Setor sucroenergético

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Fundo Gávea reduz participação na Cosan para menos de 5%

A Cosan Limited informou que o fundo de investimentos Gávea reduziu sua participação acionária na companhia para 7,9 milhões de ações ordinárias, o correspondente a 4,55% desses papéis.

Em última informação publicada pela empresa, no dia 20 de junho, o Gávea detinha 8,23% das ações ordinárias da Cosan.

Segundo o fundo, a participação na Cosan não tem o objetivo de alterar o controle ou a estrutura administrativa da companhia. (Valor Econômico 27/09/2016)

 

Escassez de açúcar e vendas de etanol ajudam reequilíbrio das usinas

A fase de bonança iniciada em 2015, quando a alta nos preços da gasolina levou muitos motoristas a abastecer seus carros com etanol, vem dando às usinas a chance de arrumar a casa após um longo período de receitas magras.

Agora a escassez de açúcar no mercado externo impulsiona os preços desse outro derivado da cana. Somente neste ano eles já subiram 25% no mercado internacional, para uma usina, exportar açúcar é até 20% mais rentável do que vender etanol no mercado interno. Como o clima tem ajudado, a previsão é que a produção de cana na safra 2016/2017 cresça 3% em relação à do ano anterior, indicando que não vai faltar etanol para abastecer a frota, pelo menos no curto prazo.

Com o mercado favorável, a prioridade das usinas é reduzir seu endividamento, que beira os 90 bilhões de reais, quase o valor da receita esperada para o ano todo. Essas dívidas foram se acumulando nos últimos oito anos, quando o excesso de açúcar derrubou as cotações globais e, para piorar, o governo brasileiro segurou os preços dos combustíveis para controlar a inflação (Exame, edição nº 1122)

 

Açúcar: Déficit estrutural

A perspectiva cada vez mais concreta de déficit na oferta mundial de açúcar nos próximos dois anos levou as cotações da commodity ao maior patamar desde 2012 na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 23,44 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 32 pontos.

"O déficit vai ser bem grande e não é só uma questão de problema climático, é estrutural. Para resolver é preciso ter investimento em aumento da capacidade, e isso não está ocorrendo atualmente", diz João Paulo Botelho, analista da FCstone.

Segundo a consultoria, a demanda mundial superará a oferta em 9,7 milhões de toneladas na safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 90 a saca de 50 quilos, alta de 1,06%. (Valor Econômico 28/09/2016)

 

Green Plains completa aquisição de plantas de etanol da Abengoa

A americana Green Plains, que produz etanol a partir do milho, anunciou que completou a aquisição das três usinas de biocombustível localizadas nos Estados Unidos da Abengoa Bioenergia, subsidiária da espanhola Abengoa, que está em recuperação judicial, e transferiu os ativos para uma subsidiária.

A aquisição das unidades de localizadas em Madison (Illinois), Mount Vernon (Indiana) e York (Nebraska) custaram US$ 237 milhões em dinheiro e alguns ajustes de capital de giro da Abengoa Bioenergia. Em seguida, as três unidades foram vendidas por US$ 90 milhões para a Green Plains Partners, subsidiária da companhia americana.

As três unidades estão em operação e agregarão à capacidade de produção de etanol da Green Plains 236 milhões de galões ao ano (equivalente a 896 milhões de litros). Em 12 meses, a companhia americana expandiu sua capacidade de produção em 50%, para quase 1,5 bilhões de galões por ano (5,7 bilhões de litros), segundo Todd Becker, CEO da Green Plains, em nota.

As plantas foram adquiridas no leilão judicial que a Abengoa Bioenergia realizou dentro de seu plano de proteção contra a falência nos Estados Unidos. A companhia também tem seis ativos na Europa e três no Brasil.

O escritório Husch Blackwell atuou como consultor legal da Green Plains e o DLA Piper atuou como consultor legal da Abengoa Bioenergia na transação. A consultoria Carl Marks prestou consultoria financeira. (Valor Econômico 27/09/2016)

 

São Martinho fará aporte em uma de suas unidades em SP

A São Martinho, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do Brasil, informou ontem que investirá R$ 44 milhões na expansão da capacidade de moagem da Usina Santa Cruz, situada em Américo Brasiliense, na região de Araraquara (SP).

