Mania.

A despeito da quantidade de desafios, o Valor apurou que a Petrobras quer aprovar o modelo final na diretoria nos próximos quinze dias. Depois, a questão será, mais uma vez, submetida ao conselho de administração. Daí então é que o "teaser", ou alerta de venda, será disparado aos potenciais interessados pelo banco coordenador do processo, o Citi. As propostas vinculantes, de qualquer forma, só chegarão em 2017.

A falta de foco da gestão e a demora na venda têm levado a BR a perder participação de mercado (confira reportagem BR perde mercado para redes de bandeira branca), ou seja, valor. A BR perdeu 3,5 pontos percentuais de sua fatia líder, quase uma Ale, que foi há pouco adquirida por R$ 2,1 bilhões pelo Ultra.

A opção de vender fatia majoritária na BR está baseada na crença, pela Petrobras, que o modelo oferece três frentes de retorno. A primeira é a venda do controle, para uma co-participação, com prêmio. A segunda é a manutenção de uma fatia maior no capital total, que permitirá acesso à melhoria do retorno de uma gestão privada. Por fim, a terceira é a venda de ações, em potencial abertura de capital, quando os ganhos de eficiência e a melhoria na governança estiverem em evidência. (Valor Econômico 05/09/2016)

 

Açúcar: Alta especulativa

O cenário macroeconômico propício à tomada de risco pelos investidores alavancou as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York na sexta-feira.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,77 centavos de dólar a libra-peso, alta de 59 pontos.

Os dados mais fracos da economia dos Estados Unidos divulgados na semana passada reduziram a possibilidade de uma elevação da taxa de juros do país, o que favoreceu ativos de risco.

Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os fundos detinham um saldo líquido comprado de 285.488 contratos até o último dia 30.

No mercado interno, o Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 85,75 a saca de 50 quilos, queda de 0,80%. (Valor Econômico 05/09/2016)

 

Abengoa espera definir até o fim do ano renegociação das dívidas

A renegociação das dívidas de cerca de R$ 1 bilhão da Abengoa Bioenergia Brasil, braço sucroalcooleiro da companhia espanhola de energia Abengoa, deve se prolongar até o fim do ano. A empresa vem discutindo com seus credores um plano de reestruturação de seus débitos há meses.

"A empresa confirma que as negociações com os bancos credores avançam dentro do ritmo esperado e que, até o final do ano, já terá finalizados todos os contratos que ainda não foram renovados", informou a empresa, em nota ao Valor. Em 2015, a dívida líquida da companhia, segundo dados de seu balanço, era de R$ 949,170 milhões, 32,8% a mais do que no ano anterior.

Enquanto a negociação não chega a um desfecho, a companhia vem enfrentando processos na Justiça. Em 30 de junho, por determinação da juíza Ana Rita de Oliveira Clemente, da 2ª Vara do Foro de Casa Branca, foram arrestados mais de 169 mil toneladas de cana-de-açúcar em diversas fazendas da companhia após recurso da Amerra Latin America, um dos credores.

No início de agosto, a companhia chegou a divulgar uma nota afirmando que esperava uma conclusão do plano de reestruturação "nas próximas semanas". Segundo a agência Bloomberg, alguns credores, entre eles a Amerra, já concordaram em renegociar os termos de 45% da dívida da sucroalcooleira.

A Abengoa Bioenergia Brasil informou ao Valor, ainda, que "está buscando a entrada de dinheiro novo" para acelerar investimentos que a companhia pretende realizar em sua produção sucroalcooleira no país. Segundo a companhia, esses aportes visam o incremento da produção e a melhora de eficiência.

