Setor sucroenergético

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Cosan e Petronas misturam seus lubrificantes

A Cosan, de Rubens Ometto Silveira Mello vem mantendo tratativas com a malaia Petronas para uma associação no mercado brasileiro de lubrificantes, a exemplo do que fizeram recentemente Ultra/Ipiranga e Chevron.

O enlace daria origem a uma distribuidora com faturamento perto de R$ 2,5 bilhões e algo em torno de 24% das vendas de lubrificantes no Brasil.

A nova empresa ultrapassaria a recém criada dobradinha Ipiranga e Chevron (22,5%) e encostaria na própria BR (25%). Cosan Lubrificantes e Petronas têm duas fábricas no Brasil, respectivamente, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, com capacidade somada de aproximadamente 500 milhões de litros por ano.

O grupo de Rubens Ometto mantém ainda uma unidade de produção de lubrificantes na cidade inglesa de Kent, herdada com a compra da Comma Oil & Chemicals Limited, em 2012.

A princípio, este ativo não deverá entrar na associação com a Petronas.

Mesmo com a queda nas vendas de lubrificantes em todo o país (6% em 2015), esta ainda é uma das operações mais rentáveis da Cosan.

No ano passado, o Ebitda da Cosan Lubrificantes somou R$ 125 milhões, 21% superior ao apurado em 2014.

Um parceiro como a Petronas é tudo o que Ometto quer para aditivar ainda mais o negócio.

Com faturamento anual de US$ 70 bilhões, o grupo malaio tem feito seguidos investimentos no mercado brasileiro de lubrificantes.

Os asiáticos estão instalando um centro de tecnologia e desenvolvimento de produtos para uso industrial em Contagem (MG), onde já têm uma fábrica. (Jornal Relatório Reservado 19/09/2016)

 

Distribuição de etanol na mira do Fisco paulista

Quatro empresas que vendem etanol hidratado a postos de combustíveis têm, juntas, dívidas ativas de R$ 550 milhões com o Estado de São Paulo.

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo está apertando o cerco contra as distribuidoras de combustíveis que atuam no Estado, maior consumidor e produtor de etanol hidratado, e que não recolhem ICMS integralmente. Quatro distribuidoras independentes com atuação no Estado - Aspen, Gran Petro, Petromais e Petrozara, estão na mira do fisco paulista. Elas somam, juntas, dívida ativa relativa ao ICMS de quase R$ 550 milhões e são alvo de autos de infração.

Agentes do órgão estadual e da Procuradoria-Geral do Estado estão intensificando as ações para controlar a atuação dessas distribuidoras e de outras empresas que são conhecidas como “devedoras contumazes” de impostos. Essas quatro distribuidoras, segundo o fisco estadual, mantêm suas operações por meio de liminares. 

A Aspen é a que apresenta maior dívida ativa, de R$ 503,5 milhões; seguida de Petrozara, com R$ 39,2 milhões; Gran Petro, com R$ 5,8 milhões; e Petromais, com R$ 1,2 milhão. Todas foram alvo de diversos autos de infração, dos quais estão recorrendo em processos administrativos ou judiciais. De acordo com dados do Fisco paulista, o ICMS declarado por elas é bem menor do que o devido e o débito total pode ser “significativamente” maior, se os autos de infração forem convertidos em dívida. 

Concentrado, o mercado nacional de distribuição de combustíveis está nas mãos de três grandes grupos, BR Distribuidora, que pertence à Petrobrás; Rede Ipiranga, do grupo Ultra; e Raízen, (Cosan e Shell). Essas companhias são representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) e juntas são donas de quase 80% do mercado de distribuição. As distribuidoras de menor porte ficam com apenas 22% do mercado. 

Diferença

Especificamente no Estado de São Paulo, polo de produção de etanol do País, a fatia das distribuidoras independentes para a venda de etanol hidratado é relevante: representa cerca de 40% do mercado. O combustível é vendido para os postos de bandeira branca (não ligados às redes). O recolhimento do ICMS do etanol hidratado, de 12%, é diferente dos demais combustíveis, pois é cobrado nas refinarias. No caso do etanol, o produtor (usina) paga o tributo ao vender o combustível a um terceiro. Após sair da usina, a venda do etanol, até chegar ao posto, nem sempre é controlada, dando margem para o não recolhimento do ICMS.

