Setor sucroenergético

Notícias

A indiana Bajaj Hindustan

A indiana Bajaj Hindustan está em busca de usinas sucroalcooleiras no Brasil.

Que Ganesh, o Deus da fortuna hindu, lhe dê mais sorte do que teve a conterrânea Shree Renuka. A fabricante de açúcar e etanol entrou em recuperação judicial no ano passado e acumula dívidas de mais de R$ 1,5 bilhão no país. 9Jornal Relatório Reservado 20/09/2016)

 

Álcool sobe mais que a inflação, mas compensa

O preço do litro do etanol subiu 20% no país e 21% em São Paulo nos últimos 12 meses terminados em agosto, de acordo com dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Mesmo assim, no Estado, ainda compensa mais abastecer com o etanol do que com a gasolina.

No mesmo período, a inflação oficial foi de 8,97% no país.

O preço médio do litro do álcool em setembro é de R$ 2,295, segundo levantamento da ANP (agência nacional de petróleo).

Já a gasolina sai por R$ 3,449. (Folha de São Paulo 20/09/2016)

 

Açúcar: Maior valor em 4 anos

A queda na produção de açúcar no Brasil na segunda quinzena de agosto passado voltou a dar sustentação aos contratos futuros da commodity na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam no maior valor desde 2 de agosto de 2012, cotados a 22,47 centavos de dólar a libra-peso, com avanço de 131 pontos.

Segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), o Centro-Sul brasileiro processou 19,3% menos cana na segunda quinzena de agosto em relação a igual período do ano passado, derrubando a produção de açúcar em 10,9%, para 2,537 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou R$ 85,83 a saca de 50 quilos na sexta-feira, com recuo de 0,41%. (Valor Econômico 20/09/2016)

 

Governo paulista autoriza queima controlada da palha de cana

Os produtores rurais poderão fazer a queima controlada para a proliferação de moscas-dos-estábulos. A Resolução Conjunta entre as Secretarias de Agricultura e Abastecimento e a do Meio Ambiente, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 17 de setembro de 2016, prevê a utilização da queima localizada, em caráter excepcional e emergencial, para eliminar materiais orgânicos em decomposição, propícios para a proliferação do inseto.

A Resolução foi assinada pelo titular da Pasta agrícola, Arnaldo Jardim, durante a reunião técnica com recomendações sobre conservação do solo na cultura da cana e mosca-dos-estábulos, na Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO), em Ourinhos, no dia 16 de setembro de 2016. Leia mais sobre o evento clicando aqui.

Arnaldo Jardim ressaltou que a medida deverá ser usada em último caso, quando todas as medidas para o controle da praga tenham sido executadas e, mesmo assim, a infestação permaneça. “O governador Geraldo Alckmin nos orienta a fazer uma agricultura harmônica com o meio ambiente e demos um passo importante para o controle fitossanitário, pois o queremos aumentar a produtividade, sem se descuidar da natureza”, comentou.

“O importante é conscientizar o produtor rural de que é preciso eliminar e evitar que os resíduos orgânicos deixados pela colheita da cana-de-açúcar sejam um criadouro do inseto que está afetando os rebanhos, principalmente bovinos, prejudicando a pecuária de corte e de leite”, complementou o secretário.

A publicação é resultado dos trabalhos desenvolvidos pelo Grupo Técnico, organizado pela Secretaria de Agricultura, que estudou a razão da proliferação e os prejuízos causados pela mosca-dos-estábulos, propondo essa medida fitossanitária.

O responsável pela Assessoria Técnica da Pasta agrícola, José Luiz Fontes explicou que a ideia é impedir que a vinhaça misturada com a palha deixada no campo, “pois acabam sendo um ambiente ideal para a proliferação dos insetos, que em algumas regiões chegam a atacar até as pessoas”, afirmou.

Uma das medidas é evitar a aplicação de vinhaça em locais encharcados pela chuva, prevenindo o empoçamento, ou fracionar a lâmina de aplicação de vinhaça, evitando o excesso de umidade na palhada.

De acordo com a publicação, o produtor rural, donos de usinas ou responsável pelas áreas que apresentem condições favoráveis para proliferação da mosca-dos-estábulos deverá solicitar um laudo técnico à Secretaria de Agricultura, que analisará a necessário de utilização da prática.

Os técnicos da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) terão dez dias, a partir da data do recebimento da solicitação para analisar se a área é indicada para a queima, se foram adotadas medidas alternativas para o controle e se o inseto está causando danos à pecuária local ou à população.

A autorização para a realização da queima fitossanitária será emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da Pasta do Meio Ambiente, com base no laudo técnico da Secretaria de Agricultura.

