Setor sucroenergético

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A terra de Soros

Além dos chineses, o mega-investidor George Soros também é parte interessadíssima na aprovação do projeto que libera a venda de terras no Brasil para o capital estrangeiro.

A Adecoagro, da qual Soros é o principal acionista, já soma cerca de 200 mil hectares de propriedades rurais no país. E quer muito mais. (Jornal Relatório Reservado 13/09/2016)

 

Ex-ministro Antonio Cabrera deve retomar construção de duas usinas

Livre da sociedade que mantinha com a norte-americana ADM na usina de etanol de Limeira do Oeste (MG), Antonio Cabrera decidiu por uma trajetória independente no setor sucroalcooleiro, Vai retomar por conta própria a construção de duas usinas, projeto que foi cancelado pela ADM quando eram sócios.

Cabreira, ministro da Agricultura no governo Collor, vai pisar nas pegadas dos yankees.

Pretende comprar uma participação no capital da usina do grupo FIP Marseille. Adivinhem quem vendeu a planta industrial ao FIP Marseille? Adivinhão quem cravou a ADM. (Jornal Relatório Reservado 13/08/2016)

 

Etanol conquista espaço no mercado global

Derivado de cana começa a ganhar visibilidade como solução sustentável.

O etanol amplamente usado como combustível no Brasil, tem potencial para ganhar espaço em outros países. Quem avisa é Marcos Clemente (Foto) , gerente de pesquisa e desenvolvimento da Mahle e membro do grupo de inovação e competitividade do Sindipeças. O executivo participou do IV Workshop Legislação Automotiva, realizado por Automotive Business em São Paulo na segunda-feira, 12.

“O etanol está ganhando visibilidade global, com aumento do seu uso misturado à gasolina”, diz. O nível de emissões do combustível de cana-de-açúcar é menor do que o dos derivados de petróleo considerando todo o ciclo, desde o plantio até o uso no veículo. Esta característica, segundo Clemente, torna a solução interessante para outros mercados. “Em 2030 a União Europeia deve ter limite de emissões de apenas 40 gramas de CO2 por quilômetro rodado. O etanol pode ser uma saída para isso”, destaca.

O executivo lembra que a solução jamais terá a presença global da gasolina, por exemplo, já que a produção é mais limitada. O ideal, segundo ele, é que cada país ou região desenvolva a solução energética mais adequada. Em muitos casos, Clemente diz, o etanol pode ser uma opção interessante. (Automotive Business 12/09/2016)

 

Produção de etanol cresce 11% em julho comparada ao ano anterior

A produção de etanol foi de 4,0 bilhões de litros em julho, 11% maior que a produção do ano anterior. Destaque para a produção de anidro que foi de 1,7 bilhão de litros, aumento de 20% em relação à safra anterior.

Já a produção de hidratado foi de 2,3 bilhões de litros. Em julho, o consumo de etanol foi de 2,2 bilhões de litros, sendo 0,9 bilhão de litros de anidro e 1,3 bilhão de litros de hidratado. Em 2016, já foram consumidos 14,9 bilhões de litros de etanol. (Brasil Agro 13/09/2016)

 

Mato Grosso busca seu futuro na energia renovável

Mato Grosso discute o potencial e o futuro da bioenergia no Estado. Líder nacional no setor agropecuário, o Estado tem um grande potencial de crescimento na área.

Com uma participação nacional na geração de energia de biomassa inferior a 10%, a estrutura produtiva do Estado permite avanços bem maiores.

"O Centro-Oeste é uma caixa de força", diz Plinio Nastari, da Datagro, consultoria especializada em agronegócio. E isso vai permitir uma grande realocação agroindustrial para a região, principalmente para Mato Grosso, segundo ele.

O potencial do Estado na geração de energias alternativas é incontestável, mas a concretização desse setor passa pela necessidade de adoção de políticas públicas.

Esse é o consenso geral de participantes do primeiro congresso de bioenergia do Estado e do terceiro congresso do setor sucroenergético, realizados pelo Sistema Famato e Aprosoja, em Cuiabá, nesta terça-feira (13). O evento continua nesta quarta (14).

Glauber Silveira diz que sem essas políticas públicas o potencial mato-grossense servirá apenas para o fornecimento de matérias-primas para Estados vizinhos.

Na avaliação dele, em cinco anos, boa parte das usinas do norte de São Paulo, do oeste de Goiás e as de Mato Grosso do Sul serão flex. Ou seja, além da utilização da cana-de-açúcar, vão usar também o milho na produção do etanol.

O aumento de produção de milho em Mato Grosso fará com que as usinas desses Estados vizinhos sejam beneficiárias não só dos preços competitivos do cereal mas também do bom potencial de energia vinda do bagaço da cana que elas têm. "Sem política para o setor, Mato Grosso não avança" diz ele.

