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Cosan vende por R$ 1 bi fatia de negócio de terras

Participação na Radar foi vendida à Mansilla Participações, veículo de investimentos do fundo de pensão dos professores americanos.

O Grupo Cosan, de Rubens Ometto Silveira Mello, anunciou a venda de uma fatia não revelada na Radar, empresa de terras do grupo, por R$ 1,06 bilhão à Mansilla Participações Ltda., veículo de investimentos do fundo de pensão dos professores americanos (Tiaa, na sigla em inglês). A Mansilla já era acionista da companhia.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa ainda que manterá uma participação em ações ordinárias na Radar, em função de sua importância para o setor. “O fechamento definitivo da operação está condicionado à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”, afirma o texto.

Segundo informações do site da Cosan, a Radar tem hoje mais de 550 propriedades espalhadas nos Estados de São Paulo, Goiás, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Tocantins e Bahia. Sediada em São Paulo, tem escritórios regionais em Piracicaba (SP), Jaú (SP), Diamantino (MT) e Balsas (MA). O portfólio da Radar valeria hoje R$ 5,2 bilhões, segundo a empresa.

Além de comprar terras, a Radar também ficou conhecida no mercado por aplicar tecnologia na gestão de suas fazendas. De acordo com a companhia, o total investido pelos sócios no negócio é de aproximadamente R$ 2,9 bilhões.

Diversificação

A Radar faz parte da estratégia de diversificação do portfólio do Grupo Cosan. Além de ser dona de ativos no setor de açúcar e álcool, o grupo de Rubens Ometto também é sócio da Raízen (joint venture com a Shell, que tem a licença da marca holandesa no Brasil) e da Rumo-ALL, que se formou após o negócio original de logística ferroviária do grupo (a Rumo) ser unido à América Latina Logística.

A Cosan estaria também de olho em novas oportunidades de expansão. Ometto já declarou ter interesse, por exemplo, em ativos que a Petrobrás colocar à venda. (O Estado de São Paulo 30/09/2016 às 21h: 48m)

 

Produtividade da cana-de-açúcar cai em Piracicaba (SP), mas remuneração sobe 35%

No município do interior de São Paulo, quebra chega a 10%, mas preços do açúcar garantem preços melhores ao produtor

A colheita da cana-de-açúcar em Piracicaba, no interior de São Paulo, já atingiu 80% da área, de acordo com a Cooperativa dos Plantadores de Cana de São Paulo (Coplacana), e os primeiros números mostram que a produtividade caiu 10% em relação à safra passada. Por outro lado, a remuneração cresceu 35% em um ano. O presidente da Coplacana, Arnaldo Bortolotto, explica que o preço deu açúcar garantiu esta alta.

“Essa foi uma safra que tinha tudo para ser boa, mas enfrentamos uma quebra de 10% a 12%. O açúcar alavancou o preço depois de três anos de baixa remuneração, mas o produtor não vai sair do endividamento por causa dessa quebra”, aponta o dirigente.

Para 2017, a expectativa é de uma safra menor, isso porque o endividamento dos produtores somado a uma necessidade de reforma dos canaviais deve influenciar no resultado final em 2017. (Canal Rural 30/09/2016)

 

Contratos de açúcar são cancelados

Por Camila Souza Ramos Por mais que as usinas estejam maximizando a produção de açúcar, as tradings identificaram alguns cancelamentos de contratos de exportação ("washout"), embora em volumes menos expressivos do que em outras ocasiões.

Os relatos chegaram a tumultuar o mercado futuro de açúcar recentemente, mas estima-se que o volume que deixará de ser embarcado é bem menor do que no fim da safra passada. Segundo Eduardo Sia, trader da trading francesa Sucden, cerca de 3% dos contratos para exportação de açúcar de alta polarização (VHP) foram cancelados até o momento, o que equivaleria a algo entre 40 mil toneladas e 50 mil toneladas.