A sucroalcooleira também está buscando parceiros para investir na construção de uma planta de etanol de segunda geração (2G), que produza etanol a partir da biomassa da cana, uma vez que a base desse projeto já foi concluída. (Valor Econômico 05/09/2016)

 

Drones ajudam a avaliar genótipo da cana-de-açúcar

Com o uso de uma câmera termográfica embarcada em um drone, os cientistas da Embrapa têm agora à disposição uma técnica inovadora que proporciona maior rapidez na avaliação de plantas. As imagens capturadas permitem identificar e selecionar as plantas mais tolerantes a determinado tipo de estresse, a partir da temperatura da copa. Nesta perspectiva, a Embrapa Agroenergia adquiriu esses equipamentos para avaliar genótipos de cana-de-açúcar, utilizando as técnicas de fenotipagem de plantas por imagem.

O pesquisador da Embrapa Agroenergia, Carlos Sousa, responsável por esse trabalho, salienta que as novas ferramentas de fenotipagem de plantas que estão surgindo são complementares às técnicas tradicionais. Porém, os resultados obtidos possibilitam a avaliação de parâmetros que interferem na tolerância à seca ou a qualquer outro tipo de estresse abiótico (altas ou baixas temperaturas, salinidade, alumínio, seca, etc) em plantas.

Até o momento, utilizando a câmera térmica manualmente, sem uma plataforma para elevá-la acima da copa das plantas, somente conseguíamos tirar uma foto lateral do experimento, explica o pesquisador Carlos Sousa. "Estávamos fazendo o registro apenas das plantas que se encontravam na borda do experimento. A imagem capturada pela câmera a partir do drone nos possibilita uma visão geral da plantação".

A técnica de fenotipagem com base em imagens termográficas já vem sendo usada em experimentos com a cultura do milho dentro do projeto PHENOCORN, desde 2012, como modelo experimental. No caso do projeto com cana-de-açúcar, Sousa diz que o que se busca com a obtenção dessas imagens é identificar eventos geneticamente modificados que apresentem melhor desempenho a campo, em condições de seca. "Quando eu tiro uma foto geral dessas plantas é possível ver com maior precisão qual delas tem temperaturas abaixo da média e com isso apontamos qual delas está lidando melhor com o estresse hídrico", relata Sousa.

Para colocar em prática o uso da câmara térmica embarcada, nesta primeira semana de agosto, pesquisadores, analistas e bolsistas que desenvolvem pesquisas com cana-de-açúcar foram treinados com o objetivo de aprender a pilotar o drone. "Para nós, o treinamento foi fundamental, pois permitiu à equipe se inteirar desta nova ferramenta para o uso em condições experimentais.", destaca Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia.

Daqui a duas semanas, vão ser iniciados os sobrevoos a campo com o drone, o qual tem autonomia de voo de 30 minutos a 60km/h, com uma câmera de quase 1kg acoplada. Além disso, este drone oferece ótima estabilidade e versatilidade no uso de diferentes tipos e modelos de câmeras. "Atualmente os drones tem várias aplicações na agropecuária, pois pode-se sobrevoar grandes áreas e avaliar a copa da vegetação de forma rápida, precisa e com baixo custo" ressalta Sousa.

"Esta é uma ferramenta importante para o nosso centro de pesquisa, e que, se funcionar da forma planejada, poderá ser ampliada a outras culturas de importância agrícola" concluí Molinari. (Embrapa 02/09/2016)

 

Estiagem antecipa safra de cana em 45 dias na região de Piracicaba

Produtividade tem queda de até 15% devido às quebras, explica Coplacana.

Trabalhadores são dispensados mais cedo com produção mais curta.

A safra da cana-de-açúcar, na região de Piracicaba (SP), será mais curta neste ano, com antecipação de cerca de 45 dias, na comparação com os anteriores. O clima seco, com poucas chuvas, favorável à colheita, adiantou a produção, que geralmente termina em dezembro.

Somente na cidade, 70% da cana plantada já foi colhida neste ano, marca equivalente a 2,8 milhões de toneladas. No mesmo período de 2015, a produção atingia 60%.

Em 2016, a safra começou em 1º de abril e deverá se estender até, no máximo, a primeira semana de novembro, de acordo com o presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), Arnaldo Antonio Bortoletto (Foto).

Hectares

A região que abrange os 75 municípios da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi) tem aproximadamente 150 mil hectares.

