Setor sucroenergético

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Raízen faz parceria com startup para antecipar projeção de safra de cana

A Raízen, uma das maiores empresas de energia do mundo, fechou uma parceria com a startup brasileira de inteligência artificial Space Time Analytics que deverá permitir à empresa prever, com até um ano de antecedência, a capacidade de produção da safra de cana-de-açúcar em todas as suas unidades.

Joint venture da empresa de infraestrutura e energia Cosan com a petroleira Shell, a Raízen afirmou que o modelo é inédito no país não só pelo formato, mas também pela escala de produção. A companhia é a maior produtora individual de açúcar e etanol de cana do mundo, com 24 unidades produtoras.

"Nossa parceria de inovação com a Space Time Analytics é estratégica e vai gerar um impacto positivo na utilização dos nossos ativos... aumentando a produtividade e reduzindo o risco operacional de nosso negócio", disse o vice-presidente-executivo de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, João Alberto Abreu, em nota enviada à Reuters.

A Raízen produz cerca de 2 bilhões de litros de etanol por ano, 4,5 milhões de toneladas de açúcar/ano e tem capacidade para gerar cerca de 940 MW de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

A previsão é que o novo sistema comece a operar nos próximos meses.

Segundo a Raízen, a parceria, firmada após um ano de trabalho conjunto, permitirá análise de dados agronômicos e meteorológicos, obtidos por meio de drones e de satélites, em tempo real, visando melhorar os processos de planejamento e de gestão de riscos.

A plataforma, em sua primeira versão, permitirá o gerenciamento de riscos em toda a cadeia, desde o plantio até a operação comercial.

A primeira solução da parceria estratégica, A-RowTM, automatizou a identificação de 100 por cento das linhas de plantio da Raízen, mapeando as falhas de plantio com melhor assertividade e em uma velocidade 20 vezes maior que com tecnologias convencionais.

A Space Time Analytics também pesquisa soluções de planejamento e gerenciamento de risco em outros setores, com foco especial no agronegócio e no setor de base florestal brasileiro e internacional. (Reuters 07/10/2016)

 

Biosev e IAC fazem parceria para desenvolver variedades de cana

Acordo prevê ações para a participação de técnicos em treinamentos e a instalação de uma rede de locais para ensaios de experimentos.

A Biosev e o Instituto Agronômico (IAC) assinaram nesta sexta-feira, dia 7, no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto (SP), um termo de parceria para o desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar. A parceria prevê ações para a participação de técnicos em treinamentos e a instalação de uma rede de ensaios nas 11 unidades da companhia sucroenergética.

"A parceria com o IAC vai impulsionar o desenvolvimento do nosso processo de tecnologia agrícola e a cooperação entre a empresa e o instituto", informou Ricardo Lopes, diretor Agrícola da Biosev.

Já o diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, afirmou que a maneira como a Biosev está distribuída no Brasil, com unidades em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e no Nordeste, "é a mesma maneira como nós escolhemos estudar cana, ou seja, em várias regiões e com vários contextos agroclimáticos".

Landell lembra que a rede de parceria do IAC com outras empresas do setor já soma 154 unidades. (Canal Rural 07/10/2016)

 

Açúcar: Menor moagem

As previsões de uma menor moagem no Centro-Sul do Brasil impulsionaram as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,63 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 32 pontos.

Segundo o escritório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) no Brasil, a moagem de cana-de-açúcar prevista para o país na safra 2016/17 é de 608 milhões de toneladas, abaixo das 630 milhões estimadas anteriormente pelo órgão. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, seguido da Índia, onde as condições climáticas impactaram a produtividade nesta temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 96,49 a saca de 50 quilos, alta de 1,04%.

 

Etanol hidratado sobe 1,76% e anidro avança 2,81% nas usinas paulistas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 1,76% nesta semana, de R$ 1,7299 o litro para R$ 1,7604 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado nesta sexta-feira, 7, pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Já o valor do anidro avançou 2,81%, de R$ 1,9152 o litro para R$ 1,9690 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 10/10/2016)

 

Açúcar: Procura-se um argumento baixista - Por Arnaldo Luiz Corrêa

Na longa e tortuosa estrada que nos conduz até o início da próxima safra de cana no Centro-Sul, em maio de 2017, a principal pedra no caminho em forma de dúvida com a qual o mercado se depara é sobre quanto mais os preços do açúcar na bolsa de futuros em NY podem subir?

Muitos dos participantes do Jantar do Açúcar em Londres, ocorrido na quinta-feira passada, trazem em sua bagagem na viagem de retorno a seus países de origem, a sensação de que os preços do açúcar no mercado futuro de NY ainda não estressaram em toda sua intensidade a falta de matéria prima (cana) que parece dar o tom no humor do mercado nos meses que virão.

