Setor sucroenergético

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Açúcar: Ajuste técnico

Um movimento de ajustes técnicos derrubou os contratos futuros do açúcar demerara em Nova York ontem.

Os papéis para maio fecharam a 22,31 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 60 pontos.

"Não houve notícias relevantes que mudassem muito a figura dos fundamentos, apenas a revisão da comissão européia sobre a estimativa de safra, mas um aumento marginal que não muda o cenário do mercado", afirma Bruno Zaneti, analista da FCStone.

A commodity tem sido sustentada pela perspectiva de déficit na oferta mundial, avaliado em 6,45 milhões de toneladas na safra 2016/17 pela consultoria S&P Global Platts.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 95,50 a saca de 50 quilos, alta de 0,43%. (Valor Econômico 07/10/2016)

 

Aumento do ICMS para o etanol em MG ameaça investimentos de R$ 100 milhões

Proposta de elevação do imposto pode atrapalhar planos de expansão das usinas do Estado.

Por enquanto, a medida que elevará o ICMS do etanol de 14% para 20% é apenas uma proposta de projeto de lei, enviada pelo governo estadual à Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Mesmo assim, já gerou temores suficientes para o setor produtivo repensar investimentos. Somente a Usina Coruripe, que tem quatro unidades no Triângulo Mineiro, vai reavaliar um plano de expansão e modernização de R$ 100 milhões, previstos para os próximos 12 meses.

O diretor presidente da Coruripe, Jucelino Sousa, afirma que o grupo recebeu a notícia da elevação da alíquota do ICMS com muita surpresa. “Há menos de dois anos, o governo baixou a alíquota para 14% e isso foi essencial para o setor retomar investimentos. Agora muda o que foi feito e vem uma sensação de insegurança, pois o aumento vai reduzir o consumo e a competitividade do etanol. Estávamos com um plano de investimento de R$ 100 milhões, no entanto, com a mudança das expectativas, ele será revisado. Se tem baixa demanda, não tem retorno”, diz.

A Usina Coruripe gera 7.000 empregos diretos e outros 5.000 indiretos. No ano passado, produziu 11,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Para 2016, a previsão é chegar a 11,6 milhões.

O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, afirmou que o projeto de lei anunciado pelo Estado provocou grande decepção e confirmou que a medida vai afastar investimentos. “Nos últimos anos, nove usinas foram fechadas em Minas. Há um ano e meio, graças à redução do ICMS do etanol para 14%, a recuperação começou. Já havia até investidores interessados em reabrir algumas dessas usinas paradas e também em expandir as demais, que, ao todo, são 35”, lamenta.

“Entendemos as dificuldades financeiras do Estado, mas não é o etanol que vai resolver isso”, enfatiza. Segundo ele, antes de onerar a cadeia produtiva, o governo deve considerar a força do setor, que gera 61 mil empregos no Estado.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Fazenda explicou que “as propostas têm como objetivo adequar a carga tributária do Estado, com base em estudos técnicos que apontaram os segmentos em que há necessidade de alteração das alíquotas e taxas cobradas atualmente”.

Minas pode perder guerra fiscal

Além do aumento do ICMS para o álcool e para a gasolina, o governo mineiro quer criar mais taxas ambientais. A medida está prevista no Projeto de Lei (PL) 3.811/16 e foi reprovada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “O impacto direto, se o projeto de lei for aprovado, é no caixa das empresas”, diz o gerente de meio ambiente da entidade, Wagner Soares Costa.

De acordo com ele, o licenciamento ambiental de uma empresa de grande porte e grande potencial poluidor (classe 6), que hoje varia de R$ 90 mil a R$ 120 mil, deve ficar na casa dos R$ 165 mil. “O problema é que as taxas não vão ter impacto na qualidade dos serviços dos órgãos ambientais que hoje convivem com diversos problemas estruturais, entre eles, de falta de pessoal”, reclama. O especialista da Fiemg ressalta que com mais taxas ambientais, o Estado vai se tornar menos atrativo para novos investimentos, perdendo a guerra fiscal com outros Estados. “E também estão previstos aumento nos valores de emolumentos e taxas judiciárias”, observa.

O presidente da Associação de Notários e Registradores de Minas Gerais (Anoreg-MG), Roberto Dias de Andrade, informou que a entidade está avaliando o impacto do Projeto de Lei 3810/2016, que trata do aumento. (Jornal O Tempo MG 06/10/2016)

 

Geada prejudica colheita de cana e 500 safristas são demitidos em Itapetininga (SP)

Geada fez com que a colheita fosse adiantada na cidade. 'Agora tem que correr atrás de outro emprego', lamenta ex-funcionário.

