Setor sucroenergético

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Nem produção recorde de açúcar atenderá demanda

Os fabricantes de açúcar ao redor do planeta terão que aumentar sua capacidade de produção se quiserem acompanhar o ritmo de crescimento do consumo esperado para os próximos anos. Caso contrário, mesmo que os principais países produtores repitam nos próximos cinco anos seus melhores desempenhos, a quantidade produzida será insuficiente para atender a demanda dos consumidores, o que deve sustentar os preços do açúcar por um bom período, conforme estudo da S&P Global Platts apresentado na semana passada em evento em Miami, nos EUA.

O estudo diverge das conclusões recentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD) e da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que estimam que o mundo terá superávit de cerca de 5 milhões de toneladas em 2020.

A maior safra até hoje foi registrada no ciclo global 2012/13 (de outubro a setembro), quando a produção de açúcar do mundo foi de 182,2 milhões de toneladas. Se forem somados os recordes históricos de cada país, mesmo em diferentes temporadas, é factível dizer que o mundo pode produzir até 190,8 milhões de toneladas de açúcar por safra.

Caso os principais países produtores consigam repetir seus melhores desempenhos, garantindo esse patamar de produção global em cada ciclo, o volume conseguiria atender o consumo estimado para a safra internacional atual (2015/16), que termina no fim do mês, e a demanda das temporadas seguintes até a safra 2018/19. A situação se complicaria em 2019/20, quando mesmo a projeção mais pessimista para o consumo ficaria em linha com o potencial máximo da produção global.

Claudiu Covrig, analista da S&P Global Platts responsável pelo estudo, observa, porém, que é quase impossível atingir esse patamar máximo de produção global. "Depende do clima, dos investimentos em tratos culturais, de decisões políticas", afirmou ao Valor. Para ele, o mundo entrou nesta safra em uma situação de "déficit estrutural".

Nesta primeira safra de déficit após cinco temporadas de superávit, os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York já subiram 76%, segundo levantamento do Valor Data. Essa alta vem permitindo o início da recuperação das usinas sucroalcooleiras, que têm aproveitado a melhora nas receitas para recuperar a saúde financeira.

Há iniciativas que podem elevar a capacidade de fabricação de açúcar, mas Covrig adianta: elas não estão no Brasil. Ele não vê possibilidade de construção de novas usinas no país nos próximos três anos e observa que o potencial de aumento da destinação da cana para o açúcar deve elevar o potencial de produção em no máximo 2 milhões de toneladas sobre a safra global 2015/16, para 38,4 milhões de toneladas.

Suas principais apostas são no aumento da capacidade de produção da Tailândia e da Índia. Segundo o analista, há projetos para a construção de 19 usinas na Tailândia até 2021 (hoje há 52 instaladas). Essas novas unidades podem aumentar a capacidade de fabricação de açúcar em até 6,1 milhões, para 15,7 milhões de toneladas. "É um aumento importante. A Tailândia é um dos países que representam parte da resposta", diz Covrig.

A situação da Índia é menos clara. O país já tem usinas suficientes para elevar a produção dos patamares atuais, mas a fabricação é limitada pelo que Covrig considera um alto nível de proteção estatal aos agricultores e pela baixa produtividade dos canaviais. Ele avalia que se as pesquisas em curso hoje no país com novas variedades de cana forem frutíferas, houver melhor gestão das terras e preços remuneradores, a produção da Índia pode subir 9 milhões de toneladas da safra atual até 2020/21, para 34 milhões de toneladas.

Ele também avalia que há possibilidade de avanço na América Latina, sobretudo em Cuba. Para o analista, a região pode elevar em 3 milhões de toneladas sua capacidade de produção de 2016 até 2020.

