Setor sucroenergético

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A morte desenhada do etanol hidratado

Não é novidade que o açúcar é bola da vez no mercado sucroenergético. Por uma conjunção de fatores, a commodity vai ter dois anos seguidos de um déficit global que pode beirar 17 milhões de toneladas em setembro de 2017, recorde histórico. São vários os fatores causadores desse déficit e um deles, pouco citado, foi levantado pelo empresário e presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira Franco: a crise de quase uma década da indústria brasileira a impediu de aumentar a oferta do açúcar para suprir o rombo entre a produção e a demanda.

Como o estagnado setor sucroenergético produz também etanol e não há a menor perspectiva de crescimento no número de usinas ao menos até o final desta década, diante da ausência de projetos, a crise de oferta do combustível renovável parece ser uma questão de tempo. Com o aumento do número de veículos e sem crescimento na capacidade produtiva, se nada for feito, em algum momento vai faltar etanol.

Diante da insegurança do investidor e sem qualquer política que defina o papel do álcool no longo prazo na matriz de combustível do Brasil, soluções emergenciais, como sempre, são levantadas para evitar um colapso no abastecimento. Uma delas, adotada sempre que surgem crises pontuais de abastecimento, é priorizar o uso do etanol anidro no País em detrimento do hidratado.

O anidro é utilizado na mistura à gasolina e em vários Países no mundo. No Brasil, a mistura está em até 27%. Na Califórnia (EUA), por exemplo, chega a 85%, ou seja, na prática, a gasolina é misturada ao etanol no estado norte-americano. O hidratado tem um pouco mais de água e é uma "invenção brasileira", assim como os carros flex, que podem utilizar tanto 100% deste tipo de álcool, como serem abastecidos com gasolina com o anidro, ou mesmo uma mistura de ambos.

Como a produção e a demanda de hidratado é quase o dobro da do anidro e quase toda a frota brasileira ou é flex ou usa gasolina, a redução da demanda pelo etanol seria simples. O governo decretaria a "morte" do hidratado e o uso apenas do anidro na mistura. Os defensores da ideia, como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, lembram também que o etanol anidro é um produto consumido mundialmente, que poderia ser importado para suprir uma crise pontual de demanda e exportado para controlar a oferta excedente.

Mas, apesar de uma saída para evitar a crise já desenhada, a adoção do etanol único, o anidro, seria muito mais do que matar um combustível automotivo brasileiro e só utilizado aqui. Se isso ocorrer, governo e cadeia sucroenergética brasileira resolveriam um problema, mas assumiriam a incapacidade e a incompetência por não conseguirem sequer discutir qual o papel do combustível renovável na matriz energética. (Agência Estado 23/09/2016)

 

Para Raízen, cana-energia é a melhor fonte para produção de etanol 2 G

Cana-energia tem produtividade média de 200 toneladas por hectare,

Em sua palestra no 10° Congresso Nacional da STAB, que acontece de 20 a 22 de setembro em Ribeirão Preto, SP, o diretor de novas tecnologias, projetos e SSMA (Saúde, Segurança e Meio Ambiente) da Raízen, Antônio Alberto Stuchi, disse que foi conduzido um estudo que buscou verificar qual a melhor fonte de biomassa, analisando três alternativas: sorgo sacarino, eucalipto, cana convencional e cana-energia. "Foi constatado que a melhor fonte é a cana-energia, caso os números prometidos sejam efetivamente verdadeiros.”

CARACTERÍSITICAS DA CANA-ENERGIA:

Em torno de 200 toneladas de cana por hectare, 93 de ATR, que equivale a 17, 2 tonelada de açúcar por hectare, e 26% de fibra, resultando em 92,6 toneladas de bagaço por hectare. Tem 62% de água e 38% de matéria seca. Enquanto que a cana-de-açúcar (com alta produtividade), apresenta 100 toneladas/ha, 135 de ATR – equivalente a 13,5 toneladas de açúcar por hectare e 12, 5 de fibra, resultando em e 25 toneladas de bagaço por hectare. Tem 70% de água e 30% de matéria seca.

O que confere essa maior produtividade à cana-energia é o seu sistema radicular, muito mais eficiente que o da cana-de-açúcar. Ela possui rizomas que são como colmos que ficam embaixo da terra, é o mesmo que acontece com capim e em plantas daninhas como tiririca. (Cana Online 22/09/2016)

 

Açúcar: Queda na prorrogação

O açúcar operava no maior patamar desde 2012 quando passou por um ajuste técnico, em parte motivado pela alta do dólar ante o real.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 22,67 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos.

A commodity tem apresentado tendência altista desde que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) apontou queda de 10,9% na produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de agosto comparada a igual período do ano passado.

"A menor produção poderia significar um aumento do déficit projetado para este ano", destaca Jack Scoville, da Price Futures Group.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 88,15 a saca de 50 quilos, alta de 1,56%. (Valor Econômico 23/09/2016)

 

No ano,vendas de etanol caem 14% e da gasolina aumentam 2,6%

As vendas de todos os combustíveis no Brasil em agosto somaram aproximadamente 74,37 milhões de barris, queda de 1,9 por cento ante o mesmo mês do ano anterior, diante da pior recessão econômica em décadas e da queda da renda das famílias, enquanto a gasolina permanece ganhando espaço em relação ao etanol hidratado.

