Setor sucroenergético

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Odebrecht Agro quer ampliar participação de cana de terceiros de 22% para 40%

Compra de cana está dentro da estratégia de crescimento da empresa. Odebrecht Agroindustrial produziu 23,84% da cana do Mato Grosso do Sul no ciclo 2015/16.

Na safra 2015/2016 a Odebrecht Agroindustrial processou em suas três unidades em Mato Grosso do Sul: Santa Luzia (Nova Alvorada do Sul), Costa Rica (Costa Rica) e Eldorado (Rio Brilhante), 11,580 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o equivalente a 23,84% de toda a produção do estado na temporada, que foi, conforme a Associação dos Produtores de Bioenergia (Biosul), 48,557 milhões de toneladas.

Já no ciclo 2016/2017, que está em andamento, a projeção da empresa é ampliar a moagem no estado em 7%, elevando o processamento para 12,400 milhões de toneladas. Dentro da estratégia de ampliação da produção traçada pela companhia, vem ganhando importância a compra de matéria-prima que é produzida por produtores parceiros.

Segundo o vice-presidente de Parcerias Agrícolas da Odebrecht Agroindustrial, Fabiano Zillo, atualmente cerca de 22,45% da cana moída pela empresa no estado, o equivalente a 2,600 milhões de toneladas, vem de parceiros, mas a meta da companhia é que até 2022 chegue a 40%.

Os contratos firmados com os parceiros, conforme Zillo, são de longo prazo, de 7 a 12 anos, o que representa de um a dois ciclos produtivos completos para a cana. Além desta estabilidade e segurança tanto para quem compra quanto para quem vende o produto, ele cita como uma das principais vantagens deste modelo de negócio, a redução do risco da atividade agrícola, que passa a ser compartilhado.

“Além da remuneração, os parceiros recebem ainda suporte para o desenvolvimento do plano de negócios e apoio técnico da empresa para que melhorem os índices de produtividade e qualidade do canavial”, ressalta, completando o sistema também gera impactos positivos para a economia das regiões onde as plantas estão instaladas.

“Nossos fornecedores compram mais produtos e serviços das empresas e do comércio local. Isso estimula a criação de novos empregos, a geração de renda e estimula a economia destas cidades, promovendo o desenvolvimento regional”, analisa.

As três unidades de Mato Grosso do Sul juntas têm, conforme a empresa, 26 fornecedores com contrato. Esses parceiros cultivam 43 mil hectares com cana-de-açúcar.

Uma das principais fornecedoras é a empresa agrícola Agroterenas, que desde 2010 fornece matéria-prima para Odebrecht Agroindustrial em Mato Grosso do Sul. Segundo o presidente da empresa, José Eugênio de Rezende Barbosa Sobrinho, são 15 mil hectares cultivados com cana-de-açúcar em Deodápolis, a 245 quilômetros de Campo Grande, para abastecer as usinas Eldorado e Santa Luzia.

Ele conta que sua família produz cana-de-açúcar e laranja no interior de São Paulo desde a década de 40 e que decidiu investir em Mato Grosso do Sul, mais especificamente na região de Deodápolis, em razão das características de solo e clima da região, que têm bom volume de chuva e solos de qualidade média a boa, além do potencial de crescimento da atividade.

“O setor [sucroenergético] enfrentou nos últimos dois, três anos, um momento complicado, mas agora está se reequilibrando, tendo uma melhor relação de margens e custos, e uma melhor rentabilidade. Parcerias como essa com a Odebrecht, de longo prazo, e a perspectiva que a empresa aponta para ampliar a compra de fornecedores para até 40% do volume moído nos dão maior segurança para investir, pois demonstram que os desafios vão ser superados e o crescimento será retomado”, analisa.

Em junho deste ano a própria Odebrecht Agroindustrial concluiu um processo de restruturação de capital. No processo, houve uma capitalização de R$ 6 bilhões da Odebrecht S.A. na empresa, sendo R$ 2 bilhões por meio de aporte de ativos e R$ 4 bilhões em aporte financeiro.

A operação, conforme a companhia, permitiu além da redução da alavancagem da empresa e a adequação dos prazos dos financiamentos com a capacidade de geração de caixa da empresa, por meio do alongamento da dívida.