Ainda é cedo para as previsões de safra da 2017/2018, mas existe um razoável consenso de que ela deverá ser inferior à safra corrente e que também mais açúcar deverá ser produzido com os recursos financeiros que as usinas e destilarias estão investindo para aumentar a capacidade de produção de açúcar. Com o hidratado e o anidro saindo a preços que equivalem ao açúcar bruto na bolsa negociado com descontos de 600-700 pontos em relação à NY, uma conta muito breve mostra que o investimento se paga em menos de 24 meses.
A renovação do canavial abaixo da média, o menor rendimento da cana devido ao clima e o envelhecimento médio da lavoura, colocam em xeque o número de toneladas que o Centro-Sul vai moer a partir do ano que vem. Menos de 600 milhões?

Então, tudo parece apontar para preços mais altos em NY, certo? Os fundamentos do açúcar continuam fortes. Não há viva alma que acreditava em meados de abril/2016 (açúcar a 15 centavos de dólar por libra-peso) que o mercado pudesse chegar onde chegou. Dissemos aqui naquele momento, que acreditávamos que o março/2017 pudesse chegar a 18 centavos de dólar por libra-peso. Recebemos e-mails jocosos chamando-nos de “os últimos altistas ainda vivos”. Pois então, 18 centavos de dólar por libra-peso, hoje, seria o sonho dourado daquelas tradings que permaneceram na contramão desta subida e grandes compradores que devotadamente acreditavam que iriam comprar açúcar bruto a 11 centavos de dólar por libra-peso alguns meses depois (hoje podem compram metade disso).

Agora, robustos 800 pontos de alta depois, todo mundo virou altista e ficou mais fácil caçar Pokémon em Trafalgar Square do que encontrar um fator baixista para esse mercado.

Olhando com a isenção e com a disciplina que sempre me nortearam para a tomada de decisões estratégicas, aprendi que ninguém quebra com lucro no bolso. Grande parte das usinas do Centro-Sul com notável capacidade de gestão possuem um custo de produção de açúcar em torno de 13.25 centavos de dólar por libra-peso posto usina, sem custo financeiro. Grosso modo, isso equivale a R$ 1.000-1.050 por tonelada de custo FOB Santos vis-à-vis um preço de fechamento (desta sexta-feira) de R$ 1.700 por tonelada. Não dá para dizer que alguém vai deixar de fazer fixação a um nível como esse.

As exceções são as usinas com endividamento em dólares. Essas, sem dúvida, devem esperar pois os preços em centavos de dólar por libra-peso podem subir. Mas, aquelas empresas que pensam em reais por tonelada não devem se apaixonar pelo mercado. Explico: com a melhora do quadro político e das perspectivas econômicas e consequente entrada de capital estrangeiro, as chances são grandes de que o real se valorize em relação ao dólar. O fechamento do vencimento março/2017 hoje, negociado a 23.42 centavos de dólar por libra-peso e com o real negociando a 3.2260, a fixação em reais é de R$ 1.736 por tonelada (embora ainda corra o risco de basis). Caso o real se valorize até 3,1000 para o ano seguinte, baseando-se nos meses de vencimento na bolsa maio, julho e outubro de 2017, para a usina ter o mesmo nível de fixação em reais, esses meses de vencimento, cujos níveis de fechamento nesta sexta-feira foram de 22.63, 21.82 e 21.19 centavos de dólar por libra-peso, respectivamente, precisarão se valorizar em 175, 250 e 325 pontos para permitirem o mesmo nível de fixação em reais de hoje.

Isso é altista ou baixista? Olha só, os valores em centavos de dólar por libra-peso teriam em tese que subir apenas para proporcionarem o mesmo valor em reais por tonelada. Isso coloca um teto na fixação em reais por tonelada, ou pelo menos a deixa muito menos flexível. Em resumo: o mercado de açúcar é altista em centavos de dólar por libra-peso e neutro para ligeiramente altista em reais por tonelada.

O etanol a ser produzido no Centro-Sul no próximo ano não será suficiente para a demanda de combustíveis (ciclo Otto) que estamos prevendo para 2017. Ainda mais se houver redução do preço de combustíveis pela Petrobrás para equalizar os preços internos com o mercado internacional. O etanol terá que subir dos atuais descontos para fazer frente ao aumento de produção de açúcar por parte das usinas para o ano que vem. Ou seja, acredito que se houver mudanças significativas de preço, eles poderão vir não de um acréscimo do preço do açúcar em reais por tonelada, mas de uma significativa melhora de preço do etanol internamente.

Petróleo abaixo de 50 dólares por barril muda a estrutura acima.

As eleições municipais no Brasil ocorridas na semana passada mostram o tamanho do descontentamento dos brasileiros com a organização criminosa que ficou no poder por 13 anos. O Partido dos Trabalhadores perdeu 60% das prefeituras de detinha. Estima-se que o partido perderá 50.000 cargos a partir de janeiro de 2017. Engrossarão a fila dos desempregados 50.000 pessoas que nunca trabalharam. Aos poucos a América do Sul vai exterminando esses comunistas (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)