Dados publicados nesta quinta-feira pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram que as vendas de gasolina C somaram 22,25 milhões de barris, alta de 7,5 por cento ante o mesmo mês do ano anterior.

Em contrapartida, as vendas de etanol hidratado somaram 8,5 milhões de barris, queda de 14 por cento na mesma comparação.

No ano passado, o preço médio do etanol passou grande parte do ano mais favorável do que o da gasolina em boa parte do país, invertendo a relação apenas no fim do ano.

A queda na comercialização de óleo diesel, importante termômetro para a economia do país, contribuiu com o recuo das vendas no Brasil de todos combustíveis somados, uma vez que é o combustível mais vendido.

Em agosto, as vendas de diesel no Brasil somaram cerca de 30,77 milhões de barris, queda de 2,5 por cento ante o mesmo mês do ano passado.

No acumulado do ano até agosto, segundo a ANP, as vendas de todos os combustíveis registraram recuo de 4,4 por cento ante o mesmo período do ano passado; as vendas de etanol hidratado despencaram 14 por cento; as de diesel caíram 4,7 por cento, enquanto as de gasolina aumentaram 2,6 por cento. (Reuters 22/09/2016)

 

China lança investigação sobre importações de açúcar

A China lançou uma investigação relacionada às crescentes importações de açúcar pelo país após queixas da indústria nacional, informou o governo nesta quinta-feira, no mais recente sinal de tensões comerciais entre países que são grandes produtores de commodities.

O Ministério do Comércio disse que a investigação vai avaliar importações desde 2011, com foco em possíveis medidas protecionistas de outros países em benefício de seus produtores. A apuração vai durar seis meses, com opção de ser prorrogada.

O governo não disse quais países seriam alvo da investigação. Brasil, Índia e Tailândia são os maiores produtores de açúcar do mundo, enquanto a China é o principal comprador.

O movimento vem após anos de lobby da indústria chinesa, que está lidando com o aumento dos custos da agricultura, enquanto o preço do açúcar localmente é definido pelo governo em patamar elevado.

Este ano, porém, as condições de negócios melhoraram com uma alta dos preços do açúcar nos mercados globais e importações do adoçante em queda.

A investigação também vem uma semana depois de os Estados Unidos apresentarem um desafio na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre programas de Pequim para suporte dos preços dos grãos.

Durante o ano passado, a Europa e os Estados Unidos acusaram a China de exportar o excedente de sua produção de alumínio e aço, prejudicando a indústria e pressionando os preços globais. (Reuters 22/09/2016)

 

Chegada da primavera é positiva para setor de cana, mas La Niña pode estar próximo

A primavera, que começa hoje (22), já chega com o setor elétrico atento. Segundo dados do Climatempo, muitas cidades nordestinas estão com seus reservatórios vazios e até mesmo o maior deles, de Sobradinho, está prestes a entrar no volume morto. No Estado do Acre, na região Norte do Brasil, diversas cidades já estão em racionamento de água. Por sua vez, no Sul do Brasil, cidades ainda contabilizam os prejuízos causados pela força da chuva e lavouras foram prejudicadas por causa do volume excessivo de água.

Entretanto, o setor de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país, é um dos poucos que terminou a estação comemorando. Ao longo do outono, os canavieiros tiveram dificuldades para a colheita e moagem devido à chuva. Mas os trabalhos estão a todo vapor em setembro e a safra pode ser recorde em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Além disso, grandes produtores de outros países, como Índia e Tailândia tiveram safra menor, devido à má condição do climática provocada pelo de El Niño e esse efeito combinado deve beneficiar os produtores de cana desses estados do Brasil.

“Atualmente, estamos em um período chamado de neutralidade. O finalzinho deste inverno e o início da primavera irão ocorrer dentro da normalidade neste período de transição de uma estação para a outra”, comenta o meteorologista Alexandre Nascimento.

Porém, ele lembra que outro fenômeno climático pode se configurar ainda neste ano de 2016: uma La Niña de fraca intensidade. Normalmente esse fenômeno tende a espalhar mais chuva pelo Brasil e isso é uma ótima notícia para as áreas que sofrem com a estiagem. No entanto, de acordo com o Climatempo, o Brasil está saindo de uma situação muito crítica e os efeitos positivos dessa chuva ainda devem demorar a trazer efeito para os reservatórios e rios secos. Ou seja, a chuva deve colaborar com a agricultura, mas seus benefícios ainda não serão sentidos nos reservatórios durante a primavera.

O legado do El Niño 2015

Segundo o Climatempo, apenas com a chegada da primavera e a chance de se configurar o fenômeno La Niña é possível entender quais foram as marcas que o El Niño deixou no Brasil durante sua atuação entre o final de 2014 e o outono de 2016. Afinal, os efeitos ainda estão sendo sentidos em alguns estados.

Especialistas descrevem o El Niño como um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Em geral, o El Niño atinge seu pico no final do ano.

No Brasil, o fenômeno intensificou a seca no Nordeste e também provocou estiagem prolongada no Norte, no centro-norte de Minas e de Goiás e no Distrito Federal. Além disso, houve muitas inundações no Sul e o impacto do fenômeno foi tão grande que até hoje causa transtornos na economia do Brasil, principalmente no setor elétrico e de alimentos.

Esse mais recente El Niño, que teve seu pico em dezembro de 2015, apresentou um dos maiores impactos do último século. Segundo o Climatempo, ele só não foi mais forte do que o fenômeno de 1997-1998. (Climatempo 22/09/2016)