Setor sucroenergético

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Dreyfus vê boas perspectivas para indústria de açúcar do Brasil

Um forte aumento dos preços do açúcar este ano ajudou a transformar as perspectivas para a indústria de açúcar do Brasil, que agora tem um futuro brilhante, após muitas falências nos últimos anos, afirmou o presidente-executivo da Louis Dreyfus nesta quarta-feira.

"Você tem preços muito elevados, alta produtividade, bom tempo e acesso a financiamento mais barato e financiamento de longo prazo, por isso estou muito otimista com a indústria do açúcar (no Brasil), estou muito altista", disse Gonzalo Ramirez ao Reuters Commodities Summit.

A trading internacional de commodities Louis Dreyfus tem uma fatia controladora na brasileira Biosev, segunda maior processadora de cana do mundo.

Os contratos futuros do açúcar subiram a 23,90 centavos de dólar por libra-peso na semana passada, seu nível mais alto em mais de quatro anos. O preço do adoçante ganhou mais de 50 por cento até agora este ano.

A recuperação dos preços ocorre na sequência de uma queda prolongada que começou no início de 2011 e atingiu o seu ponto mais baixo em agosto de 2015, alimentada por excedentes de oferta. (Reuters 12/10/2016)

 

Archer cita menor rendimento agrícola e corta previsão de safra da cana

A Archer Consulting cortou nesta terça-feira, 11, sua estimativa para a safra de cana-de-açúcar 2016/17 no Centro-Sul do Brasil, de 618,5 milhões de toneladas em janeiro para 603 milhões de toneladas.

Em nota, o diretor da consultoria, Arnaldo Luiz Corrêa, disse que a revisão se deve à "queda no rendimento agrícola e a percepção geral do mercado de que haverá um final abrupto do ritmo de produção". Oficialmente, a temporada na principal região produtora do País vai de abril a março, mas neste ano adversidades climáticas prejudicaram os canaviais e muitas unidades produtoras devem encerrar os trabalhos já neste mês.

Em relação aos produtos, a Archer Consulting espera agora fabricação de 34,90 milhões de toneladas de açúcar, ante 34,35 milhões de toneladas na projeção anterior. No caso do etanol, a estimativa passou de 27,49 bilhões para 25,474 bilhões de litros, dos quais 10,40 bilhões de litros de anidro e 15,074 bilhões de litros de hidratado. (Agência Estado 13/10/2016)

 

Preço do açúcar segue em alta e se aproxima dos R$ 100 por saca

Por mais uma semana, representantes de vendas das usinas paulistas se mantiveram firmes quanto aos valores de suas ofertas, enquanto a demanda seguiu praticamente estável. Conforme pesquisadores do Cepea, apenas os compradores que realizaram contratos ou que contam com açúcar em estoque permaneceram fora do mercado spot.

Nesse contexto, na segunda-feira, 10, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180, atingiu R$ 96,43/saca de 50 kg, alta de 2,3% em relação à segunda anterior, 3.

A demanda externa pelo açúcar brasileiro também está aquecida. O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/Bvmf, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu 1,2% na semana, fechando a sexta-feira em R$ 94,38/saca 50 kg. (Cepea / Esalq 11/10/2016)

 

Em alta nas usinas, hidratado está menos competitivo nas bombas

Os preços dos etanóis anidro e hidratado tiveram novos aumentos nas usinas na última semana, mesmo com poucos volumes negociados. Segundo pesquisadores do Cepea, a proximidade do feriado desta quarta-feira, 12, não atraiu novos compradores ao mercado spot, até porque esses agentes já haviam formado estoques com produtos adquiridos anteriormente.

Entre 3 e 7 de outubro, o Indicador semanal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,7604/litro, aumento de 1,76% frente ao da semana anterior. O Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro (estado de São Paulo) foi de R$ 1,969/litro, alta de 2,81% em relação ao fechamento anterior.

Com essas recentes altas, os valores nos postos já perderam competitividade frente à gasolina. Entre 2 e 8 de outubro, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a relação média entre etanol hidratado e gasolina C nas bombas do estado de São Paulo foi de 70,2%.