O movimento de "washout" é comum quando o fim da safra começa a ficar mais definido e as usinas vão compatibilizando o volume comprometido para exportação com o quanto deverão de fato produzir e exportar. No segundo semestre do ano passado, esse movimento foi mais forte, já que as usinas estavam dando prioridade à produção de etanol, que então estava mais rentável que o adoçante. Em agosto de 2015, as usinas já haviam cancelado contratos que correspondiam a cerca de 500 mil toneladas de açúcar.

Nesta safra, uma parte dos cancelamentos deveu­se à incapacidade de algumas usinas em produzir o açúcar esperado, após investimento e adaptações em suas fábricas de açúcar que não tiveram o desempenho esperado, diz o trader da Sucden. "Foram grupos que investiram em partes da indústria, mas acabaram sofrendo para ajustar a fábrica. Com isso, comprometeram-se com um volume que não conseguiram entregar", afirma.

A redução da produtividade de algumas áreas de cana é outro fator que tem servido de alerta para as usinas, afirma Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da Czarnikow. Alguns períodos longos de seca em algumas áreas do Centro­Sul têm impactado negativamente as lavouras e fizeram as usinas reduzirem o ritmo de moagem em agosto, observa.

Mais do que uma produção menor, os "washouts" também estão sendo realizados porque a fixação de preços do açúcar ocorreu de forma bastante acelerada nesta safra, observa Murilo Aguiar, da consultoria FCStone. "Se não tivessem fixado tanto, talvez não teria acontecido isso".

Algumas usinas também podem estar cancelando contratos de exportação para estender seus compromissos de entrega para o próximo ano, já que o contrato do açúcar demerara negociado na bolsa de Nova York para entrega em março de 2017 está remunerando mais do que o papel para entrega em outubro deste ano. Na sessão de sexta-feira, a diferença (spread) ficou em 47 pontos, mas a diferença já chegou a 70 pontos durante algumas sessões de duas semanas atrás.

Segundo Akamine, da Czarnikow, estipula-se que uma troca de posições (rolagem) só é vantajosa para a usina se o spread estiver em ao menos 60 pontos, já que a empresa precisa pagar uma multa pelo cancelamento do contrato e ainda arcar com os custos de armazenamento do açúcar. "Além disso, corre o risco de perder qualidade, porque o açúcar vai recebendo umidade, o que deteriora a cor", acrescenta. (Valor Econômico 03/10/2016)

 

Moagem de cana

Com o tempo mais firme no Centro-Sul em setembro, as usinas retomaram a moagem de cana. Segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), na primeira quinzena do mês foram processadas 37,67 milhões de toneladas de cana, alta de 26,8% na comparação anual, enquanto a produção de açúcar cresceu 44%, para 2,4 milhões de toneladas.

Nesse ritmo, a entidade avalia que a moagem deve "ficar próxima do limite inferior" estimado no início da safra, de 605 milhões de toneladas.

No ciclo passado, as usinas da região moeram 617 milhões de toneladas.

Ainda assim, a perspectiva para a produção de açúcar é que o resultado final se aproxime do volume máximo previsto, de 35 milhões de toneladas. (Valor Econômico 03/10/2016)

 

Safra de açúcar bate recorde e deve chegar a 38,7 milhões de toneladas

O clima corre normal nas áreas canavieiras da região centro-sul. Chove acima da média, embora essa chuva se distribua de forma irregular pelos Estados produtores da região.

A avaliação é do Julio Maria Borges, da consultoria JOB Economia e Planejamento. Diante desse cenário, ele acredita que a moagem de cana fique em 632 milhões de toneladas na safra 2016/17 na região centro-sul, somando 685 milhões em todo o Brasil.

Com isso, a produção de açúcar deverá atingir o patamar recorde de 35 milhões de toneladas no centro-sul, subindo para 38,7 milhões quando os Estados do Norte e do Nordeste são incluídos nessa conta.

Com o avanço da produção, o centro-sul fará exportações recordes de 25,1 milhões de toneladas de açúcar, ante 23 milhões na safra anterior.

O consumo de etanol como combustível cai para 28 bilhões de litros no país. Deste volume, 23,6 bilhões serão na região centro-sul.

