Setor sucroenergético

Notícias

Serra avança em defesa do setor de açúcar e etanol

O chanceler José Serra vai acabar tendo sua estátua erguida pelo setor sucroalcooleiro. Serra negocia com o presidente Mauricio Macri, a redução de 10% para 5% da alíquota de importação de açúcar pela Argentina.

Conseguiu ainda o apoio do dirigente portenho para que o Mercosul somente aceite retomar negociações com a União Europeia se o etanol for incluído entre os itens do acordo de livre comércio. (Jornal Relatório Reservado 14/09/2016)

 

Preço do açúcar tende a seguir em alta

A despeito dos esforços das usinas brasileiras para maximizar a produção de açúcar tanto na safra atual como para a próxima, analistas acreditam que o aumento da oferta do país será incapaz de reverter a trajetória de alta dos preços, que se aproximam dos maiores patamares da história.

Para esta safra, a estratégia das usinas tem sido aumentar a parcela do caldo de cana destinado à produção de açúcar. Para a próxima, algumas empresas estão investindo para elevar a capacidade de fabricação do produto, permitindo um "mix" mais açucareiro.

Apesar dessas indicações vistas nos últimos meses, os preços do açúcar se mantêm nos maiores patamares desde 2012, tanto em dólares na bolsa de Nova York como em reais, ainda que, a partir de junho, o ritmo de alta tenha diminuído.

Em agosto, o preço médio do açúcar VHP (de polarização muito alta) ficou em R$ 66,15 a saca e, na última sexta-feira, já estava em R$ 79,64 a saca. O valor é maior desde maio de 2012, considerando uma série de preços de 14 anos elaborada pela consultoria FGA sem tendência, que desconta os preços pela inflação do setor. Nesse período, em apenas 12% das vezes os preços deflacionados ficaram entre R$ 72,01 e R$ 80,80 a saca. E, se as cotações continuarem subindo, podem ir para a faixa mais alta de preços, acima de R$ 80,80 a saca, ocorrido apenas 4% da vezes.

A última vez em que os preços alcançaram essa faixa mais alta de preços foi entre 2010 e 2012, quando a produção brasileira sofreu uma forte quebra em decorrência de problemas climáticos. Segundo Gustavo Correa, sócio da FGA, esse ciclo foi sucedido rápida e longamente por um período de baixa porque houve recuperação no nível de produção e porque a frustração com a política para o etanol gerou excesso de açúcar. Agora, contudo, a situação é outra.

"No ciclo atual, estamos com capacidade total utilizada no Centro-Sul, assim como na Índia e na Tailândia. Temos que ter um preço que remunere mais significativamente do que no ciclo anterior [para incentivar aumento de capacidade], e devemos ter um prolongamento deste déficit", afirma.

Para Correa, os aportes que permitirão a algumas usinas direcionar uma parcela maior da cana para a produção de açúcar deve agregar nada muito superior a 1 milhão de toneladas à capacidade de produção da commodity. Para se ter uma ideia da grandeza, nesta safra a produção do Centro-Sul deve ficar em torno de 34 milhões de toneladas, conforme estimativas de consultorias revisadas recentemente. "É pouco para um déficit mundial de 5 milhões a 6 milhões de toneladas", sustenta o analista.

Gabriel Elias, trader sênior da asiática Olam International, avalia que os preços atuais do açúcar em dólares já estão compensando investimentos em aumento de capacidade. "Não vejo nenhum país com custo acima de 20 centavos de dólar a libra-peso", afirma.

Mas, da viabilidade econômica até a concretização desse aumento, haverá um tempo suficiente para manter o açúcar ainda caro, diz. Além disso, Elias ressalta que o custo no Brasil para financiar novos aportes ainda é elevado e que as margens mais altas das usinas estão sendo usadas para o pagamento de dívidas.

Tal conjuntura não significa que recuos pontuais não possam ocorrer. Para Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow, as refinarias chinesas só devem voltar a importar quando o preço na bolsa de Nova York cair a 18 centavos de dólar a libra-peso. Além disso, crescem os rumores de que o governo chinês venderá uma parte do açúcar dos estoques públicos para abastecer as refinarias, que já estão com poucas reservas. (Valor Econômico 15/09/2016)

 

Resumo do mercado de açúcar em agosto de 2016

Déficit global e preços: As perspectivas de déficit global e de maior demanda externa sustentaram os altos patamares de preços do açúcar cristal no mercado doméstico em agosto, mesmo com o menor volume negociado no spot.