O percentual acima dos 70% não era observado desde o início da safra 2016/17 no estado de São Paulo. Ao longo da temporada, o biocombustível ficou bastante vantajoso nas bombas, com média de 66%. (Cepea / Esalq 11/10/2016)

 

CTNBio vai analisar o primeiro pedido de liberação de cana geneticamente modificada

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) realizou nesta quinta-feira (6) uma audiência pública, com a presença da sociedade civil, para subsidiar a análise do primeiro pedido de liberação comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada. O processo é uma demanda do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que desenvolveu uma variedade da planta resistente à broca do colmo, praga comum no centro-sul do país.

Segundo o presidente da CTNBio, Edivaldo Velini, em duas décadas de existência, a comissão elaborou relatórios acerca de 74 pleitos de Liberação Planejada no Meio Ambiente (LPMA) de cana-de-açúcar transgênica. "Tivemos um fluxo maior até 2010, seguido de uma breve interrupção e uma retomada desses trabalhos a partir de 2014", disse Velini, acrescentando que processos de pelo menos sete empresas, além da CTC, já foram analisados.

Ele informou que os primeiros trabalhos avaliados, ainda nos anos 1990, tinham como objetivo a inibição de florescimento e tolerância ao estresse hídrico e aos vírus do amarelecimento foliar e do mosaico. "Durante certo tempo, buscou-se, principalmente, o metabolismo de carboidratos e acúmulo de sacarose, mas hoje predomina a resistência a insetos", ilustrou. Parte considerável dos processos tratou, ainda, de resiliência a herbicidas.

O CTC protocolou em 27 de dezembro de 2015 o pedido de liberação comercial que desencadeou a audiência pública. O processo em torno da cana-de-açúcar resistente à broca do colmo aguarda deliberação das subcomissões setoriais ambiental, animal, vegetal e de saúde humana da CTNBio.

"Hoje, os controles químico e biológico não são 100% eficazes, há dificuldade de aplicá-los corretamente e sempre existe uma incidência residual, quer dizer, não é possível abaixar além do limite de 2% de infestação da broca".

"Sem dúvida, essa praga está presente em todos os canaviais do centro-sul do Brasil, em maior ou menor intensidade", apontou o diretor de Negócios de Melhoramento Genético do CTC, William Burnquist, ao citar estimativas de que a broca (Diatraea saccharalis) causa perdas equivalentes a R$ 5 bilhões por ano. "Isso representa 500 mil hectares de cana-de-açúcar. Ou seja, nós estamos alimentamos esse inseto aqui no Brasil com um espaço superior a toda a área de cana plantada na Austrália, em Cuba ou nos Estados Unidos."

Burnquist ressaltou que programas de melhoramento genético têm alcançado eficiência no aumento de biomassa ou do teor de açúcar, por exemplo, mas ainda não se mostraram capazes de gerar resistência a insetos. "Hoje, os controles químico e biológico não são 100% eficazes, há dificuldade de aplicá-los corretamente e sempre existe uma incidência residual, quer dizer, não é possível abaixar além do limite de 2% de infestação da broca."

Indústria nacional

De acordo com o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, as 360 usinas sucroalcooleiras do Brasil movimentam anualmente R$ 100 bilhões de valor bruto por toda a cadeia, geram cerca de 1 milhão de empregos formais diretos e mobilizam 70 mil produtores independentes. "Somos o terceiro segmento na pauta de exportação do agronegócio do Brasil, principalmente no mercado de açúcar, com R$ 14 bilhões em divisas", disse. "Há impacto em mais de mil municípios."

Na visão de Sousa, o investimento em tecnologia canavieira costuma ter baixo retorno financeiro, porque predomina em países emergentes, diferentemente de culturas como beterraba e milho, presentes nos Estados Unidos e na Europa. "Muito disso é explicado pelo fato de não haver tanto interesse de grandes multinacionais em cana-de-açúcar", ponderou. "São as empresas nacionais que colocam recursos, em busca de avançar em produtividade."