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa disse que o aporte foi autorizado por seu conselho de administração. A capacidade de processamento de cana-de-açúcar da unidade será ampliada em 7,7%, dos atuais 5,2 milhões para 5,6 milhões de toneladas.

A empresa detalhou que os investimentos vão contemplar também o aumento no mix de açúcar já na próxima safra. Com a moagem maior, a São Martinho estima uma produção de 434 mil toneladas de açúcar, ante as 353 mil toneladas na capacidade atual. Com isso, a produção de etanol deve passar de 200 mil para 185 mil metros cúbicos, e a cogeração de energia, de 258 mil MWh para 247 mil MWh.

Em teleconferência com analistas no início de agosto, Felipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho, já havia sinalizado que a empresa pretendia investir no aumento da produção de açúcar e avaliava que a Santa Cruz era a unidade "mais viável" para que isso acontecesse. Além dessa usina, o grupo tem outras três unidades em operação, duas em São Paulo e uma em Goiás. (Valor Econômico 27/09/2016)

 

Etanol, em alta na usina, tende a subir nos postos Etanol

A maior parte dos motoristas do país ainda não sentiu os reflexos da valorização dos preços do etanol hidratado (utilizado diretamente nos tanques dos veículos) em curso nas portas de usinas e distribuidoras de combustíveis, impulsionada pela menor oferta do produto. Mas, segundo analistas, a ‘fatura’ vai chegar ao varejo nas próximas semanas.

Entre 18 e 24 de setembro, as cotações médias do biocombustível recuaram nos postos de 16 Estados e subiram em 11 unidades da Federação, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apesar das oscilações, houve poucas mudanças nas correlações com os preços da gasolina, ou seja, não houve perdas ou ganhos expressivos na ‘concorrência’ entre os combustíveis por consumidores. Mas, conforme o levantamento da ANP, para as distribuidoras o etanol ficou em média mais caro na semana passada em 17 Estados no período, sinal de que repasses ao consumidor final tendem a acontecer.

Nas bombas, a maior queda dos preços médios do etanol entre 18 e 24 de setembro foi no Acre, de 3% em relação à semana anterior, para R$ 3,263 o litro. Mas as cotações também cederam nos principais centros de consumo do país, ainda que em linha com baixas da gasolina. Em São Paulo, por exemplo, a retração foi marginal, para R$ 2,302 o litro, e essa média continuou a representar 67% do valor médio do concorrente fóssil. Em Minas Gerais, a retração observada foi de 1,1%, para R$ 2,505 o litro, mas a correlação se manteve em 69%.

Nesses dois Estados, porém, os preços pagos pelas distribuidoras subiram no período, reflexo de uma valorização observada na porta das usinas já há quatro semanas. Entre 19 e 23 de setembro, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado posto nas usinas de São Paulo alcançou R$ 1,6910 o litro, 4,3% mais que na semana anterior e valor 9,3% superior ao de cinco semanas antes.

Essa disparidade entre atacado e varejo indica que as distribuidoras que conseguiram comprar etanol antes do recente aumento de preços ainda estão segurando o repasse para garantir participação no mercado, avalia Tarcilo Rodrigues, presidente da Bioagência. Mas, para ele, esse comportamento não deverá durar mais que uma semana.

Rodrigues afirma que a valorização do hidratado nas usinas reflete uma antecipação da perspectiva de quebra da safra de cana, além de uma produção de fato menor em razão da preferência pela fabricação de açúcar. Ele acredita que os preços que as distribuidoras estarão pagando pelo etanol no início da próxima entressafra não serão muito diferentes dos praticados no começo da entressafra da última temporada, cerca de R$ 2 o litro. (Valor Econômico 27/09/2016)

 

Mercado interno de açúcar perde vantagem para exportações

As exportações de açúcar voltaram a remunerar mais que o mercado spot paulista, cenário que esteve atrelado ao aumento das cotações internacionais. Segundo pesquisadores do Cepea, usinas elevaram os valores de suas ofertas no mercado spot paulista, mas, como a demanda tem seguido fraca, foram poucos os negócios reportados.

Na segunda-feira, 26, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 89,06/saca de 50 kg, alta de 2,97% em relação à segunda anterior, 19. O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu 3,82% no mesmo período, fechando a segunda-feira em R$ 89,08/saca 50 kg.