A estimativa é que sejam colhidas 25 milhões de toneladas de cana. Desse volume, cerca 55% constuma ser destinado à produção de açúcar e 45% para etanol.

Trabalhadores

A antecipação da colheita da cana-de-açúcar tem impacto negativo aos trabalhadores, segundo Bortoletto. "Com a safra mais curta, eles também são dispensados mais cedo", lamentou.

Próxima safra

Apesar de atual período de estiagem ter sido favorável para a colheita, que não precisou ser interrompida pelas chuvas, a seca pode prejudicar a safra seguinte. "É difícil porque, na safra, é preciso parar de chover, mas depois, está no processo de plantar e ou já colheu, necessita de chuva para que a cana cresça de maneira adequada", ressaltou.

Queda na produtividade

E em relação ao desenvolvimento da cana-de-açúcar, a estiagem não foi positiva. Bortoletto explicou que a produtividade registrada no campo neste ano foi menor que o do ano passado, com uma variação negativa de até 15%, devido a quebras da planta. "A cana plantada no fim da safra passada está em colheita, durante período de chuvas, que provoca a compactação do solo", disse. (G1 02/09/2016)

 

Safra 2016/17 de cana se aproxima da metade com perspectiva de moagem 1,4% menor

A safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil está praticamente na metade, mas as perspectivas quanto à moagem já não são tão favoráveis quanto no início da temporada, em abril. Considerando-se as consultorias e instituições que revisaram suas projeções, o processamento neste ciclo ficará em torno de 609 milhões de toneladas, abaixo das 621 milhões de toneladas inicialmente previstas e também 1,4% inferior às 617 milhões de toneladas de 2015/16.

Os dados, compilados pelo Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), fazem parte das mais recentes estimativas de INTL FCStone, Datagro e Banco Pine. Em linha geral, o corte no tamanho da safra é resultado de várias adversidades climáticas neste ano, incluindo déficit de chuvas e geadas, combinados com canaviais envelhecidos e uma entressafra mais curta. Esses problemas frustram um setor que previa uma safra maior após dois anos seguidos de secas. Pelos dados mais recentes do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a redução na produtividade agrícola, medida via toneladas de cana por hectare, foi de 10% na primeira quinzena de agosto ante igual período de 2015. O número exato só será informado pela entidade em meados deste mês.

Em relação aos produtos, as novas previsões apontam para uma fabricação de açúcar na casa de 34,6 milhões de toneladas, 11% mais que as 31,2 milhões de toneladas do ciclo anterior. Já em relação ao etanol, a estimativa passou de 27,4 bilhões para 26,8 bilhões de litros, queda de 5% na comparação anual. Os números mostram que a perda na moagem será transferida para o álcool, já que o açúcar, mais remunerador neste ano por causa da alta do mercado futuro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), continuará com espaço no mix de produção.

Principal associação do setor sucroenergético nacional e uma das referências sobre o andamento da safra, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou ao Broadcast Agro que, por ora, mantém as previsões iniciais. A entidade estima moagem entre 605 milhões e 630 milhões de toneladas, com fabricação de 33,50 milhões a 35 milhões de toneladas de açúcar e de 27,5 bilhões a 28,7 bilhões de litros de etanol. (Agência Estado 02/09/2016)

 

Os fundos não vão desistir tão cedo – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em 20.18 centavos de dólar por libra-peso, queda de 37 pontos (pouco mais de 8 dólares por tonelada) no vencimento outubro/2016 em relação à semana anterior. Já o vencimento março/2017 fechou a 20.82 centavos de dólar por libra-peso, uma redução de 27 pontos no mesmo período. O spread outubro/março enfraqueceu mais 10 pontos na semana, mostrando que a demanda do físico continua aquém do esperado.