Reunião em Campo Grande

Nesta quinta-feira (13), a Odebrecht reuniu em Campo Grande fornecedores de matéria-prima dos quatro estados em que atua: Mato Grosso, São Paulo e Goiás, além de Mato Grosso do Sul. O evento teve o objetivo de estreitar o relacionamento da empresa com seus parceiros, possibilitando a troca de experiências e boas prática, trazendo à tona temas relevantes para toda a cadeia.

“Nossa intenção é fortalecer a relação com estes parceiros que confiaram em nós e aceitaram o desafio de produzir com qualidade nas novas fronteiras”, destaca o vice-presidente de Parcerias Agrícolas, completando que a companhia exige que os parceiros também tenham compromisso com a sustentabilidade, assim como a própria empresa, de modo a assegurarem respeito com aspectos ambientais e sociais, além dos econômicos.

Os fornecedores que atendem a empresa têm dois perfis distintos. Um é formado por grandes produtores que se responsabilizam por toda a operação agrícola e tem capacidade para entregar mais de 200 mil toneladas por ano. O segundo é composto por produtores de pequeno porte, com os quais, a companhia compartilha a produção e os resultados do canavial.

Na safra passada, a empresa contabilizou 31 parcerias agrícolas nos estados em que atua, adquirindo um total de 4,9 milhões de toneladas, o equivalente a 17% do total de moagem de todas as suas unidades no período. (G1 14/10/2016)

 

Ações das usinas disparam com valorização do açúcar

Desde que começou a primeira safra mundial de açúcar em que a produção foi inferior ao consumo após cinco ciclos com oferta de sobra, não apenas os preços da commodity dispararam como as ações das companhias produtoras no Brasil também avançaram, superando o desempenho médio das demais companhias de capital aberto na BM&FBovespa e, em alguns casos, alcançando máximas históricas.

Desde o início do ciclo internacional 2015/16, em 1º de outubro do ano passado, até o fim, em 30 de setembro, as ações da Cosan (que controla 50% da Raízen) subiram 93%, as da Biosev registraram valorização de 71% e as da São Martinho, de 52%. No caso da Tereos, que fechou o capital no mês passado, as ações subiram 218% do início do ciclo até 26 de setembro, mas as negociações também foram influenciadas pelo processo de oferta pública de aquisição (OPA), anunciada no ano passado.

As escaladas superaram com folga a alta do Ibovespa no período (29%) e continuaram a ganhar força neste mês, conforme o Valor Data. No intervalo, os preços do açúcar subiram 79% na bolsa de Nova York.

As ações da Cosan tiveram uma sequência de recordes e alcançaram R$ 41,45, superando a última máxima dos papéis, observada em meados de 2013, quando a empresa começou a negociar a fusão da Rumo com a ALL.

É evidente que essa evolução não pode ser atribuída somente ao negócio de açúcar e etanol, tocado pela joint venture com a Shell, a Raízen Energia, uma vez que a Cosan também tem negócios de distribuição de combustíveis, gás e logística. Mas os resultados apresentados pela área aparecem com destaque nos resultados da companhia e nas avaliações dos analistas.

Paula Kovarsky, diretora de relação com investidores da Cosan, ressalta que, além de impulsionado pela alta do açúcar, o desempenho das ações também está relacionado a decisões estratégicas como a busca por ganho de participação no mercado de combustíveis, através da Raízen Combustíveis, e a otimização operacional da Raízen Energia, com a regionalização da gestão das usinas e investimentos em "inteligência logística".

"Nós aproveitamos o ciclo continuado de baixa para fazer um dever de casa muito criterioso, para melhorar os retornos mesmo quando o preço não estava tão bom", afirmou. Paula acrescentou que a política de desalavancagem, adotada há pouco mais de um ano, também é um "componente importante" para os resultados.

Em 30 de setembro, a Cosan também acertou a venda de parte de sua participação na empresa de terras Radar à sócia Mansilla por R$ 1 bilhão, e esses recursos serão utilizados para continuar a reduzir a alavancagem e pagar dividendos. Desde o anúncio da venda, os papéis da companhia subiram 9,9%.

O fato da transação ter sido feita pelo valor patrimonial líquido foi considerado por analistas como um fator positivo para a Cosan, já que vendas desse tipo costumam ocorrer com desconto.

