Setor sucroenergético

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Etanol volta ao mapa da DuPont no Brasil

A DuPont decidiu retomar os investimentos em biocombustíveis no Brasil.

O grupo norte-americano vai tirar da gaveta o projeto de construção de uma planta de etanol flex, que pode utilizar tanto cana-de-açúcar quanto milho como matéria-prima.

Ao todo, desembolsará cerca de US$ 150 milhões.

O investimento é uma peça importante dentro da estratégia da DuPont no Brasil.

Trata- se de um projeto fundamental para dar escala ao laboratório de biotecnologia industrial que os norte-americanos montaram no ano passado, em Paulínia (SP).

A DuPont investiu mais de US$ 20 milhões para montar um centro de pesquisa e desenvolvimento de última geração no país, mas, até agora, ainda não conseguiu transformá-lo em fonte de receita.

O laboratório não fechou qualquer contrato com usinas sucroalcooleiras.

O projeto da planta de etanol flex estava congelado há quase dois anos.

A princípio, a DuPont condicionou sua execução à atração de parceiros.

Não faltaram tentativas, com Sumitomo, Cosan e Copersucar.

Mas nenhuma das conversas seguiu adiante.

A necessidade de impulsionar o laboratório de Paulínia, associada à recuperação do mercado de etanol, levou a DuPont a tocar o projeto sozinha. (Jornal Relatório Reservado 11/10/2016)

 

Ameaça ao açúcar brasileiro na China

Um imbróglio na tradução de documentos em mandarim se tornou um risco adicional para as vendas brasileiras de açúcar à China. Termina amanhã o prazo de 20 dias aberto por Pequim para a manifestação de exportadores que se sentem atingidos pelo processo que pode culminar na aplicação de salvaguardas ao produto. O tempo dado pelos chineses já foi considerado bastante apertado, mas tornou-se praticamente impossível de cumprir com um feriado local entre os dias 1 e 7 de outubro.

Se não responder ao questionário do governo asiático, o Brasil perde a chance de defesa no caso e se vê mais perto de sofrer com sobretaxas para o açúcar embarcado àquele mercado.

No dia 23 de setembro, a China resolveu abrir uma série de investigações relacionadas às crescentes importações de açúcar provenientes de vários países. O governo chinês informou na ocasião que seriam investigadas importações feitas desde 2011 e que estariam sob foco supostas medidas protecionistas de outros países concedidas ao açúcar produzido por eles.

O tempo concedido pelos chineses já havia sido considerado apertado, mas se tornou praticamente impossível de cumprir com um feriado local entre os dias 1º e 7 de outubro. Se não responder ao questionário do governo asiático, o Brasil perde a chance de se defender no caso e se vê mais perto de sofrer com sobretaxas para o açúcar embarcado àquele mercado.

Entre janeiro e setembro, as exportações de açúcar bruto à China foram de US$ 547 milhões. O ministro da Indústria, Marcos Pereira, está em Macau e aproveitou reunião com o ministro chinês de Comércio, Gao Hucheng, para fazer um apelo por mais tempo.

"Fizemos o pedido para que a China prorrogue o prazo para a defesa das nossas empresas, uma vez que o mercado chinês é muito relevante para o açúcar brasileiro", afirmou Pereira ao Valor.

O Brasil tem exportado cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano de açúcar para a China, o que representa 50% do total importado pelos chineses, e 10% de todo o volume de açúcar que o Brasil exporta. A China oferece uma cota de 1,95 milhão de toneladas com tarifa de 15% para a entrada do produto. Esse montante vale para todos os fornecedores, ou seja, é beneficiado quem chega primeiro. O que excede a cota paga 50%.

Se perder o prazo, o Brasil perde também a oportunidade de se defender em um momento crucial do processo. A notificação chinesa, segundo técnicos do governo brasileiro com conhecimento do assunto, não foi clara sobre as consequências da falta de resposta. O prazo de 20 dias já havia causado desconforto entre as autoridades.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entidade que representa as maiores usinas de açúcar e etanol do país, contratou um escritório de advogado chinês para auxiliar na tradução. "Não será possível respondermos a todas as questões, pois o documento com os questionamentos tem 91 páginas, mas vamos responder às questões gerais e acredito que haverá tempo", diz o diretor-executivo da Unica, Eduardo Leão.