Dos 17,6 bilhões de litros de etanol hidratado comercializados em 2015, 9,5 bilhões de litros foram vendidos em São Paulo. Na prática, as distribuidoras que não pagam imposto vendem o etanol a preços mais competitivos, uma prática anticoncorrencial.

Rogério Akira Ashikawa, diretor da Diretoria Executiva da Administração Tributária (Deat), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, afirmou que o órgão está endurecendo cada vez mais as regras para atuação dessas distribuidoras. “Estamos dificultando a inscrição dessas empresas”, disse Ashikawa. Em 2003, atuavam cerca de 300 unidades no Estado de São Paulo, número que agora caiu para cerca de 40. “Mas nem todas (essas companhias) são ilegais.”

Ao Estado, os procuradores Alessandro Rodrigues Junqueira, Alexandre Aboud e Antonio Bennini, da Procuradoria-Geral do Estado, afirmaram que o imposto não recolhido por essas empresas vira “capital de giro”. Os procuradores disseram que têm trabalhado em parceria com a Fazenda para coibir essas práticas.

Outro lado

Procuradas, Gran Petro e Petrozara afirmam que não sonegam impostos. Marcelo Lima, um dos sócios da Gran Petro, afirmou que sua empresa é uma agente regulada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e questiona os autos de infração emitidos pelo fisco paulista na Justiça.

Sérgio Montenegro, advogado que representa a Petrozara, afirmou que a empresa recorre dos autos de infrações, da dívida ativa e que não está inadimplente. “Questionamos na Justiça os tributos”, diz.

Já as distribuidoras Aspen e Petromais foram procuradas insistentemente, mas não retornaram os pedidos de entrevista feitos pela reportagem.

O Sindicom não se manifesta sobre empresas não associadas. No entanto, ressalta que sempre esteve à disposição das autoridades para a construção de um mercado de combustíveis dentro da lei. Já a ANP diz que colabora com o Fisco na troca de informações sobre a atividade de distribuição de combustíveis, além de participar, com esses órgãos, de outras forças-tarefa para inibir essa prática. (O Estado de São Paulo 19/09/2016)

 

Açúcar: Maior valor em 4 anos

A queda na produção de açúcar no Brasil na segunda quinzena de agosto passado voltou a dar sustentação aos contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam no maior valor desde 2 de agosto de 2012, cotados a 22,47 centavos de dólar a libra-peso, com avanço de 131 pontos.

Segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), o Centro-Sul brasileiro processou 19,3% menos cana na segunda quinzena de agosto em relação a igual período do ano passado, derrubando a produção de açúcar em 10,9%, para 2,537 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou R$ 85,83 a saca de 50 quilos na sexta-feira, com recuo de 0,41%. (Valor Econômico 19/09/2016)

 

Preço do álcool está atrativo em três Estados

Em pleno período de colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do País, os preços do etanol nas bombas só estão competitivos em relação à gasolina nos Estados do Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana passada, compilados pelo AE-Taxas. Nos demais Estados e no Distrito Federal, a gasolina segue mais vantajosa.

A relação só é favorável ao etanol quando a cotação o preço do produto está abaixo de 70% do valor gasolina. Em Mato Grosso, o etanol vale 66,04% do preço da gasolina. Em Minas Gerais, a relação está em 68,93%; e em São Paulo, em 66,66%.

Os preços do etanol hidratado caíram em apenas nove Estados e no Distrito Federal na semana passada. O valor subiu em outras 16 unidades da federação e ficou estável em Santa Catarina. No período de 30 dias, o biocombustível subiu em 13 Estados, caiu em 8 e no Distrito Federal e permaneceu estável em cinco.

Em São Paulo, a cotação subiu 0,61% na semana passada, para uma média de R$ 2,303 o litro. No período de um mês, acumula alta de 0,47%. A cotação do litro da gasolina ficou, em média, em R$ 3,455 por litro.

Complexo

Um representante de distribuidores de combustível que atua em São Paulo, e que preferiu não se identificar, disse ao Estado que a comercialização de etanol é complexa. Segundo ele, as grandes redes de combustíveis só querem atuar em regiões populosas, consideradas mais lucrativas, e desprezam cidades menores, que só são atendidas por redes independentes e de menor porte. “Todas as grandes distribuidoras de combustíveis têm autos de infração (por essa razão)”, disse essa fonte.