Desde 2007, quando foi firmado o Protocolo Agroambiental do setor sucroenergético, a colheita manual da cana-de-açúcar vem sendo substituída pela mecanizada no Estado de São Paulo.

O protocolo foi firmado em defesa do meio ambiente, já que a queima da palha da cana-de-açúcar é uma das grandes responsáveis pela emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

O protocolo antecipou os prazos legais paulistas para a eliminação da prática da queima, de 2021 para 2014 nas áreas onde é possível realizar a colheita mecanizada e de 2031 para 2017 nas áreas para as quais não existe a tecnologia adequada para a mecanização. (Secretária de Agricultura de São Paulo 20/09/2016)

 

Produtores de etanol rejeitam mudanças em regra de importação

Representantes de entidades do setor sucroenergético participaram na última quinta-feira de um seminário na Agência Nacional de Petróleo (ANP) em que defenderam a manutenção da Resolução 58, de outubro de 2014, que proíbe as distribuidoras de combustíveis de importar etanol. A principal alegação é que a produção nacional abastece todo o mercado interno, chegando a gerar excedentes, que são exportados.

“É preciso que ocorram incentivos através da regulação, e a ANP deve ocupar esse espaço tentando não só atuar de forma reativa, mas atuar de forma preventiva, estimulando a produção de excedentes, porque é importante que a indústria seja fortalecida para manter os empregos formais e movimentar a economia”, afirmou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.

“O câmbio favorece as exportações, mas a ANP vem se preocupando com importações de diesel e gasolina. Não se pode confundir derivados de petróleo com o etanol. É importante que se fomente uma política previsível de regras de preço”, acrescentou.

A ANP se comprometeu a marcar audiências públicas para debater o assunto com mais profundidade. “Não dá para por em risco toda a cadeia produtiva do Brasil. Só no Nordeste, o setor gera 300 mil empregos formais”, finalizou Cunha. (Folha de Pernambuco 19/09/2016)

 

Setor sucroalcooleiro lucra com a falta de açúcar no mercado internacional

Falta de açúcar no mercado internacional levou ao aumento de 70% no preço do produto, o que refletiu em bons negócios para os que apostaram nos canaviais.

Depois de experimentar uma sequência de vários anos em dificuldades, o setor sucroalcooleiro vive uma reação neste ano, fomentada também pela elevação do preço do açúcar no mercado internacional. “Temos um mercado em recuperação. Plantar cana está sendo um bom negócio”, afirma o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos (Foto).

O preço do açúcar aumentou neste ano porque houve um déficit do produto no mercado internacional, com a oferta menor do que a procura. Também houve influência da alta do dólar. Com isso, conforme os dados da Siamig, o valor do açúcar sofreu uma elevação da ordem de 70% de um ano para outro. O preço da tonelada do produto, que até o ano passado era vendida pelas usinas a R$ 800, atualmente, está no patamar de R$ 1,4 mil a R$ 1,5 mil.

Minas Gerais conta com 36 usinas de açúcar e álcool em funcionamento, espalhadas por 35 municípios. E há cerca de 121 cidades do estado que contam com plantios de cana. O setor gera cerca de 80 mil empregos em Minas, com um faturamento líquido de R$ 6,3 bilhões anuais.

Segundo Mário Campos, na safra 2016/2017, a colheita de cana deve ficar em cerca de 65 milhões de toneladas (mesma quantidade da safra anterior). A expectativa é de uma produção no estado de cerca de 3,5 milhões de toneladas de açúcar, com um aumento da ordem de 8% em relação ao ano passado. É esperada ainda uma produção em Minas de 2,9 bilhões de litros de etanol, que deve sofrer uma pequena queda (de 1% a 2%) em relação à safra 2015/2016.

“Hoje, plantar cana virou um excelente negócio. O cenário é bom para o produtor. Mas, devemos lembrar que o plantio sempre deve ser feito em torno de uma unidade industrial”, afirma o presidente da Siamig. Por outro lado, ele lembra que a cana virou opção a mais para o produtor, que também pode diversificar sua atividade e se dedicar a outras culturas, como milho e soja.

Os bons ventos nos canaviais são verificados em Campo Florido, que integra uma grande região produtora do Triângulo Mineiro, composta ainda pelos municípios de Iturama, Carneirinho, Frutal, Comendador Gomes, Prata, Pirajuba e Limeira do Oeste. “Estamos na expectativa de que neste ano teremos uma boa safra, com o aumento da produtividade e da qualidade. Somando isso com as expectativas de melhoria de mercado, os produtores estão animados, com a esperança de que vamos recuperar os prejuízos dos últimos anos”, afirma o engenheiro-agrônomo Rodrigo Piau, coordenador Agrícola da Associação dos Produtores de Cana de Campo Florido (Canacampo).