A notícia também foi bem recebida por outras empresas do segmento que possuem terras. É o caso da São Martinho, que possui terras avaliadas em R$ 2,9 bilhões. "Com o valor de venda da Cosan, o mercado entende que as terras efetivamente valem aquilo que está no laudo", disse Filipe Vicchiato, diretor financeiro da São Martinho.

Na safra global 2015/16, os papéis da São Martinho subiram 52%, mas a arrancada se deu nos últimos meses, já que as exportações só aceleraram com o avanço da safra no país, explicou o executivo.

Em 13 de outubro, os papéis ordinários da empresa atingiram a máxima histórica de R$ 62,36. Segundo um analista que acompanha a área, a São Martinho tem sido uma "referência" para o segmento por causa de seu desempenho operacional.

As ações de Biosev, controlada pela multinacional francesa Louis Dreyfus Company, também acumularam alta expressiva na safra global 2015/16, mas o comportamento foi diferente ao longo do ciclo. Os papéis começaram a temporada em R$ 4,95. Pelo preço ser bem menor que das outras empresas e pela baixa liquidez, as ações a mais que duplicarem de valor até o fim de julho. De lá até 30 de setembro, porém, houve recuo 29,2%.

Segundo analistas consultados pelo Valor, os papéis da Biosev foram afetados pelos resultados do primeiro trimestre da safra brasileira 2016/17, de abril a junho. Após dois trimestres seguidos de lucro, a companhia teve prejuízo de R$ 353,3 milhões e sua dívida líquida ficou maior que no mesmo período do ano anterior (R$ 5,5 bilhões).

Os analistas observam que o endividamento elevado, concentrado em moeda estrangeira em um cenário em que o dólar ainda está mais valorizado do que em 2015, continua provocando gastos elevados com pagamento de juros, consumindo o caixa da empresa e dificultando a desalavancagem.

A situação, porém, já esteve mais apertada, já que no fim do primeiro trimestre a dívida em dólar representava 75% da dívida bruta total, contra 77% no trimestre anterior. Procurada, a empresa preferiu não conceder entrevista sobre o assunto.

Mesmo companhias que têm capital aberto fora do país também estão sendo beneficiadas pela alta do açúcar. A argentina Adecoagro, que possui três usinas no Brasil, viu suas ações subirem 43% na bolsa de Nova York durante a safra global 2015/16. Os papéis da indiana Shree Renuka Sugars, que controla quatro usinas no Brasil, avançaram 113% no período na bolsa de Mumbai. A exceção é a espanhola Abengoa, que controla três usinas no Brasil. Com foco no mercado de energia elétrica, a empresa tem enfrentado dificuldades e está em recuperação judicial na Espanha. Na bolsa de Madri, suas ações recuaram 73% na safra 2015/16.

Para o curto prazo, analistas observam que o desempenho operacional das usinas pode ser afetado, ainda que pouco, pela redução dos preços da gasolina anunciada pela Petrobras. Analistas consultados preveem que a queda de preços da gasolina nos postos, e a consequente perda de competitividade do etanol, pode ter impacto negativo de 1% sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das usinas com capital aberto na safra brasileira 2017/18. (Valor Econômico 17/10/2016)

 

A origem e a importância da Cide

É chegada a hora de o governo adotar uma política pública em relação aos preços dos combustíveis fósseis.

A origem da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) nos combustíveis é datada de 1997, quando foi sancionada a Lei 9.478/97, conhecida como a lei da abertura do mercado do petróleo. Nesta existia o artigo 69, que exigia que, durante um período de transição (três anos), a política de preços dos combustíveis no País seria determinada por uma portaria interministerial do Ministério da Fazenda e de Minas e Energia. Para atender à portaria se construiu uma fórmula paramétrica em que os preços dos combustíveis seriam determinados todo início de mês, variando em razão dos preços do mercado internacional e do câmbio.

Nesta fórmula, entretanto, havia um elemento chamado Parcela de Preço Específica (PPE), que teria como função evitar transferências para o mercado interno de grandes alterações do preço internacional, provocadas, por exemplo, por algum grande evento geopolítico – e, ao mesmo tempo, gerar recursos para o fim da conta petróleo e assegurar competitividade ao etanol. Essa PPE era recolhida nas refinarias da Petrobrás.

No momento de liberação dos preços nas refinarias, verificou-se a necessidade de criar um outro imposto, na medida em que a PPE não poderia ser cobrada de agentes privados por ocasião da importação de qualquer combustível. Isso acabou aumentando aquele período de transição em mais um ano e levou à criação da Cide.