Indicador Cepea/Esalq: O Indicador do Açúcar Cristal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) teve média de R$ 85,89/saca de 50 kg no mês, 0,89% inferior à de julho (R$ 86,65/sc), mas expressivos 83,11% maior, em termos nominais, que a do mesmo período do ano passado, de R$ 46,90/sc.

Indicador Esalq/BVMF: Para o Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF - Santos, a média mensal foi de R$ 85,06/sc, 0,66% menor que a de julho (R$ 85,63/sc), mas 75,23% acima da de ago/15 (R$ 48,54/sc), também em termos nominais.

Andamento da safra 2016/17: Na parcial da safra 2016/17 (entre 1º de abril e 16 de agosto), foram moídas 355,34 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, aumento de 10,1% em relação ao mesmo intervalo da temporada passada, de acordo com dados da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica). A produção de açúcar avançou 22% no período e a de etanol, 4,1%. Em São Paulo, especificamente, a moagem cresceu 11,8%, totalizando 212,85 milhões de toneladas. A produção de açúcar subiu 20,2% no período e a de etanol, apenas 3,4%.

Projeção para safra 2016/17: Segundo o último relatório da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção total de cana deve atingir 684,7 milhões de toneladas na temporada 2016/17, o que representaria uma alta de 2,9% frente à safra anterior. A produção de açúcar é estimada em 39,96 milhões de toneladas, 19,3% superior à da temporada 2015/16. Usinas estão dando preferência à commodity, diante dos preços mais altos.

Nordeste: No Nordeste, as negociações seguiram em ritmo lento em agosto, em especial no final do mês. A maior parte das usinas deve voltar às atividades em setembro, ainda que algumas já tenham retomado a moagem. Compradores têm aguardado maior oferta, adquirindo o produto de forma pontual no correr de agosto. Segundo a Conab, a região nordestina deve aumentar a produtividade e a área colhida na safra. Dados da Datagro apontam uma produção de 53,5 milhões de toneladas, aumento de 9,2% em relação à da temporada anterior.

Alagoas, Pernambuco e Paraíba: Em agosto, o Indicador Mensal do Açúcar Cristal Cepea/Esalq em Alagoas foi de R$ 96,91/sc de 50 kg, queda de 1,07% frente a julho, mas forte alta de 60,74% em relação a agosto/15. Em Pernambuco, não houve Indicador em agosto/2016, visto que o número de informações sobre negócios efetivados foi insuficiente para compor a média para o período. Na Paraíba, o Indicador Mensal de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 76,78/sc, 0,49% inferior ao de julho/16. Em março/16, este Indicador passou a ser divulgado sem ICMS (até fevereiro/16, incluía valores com 12% ou 18% de ICMS, dependendo do destino do açúcar), a pedido do Sindálcool - PB.

Grandes produtores mundiais: No mercado externo, problemas em importantes países produtores, como China, Índia, Tailândia e União Europeia, reduziram a oferta mundial de açúcar. Esse cenário, inclusive, vem abrindo ainda mais espaço para a commodity brasileira. A média do contrato nº 11 do demerara (vencimento Outubro/16) em agosto foi de 20,1 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York (ICE Futures), aumento de 1,65% em relação a julho (19,69 centavos de dólar por libra-peso).

Vendas internas: Cálculos do Cepea indicaram que as vendas internas do açúcar remuneraram, em média, 6,37% mais que as externas em agosto. Esse cálculo considera o valor médio do Indicador Cepea/Esalq e do vencimento Outubro/16 do Contrato nº 11 da Bolsa de Nova York (ICE Futures), prêmio de qualidade estimado em US$ 87,62/tonelada e custos com elevação e frete de US$ 60,67/t.

Volumes exportados: Segundo a Secex, as exportações de açúcar bruto (VHP) totalizaram 2,23 milhões de toneladas em agosto, volume 9% menor que o de julho (2,45 milhões de toneladas), mas 51% superior ao de ago/15 (1,48 milhão de toneladas). Em relação ao açúcar branco, foram exportadas 736,1 mil toneladas, volume 60,3% superior ao de julho (459,1 mil toneladas) e 119,6% maior que o de ago/15 (335,2 mil toneladas).