Há um mês que o mercado tenta realizar lucros fortemente e buscar a região dos 19.50 centavos de dólar por libra-peso, sem lograr êxito. Estamos vivendo um período de grandes oscilações no preço. Nos últimos quatro meses, por exemplo, assistimos as oscilações diárias (diferença entre a máxima e a mínima negociada no dia em relação ao fechamento do mercado no dia anterior) ultrapassarem 4.3%, em dezesseis ocasiões. Apenas no último mês isso ocorreu 5 vezes. A oscilação média em agosto foi de 61 pontos. Nesses quatro meses a oscilação diária foi mais ampla do que 61 pontos em 38 pregões, 10 pregões no último mês apenas.

Toda vez que o mercado se aproxima dos 19.50 centavos de dólar por libra-peso, uma avalanche de compras aparece. Será apenas coincidência que a posição em aberto das puts (opções de venda) de preço de exercício de 19 centavos de dólar por libra-peso seja a maior com mais de 10.000 lotes?

Temos razões de sobra para acreditar que, como dissemos aqui reiteradamente, a única coisa que pode mudar a trajetória do mercado de açúcar para patamares mais altos (23-24 centavos de dólar por libra-peso) é o preço do petróleo. Os fundos não-indexados continuam carregando sua pantagruélica posição comprada de 327 mil contratos e não nos parece que eles vão desistir dessa posição tão cedo, principalmente quando percebem do suporte que existe em torno dos 19-19.50 centavos de dólar por libra-peso, graças às tradings.

A curva ascendente do dólar via NDF (contrato a termo de dólar para entrega futura liquidado financeiramente) estimula algumas empresas a apontarem os lápis e anteciparem suas fixações em reais por tonelada dos contratos de exportação de açúcar para a safra 2018/2019. É isso mesmo que você leu. Algumas empresas querem aproveitar os excelentes preços em reais o vencimento maio/2018.

Com a possibilidade de um real estabilizado naquele vencimento futuro, segundo a estimativa de alguns conceituados economistas, o valor obtido hoje em reais por tonelada fazendo a fixação via esse instrumento financeiro só seria igualada se o mercado de açúcar em NY negociasse a 24.36 centavos de dólar por libra-peso, quase 600 pontos acima do que o maio/2018 negociava na sexta-feira. Pelo mesmo raciocínio, os preços médios em centavos de dólar por libra-peso para as safras 2017/2018 (maio, julho, outubro e março) e 2018/2019 teriam, em tese, espaço para subir 400 e 600 pontos, respectivamente, em relação aos níveis médios atuais.

Corroborando com essa tese, o modelo de previsão de preços da Archer Consulting aponta que o contrato futuro de açúcar em Nova Iorque poderá chegar aos 23.44 centavos de dólar por libra-peso até o final deste ano. No mês passado, o modelo indicava que no mês de agosto o preço médio de NY ficaria em 20.07 centavos de dólar por libra-peso, ficou em 20.01. A tendência de melhores preços adiante parece estar se confirmando. No acumulado do ano, a diferença entre o preço médio estimado e o realizado é de apenas 1.60%.

A dívida do setor, segundo levantamento da Archer no final de agosto, é de R$ 84,85 bilhões, sendo 34.7% dessa dívida em dólares americanos.

Acabou o pesadelo. O Brasil se livrou de Dilma e do PT que deverá tomar uma surra nas eleições municipais deste ano. Estamos longe da estabilidade, no entanto. Já seria muito bom se o governo olhasse com atenção para o mercado energético onde nos inserimos. Bastariam algumas medidas que trouxessem de volta a segurança que o investidor precisa para investir na expansão do setor, que teria potencial de consumir adicionais 225 milhões de toneladas de cana para os próximos cinco anos. Transparência na formação de preço dos combustíveis faria toda a diferença. Um nome como o de Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), por exemplo, para capitanear essas mudanças tão necessárias, também.

Caso você ainda não tenha o livro “Derivativos Agrícolas”, de minha autoria com o jornalista Carlos Raíces, faça o download gratuitamente clicando no link http://archerconsulting.com.br/livro/

Faltam apenas três semanas para o 26° Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos Agrícolas a ser realizado nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2016 das 9 às 17 horas em São Paulo - SP. Para mais informações contate priscilla@archerconsulting.com.br.