O prazo de amanhã foi fixado para que os países interessados façam uma primeira manifestação. O Mofcon, ministério chinês da indústria e equivalente ao MDIC brasileiro, ameaça aplicar salvaguarda contra vários países, entre os quais Brasil, Tailândia, Coréia do Sul e Austrália. "Uma tarifa de salvaguarda seria muito negativa para nós, pois se trata do maior mercado para o açúcar brasileiro", diz Leão. O executivo ainda explica que, se confirmadas, as salvaguarda se aplicam a todo o açúcar exportado à China, independentemente da origem. (Valor Econômico 11/10/2016)

 

Setor sucroalcooleiro investe em sustentabilidade na lavoura de cana

Houve um tempo no qual o material resultante da produção agroindustrial era tratado como lixo. Hoje, os resíduos agroindustriais entram em um processo sustentável de ciclagem dos nutrientes que influencia na qualidade da produção agrícola, otimiza o uso dos recursos na lavoura, melhora o padrão de produção e enriquece os recursos naturais.

O engenheiro agrônomo Pedro Henrique de Cerqueira Luz, docente do departamento de Zootecnia da USP de Pirassununga (SP), explica que, usando técnicas de manejo de subprodutos da cana-de-açúcar, é possível economizar R$ 445 por hectare na fertilização de um canavial que produza entre 90 e 100 toneladas de cana por hectare. “Os sistemas de produção agrícola têm de procurar o caminho da eficiência com sustentabilidade, e nesse contexto o manejo da fertilidade do solo é fundamental”, opina.

Segundo Cerqueira Luz, há nove milhões hectares de cana-de-açúcar no Brasil. Destes, cerca de dois milhões utilizam resíduos sólidos e líquidos na fertilização. Ele explica que a técnica permite o uso de fertilizantes orgânicos, minerais e combinados com resultados positivos na produtividade da cana e ganhos tanto para o açúcar quanto para o etanol.

O engenheiro agrônomo vai mostrar experiências utilizando técnicas de ciclagem de resíduos na palestra “Manejo da fertilidade do solo para melhoria da produtividade das plantas" que ministrará no dia 19 de outubro, às 19h30. Ele participará da 10ª Semana de Agronomia da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirao Preto (AEAARP), que acontecerá de 18 a 20 de outubro com palestras com foco em tecnologias e planejamento para aumentar a produtividade no campo.

Para inscrever-se, os participantes devem doar dois quilos de alimentos não perecíveis. A inscrição pode ser feita na página www.aeaarp.org.br. (Brasil Agro 10/10/2016)

 

Etanol em alta nos postos do país

Após um período de "contenção" dos preços do etanol nos postos de combustíveis do país, as distribuidoras começaram a repassar ao varejo a alta do produto nas usinas, o que provocou um encarecimento generalizado do biocombustível aos motoristas na semana passada.

Conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), os preços médios do etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) subiram aos consumidores em 20 Estados na semana encerrada no dia 8. O movimento foi mais abrangente que na semana anterior, quando os preços avançaram em 14 Estados.

A tendência reflete uma valorização que o etanol hidratado vem apresentando nas usinas já há seis semanas. No período de 3 a 7 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para o produto negociado no Estado de São Paulo, que lidera a oferta nacional, ficou em R$ 1,7604 o litro, com altas de 1,76% sobre a semana anterior e de 13,77% em seis semanas. E essa valorização deve continuar a ser repassada aos postos, dado que costuma haver uma diferença de duas semanas para o amadurecimento dessa transferência, de acordo com Martinho Ono, presidente da SCA Trading.

A produção de etanol está menor nesta safra porque as usinas estão priorizando a fabricação de açúcar, que está mais rentável. Além disso, a perspectiva de uma safra mais curta também vem antecipando a alta dos preços.