A geada no mês de junho fez com que a produção de cana-de-açúcar caísse e o fim da colheita precisasse ser antecipado para setembro, em Itapetininga (SP), segundo os agricultores. Assim, em uma usina da cidade, pelo menos 500 trabalhadores rurais foram demitidos porque não há mais cana para colher.

O diretor agrícola João Elias Freitas relata que o resultado inesperado obrigou o corte de funcionários. “Foi um ano muito atípico pela severidade da geada que aconteceu em junho. Então, os contratos foram encurtados de dezembro para final de setembro pela diminuição da produção”, explica.

Pego de surpresa pelo corte de funcionários, o safrista Everton Renato Fernandes revela que teme pelas dívidas devido ao contrato ter terminado antecipadamente. “Tem conta de água, luz e aluguel para pagar. E agora tem que correr atrás de outro emprego”, lamenta.

Acostumado com a inconstância do trabalho temporário, o fiscal de colheita José Reginaldo de Sousa veio da Paraíba só para trabalhar na usina. No entanto, a demissão já o faz pensar em voltar para a casa. “Na nossa terra a gente cria umas cabeças de gado, a gente chega lá e toma conta. Quando venho para trabalhar nessas safras é meu pai que toca. E agora é voltar, rever a família e seguir com a vida”, conclui.

Especialista no tema, o advogado trabalhista Iovani Brandão Tini diz que os trabalhadores têm direito a receber os valores proporcionais aos dias trabalhados. Entretanto, aconselha que os demitidos revejam o contrato assinado junto com a empresa caso a pessoa tenha a intenção de entrar com um pedido de indenização.

“É devido aos trabalhadores, na rescisão do contrato de safra, as férias proporcionais, saldo de salário, levantamento do FGTS e 13º proporcional. Vai existir uma controvérsia se esses trabalhadores têm direito ou não a uma indenização pela rescisão antecipada do contrato. Mas aí vai depender se existe uma cláusula contratual de rescisão recíproca de contrato ou se não houver”, afirma Tini.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais, Moisés Brandão dos Santos, a instituição está à disposição de quem precisar de ajuda. “Havendo a procura, tendo na região outros tipos de trabalho rural disponíveis, esses trabalhadores podem ser realocados”, pontua. (G1 06/10/2016)

 

Fundamentos de mercado guiarão commodities no 4º tri, aponta INTL FCStone

As commodities agrícolas devem se comportar muito mais guiadas pelos fundamentos de cada mercado do que por fatores conjunturais macroeconômicos no último trimestre de 2016. Quem afirma é o Diretor de Inteligência de Mercado da INTL FCStone, Thadeu Silva, em relatório especial.

A consultoria destaca suas análises para os próximos meses com foco para o clima, cujos impactos podem afetar a produção em diversos mercados. Cotonicultores chineses e norte-americanos, por exemplo, têm sofrido com as chuvas em algumas regiões.

“Os primeiros algodoais semeados em abril agora precisam de um tempo mais seco para serem retirados do campo e a preocupação de que o tempo mais úmido se estendesse pelos próximos meses, quando ocorrerá a colheita nas principais áreas produtoras, criou grande inquietação nos mercados de futuros nas últimas semanas”, aponta o relatório. As previsões ainda indicam um tempo mais seco ou similar à normal climática para o trimestre, pelo menos nos Estados Unidos.

Para a produção brasileira de commodities, a desvalorização cambial ainda garante rentabilidade, mas a restrição de crédito e a logística deficitária impedem o avanço da produção. Por outro lado, o produtor agrícola deve sentir uma redução da participação dos fertilizantes nos custos.

“O valor das commodities agrícolas no Brasil tem apresentado maior força que no mercado internacional, e com os preços dos fertilizantes em queda, as relações de troca no país se encontram nos níveis mais baixos dos últimos anos”, destaca a INTL FCStone em relatório.

No cenário internacional, os receios em relação a uma desaceleração mais acentuada da demanda chinesa perderam força ao longo do ano. Os dados mais consistentes de consumo das famílias e os excelentes níveis de importação de commodities agrícolas são o principal fator de sustentação dos preços internacionais.

Além disso, os mercados internacionais têm se mostrado mais calmos em relação às consequências do Brexit, tendo em vista o baixo impacto do resultado do referendo no nível de atividade inglês.

A consultoria ainda destaca a provável alta da taxa de juros americana pelo Fed. Em meio a uma lenta recuperação do mercado de trabalho e baixos índices de inflação, a autoridade monetária americana ainda espera o momento certo para a elevação. “Esse movimento é chave para o comportamento das cotações das commodities no próximo ano”, resume o Diretor Silva. (INTL FCStone 06/10/2016)