A pesquisadora Monalisa Carneiro, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), citou números da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), formada por 10 instituições de ensino. "Nossos programas de melhoramento já liberaram 75 variedades genéticas – 19 delas na época do Planalsucar [Plano Nacional de Melhoramento de Cana-de-Açúcar] –, que atualmente representam 75% da área total cultivada de cana no Brasil."

Monalisa destacou a contribuição dos programas de melhoramento convencional para o aumento da produtividade, mas, para ela, os ganhos genéticos já não têm sido tão expressivos. "Portanto, a adoção de métodos biotecnológicos, como a transgenia, tem o potencial de ampliar o ganho genético, em torno da incorporação de nova variabilidade genética da cana-de-açúcar."

A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Sua finalidade é prestar apoio técnico-consultivo e assessoramento ao governo federal para formular, atualizar e implementar a Política Nacional de Biossegurança. (MCTIC 11/10/2016)

 

Prejudicado pelo clima, GO deverá ter quebra de 13% na safra de cana

Em outras localidades do país, como São Paulo e Paraná, a redução de produção será da ordem de 4%.

A safra de cana-de-açúcar 2016/2017 em Goiás, segundo maior produtor do País, deverá ter quebra de 13%, segundo avaliações do Sifaeg e do Sifaçúcar, sindicatos que representam o setor produtivo local. O Estado foi um dos mais afetados pelas adversidades climáticas neste ano, em especial a estiagem. Em outras localidades do País, como São Paulo e Paraná, a redução de produção será da ordem de 4%.

Em nota enviada ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, os sindicatos citam ainda que a temporada em Goiás registrará a chamada "morte súbita", fenômeno no qual, por falta de chuvas, a cana para de se desenvolver e tem de ser colhida precocemente, tendo como consequência perda de rendimento na indústria. No comunicado, o presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar e também do Fórum Nacional Sucroenergético, falou sobre os impactos do clima desfavorável. "Um reflexo da crise é que começamos o ano com cinco empresas em recuperação judicial no Estado de Goiás e estamos encerrando o ano com 10 empresas nessa condição", afirmou.

Conforme o levantamento, no ano passado, até o fim da primeira quinzena de outubro, duas usinas haviam parado a moagem. Nesta safra, já são 12 unidades que encerraram a produção. No total, 60% das usinas terão encerrado a safra até o fim deste mês. A expectativa é de que o ciclo praticamente se encerre em novembro. Apenas duas das 36 unidades em operação em Goiás vão produzir em dezembro.

Em um levantamento feito no setor, no fim de setembro 10 unidades já haviam paralisado a safra, sendo 7 delas apenas em Goiás. Na safra anterior, o Estado moeu cerca de 73 milhões de toneladas de cana. (Revista Globo Rural 11/10/2016)

 

Com álcool mais caro, gasolina leva vantagem

Depois de um período de preços mais baixos, o etanol disparou e já chega a custar R$ 2,599 na capital.

Pesquisa feita ontem à tarde pela reportagem mostra que a alta no valor do litro derrubou a vantagem desse combustível em relação à gasolina.

Como o rendimento do veículo abastecido com álcool é menor, ele é vantajoso quando o preço do litro equivale a, no máximo, 70% do que é cobrado pelo litro da gasolina.

A principal razão para a alta de preços é a oferta menor do combustível, encarecendo o produto nas usinas, que estão com a maior parte da capacidade voltada para a produção de açúcar. (Agora 12/10/2016)

 

Déficit global de açúcar pode persistir por vários anos

O déficit global de açúcar pode persistir por vários anos, de acordo com o analista Claudiu Covrig, da consultoria S&P Global Platts.

Em sua estimativa, Covrig levou em consideração a capacidade atual de produção de diferentes países e os investimentos planejados.

Mesmo que as condições sejam perfeitas e cada país maximize sua produção, o mundo terá um superávit entre 1 milhão e 9 milhões de toneladas em 2021, disse o analista durante conferência em Londres. Em seu cálculo, Covrig considerou que o consumo vai continuar crescendo entre 1% e 2% ao ano.

Para a atual temporada, analistas preveem um déficit de aproximadamente 8 milhões de toneladas. (Brasil Agro 13/10/2016)