A associação de Campo Florido engloba 56 produtores, que cultivam uma área total de 57 mil hectares de cana. O plantio e a colheita da cana são mecanizados. Mesmo assim, a atividade gera cerca de 2 mil empregos na região de abrangência da Canacampo. A matéria-prima é fornecida para o Grupo Cururipe, que conta com quatro usinas no Triângulo.

Conforme Rodrigo Piau, na safra 2015/2016, a produtividade média na região foi de 86 toneladas por hectare. Agora, os produtores esperam uma produtividade de, no mínimo, 90 toneladas por hectare. Mas, o que mais entusiasma os plantadores de cana do Triângulo é a melhoria do preço do produto. “No ano passado, a cana foi vendida a R$ 69 por tonelada, em média. A expectativa agora é que o preço alcance R$ 90 por tonelada”, assegura o agrônomo.

QUALIDADE

Piau destaca que, para alcançar uma remuneração mais satisfatória, os produtores da região também estão na expectativa de conseguir uma melhor qualidade da cana – definida pelo ATR (Açucar Total Recuperado), medido quando o produto é entregue na usina. O ATR aponta os percentuais de açúcar e sacarose da cana, o que influencia diretamente no preço pago ao produtor.

Quanto mais alto o ATR, melhor a remuneração. Na safra 2015/2016, a média do ATR da cana da associação de Campo Florido foi de 131 quilos e, agora, os produtores esperam que o valor médio aumente para pelo menos 136 quilos, informa Rodrigo Piau, lembrando que 70% da produção dos canaviais da região já foi para a moagem nas usinas.

O agricultor Nelson Krastel, de Campo Florido, é um dos plantadores de cana-de-açúcar do Triangulo que têm a expectativa de mais lucros e de recupeção dos prejuízos de safras passadas neste ano. Ele conta com 4 mil hectares em produção e na safra 2016/2017 espera a colheita de 320 mil toneladas, média de 80 toneladas por hectare.

O produtor, no entanto, gostaria de alcançar uma produtividade maior. “Mas, como os preços das safras passadas foram ruins, não tivemos recursos suficientes para bancar os investimentos necessários para a recuperação e manutenção adequada dos canaviais”, afirma Krastel. “Esperamos que a perda na produtividade possa ser recompensada com melhor preço e a melhor qualidade da cana deste ano”, completa o agricultor.

Esperança retorna ao setor

O setor sucroalcooleiro experimenta um momento de alívio, após enfrentar situações críticas nos últimos seis anos. No período, foram fechadas 80 usinas de açúcar e álcool no país, das quais seis em terras mineiras, conforme dados da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

A crise enfrentada pelo segmento é atribuída ao fato de o preço dos combustíveis ter permanecido estabilizado, enquanto os custos de operação das usinas aumentaram, asfixiando as empresas. “O governo manteve o preço da gasolina estabilizado na bomba durante seis anos. Com isso, nesse período, o valor do etanol também não aumentou, já que acompanha o preço da gasolina. Só que os custos das usinas aumentaram”, afirma o presidente da Siamig, Mário Campos, lembrando que o etanol está sendo vendido hoje por cerca de R$ 1,60 o litro pelas usinas. Até o ano passado, custava R$ 1,20.

Campos observa que, por conta da crise que atravessaram, várias usinas entraram em recuperação judicial. Um dos obstáculos enfrentados é a taxa de juros, na faixa de 14% ao ano. Ainda segundo o dirigente da Siamig, descapitalizadas, as empresas deixaram de investir na melhoria do processo de produção da cana de açúcar. Por isso, hoje existe uma grande oscilação na produtividade. “Em alguns locais, a produtividade média é de 100 toneladas por hectare. Em outros, desce até 50 toneladas por hectare”.

Campos ressalta que, atualmente, o segmento experimenta uma reação por conta do aumento da melhoria da remuneração do açúcar e de mudanças na legislação tributária que influenciaram no aumento do consumo do etanol. Uma das medidas positivas foi a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Minas Gerais de 19% para 14%.

O presidente da Siamig conta que o estado é um dos grandes produtores de etanol do país. No entanto, o consumo do combustível produzido com a cana-de-açúcar não era tão expressivo e parte da produção mineira tinha que ser enviada para outros estados. “Agora, depois da redução da alíquota do ICMS, Minas Gerais, que tem a segunda maior frota nacional de veículos, também virou o segundo maior consumidor de etanol do país. Todo o álcool produzido em Minas é vendido no próprio estado”, diz Mário Campos. (O Estado de Minas 19/09/2016)