Em São Paulo e Minas, principais polos de consumo de etanol no país, os preços aos motoristas passaram a representar mais de 70% dos da gasolina na última semana, o que afeta a competitividade do biocombustível. A maior parte do mercado considera que o etanol precisa custar até 70% do preço da gasolina para ser economicamente mais vantajoso.

Mas, nos dois Estados, ainda há uma diferença absoluta que pesa favoravelmente ao etanol. "Em alguns locais, enquanto o diferencial for superior a R$ 1, a demanda continua", diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Nos postos paulistas, o preço do etanol ficou em R$ 2,422 o litro na semana passada, alta de 1,42% em relação ao período anterior, mas com uma diferença de R$ 1,03 em relação à gasolina. Em Minas, o aumento foi de 2,9%, para R$ 2,625 o litro, com uma diferença de R$ 1,06 para o combustível fóssil.

De qualquer forma, a confirmação do movimento ascendente dos preços do etanol em breve deve começar a ter um efeito negativo sobre o consumo, que já está menor neste ano. A perspectiva é que os volumes vendidos encolham um pouco mais até o fim do ano, avalia Pádua. Para o diretor da Unica, o volume de venda de etanol hidratado nos próximos meses deverá cair de 15% e 20% na comparação com a média mensal vendida até agora, aproximadamente 1,3 bilhão de litros. (Valor Econômico 11/10/2016)

 

Complexo sucroalcooleiro é destaque nas exportações do agronegócio

As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 67,36 bilhões de janeiro a setembro deste ano, crescimento de 0,6% em relação ao mesmo período de 2015. As importações, por sua vez, somaram US 9,79 bi. Com isso, a balança foi superavitária em US$ 57,57 bilhões. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (7) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI), os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para as vendas externas do setor no período. Um dos destaques foi o complexo sucroalcooleiro. Só o açúcar cresceu 37,5%, com uma receita de US$ 7,37 milhões.

As vendas externas de milho chegaram a US$ 3,13 milhões de janeiro a setembro, 43,8% de aumento na comparação com o mesmo período do ano passado. Em quantidade, a alta foi ainda maior: 52,3% (18,78 milhões de toneladas).

A soja em grão teve uma redução de 3,4% na receita (US$ 18,5 bilhões). Segundo a SRI, o motivo é uma queda de 3,5% no preço médio.

O setor de carnes somou U$S 10,74 bilhões nas vendas externas, nos nove primeiros meses deste ano. Quase a metade é de carne de frango (48,2%). Depois, vêm a carne bovina (37,7%), carne suína (9,8%) e a carne de peru (2,2%).

Em relação ao mesmo período de 2015, apenas a carne suína e a de peru cresceram em valor (+12,2% e +1,8%, respectivamente). Mas, em volume, quase todas as carnes aumentaram, com destaque para a carne suína in natura, que cresceu 41,2% (474 mil toneladas).

Em setembro, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 6,91 milhões, o que representa uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2015.

Já nos últimos 12 meses (outubro de 2015 a setembro de 2016), as vendas externas totalizaram US$ 88,63 bi, 1% de acréscimo sobre o período anterior. (Diário do Comércio 10/10/2016)

 

ATR PE: Valor líquido cai 5,82% em setembro

O Sindaçúcar - Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do estado de Pernambuco divulgou, nesta segunda-feira (10), os valores do ATR acumulado referentes ao mês de setembro de 2016. O valor líquido fechou em R$ 0,8221 quilos por tonelada de cana-de-açúcar, com queda de 5,82% quando comparado ao preço praticado em agosto, que ficou cotado em R$ 0,8700 kg/t cana.

Em setembro, o ATR também registrou retração no valor final, fechando em R$ 0,8032. O preço é 5,82% menor do que os R$ 0,8500 proferido em agosto.

O valor bruto em setembro, posto na esteira, considerando a cana padrão em R$ 119,0063 kg ATR/t de cana, fechou em R$ 97,8351 contra R$ 103,5355 cotados em agosto. (UDOP 10/10/2016)