A alta dos preços internacionais também influenciou o spot nordestino, onde algumas usinas priorizaram as exportações, reduzindo a oferta do produto para o mercado interno e aumentando as cotações. (Reuters 27/09/2016)

 

Demanda firme dobra negócios de hidratado em uma semana

O volume de etanol hidratado comercializado no estado de São Paulo na última semana mais que dobrou em relação à anterior. Distribuidoras se mostraram interessadas em adquirir grandes quantidades no spot, diante da possibilidade de novas altas de preços.

Do lado das usinas, conforme pesquisadores do Cepea, mais unidades estiveram ativas, atraídas justamente pelos maiores valores, que vêm sendo observados no correr de setembro, apesar de ser pico de colheita. O Indicador Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,6910/litro entre 19 e 23 de setembro, aumento de 4,3% frente ao da semana anterior.

Para o anidro, a valorização foi ainda mais forte no período, refletindo a maior demanda de estados do Sul do País – o Indicador semanal Cepea/Esalq fechou a R$ 1,8896/l, aumento de 6,9% na mesma comparação.

O Indicador Esalq/BM&FBovespa do hidratado, posto Paulínia (SP), fechou a R$ 1.653,50/m3 (sem impostos) na segunda-feira, 26, alta de 2,6% sobre a segunda anterior. (Reuters 27/09/2016)

 

Com açúcar, China começa a rever política de estoques

O Ministério do Comércio da China anunciou uma investigação sobre as importações de açúcar do país nos últimos cinco anos. A apuração ocorrerá num momento em que os chineses se preparam para descarregar no mercado um excedente de reservas do produto, acumulado na época em que o governo fixou os preços mínimos em um patamar elevado demais.

A estratégia de Pequim para o açúcar pode ser um importante sinal do que poderá acontecer nos mercados de grãos, mais importantes estrategicamente. Nessa esfera, a China está tendo dificuldades para reduzir os imensos estoques acumulados nos últimos anos, também inflados por compras do governo a preços superiores aos praticados no mercado.

As cotações mínimas estabelecidas pelas regiões chinesas produtoras de açúcar inflacionaram os preços domésticos e estimularam as importações do produto, já que no mercado internacional havia negócios mais em conta. No ano passado, as Províncias de Yunnan, Guangdong e Hainan eliminaram suas políticas de preços mínimos, o que fez com que os produtores chineses de cana plantassem menos, o que levou, ao mesmo tempo, as usinas chinesas a enfrentarem custos de produção elevados.

Assim, essa investigação sobre as práticas de importação ocorrem em um momento em que a China se prepara para vender uma parte das reservas, atualmente estimadas em 7 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 40% do consumo interno anual. A China poderá vender nada menos que 2 milhões de toneladas dessas reservas nos próximos 12 meses, o que constituiria a primeira venda do gênero em quatro anos, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg na semana passada.

As políticas de preços mínimos da China para algodão, milho, arroz, trigo e açúcar foram implementadas há muito anos, como uma tentativa de preservar as receitas dos produtores rurais e das poderosas cooperativas estatais do país. Mas, quando os preços passaram a divergir demais das cotações de mercado, essas políticas acabaram abrindo espaço para fraudes generalizadas no sistema de estoques.

Paralelamente, as mesmas políticas acabaram por estimular grandes volumes de importações, alguns contrabandeados. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas de açúcar foram contrabandeados para a China apenas em 2015.

A política de reservas também elevou a demanda da China por uma série de produtos agrícolas a patamares irreais, impulsionando o crescimento do plantio no exterior e exacerbando a diferença entre os preços chineses e os do mercado internacional.

O governo avançou com cautela em seus esforços por dirimir o problema por meio da eliminação dos preços mínimos, uma vez que as autoridades governamentais de planejamento temem que um colapso dos preços leve a uma queda acentuada da produção interna, o que deixaria a China estrategicamente vulnerável.

Em contrapartida, a tentativa de substituir os preços mínimos por subsídios diretos aos produtores de milho, trigo e arroz se mostrou complicada do ponto de vista internacional. Na semana passada, os EUA contestaram subsídios concedidos pela China na Organização Mundial de Comércio (OMC). (Valor Econômico 28/09/2016)