Nastari diz que essa mudança de parte das usinas paulistas pode até ocorrer, mas que Mato Grosso ainda continuará sendo atrativo para a produção de etanol de milho, devido aos confinamentos e à utilização do DDGS (resíduo proteico que sobra da industrialização do milho).

Mas é preciso a busca de equacionamento e carga tributária que traga equilíbrio entre custos e renda compatíveis para o setor de biomassas, afirma Piero Parini, presidente do Sindalcool-MT (sindicato das indústrias sucroalcooleiras do Estado).

O preço dessa energia limpa tem de internalizar os benefícios que o produto está gerando para a sociedade, segundo Nastari. Ele também vê a necessidade de uma regulação para gerar e sustentar investimentos. "Regulação, no entanto, não é intervenção", diz.

O presidente da Datagro acredita em rápido avanço da demanda da energia renovável e destaca a chegada do carro elétrico movido a combustível líquido, um dos projetos de uma empresa japonesa para os próximos três anos.

O carro vai extrair o hidrogênio do etanol e convertê-lo em eletricidade. Com isso, está resolvido o problema da logística do carro elétrico, uma vez que o país tem 35.200 postos que fornecem esse combustível, diz ele. Com um tanque de 30 litros de etanol, a autonomia do veiculo será de 600 quilômetros.

A produção de biomassa é uma boa diversificação para o produtor. Etanol de milho, biodiesel de soja, biometano e tantas outras fontes de energia poderão reduzir custos de produção dentro da porteira e dar diversidade e segurança ao produtor em períodos de altos e baixos.

Dados da Datagro indicam que a renda anual por hectare com na cadeia do boi é de R$ 1.093, abaixo dos R$ 3.459 com a soja e ainda mais abaixo dos R$ 10.256 provindos da cana. A diversificação, além de dar mais oportunidades para a produção de energias renováveis, traz uma renda diferenciada.

Para Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa, o mundo está aprendendo a consumir energia. Cresce a eficiência energética e isso favorece a busca por energias renováveis. Além disso, a China é uma grande investidora nas diversas opções de energia, barateando os custos ano a ano.

Luiz Fernando Marinho Nunes, presidente da Petrobras Biocombustíveis, também destaca a necessidade de políticas públicas voltadas para direitos assegurados ou reconhecimento da importância desse bem pela sociedade.

Quanto à Petrobras Biocombustível, ele diz que esse não é o momento de priorizar investimentos, mas o de encontrar rentabilidade para os que já existem.

O biodiesel é um dos destaques entre os combustíveis renováveis. Com 77% do produto vindo da soja, Mato Grosso, o líder nacional na produção da oleaginosa, deve elevar a participação na produção desse combustível, segundo Donizete Tokarski, diretor-presidente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene). (Folha de São Paulo 14/09/2016)

 

Déficit acumulado de açúcar deve atingir recorde de 16 mi ton, diz Datagro

O déficit na produção de açúcar deve atingir um acumulado recorde de mais de 16 milhões de toneladas nas safras globais 2015/16 e 2016/17, projetou nesta terça-feira, 13, o presidente da Datagro, Plinio Nastari. "Nunca tivemos um déficit acumulado tão grande", frisou durante palestra no 1º Congresso de Bioenergia de Mato Grosso, em Cuiabá (MT).

As estimativas consideram um déficit de 7,72 milhões de toneladas na atual temporada, que se encerra em 30 de setembro, e outro de 8,89 milhões de toneladas no ciclo que se inicia em outubro e vai até setembro do ano que vem. Os déficits esperados, se confirmados, encerrariam cinco safras consecutivas de excedente. Na última, a 2014/15, o superávit havia sido de 3,67 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com Nastari, tais déficits reduzirão a relação entre estoques e consumo. No ciclo anterior, tal relação foi de 48,7%, devendo cair para 43,5% em 2015/16 e para 37,9% em 2016/17. Esse porcentual indica que, na safra global 2016/17, 37,9% da demanda mundial poderá ser suprida apenas com as reservas do alimento, em detrimento da produção. Historicamente, quando a relação se aproxima dos 30%, há reação dos preços da commodity na Bolsa de Nova York.

Combustíveis

O presidente da Datagro também comentou que, dada a queda do petróleo no mercado internacional, os preços internos dos combustíveis estão hoje até 50% acima dos praticados lá fora. No caso da gasolina, o valor aqui supera em 31,43% o registrado na média mundial. Já em relação ao diesel, a superação é de 49,62%. (Agência Estado 13/09/2016)

 

Unica comemora ratificação do Acordo de Paris

Para a instituição, com a homologação do Acordo de Paris pelo presidente Michel Temer, o Brasil dá um passo crucial rumo à chamada economia de baixo carbono.

Na manhã da segunda-feira, 12 de setembro, o presidente Michel Temer ratificou o Acordo do Clima em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), presente na cerimônia de assinatura do documento, trata-se de um fato histórico. Segundo nota enviada para a imprensa, a Unica comemora que o País “finalmente transformou intenções em compromissos legais”.