Já as importações crescem e devem atingir 1,1 bilhão de litros na safra 2016/17. Boa parte desse produto importado deverá ir para o Nordeste, que terá oferta menor de produto do centro-sul nesta safra.

Safra açucareira

A opção maior das usinas pela produção de açúcar é apontada nos dados mais recentes divulgados pela Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) sobre o setor.

Pelo menos 46% da cana moída até o final da primeira quinzena deste mês foi destinada à produção de açúcar. No ano passado, o percentual era de 41,6%.

O açúcar, com oferta mundial de produto abaixo da demanda, é mais rentável para a indústria. Os preços atuais superam em 100% os de há um ano na Bolsa de commodities de Nova York.

Etanol

A produção total de álcool está estável nesta safra, em 18 bilhões de litros. Cresce a de anidro, que foi a 7,4 bilhões, 12% mais ante igual período da safra anterior, mas cai a de hidratado, que está em 10,6 bilhões, 7% menos (Folha de São Paulo 01/10/2016)

 

Louis Dreyfus tem aumento de 3,8% no lucro no 1º semestre

A Louis Dreyfus Commodities teve um lucro líquido de US$ 135 milhões no primeiro semestre, um pouco maior que os US$ 130 milhões registrados no mesmo período de 2015.

As vendas, porém, caíram 11% em valor no mesmo período, para US$ 23,5 bilhões. O volume de produtos embarcados cresceu 1% na mesma comparação, impulsionado pelas exportações de grãos e oleaginosas na América do Sul, divulgou a companhia, adicionando que também houve um incremento nas entregas de algodão, café e metais.

“Estou especialmente satisfeito que neste ambiente desafiador para o nosso setor, fomos capazes de trazer resultados satisfatórios e até mesmo elevar o volume de vendas”, disse o CEO, Gonzalo Ramirez Martiarena, no texto de divulgação. "O ambiente externo continuou difícil durante o primeiro semestre de 2016, com o crescimento da China desacelerando, a recuperação do EUA que ainda não contaminou outras grandes economias, e inúmeros casos de instabilidade política e as tensões geopolíticas”, continuou. (Valor Econômico 29/09/2016)

 

China deve leiloar 350 mil t de açúcar de reservas estatais em outubro

A China, maior compradora de açúcar do mundo, vai leiloar 350 mil toneladas de açúcar de suas reservas estatais no fim de outubro, disse o órgão de planejamento do país nesta sexta-feira, uma medida que poderia afetar os preços globais da commodity, que são negociados perto da máxima em quatro anos.

O preço mínimo do leilão será estabelecido em 6.000 iuanes (900 dólares) por tonelada, disse a Comissão de Desenvolvimento e Reforma Nacional em seu site.

A venda, a primeira em cinco anos, vinha sendo amplamente antecipada, com os preços locais pairando perto de 6.000 iuanes desde que atingiram esse nível no fim de julho.

A China comprou açúcar para suas reservas pela última vez em 2013 pelo preço base de 6.100 iuanes (915 dólares) por tonelada, o que levou a uma visão de que os preços precisariam estar nesse nível para o país vender os estoques sem ter perdas.

Operadores disseram que a venda já foi levada em conta nos preços e o pequeno volume não deverá gerar um grande impacto no mercado.

"Não é uma situação baixista na China por conta da quantidade", disse um operador baseado em Singapura, que não quis ser identificado porque não tem permissão para falar com a imprensa.

"Vai haver mais (leilões). A questão é quando eles vão liberar o próximo lote", adicionou o operador. (Reuters 30/09/2016)

 

Açúcar: O preço do risco – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Com a expiração do contrato futuro de açúcar em NY com vencimento para outubro/2016, nesta sexta-feira, 750.000 toneladas foram entregues. Diria que a entrega foi um evento sem importância. Única observação é que a mesma trading que recebeu açúcar na bolsa, em substancial volume, nos últimos cinco ou seis vencimentos, foi a que mais entregou nesta expiração. Não vejo que alguém possa perceber essa entrega por parte da trading como um fator baixista especialmente porque, com a parceria que eles possuem com um grande grupo produtor, a entrega pode ser apenas uma acomodação que atenda às necessidades comerciais de ambas as partes.