A Cide existe desde 1.º de janeiro de 2002, quando os preços dos combustíveis foram liberados ao longo de toda a cadeia do setor petrolífero, do poço ao posto. Criada por meio de lei, a Cide tem piso zero e um teto cujo valor varia em razão do combustível, e é cobrada na refinaria. Além de beneficiar a União, Estados e municípios com seus recursos, ela funciona como imposto ambiental, sobretudo quando aplicada na gasolina e no diesel. A ideia seria cobrar uma Cide alta quando o barril de petróleo estivesse elevado e uma mais baixa quando o preço dele caísse.

O problema é que os preços dos combustíveis, na prática, nunca funcionaram de forma livre, e sim com grande intervenção do governo, principalmente a partir do final do segundo mandato do presidente Lula. Essa política intervencionista, com fins políticos e de controle da inflação, levou a um uso totalmente errado da Cide. No governo do PT, em particular no da presidente Dilma, a Cide incidente na gasolina foi reduzida na tentativa de aumentar o caixa da Petrobrás, pelo fato de o petróleo estar caro e pela decisão populista do governo de não repassar ao consumidor os altos preços do petróleo. Em 2012, ao zerar a Cide da gasolina, o governo não evitou a quebra da Petrobrás e levou o setor de etanol à maior crise da sua história.

Com o novo ciclo de preços baixos do barril de petróleo, a partir do final de 2014, o governo voltou a cobrar Cide na gasolina. Porém, apesar do barril baixo, optou-se por uma Cide pequena, com o intuito de beneficiar a Petrobrás, com a reposição das perdas geradas nos últimos cinco anos.

Desde o fim de 2014, a Petrobrás vem auferindo prêmios com a venda de gasolina e diesel. Enquanto isso, a União, Estados e municípios continuam sem os benefícios de uma Cide mais elevada; e o setor de etanol, que foi tão prejudicado quanto a Petrobrás, vem perdendo competitividade.

Acho que é chegada a hora de o governo adotar uma política pública em relação aos preços dos combustíveis fósseis, principalmente a gasolina, menos preocupada com a inflação e mais preocupada em dar um sinal de preço que incorpore a variável ambiental. É a forma mais apropriada e o uso correto da Cide. Caso contrário, estaremos eliminando a participação do etanol hidratado da matriz de combustível no Brasil, e as consequências serão inúmeras, mas destaco duas: 1) não iremos atender às metas ambientais a que nos comprometemos na COP-21, de Paris; e 2) certamente a principal, estaremos jogando fora tecnologia, geração de empregos e a possibilidade de o Brasil se transformar na grande plataforma mundial de produção de etanol, agora, com a chegada do etanol 2G. (O Estado de São Paulo 15/10/2016)

 

Assembléia geral de credores da Usina São Fernando será em 17 de novembro

O Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da 5ª Vara Cível da Comarca de Dourados, determinou a data da assembléia geral de credores da Usina São Fernando.

A reunião acontecerá no dia 17 de novembro de 2016, às 9h, no Cerrado Brasil, localizado na Avenida Albino Sotolani, nº. 2480, em Dourados. Na data, a EXM Partners, consultoria responsável pelo plano recuperação judicial da empresa, conduzirá a apresentação a proposta e sua respectiva votação.

Caso necessário, a segunda convocação já tem data definida, 1º de dezembro de 2016, no mesmo horário e local. Neste plano de recuperação judicial, são requentes as empresas São Fernando Açúcar e Álcool Ltda., São Fernando Energia I Ltda., São Fernando Energia II Ltda., São Marcos Energia e Participações Ltda., São Pio Empreendimentos Participações Ltda. e Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia S/A Ltda. (Agora MS 15/10/2016)

 

Etanol deve ficar menos competitivo

No curto prazo, preço menor da gasolina deve tirar mercado do álcool; para setor, no entanto, política da Petrobrás é positiva no longo prazo.

A nova política de preços de combustíveis da Petrobrás deve ter impacto direto no mercado de etanol. A redução de 3,2% no preço da gasolina e de 2,7% no do diesel deve tornar o álcool menos competitivo, pelo menos no curto prazo. Com oferta já apertada, a avaliação do setor é que as cotações do etanol devem se manter firmes pelo menos até o fim da entressafra de cana-de-açúcar, em março de 2017.