De acordo com o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão de Sousa, a proposta brasileira de combate às mudanças climáticas foi uma das mais arrojadas devido ao enorme potencial que o País apresenta em relação às fontes energéticas não poluentes.

“Com a aprovação final do Acordo, estamos mostrando à sociedade brasileira e ao mundo que podemos ser protagonistas neste processo de transição para um desenvolvimento sustentável. De agora em diante, temos que fazer a lição de casa e elaborar um plano ambicioso para a efetiva implantação das metas previstas para 2030. Para que isto ocorra, os investimentos precisam ser iniciados o quanto antes”, avalia Eduardo Leão.

O Acordo de Paris, celebrado na capital francesa em 12 de dezembro de 2015 e posteriormente assinado em Nova York, no dia 22 de abril deste ano, tem o objetivo de limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, determina metas individuais de cada país para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O Acordo só entrará em vigor depois que 55 países, que juntos representem o total de 55% das emissões globais apresentarem seus instrumentos de ratificação.

No caso do Brasil, a proposta é reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025 e de 43% até 2030 (com base nos níveis de 2005). Tais metas incluem a maior participação de fontes renováveis na matriz energética, tais como a energia elétrica gerada a partir da biomassa, com previsão de crescimento de mais de 300% em relação a 2014, e do etanol, cujo consumo estimado no País passará dos atuais 28 bilhões de litros por ano para mais de 50 bilhões em 2030.

Aspas para o etanol

Durante evento no Palácio do Planalto, o ministro do meio ambiente, Sarney Filho, ressaltou “o papel fundamental dos biocombustíveis, especialmente do etanol de cana, para garantir o cumprimento das metas do plano brasileiro de combate às mudanças climáticas”.

Na mesma linha, o atual ministro das relações exteriores, José Serra, também alertou sobre os benefícios econômicos e socioambientais do biocombustível sucroenergético, defendendo que “o etanol deve tornar-se uma commodity global, sendo produzido no mundo todo”.

Também presente no evento, o ex-deputado e atual diretor executivo do Centro Brasil no Clima (CBC), Alfredo Sirkis, criticou o subsídio à gasolina em detrimento de medidas de apoio ao etanol no Brasil. De acordo com o especialista, o País deixou de investir em programas para estimular e tornar mais competitivo o etanol, como o Proálcool, por exemplo.

O ministro da agricultura, Blairo Maggi, que recentemente criticou o setor de etanol por depender de subsídios do governo, não estava presente na cerimônia. (Unica 13/09/2016)

 

Indústria pagou cientistas para minimizar risco do açúcar à saúde

Entidade do setor teria atuado para minimizar relação entre produto e doenças coronárias.

A Sugar Research Foundation, nos Estados Unidos, chegou a pagar US$ 48.900 (em valores atuais) a pesquisadores por um artigo que, publicado pelo "The New England Journal of Medicine" (NEJM) em 1967, minimizou o consumo de açúcar como fator de risco para doenças coronárias. A revelação é de um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico científico "JAMA".

O artigo "Sugar industry and coronary disease research: a historical analysis of internal industry documents" ("Indústria do açúcar e pesquisa sobre doença coronária: uma análise histórica de documentos internos da indústria") é assinado por Stanton Glantz, da Universidade da Califórnia, e outros dois pesquisadores. Eles se debruçaram sobre documentos sigilosos e outros registros históricos da Sugar Research Foundation (SRF).

Na década de 50, começaram os primeiros debates sobre a possível influência do açúcar nos problemas cardiovasculares. A pesquisa publicada no NEJM foi a primeira financiada pela fundação e classificou como limitados os métodos das pesquisas que associaram o açúcar a um fator de risco.

Segundo o estudo do JAMA, porém, a SRF participou de todo o processo, desde a determinação das metas para a pesquisa até a revisão de rascunhos. No trabalho final, a gordura e o colesterol figuraram como os fatores de riscos principais para doença. Somente em 1984, o "New England Journal" passou a aplicar uma política de conflito de interesses para as publicações científicas, exigindo a divulgação de valores e condições dos financiamentos a pesquisas.

Analisando outros documentos, pesquisadores sugerem que a indústria do açúcar patrocinou diferentes pesquisas entre 1960 e 1970, que minimizaram, com êxito, o papel do açúcar como fator de risco de diversas doenças. O Programa Nacional de Cáries, do Instituto Nacional de Pesquisa Dentária, por exemplo, teria sido influenciado a mudar o foco, nos tratamentos dentários, da restrição à sucrose para intervenções diretas em cáries dentárias.

Provavelmente como resultado de todo esse lobby, em 1980, poucos cientistas acreditavam que os açúcares tivessem um papel significativo na doença da artéria coronária. Hoje, a relação entre o açúcar e a doença ainda está em aberto, mas os autores do estudo sugerem que as políticas públicas deem menos peso a pesquisas financiadas pela industria alimentícia. (O Globo 13/09/2016)