Questionada pela reportagem, a Procuradoria-Geral do Estado afirmou que as redes associadas ao Sindicom não têm autos de infração referentes ao não recolhimento de impostos. Quando notificadas, por razões diversas, essas grandes distribuidoras apelam ao Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) e não deixam de regularizar a situação, informou a PGE. (O Estado de São Paulo 19/09/2016)

 

Produtividade de canaviais podem cair no fim da safra do centro-sul, diz Rabobank

O tempo excessivamente seco visto recentemente no centro-sul do Brasil poderá reduzir a produtividade dos canaviais na segunda metade da atual temporada 2016/17.

No entanto, as usinas deverão manter os níveis previstos de produção de açúcar, priorizando a destinação de matéria-prima para o adoçante, em detrimento do etanol, afirmou nesta sexta-feira o banco Rabobank, em um relatório. (Reuters 16/09/2016)

 

André Rocha mostra potencial do setor sucroenergético na Ásia

O presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar e do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha participa desde o último dia 12 da comitiva da Missão Governamental e Empresarial à Ásia, comandada pelo ministro da Agricultura Blairo Maggi. No roteiro, com programação até o próximo dia 25, estão Tailândia, Myanmar, Vietnã, Malásia e Índia. O objetivo é apresentar a empresários e investidores as oportunidades de parceria comercial e investimento no agronegócio brasileiro.

Na última 5ª feira, o executivo fez uma apresentação em Hanói, no Vietnã, onde ressaltou os números da safra brasileira de cana, que colocam o país como 1º produtor e exportador mundial de açúcar e 2º produtor e exportador de etanol.

André abordou ainda a possibilidade de cooperação técnica daquele país com o Brasil no que se refere a variedades de cana, colhedoras, tecnologia para produção de energia a partir do bagaço da cana e de etanol. (Brasil Agro 19/09/2016)

 

Sucden adquire US$ 77 mi em açúcar refinado na expiração do contrato outubro

A trading Sucden Financial adquiriu cerca de US$ 77 milhões em açúcar refinado pelo contrato outubro, que expirou ontem na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe). O volume foi confirmado pela própria instituição. Ao todo, 138.250 toneladas, ou 2.765 lotes, foram entregues.

Os vendedores foram as tradings ED&F Man e Cargill, e o produto será colocado para embarque nos portos de Paranaguá, Recife e Suape, no Brasil, e em Puerto Quetzal, na Guatemala. O refinado para outubro expirou a US$ 553,70 por tonelada. (Down Jones 16/09/2016)

 

Mercado acorda para a realizada e sobe vigorosamente

Por Arnaldo Luiz Corrêa

Quem ficou surpreso com o desempenho do mercado futuro de açúcar em NY no fechamento das cortinas na sessão desta sexta-feira, é porque não percebeu os sinais que há muito o mercado tem emitido ao longo dos últimos meses e que, agora, se concretizam debaixo dos nossos narizes. O mercado reagiu muito violentamente num menor espaço de tempo. O nome disso é pânico. O volume negociado na sexta foi de 335,000 contratos. Lembra quando falamos a semana passada sobre o volume fraco de negociação nos meses de julho e agosto? Setembro está com volume médio diário de 220,000 lotes, ou 160% a mais que a média dos dois meses anteriores? Acha isso coincidência?

Sabe quanto estava o mercado de açúcar em NY há um ano? 11.47 centavos de dólar por libra-peso. Um aumento de 90% em doze meses.

Quando divulgamos nossa previsão da produção de cana para a safra 2016/2017 no Centro-Sul, em janeiro deste ano, ela mostrava 618,5 milhões de toneladas de cana enquanto a média das previsões que circulavam no mercado estava entre 622 e 644 milhões de toneladas. O mercado parece perceber apenas agora que o Brasil vai produzir bem menos cana do que se pensava. O rendimento caiu vertiginosamente nas últimas duas semanas e o mercado tomou o papel de um trem destrambelhado, sem freios, levando consigo todos aqueles que estavam vendidos a descoberto, ou esperando uma realização de lucros para se cobrir, ou rezando para que os fundos despejassem no mercado a enorme posição comprada que possuem.