“Neste momento, não deverá haver redução no preço, e o etanol ficará menos competitivo”, disse o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari. Dados divulgados ontem pela União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) mostram que a fabricação de álcool hidratado, usado diretamente no tanques dos veículos, está 7,6% menor entre abril e setembro na comparação com igual período do ano passado, totalizando 11,6 bilhões de litros. Os números mais recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o etanol hidratado só é vantajoso em relação à gasolina em Mato Grosso.

Apesar disso, para o longo prazo, a nova política de preços da Petrobrás, que prevê acompanhar as cotações dos combustíveis no mercado internacional, foi considerada positiva. O setor sofreu nos últimos anos com o congelamento da cotação da gasolina e viu diversas usinas fecharem as portas. “Imagine se essa política tivesse sido adotada em 2009, 2010”, disse a presidente executiva da Unica, Elizabeth Farina, referindo-se ao momento em que teve início a crise do setor. “Recebemos de forma positiva essa notícia, mas não deixamos de lado a defesa de uma política de valoração dos combustíveis renováveis”, frisou.

Riscos

Em relatório, o Itaú Unibanco disse considerar que a previsibilidade gerada por essa nova política de preços, anunciada pelo presidente da estatal, Pedro Parente, reduz os riscos regulatórios para o setor de etanol, o que é positivo no longo prazo. O argumento é o de que as cotações da gasolina congeladas nos últimos cinco anos foram um dos principais responsáveis pela crise que se abateu sobre o segmento sucroenergético.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, disse esperar que “junto com o novo comportamento de preços da Petrobrás também venha um novo comportamento do governo em relação às externalidades negativas da gasolina”. Para ele, seriam importantes tributações sobre o combustível fóssil, mais poluente. (O Estado de São Paulo 15/10/2016)

 

Unica responde investigação da China; diz que não há base para restringir açúcar do Brasil

O setor sucroenergético do Brasil informou às autoridades da China não reconhecer qualquer surto (disparada) de importação de açúcar entre 2011 e 2016 que justifique a adoção de salvaguardas sobre as compras pelo gigante asiático. O prazo para a apresentação de defesa se encerrou na quarta-feira, 12.

Capitaneado pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o segmento citou que a importação chinesa do alimento em 2015 se assemelhou à de 2013. Considerando só o primeiro trimestre de 2016, as compras ficaram aquém das observadas nos últimos anos, disse ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) o diretor executivo da entidade, Eduardo Leão de Sousa.

Atendendo a reivindicações do setor produtivo local, a China iniciou em 22 de setembro uma investigação sobre as importações de açúcar entre janeiro de 2011 a março de 2016, quando as compras desse produto cresceram 663%. Brasil, Austrália, Tailândia e Coreia do Sul seriam os países mais afetados caso o Ministério de Comércio chinês conclua que as importações foram prejudiciais e adote salvaguardas. Esses dispositivos, na prática, elevariam as tarifas de importação do açúcar, podendo tornar inviável a outros países produtores a venda para a China.

"Basicamente, o setor produtivo do Brasil não reconhece o surto de importações. Fixamos nossa defesa na linha de importações mundiais, mas se olharmos para as vendas brasileiras (à China), fica ainda menos caracterizado", comentou o executivo. Leão de Sousa destacou que em 2011 o País exportou 2,138 milhões de toneladas à nação asiática, volume que subiu a 2,150 milhões de toneladas em 2012 e alcançou um pico de 3,496 milhões de toneladas em 2013. Desde então, recuou para 2,282 milhões de toneladas em 2014 e 2,506 milhões de toneladas em 2015. No primeiro trimestre de 2016, ficou em 475 mil toneladas, inferior ao registrado em anos anteriores.

"O mais importante é descaracterizar que houve um surto global (de importações). Não enxergamos esse episódio e já pedimos ao governo chinês uma audiência pública para defendermos nossa posição", destacou Leão de Sousa. Segundo ele, ainda não há prazo para essa audiência.

Tailândia

O executivo informou, ainda, que a Tailândia aprovou mudanças em sua política de subsídios ao açúcar, o que poderia evitar a abertura, por parte do Brasil, de um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro e a própria Unica, contudo, ainda aguardam detalhes a respeito para a tomada de uma decisão. O prazo para uma resposta tailandesa se esgota agora em outubro, conforme noticiou o Broadcast Agro em 28 de setembro.