Preços para exportação: O preço médio do açúcar bruto exportado em agosto foi de R$ 1.183,3/t, alta de 2,5% em relação a julho (R$ 1.153,9/t) e de 14,1% em comparação com ago/15 (R$ 1.037,2/t). Para o açúcar branco, o preço médio foi de R$ 1.341,6/t, baixa de 5,8% em relação a julho (R$ 1.424,6/t), mas aumento de 15,7% em comparação com agosto/15 (R$1.159,3/t). A receita obtida com os embarques de açúcar somou R$ 3,62 bilhões em agosto, alta de 4% frente a julho (R$ 3,48 bilhões) e de 89% em relação a ago/15 (R$ 1,92 bilhão). (Cepea / Esalq 14/09/2016)

 

Resumo do mercado de etanol em agosto de 2016

Mix de produção e preços: Com usinas ainda priorizando a produção de açúcar, limitando a oferta de etanol, as cotações do anidro e do hidratado tiveram novas altas em agosto no estado de São Paulo. Na média das cinco semanas do mês, o Indicador do hidratado foi de R$ 1,5610/l, aumento de 3,9% em relação a julho. Para o anidro, o Indicador foi de R$ 1,7228/l, avanço de 5,1% na mesma comparação.

Preço do hidratado: O Indicador diário do hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia fechou a R$ 1.509,00/m³ no dia 31 de agosto, elevação de 0,6% frente ao último dia útil de julho. A valorização foi limitada pelo maior fluxo de etanol de outros estados no mercado paulista.

Acompanhamento da safra 2016/17: Segundo dados da Unica (União da Indústria da Cana de Açúcar), a moagem de cana aumentou 10,1% na região Centro-Sul e 11,9% em São Paulo na parcial da safra (entre 1ª de abril e 16 de agosto) frente ao mesmo período da temporada anterior. A produção de açúcar avançou 22% no Centro-Sul e 20,2% no estado paulista, enquanto a de etanol subiu bem menos: apenas 4,1% na região e 3,4% em São Paulo.

Produção de etanol: No período, foram produzidos 14,75 bilhões de litros de etanol, sendo 6 bilhões de anidro (+16,8%) e 8,74 bilhões de hidratado (-3%) no Centro-Sul. Em São Paulo, foram 3,48 bilhões de litros de anidro (+12,5%) e 4,06 bilhões de litros de hidratado (-3,2%).

Volumes vendidos: O volume de etanol hidratado comercializado pelas distribuidoras em julho (últimos dados disponíveis) no estado de São Paulo, o maior consumidor deste combustível, totalizou 752 milhões, alta de 4,1% em relação a junho, mas baixa de 6,1% sobre julho/15, segundo dados da Agência Nacional do Gás, Petróleo e Biocombustíveis (ANP). Na comparação do acumulado anual (de janeiro a julho), o volume comercializado caiu 9,4% frente ao do mesmo período do ano passado.

Comercialização de gasolina: De gasolina C, foram vendidos 756,1 milhões de litros de gasolina em julho, no estado de SP. Esse volume é 1% inferior ao de junho e 0,8% menor que o de julho/15. No acumulado do ano, os 5,621 milhões de litros comercializados superam em 3,1% a quantidade do mesmo período de 2015.

Exportação de etanol: Em agosto, o Brasil exportou 168,6 milhões de litros de etanol, queda de 23% frente ao volume de julho e de 14% em relação ao de agosto/15, de acordo com dados da Secex. Os embarques de agosto somaram receita de US$ 88,1 milhões (ou R$ 282 milhões).

Nordeste: Devido ao período de entressafra, as informações coletadas no estado de Alagoas não foram suficientes para o fechamento da média de agosto do Indicador Cepea/Esalq mensal do hidratado e do anidro.

Pernambuco: Em Pernambuco, o Indicador mensal Cepea/Esalq do hidratado foi de R$ 1,8107/l. Para o anidro, a coleta de informações não foi suficiente para gerar a média.

Paraíba: Na Paraíba, o Indicador mensal Cepea/Esalq do hidratado aumentou 4,2%, indo para R$ 1,8297/l (sem frete, sem ICMS). O Indicador mensal Cepea/Esalq do anidro teve média de R$ 2,0346/l (sem frete) em agosto, 3,4% menor que a de julho. (Cepea / Esalq 14/09/2016)