O vencimento outubro encerrou negociado a 22.53 centavos de dólar por libra-peso, 40 pontos de alta em relação à semana anterior. A fixação de preço com base no fechamento desta sexta-feira e usando a taxa do dólar do Banco Central, aponta para R$ 1.683 por tonelada FOB, um valor bastante elevado. O vencimento março/2017, que agora passa a ser o primeiro mês de negociação, apreciou 23 pontos. Todos os demais meses fecharam praticamente inalterados com pequena oscilação de 5 pontos para cima até 9 pontos de queda.

“Ah, se eu tivesse esperado um pouco”, reclama o trader de uma usina por já ter fixado boa parte de sua exportação. Não vale a pena olhar o mercado pelo retrovisor. Nenhum trader vai acertar o olho da mosca voando. Importante é fixar bons preços quando surgem as oportunidades, construindo assim, disciplinarmente, uma média bastante remuneradora. Mais felizes tem sido as empresas com limite de crédito restrito em função do balanço, pois só podem fixar preços com as tradings quando se aproxima o embarque e, consequentemente, tem conseguido melhores preços em centavos de dólar por libra-peso do que aquelas com tranquilidade financeira. Ironias do mercado.

Vejo com muita cautela mercados que, apesar de os fundamentos mostrarem que os preços devem se sustentar, sobem muito rapidamente e caem com a mesma força em questão de minutos. O mercado de açúcar teve duas grandes oscilações (máxima menos a mínima do dia) no mês de setembro, uma de 175 pontos e outra de 142 pontos, a volatilidade também subiu. A percepção de risco aumentou. Enquanto isso, os fundos não-indexados estão comprados 348.000 contratos, o equivalente a 17.7 milhões de toneladas de açúcar e estão ganhando muito dinheiro no açúcar. O trimestre acabou, será que os fundos vão realizar esse lucro agora?

Temos razões para acreditar que o mercado deve se estabilizar entre 22-24 centavos de dólar por libra-peso. No entanto, como sempre ocorre no mercado de commodities, não poderíamos descartar uma subida repentina de preços alimentada por um eventual pânico por parte de quem ainda não conseguiu cobrir suas necessidades no físico e por recompras de posição para atender a eventuais operações de wash-out. Chamadas de margem podem acionar compra de calls (opções de compra) fora do dinheiro. Nesta sexta-feira, curiosamente, foram negociados 5.000 lotes de call com preço de exercício de 24.50 centavos de dólar por libra-peso, referenciadas no março/2017, mas com vencimento em dezembro/2016. O preço do seguro para se livrar da incerteza, neste caso, foi perto de US$ 3.7 milhões.

O mês de setembro fechou com o preço médio de fechamento de NY de 21.35 centavos de dólar por libra-peso contra a nossa previsão de 20.61 centavos de dólar por libra-peso, de acordo com o modelo de preços. Esse desempenho acima do que esperávamos pode ser uma indicação de que o mercado já antecipou a alta de preços que projetávamos para o último trimestre deste ano, ou seja, 22.42 centavos de dólar por libra-peso para o outubro, 22.54 para novembro e 23.44 para dezembro. A conferir.

De acordo com os números publicados pela Agência Nacional do Petróleo, o consumo de combustíveis em agosto/2016 em gasolina equivalente foi de 4.48 bilhões de litros, o maior consumo mensal desde março deste ano. O consumo acumulado de doze meses (setembro de 2015 até agosto de 2016) atingiu 53.18 bilhões de litros, uma queda 1.72% em relação ao mesmo período do ano passado. Se o consumo mantiver esse ritmo, poderemos encerrar o ano de 2016 com uma retração de apenas 1% em relação ao ano passado, muito melhor do que o mais otimista analista poderia esperar.

O risco político nos Estados Unidos, com uma eventual vitória do candidato republicano pode aquecer o mercado de petróleo e as demais commodities com efeito positivo na arbitragem do etanol versus açúcar. O debate mediano entre os Hilary e Trump demonstra que a falta de líderes “com substância” é um fenômeno global (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)