As discussões sobre os subsídios na Tailândia começaram no ano passado, mas foi em fevereiro último que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Ministério das Relações Exteriores a trabalhar em um contencioso junto ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC.

Após a fase de consultas, os próximos passos são a abertura do painel ou uma solução entre as partes. Basicamente, o Brasil afirma que a Tailândia elevou em 2014 o valor pago pela tonelada de cana, incentivo válido para cerca de 300 mil produtores e para um total de mais de 100 milhões de toneladas. Também questiona o aumento da área plantada no país asiático nos últimos anos e pede informações sobre os custos de logística e como são definidos os preços internos do açúcar, por vezes superiores aos praticados no mercado internacional. (Agência Estado 14/10/2016)

 

Consumidor deve economizar R$ 0,03, dizem postos

A redução do preço da gasolina para o consumidor deve ser de R$ 0,03 por litro, menor que os R$ 0,05 estimados pela Petrobras, segundo projeção do Sincopetro (sindicato dos postos de combustíveis de São Paulo).

O presidente da entidade, José Alberto Gouveia, atribui a diferença à alta recente nos preços do etanol, que sobem com a aproximação da entressafra da cana-de-açúcar. O gasolina vendida nos postos tem 27% do biocombustível na mistura.

Ao anunciar, na manhã desta sexta-feira (14), o corte no valor da gasolina e do diesel, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, estimou os centavos a menos na bomba caso a redução fosse repassada ao consumidor.

"É complicado antecipar o desconto para o consumidor, porque que pode frustrá-lo muito", diz Elizabeth Farina, presidente da Unica (entidade da indústria da cana-de-açúcar). Ela defende que, como componente da gasolina, o etanol não pode ser "culpado" se o combustível não baixar de preço.

Além de esperar um reajuste menor, o motorista também precisará ter paciência. Historicamente, leva de quatro a seis semanas para o novo preço chegar aos postos, por causa dos estoques.

A expectativa, no entanto, é que a queda no preço dos combustíveis chegue e tenha impacto positivo para a inflação, que em setembro subiu 0,08%, o melhor resultado para o mês desde 1998.

"Isso é uma decisão da Petrobras, uma grande mudança os preços de gasolina e diesel deixarem de ser definidos pelos Executivo[...]. Não há dúvidas de que, nesse caso específico, é favorável do ponto de vista da inflação", disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Para analistas, o alívio extra para o IPCA (indicador oficial de inflação) deve ser de 0,06 a 0,10 ponto percentual no acumulado do ano e ajudará o Banco Central na decisão de cortar a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. A reunião ocorre na próxima semana.

A inflação de 2016 chegou a 5,51%, acima da meta para o ano, que é de 4,5%, e analistas esperam que o índice termine o ano ao redor de 7%.

"Esse é um desenrolar positivo e deve dar ao Banco Central ainda mais conforto para começar a afrouxar a política monetária na próxima semana. Se os preços dos combustíveis continuarem a cair nos próximos meses, o BC terá espaço extra para cortar a Selic de forma mais agressiva em 2017", disse o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em nota. (Folha de São Paulo 15/10/2016)

 

Açúcar: Melhor previnir – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Aumenta a inquietação entre os participantes do mercado a respeito da trajetória que o preço do açúcar no mercado internacional poderá tomar quando os fundos começarem a liquidar suas massivas posições compradas. A despeito dos fundamentos do açúcar se mostrarem construtivos e manterem o mesmo clima favorável para o próximo ano, em face ao tamanho da safra de cana do Centro-Sul que, de modo incontroverso, aponta para menos de 600 milhões de toneladas, não se pode cair no auto-engano.

O que está sobre a mesa é a difícil decisão sobre o momento certo de fixar preços. Ela vem devidamente acompanhada do inseparável receio de que se o mercado cair e nenhuma fixação for feita, restará a sensação de perda do que poderia ter sido uma chance de ouro para abastecer o caixa da empresa, misturado com outro temor oposto de que, tendo fixado os preços e o mercado continuar subindo, denote precipitação na tomada de decisão. É nesse estágio que o raciocínio se contamina e desenvolve uma rígida convicção interior (a de que os preços subirão indefinidamente) apesar das evidências contrárias que cercam o ambiente. É quase uma patologia essa obsessão por preços continuamente altos.