Até as pedras sabem que as usinas estavam praticamente fixadas na totalidade do volume da safra 2016/2017, talvez com algum volume ainda pendente a ser fixado contra o vencimento março de 2017 e iniciando, embora percentualmente ainda baixo, as fixações em reais para o ano 2017/2018.

Vamos aguardar para ver quais as consequências que esse estouro da boiada ocorrido na sexta-feira, em que o contrato futuro de açúcar em NY com vencimento outubro/2016 encerrou o pregão a 21.78 centavos de dólar por libra-peso, após bater 22.20 centavos de dólar por libra-peso, engordando quase 180 pontos na semana (39.50 dólares por tonelada), trará para o mercado futuro nos próximos dias. NY atingiu o maior nível de preço desde agosto de 2012. E também a ultima vez que o mercado teve uma variação diária de 6%, foi em abril deste ano. E em fevereiro tivemos uma variação maior do que os 130 pontos vistos nesta sexta.

Primeiramente, as tradings, bem como os provedores de operações estruturadas de balcão vão enfrentar uma gigantesca chamada de margem na segunda-feira estimada em US$ 300 milhões. Os humores desse lado do negócio não estão dos melhores. Chamada de margem é dinheiro retirado da veia e torna as tradings mais seletivas e restritivas na abertura de janela de fixação para a safra 2017/2018. Em segundo lugar, mas não menos importante, é o sinal de alerta que sucede do fato de que com menos produção de açúcar do que se esperava, algumas usinas podem ter dificuldade de cumprir integralmente seus compromissos de entrega de açúcar, muitos dos quais já estão fixados. E aí a trading coça a cabeça se além da chamada de margem que sangra seu caixa, pode também correr o risco de enfrentar um default por falta de produto. Em terceiro lugar, a volatilidade das opções subiu fortemente (de 2% a 4%), indicando possivelmente, compra de calls (opções de compra) para fazer frente aos futuros vendidos e a diminuição do impacto nas chamadas de margem. O negócio está punk!

Simulando o fechamento do mercado de açúcar de NY na sexta com um eventual NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira), o vencimento maio/2017 apresenta R$ 1,738 por tonelada FOB. Um preço que nem nos sonhos mais róseos poderia habitar o imaginário do mais otimista dos usineiros. Fazer o que, hein? Acredito que o mercado em centavos de dólar por libra-peso vai continuar subindo até o patamar de 24 centavos de dólar por libra-peso (falamos isso aqui muitas e muitas vezes), mas quando se trata de reais por tonelada acredito que a conversa é outra. É um preço excelente e continuando a diferença de retornos entre o açúcar e o etanol (este com 700 pontos de desconto em relação ao açúcar NY), é evidente que o ano que vem veremos as usinas testarem no limite sua capacidade de fabricação de açúcar. Não perca o foco e não se deixe levar pelo pânico mesmo que você saiba que o maior comprador individual de açúcar brasileiro desembarca aqui na semana que vem.

Como faz falta no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil um nome com a envergadura do professor Roberto Rodrigues, agrônomo, profundo conhecedor dos problemas da agricultura brasileira e, principalmente, do setor sucroalcooleiro. Orador de primeira grandeza, interlocutor atento, respeitoso e respeitado por todos os segmentos do agronegócio. Cavalheiro e homem raro nos dias atuais. Enquanto não temos um político com essa competência, vamos engolindo o ministro Blairo Maggi que teve o desplante de dizer que subsídios no setor sucroalcooleiro atraíram incompetentes. Disse o ilustre ministro que “para se ter eficiência com o etanol, há de se produzir muita cana de açúcar, 100, 120 toneladas por hectare, essas empresas [referindo-se às usinas] perderam produtividade e ao invés de 100 toneladas, produzem 60”. O ministro não disse aonde é que está esse subsidio do qual faz menção. Se existe ou existiu, ninguém sabe ninguém viu. O que se sabe, e muito bem sabido, haja vista a divida que as usinas carregam – é que a tal incompetência a que ele se refere deve ter suas raízes profundas nos treze anos de governo petista (que ele apoiou por doze anos, diga-se de passagem) que afundaram o setor sucroalcooleiro, principalmente com os subsídios sim, mas à gasolina, acarretando perdas (pelos nossos cálculos) de 100 bilhões de reais apenas nos anos administrados pela incompetente presidente deposta Dilma Rousseff. Quem fala demais acaba dando bom dia a cavalo. Tenha dó, ministro.

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