Assim, no cenário mais otimista, que considera os recordes de produção de açúcar atuais, acrescidos de todo o aumento de capacidade possível até 2020, o mundo pode até chegar à safra 2020/21 com superávit de 9 milhões de toneladas. Em um cenário mais moderado, ainda haveria superávit, mas de 1 milhão de toneladas, conforme a consultoria. (Valor Econômico 22/09/2016)

 

Dedini chega a acordo sobre pagamento e funcionários encerram greve em Piracicaba

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do município, a companhia se comprometeu a pagar os R$ 3.750 reivindicados pela classe trabalhadora em seis parcelas.

A Dedini Indústrias de Base chegou a um acordo sobre o pagamento de Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), e os quase 1.100 funcionários da empresa em Piracicaba (SP) encerraram nesta quarta-feira, 21, o estado de greve iniciado semana passada. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do município, Eduardo Luiz Gozzer, a companhia se comprometeu a pagar os R$ 3.750 reivindicados pela classe trabalhadora em seis parcelas, sendo duas neste ano e outras quatro no próximo - a primeira, de R$ 650, será depositada amanhã. Inicialmente, a Dedini oferecia um PLR de R$ 3.000.

A Dedini já foi a maior fabricante de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar e enfrenta dificuldades desde que o setor sucroenergético também entrou em crise, após 2008. Na última segunda-feira seu plano de recuperação judicial foi aprovado por 97% dos credores e encaminhado ao juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível de Piracicaba (SP), para homologação. A Dedini havia entrado com pedido de recuperação judicial no ano passado e, no episódio mais recente, demitiu 100 funcionários da unidade de Sertãozinho (SP), que encerrou as atividades e agora está em "hibernação".

A proposta básica do plano de recuperação judicial da companhia é pagar integralmente, já no primeiro ano, os créditos trabalhistas de R$ 36,56 milhões. Também no primeiro ano, e com valor integral, seriam pagas as rescisões trabalhistas extra-concursais, estimadas em cerca de R$ 20 milhões. (O Estado de São Paulo 21/09/2016)

 

ATR SP: Preços no acumulado sobem 1,55% em agosto

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou nesta quarta-feira (21) os dados referentes ao ATR - Açúcares Totais Recuperáveis do mês de agosto. Em comparação ao mês de julho, os preços subiram 1,55% no acumulado, fechando em R$ 0,6122, contra R$ 0,6028 do mês anterior. Já o valor mensal teve valorização de 3,06%, passando de R$ 0,6269 para R$ 0,6461.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados em R$ 66,85 a tonelada contra R$ 65,82 do mês de julho, alta de 1,56%. O preço da cana esteira em agosto também fechou com valorização de 1,56%, com contratos firmados em R$ 74,67. (UDOP 21/09/2016)

 

Produção de etanol nos EUA cai 2,3% na semana, para 981 mil barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 981 mil barris por dia na semana passada, volume 2,3% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,004 milhão de barris por dia.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 21 pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês). Os estoques do biocombustível diminuíram 1% na semana encerrada no dia 16 de setembro, para 20 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 21/09/2016)

 

Importação de açúcar pela China sobe mais de 30% em agosto

A China, maior comprador de açúcar do mundo, importou 360 mil toneladas do adoçante em agosto, um aumento de 30,7 por cento ante mesmo período do ano passado, devido aos preços globais mais baixos quando as cargas foram compradas, no início de 2016.

As importações chinesas de açúcar desaceleraram em geral neste ano com os preços globais mais elevados, mas uma queda no preço durante o segundo trimestre impulsionou as chegadas da commodity ao país nos últimos meses.

Os preços, no entanto, têm se recuperado desde então, o que significa uma expectativa de que os embarques para a China devem cair novamente.

As importações para os primeiros oito meses de 2016 caíram 31 ​​por cento na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 2,1 milhões de toneladas, mostraram dados alfandegários nesta quarta-feira.

Uma aguardada liberação de açúcar de reservas estatais chinesas também deve reduzir o apetite do país por importações nos próximos meses. (Reuters 21/09/2016)