Em meados de setembro do ano passado, portanto há pouco mais de um ano, o mercado futuro de açúcar em NY (vencimento outubro/2015) negociava ao equivalente a R$ 1.000 por tonelada FOB, com prêmio de polarização. Dentro de muitas usinas, a ordem que vinha de cima era fixar preço se o mercado negociasse “acima de R$ 1.000 por tonelada”. E assim foi feito. Só para recordar e colocar a análise no contexto histórico, em setembro de 2015 havia mais de 1.000 dias desde a última vez que o mercado de açúcar negociara ao equivalente a R$ 1.000 por tonelada FOB. Foi em 9 de outubro de 2012 (NY a 21.47 centavos de dólar por libra-peso e dólar a R$ 2.0364).

Hoje, o custo de produção de açúcar VHP no Centro-Sul, gira em torno de R$ 1.000-1.050 por tonelada equivalente FOB, com prêmio de pol, enquanto o vencimento março/2017 negocia acima dos R$ 1.680 por tonelada. Quantas vezes, nos últimos dez anos, o açúcar VHP negociou na bolsa de NY a um preço que convertido pela moeda brasileira fosse 60-70% acima do custo de produção? Em duas ocasiões: a primeira em janeiro de 2010 quando o ágio chegou acima de 105% evaporando dois meses depois; a segunda, em fevereiro de 2011 quando o ágio chegou acima de 90% evaporando três meses depois. Ou seja, os ágios evaporam.

Raramente, ou seja, em menos de 2.5% das ocasiões o mercado negociou com ágio acima de 72%. Isso quer dizer que este escriba ficou baixista de uma hora para outra? Não é isso. Apenas gostaria de demonstrar que nenhum mercado sobe indefinidamente e que construir uma sólida média de preço contribui sobremaneira para a saúde e perenidade da empresa. É melhor prevenir que remediar. Muito difícil que uma fixação de preços em reais por tonelada tanto para a safra 17/18 como para a safra 18/19, acima de R$ 1.700 por tonelada, possa dar errado. Por isso, embora acredite que os preços em centavos de dólar por libra-peso podem subir um pouco mais, em reais por tonelada é uma oportunidade que faltam argumentos para deixar passar.

Existem alternativas para quem não quer fixar tudo agora. Pelo menos uma fence (a compra de uma put com a venda de uma call) deveria ser colocada nos livros, pois vai que.... Nos últimos cinco anos, NY negociou na média 18.58% acima do custo de produção. E em dois terços de todos os pregões nesse mesmo período o retorno ficou entre 2% negativo e 38% positivo.

Os fundos devem ser “responsabilizados” por pelo menos uns 300 pontos de alta acima do que deveria ser o padrão que estimávamos antes. Lembrando que dizíamos aqui que nossa meta inicial para o último trimestre de 2016 era de NY negociar a 18 centavos de dólar por libra-peso.

A quarta estimativa de fixação de preços das usinas no mercado futuro de açúcar em NY para a safra 2017/2018 aponta, segundo o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, que até o final de setembro/2016 7,17 milhões de toneladas já haviam sido fixadas (27% da exportação estimada). O preço médio apurado foi de 16.88 centavos de dólar por libra-peso. Em safras anteriores, o percentual máximo de fixação acumulada até o mês de setembro foi de 19.72% em 2014/2015. Os preços altamente remuneradores fazem com que as usinas antecipem suas fixações. O percentual só não é maior devido a uma enorme parcela das usinas que estão impossibilitadas de fixar preços por restrições de crédito. O valor médio ajustado de fixação, considerando as NDFs (contratos a termo de dólar com liquidação financeira) é estimado em R$ 1.528,74 por tonelada, ou 66.55 reais por libra-peso, sem prêmio de polarização.

Nesta segunda-feira, dia 17 de outubro, estarei na 16ª. Conferência Internacional Datagro Sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, no Hyatt, atendendo a um honroso convite do gentil amigo e papa do setor, Plinio Nastari. Serei o moderador do atualíssimo painel “O Ciclo de Preços Vai Durar Quanto Tempo? Balanço Oferta-Demanda, Mercado De Energia, e Especuladores”. Se vocês estiverem por lá, será um prazer revê-los (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)